Resumo do Grande Prêmio da África do Sul de Fórmula 1 realizado em Kyalami em 4 de março de 1972. Segunda etapa do campeonato, foi vencido pelo neozelandês Denny Hulme, da McLaren-Ford, com Emerson Fittipaldi em segundo pela Lotus-Ford e Peter Revson em terceiro pela McLaren-Ford.
Resumo Jean-Pierre Beltoise retorna Quarenta e um dias após o Grande Prêmio da Argentina, a Fórmula 1 cruzou o Oceano Atlântico para mais uma corrida na África do Sul, e sua chegada à Kyalami ocorreu sem imprevistos logísticos, mas com algumas mudanças no grid de largada, como a estreia de Jean-Pierre Beltoise à BRM, reabilitado após as questões legais decorrentes da morte de Ignazio Giunti nos 1000 km de Buenos Aires ano passado.O acidente fatal do italiano Ignazio Giunti ocorreu em 10 de janeiro de 1971, quando a Matra-Simca de Jean-Pierre Beltoise ficou sem gasolina e o francês a empurrava pela pista ao invés de abandonar a corrida. Na trigésima oitava volta, Mike Parkes percebeu o que acontecia e desviou para a esquerda, mas o mesmo não fez Ignazio Giunti, que interpretou o gesto do rival (a quem perseguia ferozmente) como uma "autorização" para ultrapassar, razão pela qual seguiu à direita sem notar a presença de Beltoise. Em questão de segundos, a Ferrari 312 PB de Giunti bateu violentamente no carro do francês, explodindo em chamas. Retirado dos escombros, o piloto nascido em Roma morreria em seguida. Suspenso durante três meses por infringir as normas de segurança, Beltoise perdeu o Grande Prêmio da África do Sul de 1971, mas correu as cinco provas seguintes. Todavia, ele não esteve na Alemanha porque a Federação Francesa de Automobilismo negou-lhe a superlicença, além de não correr na Áustria e na Itália, pois a Matra não compareceu em uma prova e inscreveu apenas um carro no país natal de Giunti.
A situação descontínua da carreia de Beltoise cessou quando o mesmo participou das últimas corridas de 1971, mas o piloto francês não esteve no subsequente Grande Prêmio da Argentina de 1972, por razões burocráticas envolvendo a sua inscrição, disseram oficialmente, mas o temor de ações judiciais relativas à morte de Ignazio Giunti sempre era lembrado em avaliações reservadas, motivo pelo qual sua estreia pela BRM aconteceu em Kyalami.
Outras novidades na etapa sul-africana foram: a volta de Mike Hailwood à Surtees para correr junto a Tim Schenken e Andrea de Adamich, enquanto Rolf Stommelen defendia a novata Eifelland e Frank Williams promovia a estreia de José Carlos Pace. Campeão da Forward Trust da Fórmula 3 Britânica em 1970 pela equipe de Jim Russell, o brasileiro já estava sob contrato, mas não correu na Argentina porque sua March não ficou pronta a tempo.Os campeões da Fórmula 3 Britânica em 1970 foram: Dave Walker na Lombank F3, Tony Trimmer na Shellsport F3 e José Carlos Pace na Forward Trust F3. Quanto às equipes locais, a Scuderia Scribante alugou uma Lotus para Dave Charlton e a Gunston destinou uma Surtees para John Love e uma Brabham para William Ferguson.
O poder mudou de mãos O ano de 1971 rumava para o fim quando Bernie Ecclestone comprou a Brabham, estreando como dono de equipe em setembro, no Grande Prêmio do Canadá, quando dobrou os organizadores da prova e os fez assumir os custos de transporte e logística de todo o maquinário da Fórmula 1 até Motorsport Park e aumentassem a premiação em dinheiro destinada às equipes. Em novembro, negociou com os militares argentinos para reinserir o país no calendário, e ao assinar o contrato, empenhou-se em garantir a realização da prova: assinou com uma empresa de logística do Reino Unido para transportar a categoria a preços acessíveis, e tão logo chegou a Joanesburgo apresentou seu plano baseado nos resultados obtidos até ali. Como a Ferrari, era a favorita dos organizadores locais, Ecclestone propôs diminuir o abismo entre o time italiano e os construtores britânicos, aumentando a participação nos lucros a partir, por exemplo, das transmissões pela televisão (ainda incipientes) ou contratos com os governos ou entes federativos locais.A transmissão do Grande Prêmio da África do Sul para o exterior dependia de emissoras estrangeiras que vinham ao país cobrir o evento in loco, pois não havia nenhum canal de TV em território nacional. Em 1973, a Rede Globo gravou um videoteipe de vinte e cinco minutos, mas para que o material fosse despachado por via aérea e chegasse ao Brasil a tempo de ser exibido no dia seguinte, excluiu o fim da prova. Somente em 1976, entrou no ar a South African Broadcasting Corporation.
Hábil ao defender seus pontos de vista, o novo dono da Brabham foi nomeado representante da F1CA em negociações dessa natureza, reservando para si uma comissão em troca dos serviços prestados, afinal Bernie Ecclestone não é ingênuo a ponto de negligenciar seus próprios interesses. Para tratar dos aspectos jurídicos da nova administração, o dirigente britânico associou-se ao advogado Max Mosley, um dos fundadores da March, contudo, a demonstração efetiva do poder de Ecclestone aconteceu quando Andrew Ferguson saiu do cargo de secretário-geral da F1CA em favor de Peter Macintosh, homem de confiança do novo chefão da Fórmula 1.
Pole inegável de Stewart No treino extraoficial de quarta feira, os melhores tempos couberam a Jackie Stewart, Carlos Reutemann, Jacky Ickx, Chris Amon, François Cevert e Emerson Fittipaldi. No dia seguinte, o britânico da Tyrrell manteve-se em primeiro e Fittipaldi veio a seguir, adiante de Clay Regazzoni, Jacky Ickx e Ronnie Peterson. Na sexta-feira, Stewart confirmou o favoritismo e garantiu a pole position, com a Ferrari de Regazzoni e a Lotus de Fittipaldi junto a ele na primeira fila. O brasileiro, aliás, levou um susto ao perder o pneu dianteiro esquerdo numa das curvas de Kyalami, mas conseguiu frear e não sofrer danos. Em quarto lugar, Mike Hailwood colheu os frutos de ter seu carro ajustado pelo dono de sua equipe, John Surtees, com Denny Hulme em quinto lugar, enquanto Andretti e Ickx atingiram a terceira fila pela Ferrari ao lado da Tyrrell de Cevert, que fez sua melhor volta antes do carro sucumbir ao calor sul-africano.
Avançando alguns degraus, notamos que a Brabham capturou a sexta fila com Graham Hill adiante de Carlos Reutemann, enquanto o estreante José Carlos Pace lidou com problemas no ajuste da suspensão, para desalento de Ron Tauranac, consultor técnico da Frank Williams Racing Cars, equipe responsável pela March do piloto brasileiro, relegado ao vigésimo quarto lugar, sete posições atrás do sul-africano Dave Charlton. Para decepção do público local, os carros da Gunston foram relegados à última fila. Pena que uma quebra de motor deixou o estreante William Ferguson fora da corrida antes da largada, assim John Love foi o único a defender a própria equipe.
Vitória de Denny Hulme Hulme e Fittipaldi largam melhor e o neozelandês impera na primeira freada da corrida, mas nas duas voltas seguintes, a Tyrrell de Stewart prevalece sobre eles e Hulme é ultrapassado na linha de cronometragem, enquanto Fittipaldi lida com o avanço de Hailwood e um embate entre Cevert e Peterson acontece alguns metros depois. Para a deceoção da torcida, Dave Charlton abandona a corrida por defeito na bomba de combustível e em sua atabalhoada volta aos boxes acaba atropelando um mecânico, felizmente sem gravidade. A essa altura, Stewart estava um segundo adiante de Hulme, marca que triplica na sexta volta e sobre para quatro segundos na décima passagem, com o piloto da McLaren sofrendo pressão de Fittipaldi e este de Hailwood. Um grupo formado por Gethin, Cevert e Beltoise é obrigado a parar nos boxes por avarias mecânicas, pouco antes de Fittipaldi e Hailwood deixaram Hulme para trás, ficando a menos de três segundos de Stewart na vigésima volta, a mesma onde Mike Hailwood marcou a única volta mais rápida de sua carreira e a primeira da Surtees.
Hailwood tomou a vice-liderança de Fittipaldi na grande reta na vigésima terceira volta, mas uma quebra de suspensão o fez abandonar após cinco giros, pouco depois da saída de Reutemann, cujo sistema de combustível foi avariado à altura da Clubhouse. Ganley para nos boxes duas vezes e volta nas últimas posições, enquanto Stewart era guarnecido por dois segundos em relação a Fittipaldi, mas o brasileiro perseguiu o adversário forçando-o a aumentar o ritmo até quebrar a caixa de câmbio da Tyrrell, entregando a liderança para Fittipaldi na volta quarenta e cinco, com Hulme a sete segundos, contudo um ajuste mal executado na suspensão da Lotus reduziu tal diferença a nada e a McLaren de Hulme reassumiu a liderança na volta cinquenta e sete. Em pouco tempo, a vantagem do neozelandês subiu para três segundos. Embora o carro de Fittipaldi estivesse ruim, sua diferença em relação a Amon, Revson e Peterson permitia ao brasileiro administrar a vantagem que detinha, favorecido por uma passagem de Amon pelos boxes para a troca de pneus na volta sessenta e quatro.
Foi nessa volta que as posições da corrida foram alinhadas, a começar pelos oito segundos entre Hulme e Fittipaldi, com Revson numa distante terceira posição e Andretti tomando o quarto lugar de Peterson na volta setenta e três, e Hill vindo a seguir. Quando o neozelandês da McLaren cruzou a linha de chegada, sua vantagem para o rival mais próximo era de quatorze segundos, permitindo que Denny Hulme vencesse pela primeira vez desde o Grande Prêmio do México de 1969, com Emerson Fittipaldi em segundo pela Lotus e a McLaren de Peter Revson em terceiro, comemorando seu primeiro pódio na Fórmula 1. Mario Andretti terminou em quarto pela Ferrari, após sete meses sem pontuar, Ronnie Peterson em quinto pela March e Graham Hill em sexto pela Brabham. Nenhum nativo terminou a prova, mas o rodesiano John Love foi o décimo sexto, uma posição à frente da March de José Carlos Pace, estreante que ficou a seis voltas do vencedor.
Hábil ao volante, Denny Hulme respondeu em alto nível às críticas que lhe são dirigidas por conta de sua participação na Can-Am, categoria automobilística da América Anglo-Saxônica onde é bicampeão, além de reafirmar seu poderio em solo sul-africano, onde pontuou nas seis últimas corridas de Fórmula 1 ali realizadas, reescrevendo o infortúnio de 1971, onde liderou por 59 voltas, mas não venceu porque a suspensão traseira da McLaren perdeu um parafuso de fixação. Líder do mundial de pilotos com 15 pontos, Denny Hulme está à frente de Jackie Stewart com 9 pontos e Emerson Fittipaldi com 6 pontos, enquanto no mundial de construtores a McLaren soma 15 pontos, ante 9 pontos da Tyrrell, 7 pontos da Ferrari e 6 pontos da Lotus. Tais números são alvissareiros para a McLaren, pois é a primeira vitória da equipe e primeira vez que o time põe dois carros no pódio sob o comando de Teddy Mayer, além de liderar isoladamente os campeonatos de pilotos e construtores pela primeira vez na história da equipe de Woking.Graham Hill e Denny Hulme empataram em 33 pontos ao final do Grande Prêmio do Canadá de 1968, enquanto as equipes Brabham e McLaren empataram em 15 pontos após o Grande Prêmio de Mônaco de 1970, mas a liderança não coube à equipe fundada por Bruce McLaren em nenhum dos casos, pelo critério do número de vitórias.
Grande Prêmio do Brasil Após a etapa sul-africana, foi realizada a Corrida dos Campeões em 19 de março em Brands Hatch, uma edição extraoficial do Grande Prêmio do Brasil em 30 de março em Interlagos, e cancelado o Grande Prêmio do Oeste dos Estados Unidos, previsto para 9 de abril, na Califórnia.
Classificação Treinos classificatórios