Resumo do Grande Prêmio dos Países Baixos de Fórmula 1 realizado em Zandvoort em 25 de agosto de 1985. Décima primeira etapa do campeonato, foi vencido pelo austríaco Niki Lauda, que subiu ao pódio junto a Alain Prost numa dobradinha da McLaren-TAG/Porsche, com Ayrton Senna em terceiro pela Lotus-Renault.
Resumo Última pole da Brabham Embora não tenha sido o primeiro a entrar na pista, Nelson Piquet fez valer a força do conjunto Brabham-BMW e conseguiu o melhor tempo na sexta-feira, aproveitando o retão do Circuito de Zandvoort, apesar de ter sido atrapalhado pela Arrows de Thierry Boutsen. Instado a comentar o desempenho do piloto brasileiro, Keke Rosberg foi taxativoː "Não há nada que possamos (sic) para superar o tempo histórico de Piquet". Dito e feito, pois no dia seguinte nenhum dos treze pilotos que foram ao asfalto melhorou suas marcas graças à chuva e assim Nelson Piquet confirmou a décima oitava pole position de sua carreira, a primeira desde o Grande Prêmio de Portugal de 1984 e também a trigésima nona e última posição de honra na história da Brabham, algo irônico, já que foi no Grande Prêmio dos Países Baixos de 1964 que o time conseguiu sua primeira pole position, obra de Dan Gurney.
Dentre os demais pilotos cabe registrar o segundo lugar de Keke Rosberg em sua Williams enquanto Alain Prost, da McLaren, ficou em terceiro à frente da Lotus de Ayrton Senna. Empatado com Alain Prost na liderança do campeonato com 50 pontos, Michele Alboreto não foi além do décimo sexto lugar com sua Ferrari. Substituto do falecido Manfred Winkelhock na RAM, o britânico Kenny Acheson foi o único a não se classificar para a prova.
Anúncios e mudanças Assim que o Grande Prêmio da Áustria terminou, a Fórmula 1 chegou aos Países Baixos sob o impacto de uma novidadeː a decisão de Carl Haas em lançar sua própria equipe, a Haas Lola cujo carro, o Lola THL1 projetado por Neil Oatley, estreará no Grande Prêmio da Itália de 1985 usando motores Hart 415T tendo Alan Jones como piloto e sob o compromisso de contar com propulsores da Ford em 1986. Anúncios à parte, Stefan Bellof correu em Zandvoort com um modelo Tyrrell 14 em sua despedida da Fórmula 1, pois ele sofreria um acidente fatal durante uma prova do mundial de protótipos em Spa-Francorchamps a 1º de setembro de 1985. A corrida neerlandesa também foi a última de Andrea de Cesaris pela Ligier, que o demitiu após a prova e contratou Philippe Streiff para o seu lugar.
Última vitória de Niki Lauda thumb|left|Rosberg assumiu a liderança à frente de Senna, Prost e Fabi, enquanto a Brabham de Piquet parou na largada.
Cioso de sua condição e disposto a repetir a vitória de 1980, Nelson Piquet acelerou tudo o que podia momentos antes da largada a fim de beneficiar-se do arranque de seu motor BMW, entretanto sua Brabham ficou parada no grid e ele quase foi atingido por Alain Prost antes de cair para o último lugar, enquanto Keke Rosberg e Ayrton Senna assumiam os primeiros lugares e Teo Fabi caiu para o quinto lugar em apenas cinco voltas quando sua Toleman foi superada por Alain Prost e Niki Lauda, ressaltando que o austríaco largou na décima posição. Favorecido pela força do motor Honda, Keke Rosberg distanciou sua Williams da Lotus de Ayrton Senna e este, já sem o mesmo rendimento, foi ultrapassado por Prost e Lauda na volta quatorze. Somente ao parar nos boxes o brasileiro descobriu a causa de seu infortúnioː uma folha de papel grudada no radiador causou o superaquecimento de seu carro. "Só sei que o carro esquentava, a temperatura subia cada vez mais. Foi por isso que não tentei nem resistir a Prost e Lauda quando me passaram. Não queria causar dano maior, até uma explosão do motor".
Por falar em mazelas, a corrida de Keke Rosberg terminou quando o seu motor explodiu após dezenove voltas e assim o primeiro lugar caiu no colo de Alain Prost. Quase ao mesmo tempo, Niki Lauda foi aos boxes numa manobra prematura aos olhos dos rivais, mas graças aos pneus novos, o tricampeão acelerou tudo o que podia e saltou do oitavo lugar em seu retorno ao asfalto para o segundo posto e depois à liderança quando Prost foi aos boxes na volta trinta e quatro. A essa altura, Lauda estava adiante de Senna e este tinha uma vantagem de onze segundos sobre Prost, mas paulatinamente o francês reduziu a diferença e ultrapassou o rival brasileiro na volta quarenta e sete com Lauda apenas oito segundos à sua frente.
thumb|right|O pódio com Alain Prost, Niki Lauda (última vitória) e Ayrton Senna.
Decidido a manter a hegemonia de seu país no Circuito de Zandvoort, afinal entre 1981 e 1984 apenas pilotos da França venceram em solo neerlandês,A Renault venceu em Zandvoort com Alain Prost em 1981 e depois a Ferrari triunfou com Didier Pironi em 1982 e René Arnoux em 1983 e Alain Prost venceu com a McLaren em 1984. Alain Prost saiu à caça de Niki Lauda e alcançou seu companheiro de equipe após quebrar sucessivamente o recorde do circuito, mas quando todos imaginavam que Ron Dennis ordenaria uma inversão de posições, eis que Niki Lauda demonstrou seus brios e resistiu aos ataques de Alain Prost com o fito de vencer ao menos uma corrida em seu ano de despedida da Fórmula 1. Mesmo com Prost em melhor posição na tabela, Lauda rilhou os dentes e manteve-se à frente do seu companheiro de equipe e cruzou a linha de chegada com apenas duzentos e trinta e dois milésimos de segundo de vantagem sobre Prost, invertendo a dobradinha da McLaren conquistada em 1984, enquanto Senna garantiu o terceiro lugar pela Lotus com menos de meio segundo sobre a Ferrari de Alboreto tendo Elio de Angelis em quinto com a outra Lotus e Nigel Mansell em sexto pela Williams.Nas duas últimas corridas disputadas em Zandvoort, em 1984 e 1985, a McLaren fez dobradinha no pódio com um piloto da Lotus em terceiro.
Questionado pelos jornalistas, Niki Lauda comentou os rumores sobre uma possível troca de posições com Alain Prost quando ambos se enfrentaram na busca pela vitóriaː "Só que não recebi nenhuma indicação para isso. Eu e o Alain sabíamos da superioridade dos nossos carros em Zandvoort e decidimos que venceria quem estivesse melhor", afirmou o tricampeão. Nas palavras de Alain Prost, a disputa contra Lauda foi tão real e tão dura quanto pareceu. "Quase o ultrapassei, mas ele impediu a passagem pela esquerda e cheguei a tocar na grama. Somos bons amigos e sinto-me orgulhoso em ficar em segundo lugar para o Lauda". Superado no momento decisivo da corrida, Prost convenceu-se que Lauda resistiria a todas as suas investidas. Outro duelo intenso envolveu Ayrton Senna e Michele Alboreto. Nele o brasileiro da Lotus suou para domar a Ferrari e subir ao pódio, diga-se de passagem o de número 150 para o time de Colin Chapman. "O Alboreto chegou a encostar o bico do carro em minha caixa de câmbio e forçou uma saída da pista, mas não conseguiu", declarou Senna. Por fim, cabe registrar o oitavo lugar de Nelson Piquet em sua Brabham, as 150 corridas da Ligier na Fórmula 1 e a participação de Huub Rothengatter, último piloto nativo a correr pela categoria nos Países Baixos até então.
Esta foi a sétima dobradinha na história da McLaren e também a vigésima quinta e última vitória do austríaco Niki Lauda na Fórmula 1, sendo que ele jamais voltou ao pódio e sequer pontuou no restante do campeonato.Niki Lauda correu no Grande Prêmio da Itália, mas fraturou o pulso nos treinos para o Grande Prêmio da Bélgica e por isso não participou da referida prova nem do Grande Prêmio da Europa, retornando às pistas no Grande Prêmio da África do Sul e no Grande Prêmio da Austrália. A primeira vitória do piloto, lembremos, ocorreu ao volante de uma Ferrari no Grande Prêmio da Espanha de 1974. De volta ao presente, temos Alain Prost liderando o mundial de pilotos com 56 pontos ante os 53 de Michele Alboreto, enquanto no mundial de construtores a situação é inversa, pois nele a Ferrari é quem lidera com 75 pontos contra 70 da McLaren.
36 anos sem Zandvoort A corrida foi a última edição do Grande Prêmio dos Países Baixos até 2021, já que dificuldades financeiras levaram a saída do Circuito de Zandvoort do calendário. Em 14 de maio de 2019, a Fórmula 1 confirmou o retorno aos Países Baixos no ano seguinte, mas devido aos efeitos da pandemia de COVID-19 em solo neerlandês foi agendada a realização de uma corrida sem a presença do público, todavia o evento foi cancelado pelos organizadores e adiado para 2021.Além do Grande Prêmio dos Países Baixos de 2020, haviam sido cancelados até aquele instante as corridas da Austrália, Mônaco e França. Este intervalo de 36 anos sem Fórmula 1 em Zandvoort é o maior da categoria em relação a um mesmo circuito e a um mesmo país.
Classificação da prova Treinos oficiais Pos. Nº Piloto Equipe Q1 Q2 Dif. 1 7 Nelson Piquet Brabham-BMW 1:11.074 — 2 6 Keke Rosberg Williams-Honda 1:11.647 + 0.573 3 2 Alain Prost McLaren-TAG/Porsche 1:11.801 1:29.507 + 0.727 4 12 Ayrton Senna Lotus-Renault 1:11.837 + 0.763 5 19 Teo Fabi Toleman-Hart 1:12.310 + 1.236 6 15 Patrick Tambay Renault 1:12.486 + 1.412 7 5 Nigel Mansell Williams-Honda 1:12.614 1:32.740 + 1.540 8 18 Thierry Boutsen Arrows-BMW 1:12.746 + 1.672 9 8 Marc Surer Brabham-BMW 1:12.856 + 1.782 10 1 Niki Lauda McLaren-TAG/Porsche 1:13.059 + 1.985 11 11 Elio de Angelis Lotus-Renault 1:13.078 1:30.123 + 2.004 12 16 Derek Warwick Renault 1:13.289 + 2.215 13 26 Jacques Laffite Ligier-Renault 1:13.435 1:28.393 + 2.361 14 17 Gerhard Berger Arrows-BMW 1:13.680 1:34.857 + 2.606 15 20 Piercarlo Ghinzani Toleman-Hart 1:13.705 + 2.631 16 27 Michele Alboreto Ferrari 1:13.725 + 2.651 17 28 Stefan Johansson Ferrari 1:13.768 1:32.544 + 2.694 18 25 Andrea de Cesaris Ligier-Renault 1:13.797 1:34.638 + 2.723 19 22 Riccardo Patrese Alfa Romeo 1:14.240 + 3.166 20 23 Eddie Cheever Alfa Romeo 1:14.912 1:32.572 + 3.838 21 3 Martin Brundle Tyrrell-Renault 1:14.920 1:32.003 + 3.846 22 4 Stefan Bellof Tyrrell-Renault 1:15.236 + 4.162 23 30 Jonathan Palmer Zakspeed 1:16.257 1:34.316 + 5.183 24 29 Pierluigi Martini Minardi-Motori Moderni 1:17.919 1:38.227 + 6.845 25 10 Philippe Alliot RAM-Hart 1:18.525 1:36.270 + 7.451 26 24 Huub Rothengatter Osella-Alfa Romeo 1:19.410 1:38.149 + 8.336 DNQ 9 Kenny Acheson RAM-Hart 1:20.429 + 9.355Fontes:
Corrida Pos. Nº Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos 1 1 Niki Lauda McLaren-TAG/Porsche 70 1:32:29.263 10 9 2 2 Alain Prost McLaren-TAG/Porsche 70 + 0.232 3 6 3 12 Ayrton Senna Lotus-Renault 70 + 48.491 4 4 4 27 Michele Alboreto Ferrari 70 + 48.837 16 3 5 11 Elio de Angelis Lotus-Renault 69 + 1 volta 11 2 6 5 Nigel Mansell Williams-Honda 69 + 1 volta 7 1 7 3 Martin Brundle Tyrrell-Renault 69 + 1 volta 21 8 7 Nelson Piquet Brabham-BMW 69 + 1 volta 1 9 17 Gerhard Berger Arrows-BMW 68 + 2 voltas 14 10 8 Marc Surer Brabham-BMW 65 Exaustor 9 NC 24 Huub Rothengatter Osella-Alfa Romeo 56 + 14 voltas 26 Ret 18 Thierry Boutsen Arrows-BMW 54 Suspensão 8 Ret 9 Philippe Alliot RAM-Hart 52 Motor 25 Ret 4 Stefan Bellof Tyrrell-Renault 39 Motor 22 Ret 16 Derek Warwick Renault 27 Câmbio 12 Ret 25 Andrea de Cesaris Ligier-Renault 25 Turbo 18 Ret 15 Patrick Tambay Renault 22 Transmissão 6 Ret 6 Keke Rosberg Williams-Honda 20 Motor 2 Ret 19 Teo Fabi Toleman-Hart 18 Rolamento de roda 5 Ret 26 Jacques Laffite Ligier-Renault 17 Pane elétrica 13 Ret 30 Jonathan Palmer Zakspeed 13 Pressão do óleo 23 Ret 20 Piercarlo Ghinzani Toleman-Hart 12 Motor 15 Ret 28 Stefan Johansson Ferrari 9 Motor 17 Ret 29 Pierluigi Martini Minardi-Motori Moderni 1 Acidente 24 Ret 23 Eddie Cheever Alfa Romeo 1 Turbo 20 Ret 22 Riccardo Patrese Alfa Romeo 1 Turbo 19Fontes:Voltas na liderança: Keke Rosberg 19 voltas (1-19), Alain Prost 14 voltas (20-33), Niki Lauda 37 voltas (34-70).
Tabela do campeonato após a corrida
Classificação do mundial de pilotos Pos. Piloto Pontos 1 Alain Prost 56 2 Michele Alboreto 53 3 Elio de Angelis 30 4 Ayrton Senna 19 5 Stefan Johansson 19Fontes:
Classificação do mundial de construtores