Resultados do Grande Prêmio do Japão de Fórmula 1 realizado em Suzuka em 20 de outubro de 1991. Décima quinta etapa do campeonato, foi vencido pelo austríaco Gerhard Berger, que subiu ao pódio junto a Ayrton Senna numa dobradinha da McLaren-Honda, com Riccardo Patrese em terceiro lugar pela Williams-Renault. Neste dia, Ayrton Senna conquistou o tricampeonato mundial quando Nigel Mansell saiu da pista ao rodar com sua Williams após nove voltas.
Este foi o oitavo e último título mundial conquistado por um piloto brasileiro, marca vigente ainda em 2024.
Resumo Mudanças à vista Carente de recursos desde a prisão de Akira Akagi por fraude fiscal, a Leyton House demitiu Ivan Capelli substituindo-o por Karl Wendlinger numa transação onde a Mercedes-Benz trouxe apoio financeiro à equipe em troca da estreia do austríaco sendo que Capelli foi magnânimo ao viajar às suas próprias custas para ajudar a equipe na fase final do campeonato. Por outro lado a AGS não compareceu a Suzuka enquanto a Arrows anunciou o fim de seu contrato com a Porsche em favor dos motores Honda V10 preparados pela Mugen Motorsports para o campeonato de 1992 com Aguri Suzuki e Michele Alboreto dirigindo seus carros. Na mesma linha, a Minardi anunciou o uso dos motores Lamborghini V12 para o próximo certame.
Quem reapareceu foi Bertrand Gachot. Libertado pela justiça britânica em 15 de outubro de 1991, o belga fora condenado a dezoito meses de cadeia após uma briga de trânsito em Londres em 10 de dezembro de 1990 quando borrifou gás lacrimogênio no rosto de um taxista a fim de repelir uma tentativa de agressão. Substituído na Jordan por Michael Schumacher e depois por Roberto Moreno e Alessandro Zanardi, sua intenção era regressar à equipe a fim de cumprir um contrato vigente até o fim do ano, mas seus argumentos não foram acolhidos por Eddie Jordan.
A Coloni voltou às pistas com o estreante japonês Naoki Hattori enquanto Johnny Herbert reassumiu como titular da Lotus após compromissos com a Fórmula 3000 Japonesa.
O discreto Max Mosley Dentre os espectadores presentes no Japão estava o britânico Max Mosley em sua primeira visita a um circuito de Fórmula 1 desde sua eleição para presidente da FISA por 43 votos a 29 durante o congresso mundial da entidade no último dia 9 de outubro de 1991.BOURRIER, Any. Inglês acaba com reinado de Ballestre na FISA (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 10/10/1991. Primeiro caderno, Esportes, p. 16. Página visitada em 29 de novembro de 2019. Questionado sobre o duelo final entre Senna e Mansell, o dirigente disse acreditar numa corrida sem atribulações entre os dois, pois segundo Mosley "Eles são pilotos experientes, que sabem o que fazem e não precisam de conselhos de um amador como eu".Mosley não crê em conflito (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 10/10/1991. Primeiro caderno, Esportes, p. 16. Página visitada em 29 de novembro de 2019. Por trás do aparente desinteresse havia uma crença segundo a qual a decisão do campeonato deste ano não repetirá as cenas lamentáveis de 1989 e 1990 quando Alain Prost e Ayrton Senna recorreram a acidentes para assegurar o título nas respectivas temporadas, ademais trinta e seis das quarenta e duas combinações matemáticas possíveis no embate entre Senna e Mansell apontam para um título do brasileiro.Senna larga com vantagem de 36 a 6 (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 10/10/1991. Primeiro caderno, Esportes, p. 16. Página visitada em 29 de novembro de 2019.
Treinos oficiais Durante os treinos oficiais a McLaren cravou os melhores tempos com Gerhard Berger à frente de Ayrton Senna com a Williams de Nigel Mansell vindo a seguir enquanto Alain Prost deixou a Ferrari na quarta posição e tal ordem definiu as primeiras filas do grid, embora o brasileiro admitisse que os bólidos de Frank Williams fossem melhores que os concebidos pelo time de Ron Dennis, daí o esforço da McLaren para largar à frente de sua grande rival.FORNES, Andrea. Senna elogia Williams e diz que luta pela primeira fila foi difícil (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 20/10/1991. Esporte, p. 7-4. Página visitada em 29 de novembro de 2019. Posicionado em décimo lugar, Nelson Piquet teve que largar em último com sua Benetton graças a uma falha na junta homocinética da suspensão dianteira direita, quebrada na volta de aquecimento.Piquet e Gugelmin quase marcam pontos (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 21/10/1991. Esporte, p. 6-3. Página visitada em 29 de novembro de 2019.
Ayrton Senna tricampeão mundial Ciente que os números o favoreciam, Ayrton Senna foi sincero ao definir a tática de sua equipe rumo à vitória: "O Berger vai tentar fugir na frente enquanto eu cuido do Mansell",Tática da McLaren tira chances de Mansell (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 21/10/1991. Esporte, p. 6-4. Página visitada em 29 de novembro de 2019. revelou ele como se antevisse o momento da largada: nele Berger e Senna mantiveram a dobradinha enquanto Mansell acossava seu adversário na busca pelo título num ritmo sob aparente controle, mas na abertura da décima volta o "leão" chegou tão rápido à primeira curva que ao tentar frear tocou a roda traseira direita na zebra e perdeu o controle da Williams, tocou a terra, rodou e ficou preso à caixa de brita, falha atribuída aos freios.FORNES, Andrea. Mansell põe culpa nos freios pela derrapada (online). Folha de S.Paulo, São Paulo (SP), 21/10/1991. Esporte, p. 6-3. Página visitada em 29 de novembro de 2019. No mesmo instante Ayrton Senna passou à história ao conquistar o tricampeonato mundial de pilotos, mas não pôde saborear por muito tempo a imagem refletida em seu espelho, pois Ron Dennis o lembrou da obrigação de vencer também o mundial de construtores.
Quando Mansell abandonou a corrida, a desvantagem de Senna em relação a Berger era de doze segundos, resultado do ritmo forte que o austríaco imprimiu para manter a liderança, contudo o desgaste de pneus o fez reduzir seu ritmo permitindo a ultrapassagem de Senna na décima oitava volta. Em razão disso Berger fez seu pit stop no giro seguinte, manobra repetida por Senna na volta vinte e um, resultando numa fugaz ascensão de Patrese à liderança. Na instante em que os bólidos da McLaren voltaram à pista o primeiro lugar estava nas mãos de Senna com uma vantagem cômoda em relação a Berger enquanto Patrese e Prost vinham a seguir numa configuração quase imutável não fosse a interferência de Ron Dennis: via rádio, o chefão da McLaren determinou a inversão de posições como forma de retribuir todo o empenho e o auxílio de Berger durante a temporada e após certa relutância de Ayrton Senna, o brasileiro cedeu e na última volta permitiu a ultrapassagem de seu companheiro de equipe e assim Gerhard Berger venceu pela primeira vez guiando uma McLaren com Ayrton Senna em segundo e Riccardo Patrese em terceiro, posição que manteve a Williams na disputa pelo mundial de construtores. Completaram a zona de pontuação os seguintes pilotos: Alain Prost (Ferrari), Martin Brundle (marcando os últimos pontos na história da Brabham) e Stefano Modena (Tyrrell).
Anos mais tarde veio a público a versão de Gerhard Berger sobre a vitória inesperada no Circuito de Suzuka: segundo ele seu carro teve problemas de escapamento e por isso seu ritmo diminuiu. Conformado, o austríaco pensou que Ayrton Senna o deixara vencer por falta de combustível e, sem tempo para reagir, venceu a prova sem saber do combinado entre Dennis e o brasileiro. Magoado por este "gesto desnecessário", Berger preferia que a ultrapassagem tivesse ocorrido dez voltas antes e assim o vencedor fosse definido no calor da disputa. "Eu não agradeci e ele não explicou quais foram suas razões para ter feito o que fez. Apesar de tudo, nossa amizade não foi prejudicada", disse ele em seu livro Na reta de chegada.
Encerrada a prova um detalhe passou despercebido: tão logo houve o abandono de Nigel Mansell o público vivenciou algo inédito na história da Fórmula 1: três tricampeões mundiais (Nelson Piquet, Alain Prost e Ayrton Senna) disputando uma mesma corrida, algo tão raro que durou apenas 44 voltas! Como imagem final da temporada, o "leão" (curiosamente tri-vice-campeão mundial) deixou os boxes da Williams e parabenizou Ayrton Senna pelo título assim que este desceu do carro, antes mesmo que o piloto brasileiro tirasse o capacete.Mansell só apareceu para o abraço (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 21/10/1991. Caderno especial, Fórmula 1, p. 04. Página visitada em 30 de novembro de 2019. Por fim, graças a demissão sumária de Alain Prost antes do Grande Prêmio da Austrália, a etapa japonesa foi a última onde os membros deste quarteto disputaram juntos o mesmo grande prêmio, cena comum desde o ano de 1984.
Classificação da prova Pré-classificação Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Dif. 1 7 Martin Brundle Brabham-Yamaha 1:41.289 — 2 10 Alex Caffi Footwork-Ford 1:42.382 + 1.093 3 9 Michele Alboreto Footwork-Ford 1:42.479 + 1.190 4 14 Gabriele Tarquini Fondmetal-Ford 1:43.025 + 1.736 5 8 Mark Blundell Brabham-Yamaha 1:44.025 + 2.736 6 31 Naoki Hattori Coloni-Ford 2:00.035 + 18.746
Treinos
Pos. Nº Piloto Construtor Q1 Q2 Dif. 1 2 Gerhard Berger McLaren-Honda 1:36.458 1:34.700 — 2 1 Ayrton Senna McLaren-Honda 1:36.490 1:34.898 + 0.198 3 5 Nigel Mansell Williams-Renault 1:36.529 1:34.922 + 0.222 4 27 Alain Prost Ferrari 1:37.565 1:36.670 + 1.970 5 6 Riccardo Patrese Williams-Renault 1:37.874 1:36.882 + 2.182 6 28 Jean Alesi Ferrari 1:37.718 1:37.140 + 2.740 7 23 Pierluigi Martini Minardi-Ferrari 1:40.176 1:38.154 + 3.454 8 24 Gianni Morbidelli Minardi-Ferrari 1:41.088 1:38.248 + 3.548 9 19 Michael Schumacher Benetton-Ford 1:39.742 1:38.363 + 3.663 10 20 Nelson Piquet Benetton-Ford 1:40.557 1:38.614 + 3.914 11 33 Andrea de Cesaris Jordan-Ford 1:40.407 1:38.842 + 4.142 12 22 J. J. Lehto Dallara-Judd 1:40.191 1:38.911 + 4.211 13 32 Alessandro Zanardi Jordan-Ford 1:39.051 1:38.923 + 4.223 14 4 Stefano Modena Tyrrell-Honda 1:39.245 1:38.926 + 4.226 15 3 Satoru Nakajima Tyrrell-Honda 1:40.100 1:39.118 + 4.418 16 21 Emanuele Pirro Dallara-Judd 1:41.246 1:39.238 + 4.538 17 25 Thierry Boutsen Ligier-Lamborghini 1:39.946 1:39.499 + 4.799 18 15 Maurício Gugelmin Leyton House-Ilmor 1:40.714 1:39.518 + 4.818 19 7 Martin Brundle Brabham-Yamaha 1:40.867 1:39.697 + 4.997 20 26 Erik Comas Ligier-Lamborghini 1:41.251 1:39.820 + 5.120 21 11 Mika Häkkinen Lotus-Judd 1:41.485 1:40.024 + 5.324 22 16 Karl Wendlinger Leyton House-Ilmor 1:41.639 1:40.092 + 5.392 23 12 Johnny Herbert Lotus-Judd 1:40.512 1:40.170 + 5.470 24 14 Gabriele Tarquini Fondmetal-Ford 1:42.835 1:40.184 + 5.484 25 30 Aguri Suzuki Lola-Ford 1:41.528 1:40.255 + 5.555 26 10 Alex Caffi Footwork-Ford 1:40.517 1:40.402 + 5.702 27 9 Michele Alboreto Footwork-Ford 1:41.536 1:40.844 + 6.144 28 34 Nicola Larini Lambo-Lamborghini 1:43.057 1:42.492 + 7.792 29 35 Eric van de Poele Lambo-Lamborghini 1:46.641 1:42.724 + 8.024 30 29 Eric Bernard Lola-Ford s/ tempo s/ tempo Eric Bernard fraturou a tíbia num acidente durante os treinos da manhã de sexta e não participou da prova japonesa.Fontes:
Corrida