Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira Horta, (Mariana, 19 de setembro de 1772 — 13 de junho de 1842) primeiro visconde com grandeza e Marquês de Barbacena, foi um militar, diplomata e político brasileiro. Envolveu-se de forma efusiva na época do Primeiro Reinado, também atuando e se destacando na campanha da abolição do absolutismo e pela aplicação de um governo constitucional.
Começo da vida pública Nascido no interior de Minas, no arraial de São Sebastião, perto de Mariana, Felisberto vem de família nobre por ambos os lados. Era filho do coronel Gregório Caldeira Brant e de sua mulher D. Ana Francisca de Oliveira Horta. Seu avô, Felisberto Caldeira Brant era um nome importante da mineração na região.
Quando terminou seus estudos, em 1786, partiu para o Rio de Janeiro, onde encontrou parentes e fez provas para um exame onde surpreendeu com suas habilidades e recebeu uma visita do vice-rei da época, Dom Luís de Vasconcellos. Depois de conhecê-lo, o marquês recebeu cartas de recomendação escrita por D. Luiz, que serviriam para o jovem quando este rumou para Lisboa, em 1788. Antes disso, com sua mãe e padrasto, o primo dela, Garcia Rodrigues Paes Leme, passou brevemente por São Paulo, para então partir para a Europa.
Chegando lá, terminou seus estudos no Colégio dos Nobres, para depois entrar na academia da marinha, a Academia Real dos Guardas-Marinhas, onde encontrou seu primo José Pires da Silva Pontes no comando e passou a ser protegido dele. A gratidão foi tamanha, que mais tarde, o marquês resolveu adotar o sobrenome Pontes em homenagem ao primo e tutor.
Com pouco tempo na Academia, o brasileiro já participava de viagens e nos primeiros anos já havia ido para a Inglaterra. Seu rápido comprometimento fez com que com apenas 19 anos, o Ministro Martinho de Mello lhe promovesse para capitão do mar e guerra. No entanto, o posto ficou por pouco tempo com o marquês, já que o Governo achou precipitado o título.
Foi então que o mineiro se revoltou com a Marinha e pediu transferência para as forças de terra e viajou para a Angola em missão. Como major, ele chegou para servir ao estado-maior de Dom Miguel de Mello.
Lá serviu na terra e no mar, sobretudo protegendo a costa angolana de ameaças. Sua presença naquele continente estava ligada à tentativa de travessia da África incumbida pela coroa portuguesa a seu ex-professor, o astrônomo paulista Francisco José de Lacerda e Almeida. O marquês também conheceu nesse tempo em terras africanas dois brasileiros exilados, vítimas da Inconfidência Mineira. Doutor José Álvares Maciel e o coronel Francisco de Paula Freire de Andrade eram, coincidentemente aparentados de Felisberto e revelaram diversos acontecimentos sobre a Inconfidência a ele.
Passaram-se dois anos do contrato do marquês na Angola e, antes de retornar a Lisboa, o mineiro passou pelo Brasil, onde parou na Bahia e conheceu sua futura esposa. Dona Anna Constança Guilhermina de Castro Cardoso, filha do coronel Antônio de Castro Cardoso. O casamento foi arranjado, mas ele só se realizaria depois de Felisberto voltar em definitivo ao país, anos depois.
Os anos em Lisboa lhe renderam o título de tenente-coronel do regimento da Bahia, além do passaporte de volta para o Brasil, onde se casou, assim que retornou, no dia 27 de julho de 1801, aos 29 anos de idade. O casamento lhe abriu portas para entrar no mundo do comércio, e mesmo já sendo influente, aproveitou da também influente família de sua esposa para expandir sua fortuna.
Fortalecendo seu nome Mesmo sempre tendo muito destaque e impondo respeito em quem lhe conhecia, o Marquês de Barbacena realizou alguns feitos de certa forma 'populistas' e que lhe deram grande esmero tanto da população como do Governo. Um exemplo é o episódio da Vacina Jenneriana.
Em 1804, o marquês ajudou a trazer a importante vacina ao país, sendo inclusive a primeira pessoa a receber a dose. O feito lhe rendeu um busto em uma sala do Instituto de Vacinas da Corte.
Um ano depois, o marquês fez um empréstimo enorme para uma esquadra inglesa do almirante Home Pophan, que passava rumo à Argentina e havia ficado sem recursos. Mais tarde, também cortejando estrangeiros, o marquês recebeu o príncipe francês Jerônimo Bonaparte. Ambos lhe prometeram recompensas e presentes. miniaturadaimagem|251x251px|Retrato de fisionotraço de Brant feito em Paris após 1811. Todas essas ações, apesar de positivas para a imagem do marquês, causaram um certo atrito com o governador conde da Ponte, fazendo com que Felisberto resolvesse deixar o Brasil com a família, de volta a Lisboa. Lá ele foi nomeado pelo Governo como coronel do regimento 13 de Peniche, sendo o primeiro brasileiro a comandar uma guarnição da Corte.
Em 1807 volta ao Brasil acompanhando a família real, junto com a corte de Dom João VI, no episódio que seria conhecido como transferência da corte portuguesa para o Brasil. No entanto, o marquês retornou à Bahia, enquanto que a realeza partiu para o Rio de Janeiro.
Em 1811 é nomeado brigadeiro e passa a lutar e formar fortes frentes de tropas e de milícias. Ao mesmo tempo, realizava obras, como a estrada de São Jorge dos Ilhéus até Arraial da Conquista, que investiu do próprio dinheiro a construção. E em 1813 trouxe ao Brasil a primeira máquina de moer cana a vapor, levando-a para o engenho de Inguaçú, na ilha de Itaparicá, que pertencia ao seu cunhado, o coronel Antônio Cardoso dos Santos.
Pouco depois, o marquês também começa a buscar introduzir o capital em suas bandas, através do Banco do Brasil, o qual ele tentava levar uma filial para a Bahia. Para isso, ele trocava cartas com o diretor do banco, do Rio de Janeiro, em que convencia-o de que era viável abrir uma filial em sua cidade.
Uma das cartas em resposta ao diretor, Manoel Jacintho Nogueira da Gama, datada de 4 de agosto de 1815, foi documentada.[...] "Sua utilidade e prosperidade no Rio de Janeiro conhecida; é justo fazer a experiência na Bahia e não duvido afiançar o resultado, adoptando-se as medidas que aponto, as quaes, posto sejam peculiares a esta capitania, derivam contudo e tem uniformidade com os estatutos do Banco do Brasil" No dia 2 de dezembro de 1817, enfim a caixa do Banco do Brasil foi inaugurada na Bahia, também por causa dos esforços do marquês.
Revolução Pernambucana No mesmo ano, em 1817, explodiu a Revolução Pernambucana, movimento de caráter emancipacionista, que tentou se expandir para os estados vizinhos. As principais razões da Revolução foram a luta contra o absolutismo monárquico português, além da revolta pelo dinheiro captado pelo Rio de Janeiro que o Governo de Pernambuco precisava abrir mão. As ideias que regiam essa Revolução era de viés iluministas.
A luta pela independência no Nordeste brasileiro, junto com a preocupação dos portugueses em Lisboa quanto à base da monarquia portuguesa levaram a algumas consequências fatais para nomes importantes da época.
Portugal queria a família real de volta às suas terras. Também queria a deposição de William Beresford, Marechal do Exército Português. O inglês tinha a tarefa de alinhar as missões em comum da Inglaterra e de Portugal, e quando soube da possibilidade da volta da corte portuguesa para seu país, mandou matar conspiradores, atrapalhando a vida da família real.
A participação do Marquês de Barbacena na Revolução começou quando o Conde Arcos, governador da Bahia, se apoiou nele para tomar algumas ações em resposta à tentativa de expansão do movimento em direção à Bahia.
A princípio, o Governo da Bahia tratou de lidar com nomes da organização do movimento sem piedade. Antonio CarIos, o grande orador da Constituinte, José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, o Padre Roma, e Domingos Martins, que foram encarregados pela Revolução de ir à Bahia em busca de apoio, foram recebidos com fuzilamento.
Além disso, o marquês teve extrema importância na captação financeira e de influência para a ação direta da Bahia ao combate de forças com a Revolução, caso esta invadisse terras baianas. Desde dinheiro, amigos poderosos à influência na maçonaria e no comércio de armas. O marquês usou de todos os artifícios a seu alcance para evitar que a Bahia não fosse atingida pelo espírito revolucionário.
Não demorou muito para a Revolução perder força, não só em terras vizinhas, mas também no próprio Pernambuco, uma vez que as forças armadas de Portugal já haviam sitiado o território e forçado a rendição dos revolucionários, que pouco aguentaram e foram dizimados pelas tropas portuguesas.
Afastado pelo luto Ainda em 1817, o Marquês de Barbacena passou por um baque familiar, quando, no dia do natal, 25 de dezembro, sua mulher, Dona Anna Constança, aos 34 anos de idade, morreu, 16 anos depois do casamento que uniu os dois.
Sentido pela perda, o marquês chegou a receber condolências e ofertas de afastamento e substituição do Conde dos Arcos e mesmo do Ministro do Reino, Tomás António de Vila Nova Portugal, com o qual respondeu agradecendo ao Ministro e pedindo espaço para recuperação, em carta datada de 7 de agosto de 1818."Padecendo, desde 1814, mais ou menos, virtigens, teem estas sido tão repetidas depois da inesperada e repentina morte de minha mulher, que não sentindo alguma melhora, pouco posso durar e quasi nada fazer. Os medicos e a razão aconselham-me distracção e pouco trabalho, e ares de campo; pelo que em janeiro expuz ao Exm, Sr. Conde do Arco triste estado de minha saude, pedindo que nomeasse official que substituisse as minhas vezes, mas S. Ex., attribuindo á melancolia tudo quanto eu dizia, não quiz marcar outro official e benignamente facilitou-me alguma licença, da qual não me aproveitei pela chegada de seu successor. Continuando a padecer e desejando por isso ultimar quanto antes o inventario e partilhas da minha casa, afim de segurar a subsistencia de meu filhos com o menor pos- sivel risco dos abusos da administração em sua menoridade, tornei em maio a apresentar ao Exm. conde de Palma a minha impossibilidade de serviço, solicitando de V. Ex. por seu inter- medio, de sua Magestade algum tempo de licença, durante a qual esperava restabelecer-me, vi to que havendo padecido estas mesmas vertigens em gráo muito mais forte por espaço de sete anno anteriores a 1799, fiquei inteiramente livre desde aquella época até 1814."Não muito tempo depois de mandar esta carta, o marquês ainda perdeu outro ente, agora, também de enfermidade, sua sogra morria no dia 21 de outubro do mesmo ano. Mas à época, não demorou muito para o marquês voltasse à ativa aos poucos.
De volta aos negócios Passado o luto pós-morte de Donna Anna Constança e sua sogra o Marquês de Barbacena, já sendo um dos nomes mais reconhecidos e valorizados da Bahia, voltou a aproveitar oportunidades de usar sua influência e poder para trazer novidades para o Brasil. Ainda em 1818, ele conversava sobre a possibilidade de o Banco do Brasil abrir uma filial em Pernambuco, assim como fez anteriormente na Bahia.
Já em 1819, trouxe da Inglaterra uma máquina que viria a levar o primeiro barco à vapor do país. Que apesar de ter sido pouco explorada inicialmente, foi desenvolvida anos depois. No mesmo ano, cresceu de patente, agora Marechal e nomeado fidalgo cavalheiro, era um homem de confiança dos que ocupavam os mais altos cargos.
Papel diplomata durante o período pré-Independência
thumb|O Marquês de Barbacena (S. A. Sisson).
Ainda em 1820, o marquês foi nomeado Cavalheiro da Torre e Espada, em meio ao início da turbulência política no Brasil, que ainda não dava certezas do que iria acontecer. Ainda assim, o marquês via com bons olhos a possibilidade que pairava sobre a independência do país, ainda que pudesse não ser tão bem sucedida quanto nos Estados Unidos - ocorrida 50 anos antes.