Eugênio Rodrigues Jardim (Cidade de Goiás, 6 de outubro de 1858 — Rio de Janeiro, 1926) foi um militar e político brasileiro.

Biografia Nasceu na cidade de Goiás em 6 de outubro de 1858. Filho de José Rodrigues Jardim (1826-1863) e Maria da Pureza Jardim (1828-1914).

Herdeiro da tradição política dos "Rodrigues Jardim" em Goiás, deu continuidade à carreira militar de seu avô, José Rodrigues Jardim (1780-1842).

E, na seara política, em terras gaúchas iniciou seu envolvimento com o movimento republicano, consolidando sua atuação político-militarista na Capital Federal.

O "animal político" veio a revelar-se após seu retorno à Goiás, tornando-se um dos nomes de maior destaque e influência no cenário regional, com ampla sustentação nacional.  

Carreira militar: do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro

Após ter feito a instrução primária e o ensino secundário no Liceu de Goiás, em 13/05/1875, Eugênio Rodrigues Jardim, aos 16 anos de idade, “assentou praça”, voluntariamente, no 20º Batalhão de Infantaria da cidade de Goiás Ainda em Goiás, foi elevado aos postos de “Cabo de Esquadra” (12/06/1875), “Furriel” (01/08/1875) e “Segundo-Sargento” (01/09/1875).

Obteve autorização do Ministério da Guerra para matricular-se no Curso Preparatório da “Escola Militar da Corte” ("Escola Militar da Praia Vermelha"), seguindo para o Rio de Janeiro em 10/11/1875. Entre 1876 e 1879, realizou o “curso preparatório”, matriculando-se, em 1880, no “curso superior”, destinado à formação de oficiais.

Concluindo o "curso das três Armas", em 27/08/1883, foi promovido a “Alferes” do 2º Regimento de Cavalaria, à época localizado na cidade de Jaguarão/RS, sob o comando de Carlos Machado Bittencourt (1840-1897), com quem desenvolveu grande amizade. Em 16/04/1889, por carta patente assinada pelo Imperador Dom Pedro II, é promovido a “Tenente” da Arma de Cavalaria.

Dada as relações estabelecidas ao tempo da Escola Militar da Praia Vermelha, ainda no Rio Grande do Sul envolveu-se na “questão militar”, aproximando-se do movimento republicano, havendo, inclusive, em 1887, chegado ao posto de vice-presidente do “Club Militar” de Jaraguão/RS. É, nesse contexto, que Eugênio aprofunda sua relação com republicanos gaúchos históricos como Júlio de Castilhos, Pinheiro Machado, Assis Brasil e Borges de Medeiros, que gravitavam em torno do "Clube Republicano" de Porto Alegre (fundado em 1878), que seria o embrião do Partido Republicano Riograndense (fundado em 1882).

Após quase sete anos de atuação no Rio Grande do Sul, em 03/01/1890, é transferido para o 9º Regimento da Cavalaria da cidade do Rio de Janeiro. Em 19/09/1892, é transferido para o Corpo de Bombeiros da capital federal. Em 02/11/1892, é promovido a “Capitão” e, em 03/02/1896, ao posto de “Tenente-Coronel”.

Em seis ocasiões, Eugênio Jardim foi nomeado Comandante Interino do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro: de 28/10/1893 a 03/04/1894; de 13/07/1895 a 13/08/1895; de 13/08/1896 a 20/11/1896; de 18/12/1896 a 11/01/1897; e de 26/01/1897 a 28/01/1897.

Em 27/10/1896, como Comandante Interino na corporação, solicitou ao então Ministro da Justiça e Negócios Interiores, Alberto Torres, autorização para criar uma Banda de Música. Com a chancela ministerial, Eugênio convidou um dos maiores músicos e maestros da época, Anacleto Augusto de Medeiros (1866-1907), para organizar e dirigir a banda, que viria a se tornar um dos melhores conjuntos musicais do Brasil, sendo referência no segmento militar.

Dada sua atuação na capital federal desde 1890, a partir de cobertura da imprensa carioca, constata-se que Eugênio participou de importantes articulações político-militares no período correspondente aos mandatos presidenciais de Deodoro da Fonseca (15/11/1889 a 23/11/1891) e Floriano Peixoto (23/11/1891 a 15/11/1894).

Em quinze anos de residência permanente no Rio de Janeiro, Eugênio amealhou respeito e reconhecimento não apenas como comandante militar, mas, também, como representante da classe. No comando interino do Corpo de Bombeiros, de 28/10/1893 a 03/04/1894, teve participação decisiva na contenção da Revolta da Armada na capital federal, recebendo elogios e o reconhecimento por parte do governo de Floriano Peixoto.

Atuou no Corpo de Bombeiros da cidade do Rio de Janeiro até 1º de setembro de 1905, quando, a pedido, foi reformado no posto de Coronel, conforme Decreto de 28 de agosto de 1905.

Em razão de reforma, o então Presidente da República, Rodrigues Alves, determinou ao Ministro da Justiça e Negócios Interiores que Eugênio fosse elogiado publicamente pelo zelo e dedicação com que exerceu as funções de Inspetor Geral do Corpo de Bombeiros. O elogio foi feito em 03/09/1905 por meio do Aviso nº 1.548. Em 17/06/1907, recebeu medalha de mérito (ouro) por força do Decreto Presidencial nº 6.040, de 06/06/1907.

Retorno a Goiás e o casamento com Diva Fagundes Caiado

Após a reforma no posto de Coronel, ainda em 1905, Eugênio retorna a sua terra natal. Com o capital amealhado após longa e exitosa carreira militar, adquire, nos arredores de Goiás, a fazenda Quinta, dedicando-se, prioritariamente, à pecuária, criando, em especial, as raças "zebu" e "holandesa". Seu interesse científico pela pecuária, em especial pelas raças europeias, foi desenvolvido ainda quando esteve em Jaguarão (RS), na fronteira com a então República Oriental do Uruguai.

No contexto de seu retorno, acolhido pelos irmãos ainda residentes em Goiás, Francisco Leopoldo Rodrigues Jardim, Olímpia e as gêmeas Maria Elisa e Elisa Maria, Eugênio foi se entrosando na sociedade vilaboense e, consequentemente, imiscuindo-se na vida política.

Diante da proximidade circunstancial dos Bulhões Jardim com a família Caiado, Eugênio inicia o relacionamento com Diva Fagundes Caiado (06/11/1882 - 10/10/1978), filha de Torquato Ramos Caiado e Claudina Fagundes.

Durante seus estudos, Diva integrava o quadro de honra do Colégio Santana, destacando-se pela inteligência e sagacidade. Desenvolveu grande hábito pela leitura e pela música, conservando-o até o fim da vida.

Diva havia sido casada, em primeiras núpcias, com Ovídio Abrantes (22/04/1866 - 15/10/1906), militar de carreira, engenheiro e, por três vezes, Deputado Federal por Goiás (1894-1902). Ovídio faleceu no Rio de Janeiro, não tendo o casal gerado filhos.

O casamento com Eugênio foi realizado na manhã do dia 03/11/1909, na residência de Diva, a casa nº 13 da então denominada “Praça Pinheiro Machado”, na cidade de Goiás.

Do matrimônio, foram gerados oito filhos: Eugênio (06/08/1910 - 11/08/1989), Elza Elisa (07/10/1911 - 19/12/2009), Antonieta (27/03/1913 - 10/02/1991), Diva (21/06/1915 - 05/05/2016), Eudi (04/09/1917 - 11/06/2008), Maria de Lourdes (17/08/1919 - 10/11/1988), Maria do Rosário (09/02/1921 - 25/04/2016) e José Torquato (14/04/1922 - 29/12/2004).

Religiosa, Diva pertenceu à Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, da cidade de Goiás (fundada em 1745), e à Confraria do Santíssimo Sacramento, do Rio de Janeiro. Em 1933, já na Capital Federal, passa a integrar a "Rádio Sociedade Vera Cruz", que tinha por objetivo a difusão da fé católica aos lares brasileiros. Também, na capital fluminense, dedicou-se à filantropia, integrando diversas entidades de auxílio, dentre as quais a "Associação das Senhoras de Caridade de São Vicente de Paulo".

Como verdadeira matriarca da família, Diva foi a responsável pela condução da criação dos descendentes e da manutenção da economia doméstica, em especial durante os longos períodos de ausência de Eugênio Jardim que, por cerca de três meses a cada ano, desempenhou, no Rio de Janeiro, dois mandatos de Senador Federal (1915 a 1921 – 1924 a 1926). Poucos anos após o falecimento de Eugênio, ocorrido em 25/07/1926, Diva fixa residência no Rio de Janeiro, até seu falecimento em 10/10/1978, sendo sepultada no Cemitério São João Batista.

É fundamental destacar a força de Diva que, viúva, teve de assumir, sozinha, a criação dos oito filhos, os dois mais novos com menos de cinco anos, conferindo-lhes grandes qualidades sociais e éticas. Mesmo do Rio de Janeiro, contanto com o auxílio certo de seu genro, Hélios de Amorim (1912-2015), manteve a administração do patrimônio que ficou em Goiás, incluindo as fazendas “Quinta” e “Córrego Fundo”.

A Revolução de 1909

Eugênio retorna a Goiás em um período de ebulição política, marcado pela conclusão do mandato de José Xavier de Almeida como Presidente do Estado de Goiás (12/08/1901 a 14/07/1905) e pelo processo de ruptura do grupo político então comandado por José Leopoldo de Bulhões Jardim (1856-1928).

À época, o grupo de Xavier de Almeida, arregimentado no Partido Republicano Federal de Goiás (fundado em 03/03/1904), forma maioria na Câmara e Senado estaduais (eleições de 1904), além de lograr êxito, no sufrágio de 02/03/1905, na sucessão do governo do Estado, com a eleição de Miguel da Rocha Lima. Mesmo com as tentativas de Leopoldo de Bulhões, o Congresso Nacional, ao resolver sobre a duplicata de poderes em Goiás, deu ganho de causa ao grupo xavierista, isolando, ainda mais os Bulhões em Goiás.

A oportunidade esperada por Leopoldo de Bulhões para retomar as rédeas do poder político desponta com as eleições para a Presidência do Estado em 1908. Xavier de Almeida apoia a candidatura de seu cunhado Hermenegildo Moraes Filho. Tal “imposição” provocou certo descontentamento no seio do Partido Republicano Federal de Goiás, já que Eduardo Sócrates e João Alves de Castro também aspiravam a candidatura.

Outro fato provocou uma considerável crise no grupo xavierista: a sucessão senatorial de 1908. Era notório que Luiz Gonzaga Jayme, tradicional oposicionista dos Bulhões desde 1894 e grande esteio político de Xavier de Almeida a partir de 1901, almejava uma cadeira no Senado. Todavia, a indicação de Gonzaga Jayme não seria tão unânime assim. Cientes das articulações no sentido de uma reviravolta na indicação do candidato para o Senado, os Bulhões empreendem uma ousada manobra: passam a enaltecer o nome de Gonzaga Jayme.

A confirmação da candidatura do próprio Xavier de Almeida, em 19/06/1908, constitui-se como um prato cheio para as aspirações dos Bulhões. O desprezo da candidatura “natural” de Gonzaga Jayme em favor de seu nome, soou como uma nova traição de Xavier de Almeida.

No dia 03/07/1908, a crise política intensificou-se com a atitude de Antônio Ramos Caiado que, em apoio a Gonzaga Jayme, retirou-se da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, onde estava desde 1904. Tal fato político foi utilizado por Bulhões para divulgar a crescente cisão no grupo xavierista e enaltecer Totó Caiado, que passou a ser considerado um grande aliado dos Bulhões.

Começaram os sinais de declínio do grupo xavierista. Importantes integrantes da congregação retiraram-se, engrossando as fileiras da emergente oposição. Novamente unidos, os Caiado, Bulhões, Abrantes e Jayme formaram a Coligação Republicana.

Para o desenvolvimento da força do novo grupo era interessante contar com nomes de influência. Sebastião Fleury, antigo opositor dos Bulhões, tornava-se um novo aliado. O próprio Leopoldo de Bulhões, há sete anos longe de Goiás, retorna ao Estado para auxiliar nas articulações.

Nas eleições para renovação da Câmara Estadual, o grupo oposicionista mostra sua força: são eleitos 14 candidatos da Coligação Republicana, constituindo a maioria da Casa.

Com a formação do esboço partidário, apresentou-se a lista de candidatos para as eleições federais de janeiro de 1909. Para o Senado: Leopoldo de Bulhões; e para a Câmara de Deputados: Antônio Ramos Caiado, Marcelo Francisco da Silva e padre Trajano Balduíno.