Tectona grandis, também chamada comercialmente de teca, é uma espécie de árvore de madeira de densidade média 0,67 gramas por centímetro cúbico, com marcantes características que a vocacionam para a construção naval, especialmente, no que diz respeito à durabilidade (devido a presença de oleosidade e sílica), coeficiente de retratibilidade baixo e relativa leveza, prestando-se, de forma insubstituível, à forração de conveses. Pertencente à família das verbenáceas, é nativa da Ásia, mais precisamente das florestas tropicais de monção do sudeste asiático (Índia, Myanmar, Tailândia e Laos) .Embrapa Acre - Documentos 97, Julho/2005
Descrição "Teca" (do sânscrito, através do malaiala-tâmul tekku) é o nome comum da Tectona grandis - uma árvore de grande porte e grande importância econômica em todo o mundo por sua madeira de qualidade, de cor clara e duradoura.Dicionário Aurélio, verbete teca
A teca é um dos produtos que são até o presente traficados na Estrada da Birmânia.
Em razão da grande demanda, especificamente para construção naval, a teca situa-se dentre as madeiras prediletas para o reflorestamento, encontrando-se cultivos espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil, embora seja mais abundante na Índia, na Birmânia e na Indonésia. thumb|esquerda|Madeira de teca (seca)
Outras madeiras podem substituir a teca, como o louro-preto (empregado pelos argentinos, que o denominam peteribí), o acapu (teca-do-pará), a itaúba, a taiúva e o pequiá — madeiras tropicais sem, no entanto, as mesmas características de durabilidade, estabilidade dimensional e relativa leveza.
História Os primeiros indícios da teca datam do ano 1495, quando foram encontrados, na costa da ilha de Tilos, na Grécia, destroços de navios, sugerindo que sua madeira é utilizada há séculos para construção naval.
A primeira plantação de teca foi no Sri Lanka no final do século XVII. A Nigéria foi o primeiro país, fora do continente asiático, em que a Teca foi introduzida (1902). Em seguida, Gana em 1905 e Costa do Marfim em 1929. Na América, os primeiros países a receberem a espécie foram Trinidad e Panamá, em 1913. A Costa Rica recebeu as primeiras plantações no final da década de 1920.
No Brasil, a primeira experiência aconteceu em Rio Claro, São Paulo e no Rio de Janeiro, no início do século XX. As primeiras plantações comerciais foram promovidas pela Cáceres Florestal S.A., no município de Cáceres, no Mato Grosso. Fototenia II Deoto Agronomia Universida Estadual do Mato Grosso
Morfologia A teca é uma árvore caducifólia, que perde suas folhas durante o inverno, no período de repouso vegetativo. É uma árvore de grande porte, com até 2,50 metros de diâmetro e 50 metros de altura. É uma espécie de hábito pioneiro, ou seja, ocupa, com velocidade, as clareiras abertas na floresta. É também uma planta heliófita, isto é, que exige plena exposição à luz do sol, não tolerando qualquer forma de sombreamento. Seu tronco geralmente é retilíneo, de se(c)ção circular e reduzida conicidade. A casca (ritidoma) tem a cor cinza ou marrom e, embora relativamente fino (cerca de 15 milímetros), parece ser isolante térmico, pois tem resistência ao fogo. Seu crescimento inicial em altura é muito rápido, chegando aos três metros no primeiro ano e aos cinco metros, ou mais, no segundo.REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE ENGENHARIA FLORESTAL
A teca possui folhas grandes, arredondadas e membranosas medindo, medindo em média, em média, 30 a 40 centímetros de comprimento por 25 centímetros de largura. No entanto, nos indivíduos mais jovens, com até 3 anos de idade, as folhas podem atingir o dobro dessas dimensões. Suas flores são pequenas e ordenadas em panículas.
As inflorescências aparecem de junho a setembro e os frutos amadurecem entre 3 e 22 meses depois. A polinização é feita por insetos (zoocoria) e cruzada, ou seja, uma planta só é polinizada por outro indivíduo, com autoincompatibilidade elevada. As sementes resultantes da autopolinização podem ocorrer, porém, apresentam baixo poder germinativo, quando comparadas com sementes oriundas de polinização cruzada
As flores se abrem poucas horas depois do amanhecer e o melhor período para a polinização ocorre entre as 11ː30 e as 13ː00. Os frutos da teca são drupas de coloração castanho-claro e são envoltos num cálice membranoso. Os frutos chegam a ser de 1 000 a 1 500 por árvore e, quando estão maduros, aos poucos vão caindo na estação seca seguinte, cobertos por uma camada marrom espessa e medindo 1,2 centímetro de diâmetro aproximadamente.
Características da madeira A madeira da teca mostra facilidade de secagem e estabilidade dimensional, possui fibras retas, uma textura mediana e oleosa ao tato, e uma fragrância suave depois de seca. A secagem a céu aberto (com pouca exposição ao sol) é rápida e satisfatória. Apresenta um alburno amarelado ou esbranquiçado, geralmente delgado, contrastando com o cerne, que é castanho-amarelo-dourado. Podem ser observados anéis de crescimento nítidos e diferenciados nos cortes transversais. A densidade básica da madeira de teca seca varia de 0,55 a 0,68 gramas por centímetro cúbico.
Além da construção naval, a madeira se presta à fabricação de móveis, estruturas, pisos, peças torneadas, chapas, painéis, postes e dormentes, por apresentar resistência à ação do sol, calor, frio, água de chuva e do mar. Também é uma madeira facilmente trabalhada. Em propriedades rurais, as árvores adultas, com mais de 20 anos, podem ser empregadas nas atividades agropecuárias como mourões, estacas, postes, palanques, etc. pois elas apresentam cerne com propriedades similares às melhores espécies para mourões, tais como aroeira, maçaranduba, itaúba, candeia, dentre outras. Quanto às árvores jovens, os melhores resultados são alcançados quando são tratadas quimicamente com preservativos.
Clima, Relevo e Solo A espécie suporta precipitações de 500 milímetros por ano e intensidades pluviométricas de até 5 100 milímetros por ano, mas apresenta seu melhor desenvolvimento em regiões onde a precipitação anual fica entre 1 250 e 3 750 milímetros, temperatura mínima de 13 °C e máxima de 43 °C, e uma estação biologicamente seca (disponibilidade hídrica menor que 50 milímetros por mês) de 3 meses. Embora a teca tolere uma grande variedade de climas, ela cresce melhor em condições tropicais moderadamente úmidas e quentes. Por isso, grande parte da área de distribuição natural da teca apresenta precipitação entre 1 300 e 2 500 milímetros por ano e uma estação seca de 3 a 5 meses. Os municípios das microrregiões do Alto rio Acre (Brasiléia, Xapuri e Epitaciolândia) e todos os municípios da microrregião do Baixo Rio Acre (Acrelândia, Rio Branco, Bujari, Porto Acre, Senador Guiomard, Plácido de Castro e Capixaba) atendem às demandas edafoclimáticas. A teca é muito afetada por geadas, que limitam sua distribuição, afetando tanto as mudas como árvores jovens ou adultas. Os principais prejuízos acontecem nas partes suculentas do meristema apical, gemas, folhas, casca e câmbio jovem, atrasando o crescimento da árvore e o desenvolvimento do seu tronco.
Diversos tipos de solos e formações geológicas possibilitam o crescimento da árvore da teca, dependendo da sua profundidade, estrutura, porosidade, drenagem e da capacidade de retenção de água. Suas raízes são sensíveis à deficiência de oxigênio, por isso ela se desenvolve melhor em solos com boa aeração. Esta característica de alta demanda por oxigênio resulta na concentração de 65% a 80% de suas raízes nas camadas superficiais, ou seja, nos primeiros 30 centímetros de solo. O desenvolvimento é melhor em solos profundos, bem drenados e férteis. O pH ótimo do solo é de 6,5 a 7,5, com disponibilidade de cálcio, pois a falta desse nutriente ocasiona raquitismo das árvores.
Quanto ao relevo, altitudes superiores a 1000 metros têm uma influência negativa para essa espécie. Pode até ser estabelecida uma cultura nessas altitudes, mas o rendimento final não será bom, podendo até mesmo tornar o empreendimento antieconômico. Terrenos acidentados também são impróprios e agem negativamente, principalmente, na qualidade final da madeira, em decorrênciadas tensões de crescimento no tronco.
Propagação No Brasil, há duas variedades da teca. A primeira, de origem birmanesa, é chamada tenasserim e é mais importante por possuir maior área plantada. Foi cultivada inicialmente no jardim botânico de Trinidad. A outra, procedente do Sri Lanka, foi inicialmente plantada no Jardim Botânico de Summit, no Panamá. Atualmente, estas duas procedências de teca são amplamente distribuídas na América Latina. Dormência das Sementes Algumas sementes apresentam uma característica chamada de dormência, que é a capacidade de esperar as condições ideais para iniciar o processo de germinação. É entendida como um recurso utilizado pelas plantas para germinarem na época apropriada ao seu desenvolvimento, e que visa à perpetuação da espécie. Algumas chegam a interromper a germinação por algum motivo, como, por exemplo, a resistência do tegumento que envolve a semente, características fisiológicas e genéticas ou a combinação de vários fatores. A teca apresenta esta característica de dormência. Seus frutos possuem de uma a três sementes (ou raramente quatro), sendo que as plântulas advindas do fruto têm tamanhos distintos e, às vezes, nem todas conseguem germinar.
Estudos indicam que há várias técnicas para quebrar a dormência de sementes de teca, desde tratamentos químicos a procedimentos mecânicos. Uma forma simples e eficaz é submergi-la em água corrente. Para isso, colocam-se as sementes em sacos de juta ou náilon (aniagem), juntamente com um peso para que permaneçam no fundo de um reservatório com água limpa e corrente. Após 24 horas de hidratação, aplica-se um tratamento térmico, que consiste em colocar as sementes hidratadas num saco de lixo preto reforçado ou embrulhá-las numa lona preta e expor o recipiente a pleno sol durante 2 dias. Outra técnica bastante empregada consiste em colocar as sementes na água durante a noite e secá-las, a pleno sol, durante o dia. Repete-se este processo três vezes. Após realizar o procedimento de quebra de dormência, as sementes já estarão aptas para semeadura.
Produção de Mudas Existem várias técnicas de produção de mudas. Pode-se plantar as sementes em saquinhos de plástico ou em tubetes. No entanto, por questões de pragmatismo e economia, a do tipo toco é a mais viável forma de produzir as mudas de teca. Muda tipo toco é uma das técnicas para produção de mudas de raiz nua. A muda toco nada mais é que uma parte aérea 3 centímetros de comprimento e uma parte da raiz pivotante com cerca de 20 centímetros de comprimento. As vantagens da muda toco são: Não há necessidade de montar grandes estruturas de viveiros para produção de mudas. Dispensa o preparo de grande volume de substrato para enchimento de recipientes de mudas. Redução de mão de obra nas atividades de produção de mudas. Facilidade de transporte. Menor custo no plantio definitivo. Estudos demonstram que o índice de pegamento em campo chega a mais de 98%, quando plantadas nos meses mais chuvosos. As desvantagens são o maior tempo para obtenção da muda apta ao campo (4 a 12 meses) e uma eventual necessidade de desbrota em campo.
Canteiros O canteiro deve ser instalado a pleno sol, sem nenhum tipo de sombreamento ou cobertura. A teca é altamente intolerante ao sombreamento em qualquer fase da vida. O local escolhido para instalação do canteiro também não deve ter problemas de drenagem e nem árvores ou outra vegetação que faça sombra. Os canteiros devem ter entre 1 e 1,2 metro de largura para facilitar a semeadura, a capina manual dos canteiros e, finalmente, a retirada das mudas tipo toco. A profundidade do canteiro deve ser, no mínimo, de 30 centímetros em terra preparada. O canteiro é preparado diretamente no solo do viveiro. Devem ser adicionados areia lavada, material orgânico decomposto e bem curtido ou, ainda, pó de serra, para garantir uma boa drenagem.