Lima (; ) é a capital e a maior cidade do Peru. Localiza-se nos vales dos rios Chillón, Rímac e Lurín, na parte central do litoral peruano, com vista para o Oceano Pacífico. Juntamente com o porto marítimo de El Callao, forma uma área urbana contígua conhecida como Região Metropolitana de Lima, com uma população de quase 12 milhões aproximadamente, sendo a região metropolitana mais populosa do Peru e uma das maiores da América Latina (2017), com cerca de um terço da população nacional vivendo na área metropolitana.

Lima foi fundada pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro em 18 de janeiro de 1535, sendo conhecida como , tornando-se a capital e mais importante cidade do Vice-Reino do Peru. Após a Guerra da Independência Peruana, tornou-se a capital da República do Peru.

A cidade é o lar de uma das mais antigas instituições de ensino superior no Novo Mundo, a Universidade Nacional de San Marcos foi fundada em 12 de maio de 1551 durante o regime colonial espanhol, e é a mais antiga universidade em funcionamento contínuo no continente americano.

Lima recebeu o concurso Miss Universo em 1982. Em outubro de 2013, Lima foi escolhida para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2019. Também foi palco da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em dezembro de 2015. Em outubro de 2015, Lima acolheu as reuniões anuais do grupo do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2015.

Toponímia O atual vale do rio Rímac recebia o nome de como referência à huaca de Santa Ana. Como em outros topônimos, a oclusiva final foi eliminada ao passar para o castelhano, preferindo-se, com o passar do tempo, a grafia Lima após coexistir em documentos com as formas Limac e Lyma.

Ao ser fundada, recebeu o nome de Ciudad de los Reyes devido ao fato de o território limenho ter sido invadido pelos espanhóis em 6 de janeiro, Dia de Reis. No entanto, persistiu o nome indígena da região, pelo qual o novo centro urbano tornou-se conhecido como a cidade de Lima. O rio, em vez disso, teve alterada sua grafia por indicação do "Terceiro Concílio Limense", da mesma forma que outros topônimos de origem quíchua.

História Primeiros povos thumb|esquerda|Pachacamac foi um importante centro religioso antes da chegada dos conquistadores espanhóis. A história da cidade de Lima inicia-se com sua fundação espanhola em 1535. O território formado pelos vales dos rios Rímac, Chillón e Lurín estava ocupado por assentamentos pré-incas. A cultura Maranga e a cultura Lima foram as que se estabeleceram e forjaram uma identidade nestes territórios. Durante essas épocas, se construíram os santuários de Lati (atual Puruchuco) e Pachacámac. Estas culturas foram conquistadas pela Império Wari durante o apogeu de sua expansão imperial. Foi durante esta época que construiu-se o centro cerimonial de Cajamarquilla. Junto à declinação da importância Wari, as culturas locais voltaram a adquirir autonomia, destacando a cultura Chancay. Posteriormente, no século XV, estes territórios foram incorporados no Império Inca.

Desta época, podemos encontrar grande variedade de huacas ao largo de toda a cidade, algumas das quais se encontram em investigação. As mais importantes ou conhecidas são as de Huallamarca, Pucllana, Mateo Salado e Pachacamac.

Período colonial thumb|esquerda|Representação da fundação de Lima. thumb|esquerda|As muralhas de Lima foram construídas entre 1684 e 1687 pelo vice-rei Melchor de Navarra e Rocafull. Em 1532, os espanhóis e seus aliados indígenas, sob comando de Francisco Pizarro, tomaram, prisioneiro, o inca Atahualpa em plena cerimônia religiosa na cidade de Cajamarca e, mesmo com o pagamento de um resgate, este foi assassinado após um julgamento simulado em que foi acusado de heresia e condenado à morte. Este acontecimento é considerado o primeiro assassinato político na nascente sociedade peruana. Logo após algumas batalhas, os espanhóis conquistaram seu império e, com isto, a coroa espanhola nomeou Francisco Pizarro como governador das terras que conquistou.Hemming, The conquest, p. 28. Assim, decidiu fundar a capital no vale do rio Rímac, logo após a intenção falhada de constituir uma capital em Jauja. Em 18 de janeiro de 1535, a Lima espanhola foi fundada como a "Cidade dos Reis" sobre os territórios do cacique Taulichusco.Klarén, Peru, p. 39. Em agosto de 1536, a cidade foi sitiada pelas tropas de Manco Capac II. No entanto, os espanhóis e seus aliados indígenas derrotaram os incas.Hemming, The conquest, p. 203–206.

Em 1543, Lima foi designada capital do Vice-reino do Peru e sede de uma Real Audiência.Klarén, Peru, p. 87. Lima prosperou com o comércio.Andrien, Crisis and decline, pp. 11–13. A cidade, no entanto, não esteve livre de perigosː violentos sismos destruíram grande parte dela em 1687.Andrien, Crisis and decline, p. 26. Uma segunda ameaça foi a presença de piratas e corsários no oceano Pacífico, o que motivou a construção das muralhas de Lima entre os anos de 1684 e 1687.Higgings, Lima, p. 45. O sismo de 1687 marcou um ponto de inflexão na história de Lima, já que coincidiu com uma recessão no comércio pela concorrência econômica de outras cidades como Buenos Aires.Andrien, Crisis and decline, p. 28.

Em 1746, um forte sismo danificou severamente Lima e destruiu Callao, obrigando a um esforço de reconstrução em massa pelo vice-rei José Manso de Velasco.Walker, "The upper classes", pp. 53–55. Na segunda metade do século XVIII, Lima resultou afetada pelas Reformas Borbônicas, já que perdeu o monopólio sobre o comércio externo e seu controle sobre a importante região mineradora do Alto Peru.Ramón, "The script", pp. 173–174.Anna, Fall of the royal government, pp. 4–5. Este debilitamento econômico levou a elite da cidade a depender dos cargos outorgados pelo governo do vice-reino e pela Igreja Católica e, portanto, se mostrou reticente a apoiar a independência.Anna, Fall of the royal government, pp. 23–24. A dependência das elites em relação aos cargos do governo gerou corrupção em grande escala na cidade.

Século XIX thumb|Catedral e Praça Maior de Lima em 1860. thumb|Barricadas nas imediações do quartel de Santa Catalina, em julho de 1872, durante a rebelião dos irmãos Gutiérrez.

Uma expedição combinada de patriotas argentinos e chilenos dirigidos pelo general José de San Martín desembarcou ao sul de Lima em 1820, mas não atacou a cidade. Enfrentando um bloqueio naval e a ação de guerrilhas em terra firme, o vice-rei José de la Serna e Hinojosa foi forçado a evacuar a cidade em julho de 1821 para salvar o exército realista.Anna, Fall of the royal government, pp. 176–177. Temendo um levantamento popular e carecendo de meios para impor a ordem, o conselho da cidade convidou San Martín a entrar em Lima e assinou uma declaração de independência a seu pedido.Anna, Fall of the royal government, pp. 178–180. No entanto, a guerra não tinha acabado e, nos dois anos seguintes, a cidade mudou de mãos muitas vezes.

Proclamada a independência do Peru em 1821 pelo general José de San Martín, Lima converteu-se na capital da República do Peru. Assim, Lima foi a sede do governo do libertador e sede também do Congresso constituinte que teve o Peru.

Os primeiros anos da história republicana peruana se caracterizaram pelo constante confronto entre caudilhos militares, que tinham, como objetivo, governar o país e para o qual tentavam tomar a sede de governo. Assim, Lima sofreu vários assédios e confrontos armados em suas ruas. Durante o longo período de guerras civis, metade da cidade foi destruída.Anna, Timothy (1979). The fall of the royal government in Peru. Lincoln: University of Nebraska Press. pp. 291 Em 1862, deu-se início ao processo de mudança na nomenclatura urbana da cidade. Em 1868, foi eleito o presidente José Balta, pondo fim a mais de três décadas de guerra civil. Neste governo, ocorreu a demolição das muralhas que circundavam a cidade.Asociación Latinoamericana de Estudiantes de Geografía Em 1872, perto do fim de seu governo, foi derrubado pelos irmãos Gutiérrez e, alguns dias depois, foi assassinado. Durante o golpe, houve várias brigas dentro da cidade.Chirinos Soto, Enrique: Historia de la República (1821-1930). Tomo I. Lima, AFA Editores Importadores S.A., 1985. Com o início da Guerra do Pacífico, Lima é afetada pelo bloqueio do porto e a consequente ocupação chilena.Paz Soldán, Mariano Felipe (1979). Narración histórica de la guerra de Chile contra el Perú y Bolivia. Lima: Milla Batres. As tropas invasoras saquearam a cidade. Logo após a retirada do exército invasor, Lima iniciou um processo de reconstrução, que se viu limitada devido aos confrontos entre Andrés Avelino Cáceres e Nicolás de Piérola.

Em 1894-1895, ocorreu a terceira guerra civil peruana. A 16 de março de 1895, Nicolás de Piérola, chefe da revolta, ordenou o ataque à cidade. Seu exército foi dividido em três seções para atacar simultaneamente o Lima Norte, Central e do Sul. Após três dias de batalhas, insurgentes tomaram Lima e a saquearam durante dias. Os confrontos causaram mais de mil mortos. Corpos se amontoaram nas ruas e nos hospitais. A decomposição dos corpos desencadeou uma epidemia. A situação foi agravada porque Lima não tinha saneamento básico, esgoto, água corrente ou um sistema de hospitais. Com Piérola assumindo o poder, houve o início do que se denominou a república aristocrática.Guerra, Margarita: Historia General del Perú. La República Aristocrática. Tomo XI. Primera Edición. Editor Carlos Milla Batres. Lima, Perú, 1984

Séculos XX e XXI thumb|esquerda|Avenida 9 de Dezembro em 1919. thumb|esquerda|A via Jirón de la Unión nos anos 1930. alt=|esquerda|miniaturadaimagem|Centro Histórico de Lima em 2012. alt=|esquerda|miniaturadaimagem|Litoral de Lima em 2013. No início do século XX, após o saque e a nova guerra civil, Lima iniciou um processo de reconstrução. No entanto, a construção se tornou improvisada e desordenada. Nos anos 1930, Lima não possuía serviços básicosː o principal meio de transporte era a carroça e, para iluminar as ruas, ainda eram usando velas como na era colonial.Basadre 1998, pp. 2222-2223, Lima contemporanea, 1910-1990, editorial Sotoreal. Em 1937, começa a remodelação do Palácio de Gobierno e da Casa Municipal, fortemente danificadas pelos terremotos. Entre 1941 e 1942, a Guerra peruano-equatoriana causou escassez em todo o Peru. Houve vários saques de lojas em Lima. O estado de sítio foi decretado na cidade por 30 dias, durante os quais 52 pessoas foram mortas em confrontos com a polícia.Anna, Timothy (1979). La caída del gobierno real en el Perú. Lincoln: University of Nebraska Press. pp 179 Em 1951, o primeiro estádio de futebol do país abre, o Estádio Nacional.

Nos anos 1960, deu-se início à emigração em massa de pessoas do interior do país, produzindo um crescimento exponencial da população na capital e a consequente expansão urbana descontrolada, produto principalmente do êxodo rural e migração urbana. As novas populações construíram as suas habitações em terrenos próximos ao centro, os quais se utilizavam até aí como zona agrícola. Os novos assentamentos não tinham infraestrutura, pavimento ou esgoto. Os distritos de Lince, La Victoria para o sul; Breña e Pueblo Libre para o oeste; El Agustino, Ate e San Juan de Lurigancho para o leste e San Martín de Porres e Comas ao norte. Lima, em 1963, incorpora iluminação elétrica e começa a pavimentar as grandes avenidas. Em 1976, se criou Villa el Salvador (atual distrito de Villa El Salvador), localizada a trinta quilômetros do centro da cidade e atualmente integrada na área metropolitana.