Introdução

Elizabeth é um filme britânico de 1998, dos gêneros drama e biografia, dirigido por Shekhar Kapur. Indicado para 10 categorias do BAFTA Awards, 6 Academy Awards e 3 Globos de Ouro, esta produção é considerada a consagração de Cate Blanchett no cinema mundial.

O elenco inclui Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Joseph Fiennes e Emily Mortimer, como protagonistas, e Christopher Eccleston, Vincent Cassel, Fanny Ardant e John Gielgud como antagonistas. O filme é uma biografia de Elizabeth I, que assume o trono inglês em um período conturbado e decide sacrificar sua vida pessoal para enfrentar as ameaças ao seu reinado.

Ficha técnica básica

Título no Brasil: Elizabeth

Título original: Elizabeth Ano: 1998

Direção: Shekhar Kapur Roteiro: Michael Hirst Trilha sonora: David Hirschfelder Direção de fotografia: Remi Adefarasin Elenco Principal: o Cate Blanchett - Elizabeth I o Geoffrey Rush - Francis Walsingham o Joseph Fiennes - Robert Dudley o Emily Mortimer - Kat Ashley o Christopher Eccleston, Vincent Cassel, Fanny Ardant e John Gielgud como antagonistas Gênero: Drama histórico e biografia

Sobre a produção Elizabeth é uma produção britânica reconhecida mundialmente pela estética marcante, figurinos elaborados e reconstrução visual do século XVI. O filme consolidou Cate Blanchett no cinema internacional e recebeu amplo reconhecimento da crítica, sendo indicado a 10 categorias do BAFTA Awards, 6 Academy Awards e 3 Globos de Ouro. A produção recria o contexto político e religioso que moldou o início do reinado de Elizabeth I.

Contexto e Sinopse

Contexto Histórico Apresentado

A narrativa se passa no século XVI, período de declínio do sistema feudal e ascensão das bases do Estado moderno. O ambiente político inglês era marcado por profundas tensões religiosas entre católicos, protestantes e puritanos. Após o conturbado reinado da católica Mary I, Elizabeth assume um país dividido, fragilizado e ameaçado por conspirações internas e pressões externas de potências como França e Escócia. Conforme o historiador José Renato Ferraz da Silveira, sua principal missão era restaurar a estabilidade religiosa e consolidar sua autoridade sobre um reino à beira do caos.

Sinopse

Após a morte da rainha católica Mary I em 1558, sua meia-irmã Elizabeth, anteriormente presa por "conspirar contra a coroa', torna-se rainha da Inglaterra. Jovem, protestante e vista com desconfiança pela nobreza, Elizabeth precisa enfrentar a oposição do Duque de Norfolk, as ameaças de Mary Stuart e Maria de Guise, a declaração de ilegitimidade emitida pelo Papa e as conspirações internas que visavam derrubá-la. Pressionada a se casar para gerar um herdeiro e "estabilizar" o reino, Elizabeth transforma o matrimônio em arma diplomática, mantendo alianças pela incerteza e recusando compromissos que comprometeriam a soberania inglesa. Sua relação com Robert Dudley, embora pessoalmente significativa, também é sacrificada por razões políticas. Ao longo do filme, ela amadurece, identifica traidores e se firma como líder política. O clímax ocorre quando se declara "casada com a Inglaterra", assumindo sua figura mítica como Rainha VirgemSILVEIRA, José Renato Ferraz da. A Inglaterra elisabetana e os conflitos pelo poder. Aurora, São Paulo, v. 6, n. 16, 2013..

Em 1558 a rainha católica Mary I sucumbe a um tumor maligno, deixando como única herdeira sua meia-irmã Elizabeth, que já havia sido presa por "conspirações contra a Coroa". Elizabeth é aconselhada a casar-se e gerar um herdeiro que lhe asseguraria o trono inglês e a confiança do povo. A "Rainha Virgem" tem, então, de enfrentar diversas ameaças ao seu reinado: o Duque de Norfolk e Mary Stuart, seus primos católicos, e Maria de Guise, que firma aliança com os franceses para derrotá-la. Outro grande opositor de Elizabeth é o Papa, que a acusa de permitir a morte de milhares de católicos.

Análise Crítica (Cinematográfica e Histórica) Aspectos Cinematográficos

A produção trabalha com contraste entre luz e sombra para expressar a tensão religiosa e política do período. Os figurinos acompanham a evolução da rainha, de jovem vulnerável a ícone de poder. A trilha sonora intensifica os momentos-chave da narrativa, enquanto Cate Blanchett entrega uma atuação impactante, mesclando fragilidade emocional e força política. A direção de Shekhar Kapur utiliza enquadramentos simbólicos para reforçar a transformação da personagem.

Representação Histórica e Temática

O filme dialoga com princípios políticos de Maquiavel (1469-1527), especialmente quando aborda a questão de “ser amada ou ser temida”, presente na trajetória da protagonista. Além disso, o uso do casamento como estratégia política reproduz ideias maquiavélicas sobre a manutenção do poder. Elizabeth também recorre a decisões duras para consolidar o Estado, alinhando-se à noção de que “os fins justificam os meios”.* CASTRO, Susana de. A origem do Estado moderno em Maquiavel e Hobbes. Sofia, Vitória (ES), v. 6, n. 2, 2017. Por outro lado, também é possível relacionar o enredo ao pensamento de Thomas Hobbes (1588-1679). A Inglaterra pré-elisabetana é retratada como um reino em “estado de natureza”, instável e violento, e o fortalecimento da autoridade real por Elizabeth expressa a busca pela soberania como forma de restaurar a ordem. A cena final, em que Elizabeth aparece vestida de branco e declara-se “casada com a Inglaterra”, sintetiza sua transformação em símbolo político e mito nacional.

Conclusão Impacto e Legado do Filme

Elizabeth teve grande impacto na crítica internacional, recebendo 6 indicações ao Oscar e vencendo na categoria de Melhor Maquiagem, além de conquistar 10 indicações ao BAFTA, com 5 vitórias, incluindo a de Melhor Filme Britânico. No Globo de Ouro, Cate Blanchett foi premiada como Melhor Atriz. O filme destaca o legado político de Elizabeth I, que estabilizou religiosamente a Inglaterra, fortaleceu a autoridade real e iniciou transformações que contribuíram para que o país se tornasse uma potência marítima. A construção da Rainha Virgem como símbolo de soberania e identidade nacional ocupa papel central na narrativa.

Posição crítica

O filme representa de maneira eficaz as tensões políticas e religiosas do período, mesmo com liberdades dramáticas típicas de obras cinematográficas. Construindo um retrato denso da protagonista, os autores do verbete consideram Elizabeth uma produção que equilibra precisão histórica com narrativa envolvente.

Recomendação

O filme é recomendado para:

estudantes e professores de História; interessados em política, filosofia e formação do Estado moderno; apreciadores de narrativas históricas, dramas biográficos e figuras femininas marcantes; público geral que valoriza filmes com estética elaborada e atuação de destaque.

Elenco

Cate Blanchett .... Elizabeth I Geoffrey Rush .... Sir Francis Walsingham Christopher Eccleston .... Duque de Norfolk Kathy Burke .... Rainha Maria I de Inglaterra Joseph Fiennes .... Robert Dudley, Earl of Leicester Richard Attenborough .... Sir William Cecil Fanny Ardant .... Mary de Guise Eric Cantona .... Monsieur de Foix Vincent Cassel .... Duc d'Anjou Edward Hardwicke .... Earl de Arundel Emily Mortimer .... Kat Ashley John Gielgud .... Papa Pio V

Principais prêmios e indicações Oscar 1999 (EUA) AnoCategoriaNotasResultado1999Melhor FilmeElizabeth Melhor AtrizCate Blanchett Melhor Direção de ArteJohn Myhre e Peter Howitt Melhor FotografiaRemi Adefarasin Melhor FigurinoAlexandra Byrne Melhor MaquiagemJenny Shircore Melhor Trilha Sonora (Drama)David Hirschfelder Globo de Ouro 1999 (EUA) AnoCategoriaNotasResultado1999Melhor Filme DramáticoElizabeth Melhor DiretorShekhar Kapur Melhor Atriz em Filme DramáticoCate Blanchett BAFTA 1999 (Reino Unido) AnoCategoriaNotasResultado1999Melhor FilmeElizabeth Prêmio Alexandre Korda Melhor AtrizCate Blanchett Melhor Ator CoadjuvanteGeoffrey Rush Melhor Roteiro OriginalMichael Hirst Melhor EdiçãoJill Bilcock Melhor Desenho de ProduçãoJohn Myhre Melhor FotografiaRemi Adefarasin Melhor FigurinoAlexandra Byrne Melhor MaquiagemJenny Shircore Prêmio Anthony AsquithDavid Hirschfelder