A Ordem dos Frades Menores Conventuais (ou Ordem dos Franciscanos Conventuais) é um ramo da ordem religiosa que foi fundada por São Francisco de Assis em 22 de dezembro de 1209 com o nome original de Ordem dos Frades Menores e à qual foi acrescentado o título de Conventuais.
Mais tarde, houve acentuadas reformas ao carisma deste ramo dando origem aos Conventuais Reformados (1557-1668) e os Frades Franciscanos da Imaculada (1970). São responsáveis pela orientação espiritual das Clarissas Urbanistas.
Uso do nome História O nome próprio dado por São Francisco de Assis a sua ordem é Ordo Fratrum Minorum,CELANO, TOMÁS DE. Primeira Vida de São Francisco. “Volo, inquit, ut Ordo Fratrum Minorum fraternitas haec vocetour”. é este que se tornou característico e oficial na Igreja, sendo o nome utilizado por todas as reformas e pequenos grupos que iam surgindo no interior da Ordem.
Até o ano de 1430, surgiram diversas reformas e grupos, como os Coletanos, os Vilacrecianos, os da Comunidade (Conventuais), os Observantes, os Amadeitas e os Martinianos. No Capítulo Generalíssimo de Roma de 1517Papa Leão X. Bula Ite vos (25.05.1517). o papa Leão X, uniu aos Observantes todas as reformas menores e constituiu uma única família juridicamente autônoma com Ministro Geral próprio, separando a Ordem em dois ramos: Observantes e Conventuais.Papa Leão X. Ominipotens Deus (12.06.1517). “Quae hactenus subdicto Ministro Generali Fratrum Conventualium guerant. [...] Quae omnia ex nunc Magistro Generali Conventualium immediate subiecta perpetuo sint et esse censeantur”.
Em 1897, o nome de Ordem dos Frades Menores foi confirmado a esta família pelo Papa Leão XIII, na unificação das suas quatro famílias históricas: Observantes, Reformados, Alcantarinos e Recoletos.Papa Leão XIII. Felicitate quadam (4.10.1897). “Is xtinctis nominibus Observatium, Reformatorum, Excalceatorum seu Alcantarinorum, Recollectorum, Ordo Fratrum Minorum sine nullo apposito, ex Instituto Francisci patris appelletur”. A nova família unificada tem nome de OFM a partir de 04.10.1897, junto com a precedência de honra sobre as outras duas famílias da Primeira Ordem, mas juridicamente iguais e autônomas: os Frades Menores Conventuais e os Frades Menores Capuchinhos.Quaestiones Regulares, I, Veneza 1611, p. 408.
Significado do nome O significado do nome Conventual nem sempre foi o mesmo. Nos inícios da Ordem, ele era genérico, sendo relacionado a tudo que era do Convento, em seguida começou a ser mais específico, ligado a acontecimentos históricos, como: a) viver e operar dos Minoritas naqueles conventos e igrejas que o Papa tinha declarado conventuais; b) instaurar-se e o generalizar-se de um conventualismo ou vida conventual menos rígida e austera que dos eremitérios, mais aberta a dispensas e concessões em referência a pobreza, como também mais ativa com a urgência de estudos e apostolados de cidades; c) difundir este estilo de vida; d) ligar as obras que pertenciam a Ordem; e) finalmente a necessidade de distinguir a comunidade conventual a comunidade de outros grupos.FONZO, Frei Lourenço Di; ODOARDI, Frei João; POMPEI, Frei Afonso. Frades Menores Conventuais – História e Vida. 1997. Brasília: Edições Kolbe, p.88-89
Hoje, ele se tornou identidade de uma das três grandes famílias da Primeira Ordem fundada por São Francisco, pois fazem parte de um movimento religioso chamado conventualidade. Mas não em todo mundo, na França e nos países de língua francesa são chamados "Cordeliers", na Inglaterra são conhecidos "Grey Friars", na Alemanha "Minoriten" e na Polônia recebem o nome de "Franciszkanie". Os nomes que não são mais usados: "Claustrais" na Espanha e "Barfüsser" (Descalço) na Alemanha.Constituição da Ordem dos Frades Menores Conventuais §1.1
História Da intuição à instituição (1209-1223) Desde seu aparecimento, a Ordem dos Frades Menores (Ordo Fratrum Minorum) foi considerada uma verdadeira Ordem religiosa, caracterizada, porém, por diversos elementos de grande novidade em relação ao estilo de vida dos religiosos da época (os monges). Seus membros vinham de todas as camadas da sociedade, tornando-se irmãos em torno do princípio evangélico da fraternidade; os irmãos não viviam em mosteiros, mas eram itinerantes, parando às vezes em eremitérios por breves períodos. Quem os ligava entre si era a figura arrebatadora do fundador Francisco de Assis; o espírito franciscano e a unidade entre os frades eram assegurados pela Regra de Vida, escrita por Francisco, pelo elo da obediência e por um sinal externo: o hábito franciscano, de cor cinza. Duas vezes por ano, os frades se reuniam em capítulos para falar das coisas de Deus, para tomar decisões acerca de seu estilo de vida e cultivar entre si o elo da fraternidade.thumb|220px|Francisco e seus companheiros diante de Inocêncio III, 1297-1299. Basílica de São Francisco de Assis
Ainda que era um estilo de vida fascinante, logo, porém, começaram a aparecer algumas dificuldades: havia o perigo da ociosidade; já havia frades que perambulavam desligados dos demais; a pobreza radical colocava, por vezes, os frades em situações de extrema penúria; e não havia como amparar os irmãos doentes e velhos.
Por tudo isso, a Ordem Franciscana viveu nos últimos anos da vida de São Francisco de Assis (1220-26) transformações decisivas para o seu futuro, transformações que o próprio Francisco aprovava e procurava harmonizar com o espírito original de sua fraternidade. E assim, foram-se acrescentando outros elementos que caracterizam a vida franciscana: os frades, de itinerantes se tornaram estáveis, morando em conventos; de iletrados, com Santo Antônio e outros, tomaram-se estudiosos da religião; buscou-se uma ligação mais estreita com a hierarquia da Igreja Católica Romana por meio do Cardeal Protetor; o zelo pela pregação do Evangelho levou os frades a transferirem seus conventos para dentro das cidades e a se dedicarem ao trabalho pastoral entre o povo; procuraram meios menos precários de sustento com uma consequente administração mais elaborada.
Conventualização da Ordem e contrastes com Espirituais (1230-1368) Já nos últimos anos da vida de São Francisco de Assis a Ordem se encaminhou por uma estrada sugerida tanto pela realidade de uma fraternidade muito numerosa, como pelo empenho de serviços à Igreja sempre mais amplos e diferenciados. Depois da morte de São Francisco a rápida e vasta difusão da ordem religiosa exigiu uma organização mais apropriada e precisa. Isso aconteceu tanto mais facilmente pois São Francisco de Assis não dera uma legislação que prévia de tudo, mas somente orientou linhas programáticas essenciais, colocando em evidência a liberdade evangélica e a responsabilidade pessoal sob a moção do Espírito Santo. E para que não se confundisse a inspiração divina com a subjetividade, quis que ela fosse verificada e garantida pela Igreja Romana.frei Francesco Saverio Pancheri, ao Cap. Geral OFMConv – 1981
Tal evolução teve consequências práticas e teóricas relevantes para o modo de viver da fraternidade franciscana, para as suas fontes de sustentação e para a sua estrutura de organização. Produziu uma diversificação em relação ao primitivo estilo de vida com a sua praxe de pobreza material e de trabalho manual. Em vantagem do novo modo de vida conventual estava, porém, a possibilidade de uma mais ampla e articulada atuação da fraternidade na liturgia, na vida comunitária, na programação das atividades, na importância dada aos capítulos e aos encontros de fraternidade e na formação.
Em 1354, a Ordem conseguiu que fossem restabelecidas as constituições de Narbona, com oportunas adaptações.‘Statuta Farineriana’, do nome do geral Guilherme Farinier, 1348-1357 Mas ainda continuavam pesando os efeitos da bula ‘Ad conditorem’ de Papa João XXII, que orientava a administração dos bens nas mãos dos religiosos e a grande facilidade do uso do dinheiro, inclusive para uso pessoal. Em 1395, com Papa Bonifácio IX, a Ordem conseguiu novamente os administradores ou síndicos apostólicos.
Difícil coexistência dentro da Ordem (1368-1517) Na polêmica com o grupo dos espirituais não se discutiu o fundamento da pobreza franciscana, mas sim a prática. Ambos os lados consideravam como incontestável que, em virtude da Regra, a Ordem como tal era incapaz de possuir bens. Todavia, enquanto para os espirituais tratava-se do compromisso radical de uma vida pobre, para o grupo da Comunidade, a pobreza consistia na ausência de domínio jurídico dos bens, ainda que se dispusesse de tais bens. Eram muitos os que não viam um fundamento evangélico para semelhante sutileza.
Em 1446, veio a separação real e definitiva entre conventuais e observantes: com a bula ‘Ut sacra’ do Papa Eugênio IV, onde os observantes celebrariam seus capítulos gerais a cada três anos para a eleição do vigário-geral e seus capítulos provinciais para a eleição dos vigários provinciais. O ministro geral confirmaria o vigário-geral e os ministros provinciais confirmariam os vigários provinciais.
O ministro geral Agostinho Rusconi (1443-49) dividiu todos os vicariatos observantes em duas famílias: a Cismontana e a Ultramontana. Em 1451, os observantes ‘ultramontanos’ celebraram em Barcelona um importante capítulo geral, que promulgou as constituições definitivas para a observância ultramotana, os ‘Statuta Barchinonensia’; para a cismontana adaptaram-se, em 1461, as constituições de Martinho V. A observância, que nasceu como um movimento de contestação a certa modalidade de instituição, acabou ela mesma se institucionalizando, sem perder o dinamismo da reforma. Não tardaria a experimentar, em seu próprio seio, a erupção de uma nova contestação.
Para votar ou a tratar de Constituições e do problema da união, foram convocados capítulos ‘generalíssimos’ (Assis 1430, Pádua 1443, Milão 1457, Roma 1458, 1506 e 1517), assim chamados porque junto aos conventuais participavam os delegados dos observantes e das demais reformas. Foram efetivamente ‘generalíssimos’ somente os de Assis de 1430 e 1455 e os de Roma de 1506 e 1517. A tensão entre conventuais e observantes, longe de debilitar o vigor da Ordem e de fazê-la perder a estima, serviu para reavivar, mesmo nos conventuais, os valores do ideal franciscano, resultando em nova euforia como força de primeira linha na Igreja.
Capítulo Generalíssimo de Roma e a bula ite vos (1517) Em 1517, Papa Leão X convocou os conventuais e os observantes para um capítulo geral extraordinário; obrigou também a todos os grupos reformados independentes a enviar seus representantes. Naquele soleníssimo capítulo, celebrado em Roma, os conventuais recusaram oficialmente a solução de ser ‘reduzidos’ à observância e de dar à Ordem um geral observante. O papa então decretou a separação total pela bula ‘Ite vós in vineam meam’,Minute da Ite vos, em ArchIbAmer, 18.1958, 338. invertendo a relação de dependência mantida até então, caso único na história das ordens religiosas: a observância passava a representar hierarquicamente a Ordem; o geral conventual foi obrigado a renunciar ao cargo e entregar o selo da ordem religiosa. A bula ‘Ite vos’ não diz muito, pelo menos diretamente, sobre os Conventuais e sua nova posição dentro da Ordem; ela demanda a outro documento que seguirá e definirá como deverão estar ‘sujeitos e obedientes’ (aos neo-ministros geral e provinciais observantes). thumb|left|220px|Papa Leão X, promulgador da bula ‘Ite vos’