Taubaté é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo, localizado na região do Vale do Paraíba, a 130 km da capital do estado, São Paulo. O município é formado pela sede e pelo distrito de Quiririm. Sua população, segundo estimativa do IBGE para 2025, era de habitantes, ocupando a décima posição dentre os municípios mais populosos do interior de São Paulo, sendo o 24.º mais populoso município do estado. O produto interno bruto per capita do município em 2013 era de R$ e PIB de R$ 22.607.800,47 bilhões de reais.
Tradicional município paulista, Taubaté desempenhou papel importante na evolução histórica e econômica do país. No ciclo do ouro, foi núcleo irradiador de bandeirismo, descobrindo ouro em Minas Gerais, fundando diversas cidades. No Segundo Reinado, durante o surto cafeeiro do Vale do Paraíba, destacou-se como o município de maior produção na zona paulista, sediando o Convênio de Taubaté em 1906.ABREU, Maria Morgado de. Taubaté: de núcleo irradiador de bandeirismo a centro industrial e universitário do Vale do Paraíba.,2.ª edição. Aparecida: Santuário, 1991 Destaca-se como cidade pioneira no Vale do Paraíba, pois foi a sua primeira vila oficial (o equivalente, hoje a município) em 1645, cabeça de comarca em 1832, cidade imperial em 1842, centro industrial em 1891 e diocese em 1906.
É terra do escritor Monteiro Lobato e, devido à sua importância para a literatura brasileira, ganhou o título de "Capital Nacional da Literatura Infantil". Conserva bastante edifícios históricos, possui diversas manifestações culturais caipiras, como a produção de figureiras, grupos de Moçambique, Folias de Reis, Capoeira e Congada, e um rico acervo da história do país e da cultura caipira.
História Antes da fundação de Taubaté, havia na região em que hoje se situa o Cristo Redentor uma aldeia de indígenas guaianás, conhecida como Tabaybaté (topônimo que significa "aldeia alta" em tupi), de onde veio o nome da cidade.
Em 1560, Mem de Sá, então governador-geral do Brasil, incumbiu Brás Cubas de organizar uma expedição para a exploração do interior da Colônia, a qual passou pelas terras em que hoje se situa Taubaté.
No final do século XVI e primeiras décadas do século XVII, a colonização do atual estado de São Paulo, que até então se limitava aos arredores da vila de São Paulo e ao litoral paulista, começou a expandir-se pelos vales dos rios Tietê e Paraíba do Sul, como resultado do bandeirantismo e da demanda por novas terras para a agricultura. A donatária da Capitania de Itanhaém, criada em 1624 a partir da Capitania de São Vicente e à qual o atual Vale do Paraíba pertencia, a Condessa de Vimieiro, neta e herdeira de Martim Afonso de Sousa, se interessou na colonização dos sertões vale-paraibanos.
Nesse contexto, o bandeirante Jacques Félix, abastado morador em São Paulo de Piratininga, foi incumbido de iniciar as colonizações daqueles sertões. Em 1628, esse explorador e seus filhos Domingos Dias Félix e Belchior Félix recebem sesmarias nas regiões compreendidas entre Tremembé e Pindamonhangaba.
Em 20 de janeiro de 1636, Jacques obteve poderes de avançar pelos "Sertões do Paraíba" por meio de provisão do capitão-mor da Capitania de Itanhaém, Francisco da Rocha. Finalmente, em 13 de outubro de 1639, através de provisão do capitão-mor da Capitania, Vasco da Mota, foram dadas ordens a Jacques, em terras dadas a ele em 30 de junho daquele ano, para construção da igreja matriz, casa para o conselho, cadeia pública, arruamento, engenho de cana-de-açúcar e farinha de milho, além de concessão de terras às famílias trazidas pelo fundador, vindas da vila de São Paulo, assim surgindo um povoado, denominado Itaobaté.
Em 5 de dezembro de 1645, por provisão do capitão-mor Antônio Barbosa de Aguiar, procurador do conde de Vimieiro, donatário da capitania de Itanhaém, o povoado de Itaobaté foi elevado à categoria de vila, com o nome de São Francisco das Chagas de Taubaté, a primeira do Vale do Paraíba, sendo instalada a Casa de Câmara. Desse modo, foi escolhido seu padroeiro, São Francisco das Chagas.ZALUAR, Augusto-Emílio. Peregrinação pela Província de S.Paulo (1860-1861). São Paulo: Livraria Martins Editora, 1976. 237 p. ( Biblioteca histórica paulista, 2 )
Na segunda metade do século XVII e início do século XVIII, a vila de Taubaté se tornou um núcleo irradiador do bandeirantismo, explorando as terras além da Serra da Mantiqueira, no “Sertão dos Cataguases”, que viria a ser Minas Gerais. Em 1693, o bandeirante taubateano Antônio Rodrigues de Arzão descobriu pela primeira vez ouro em território mineiro e, nos anos e décadas seguintes, exploradores vindos dessa vila fundaram as primeiras povoações ali, que dariam origem a cidades como Mariana, Ouro Preto, Sabará, Serro, Tiradentes, São João del-Rei, Baependi e Aiuruoca.https://taubate.sp.gov.br/wp-content/uploads/2018/04/Apresentacao.pdf
Em janeiro de 1695, César Antônio Paes de Sande, governador do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, ali instalou uma fundição para onde todo o ouro deveria ser levado para ser fundido pelo estado às custas de um quinto do metal. Em 9 de outubro de 1717, os juízes de fora foram substituídos por um único juiz que atuava sobre as vilas de Taubaté e Pindamonhangaba, esta última desmembrada da primeira em 1705.
Em 1774, o taubateano Francisco Barreto Leme do Prado fundou a povoação que originaria a cidade de Campinas.
A partir de meados do século XVIII, a economia de Taubaté, até então baseada na agricultura de subsistência, passou a ter como principal produto a cana-de-açúcar, também bastante cultivada no Vale do Paraíba.
Na Inconfidência Mineira (1789), a vila vale-paraibana contribuiu com seus filhos padre Carlos Corrêa de Toledo e Melo e seus irmãos Luís Vaz de Toledo Piza e Bento Cortez de Toledo. Posteriormente, a população da vila apoiou a Independência do Brasil em 1822.
Logo após a Independência do Brasil (1822), em Taubaté e em todo o Vale do Paraíba Paulista, houve uma grande substituição da cana-de-açúcar pelo café.
Em 5 de fevereiro de 1842, devido ao seu tamanho e a sua importância na região, a Lei Provincial nº 5, sancionada pelo então presidente da Província de São Paulo, José da Costa Carvalho, o Barão de Monte Alegre, concedeu à vila de São Francisco das Chagas de Taubaté o título de cidade, com o topônimo simplificado para Taubaté. No mesmo ano, a cidade participou das Revoltas liberais. A vila já havia alcançado, em 1836, a cifra de 11.833 habitantes, sendo o maior núcleo populacional do interior da província. Em 1900, a cidade alcançou a maior produção cafeeira do Vale do Paraíba.
Em 1860, segundo Augusto Emílio Zaluar, a estrada pela qual se chegava a Taubaté era povoada de velhas casas caipiras e choupanas de mendigos, habitadas por uma população numerosa e compacta. No interior da cidade de 26 a 30 mil habitantes, ruas compridas com casas sombrias e vielas que vão dar em praças. Havia algumas residências modernas e luxuosas de proprietários e ricos fazendeiros.
Dentre as edificações de destaque, o maior edifício do norte da província: o espaçoso convento de Santa Clara (de quarto de légua em quadra), conhecido como convento de São Francisco, e a igreja ou casa de oração que pode acomodar mil pessoas. No interior, a igreja é singela e sem muitos ornamentos de talha. Por conta de um grande incêndio, os retábulos haviam sido reformados. No lugar do altar lateral, havia uma capela funda da Ordem Terceira do Carmo. Não era sabida a época de construção do convento. Houve uma época em que ali funcionava um liceu com as cadeiras de: mecânica aplicada às artes, geometria e aritmética; história; filosofia; e latim e francês.
Em 1860, a vila era composta por três outras freguesias: Tremembé (emancipada em 1896), Buquira (emancipada em 1880) e Paiolinho (emancipada em 1877). Ali, perto do ribeirão de Taubaté, havia uma capela do Senhor Bom Jesus, que havia sido fundada em 1669, e era muito frequentada pelos moradores da região.
O enriquecimento progressivo e a prosperidade econômica por causa do café foram sentidos em diversos setores. Em 1876, Taubaté ganhou uma estação ferroviária, em uma ferrovia com trens de passageiros e cargos para cidades vizinhas e para São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1878, ganhou o Teatro São João; bondes urbanos, de tração animal, em 1881 e seu primeiro jornal, O Taubateense, em 1861. Recebeu iluminação a gás no ano de 1884, empresa telefônica em 1893 e o tradicional Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho em 1879.
Em 1887, foi proposta pelo senador Joaquim Floriano de Godói a criação da Província do Rio Sapucaí, com capital em Taubaté e abrangendo o Vale do Paraíba Paulista e o sul de Minas Gerais. A proposta não foi aprovada.
No ano de 1891, Taubaté teve uma de suas primeiras indústrias, a Companhia Taubaté Industrial, onde se fabricavam "morins" (tecidos brancos e finos de algodão), que eram vendidos para grande parte do Brasil. Até os dias atuais, alguns dos prédios que abrigaram a indústria se mantêm preservados na Praça Félix Guisard (conhecida como Praça da CTI), próxima ao Centro da cidade.
No dia 26 de fevereiro de 1906, na gestão do Presidente da República Rodrigues Alves, foi assinado o Convênio de Taubaté pelos presidentes dos estados (cargos equivalentes aos dos atuais governadores) de São Paulo (Jorge Tibiriçá), Rio de Janeiro (Nilo Peçanha) e Minas Gerais (Francisco Antônio de Sales). O convênio tinha, como objetivo, incentivar a produção de café através do controle das plantações e dos valores das taxas para exportação e para o consumo interno.A política de valorização do café seria operacionalizada por meio dos seguintes mecanismos: a) o governo interviria no mercado comprando os excedentes, propiciando assim o equilíbrio entre procura e oferta; b) em virtude da debilidade das contas nacionais, o financiamento para essas compras e para a manutenção dos estoques seria realizado, especialmente, com empréstimos estrangeiros; c) uma Caixa de Conversão seria criada para estabilizar o câmbio em um nível remunerador; o empréstimo externo serviria de lastro à Caixa, que emitiria papel-moeda destinado à compra do café; d) um novo imposto, a princípio de 3 e depois de 5 francos, seria cobrado sobre cada saca de café exportada para pagar o serviço da dívida externa resultante; e) para solucionar o problema no longo prazo, os governos dos estados produtores deveriam adotar medidas para diminuir a expansão dos cafezais.Em 1920, a cafeicultura entrou em decadência, processo que já vinham ocorrendo desde a década de 1880. A rizicultura, beneficiada pelo Rio Paraíba do Sul, foi uma das alternativas na época.
A partir do fim da Segunda Guerra Mundial, fatores como a mão de obra barata disponível no município e a fácil comunicação com as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo levaram a Taubaté a se industrializar. A Estrada de Ferro Dom Pedro II (Central do Brasil) e a Rodovia Presidente Dutra passavam pela cidade. A consequente demanda de exportação do país alavancaram a produção industrial do município.
Geografia A maior parte do município (cerca de dois terços de seu território) ocupa áreas de morros e serras onde predominam rochas cristalinas (granito e gnaisses) da Idade Pré-cambriana (mais de 450 milhões de anos). Essa área se estende da Serra da Piloa para o sul e também em pequena faixa ao norte, precedendo a Serra da Mantiqueira. O restante do município, incluindo a área urbana, seus arredores e a região por onde passa o Rio Paraíba do Sul, situa-se na Bacia Sedimentar de Taubaté, com sedimentos terciários e quaternários (aluviões) da Idade Cenozoica (menos de 65 milhões de anos).ihttp://www.anuario.igeo.ufrj.br/anuario_2006_2/anuario_2006_v29_2_87_100.pdfthumb|Zona rural de Taubaté
Área Rural 534,9 km² Área Urbana 91,0 km² Área Total 625,9 km² Densidade demográfica 428,01 hab/km² Densidade demográfica no Perímetro Urbano 3091,60 hab/km²
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