Christopher Eric Hitchens (Portsmouth, 13 de abril de 1949 – Houston, 15 de dezembro de 2011) foi um jornalista, escritor e crítico literário britânico e americano. É amplamente considerado um dos mais influentes ateus da história.

Hitchens escreveu ou colaborou em mais de 30 livros, incluindo cinco coleções de ensaios sobre cultura, política e literatura. Era uma referência do debate público e o seu estilo confrontacional de debate tornou-o num intelectual admirado pelo público e numa figura pública polémica. Hitchens contribuiu para publicações como New Statesman, The Nation, The Weekly Standard, The Atlantic, London Review of Books, The Times Literary Supplement, Slate, Free Inquiry, e Vanity Fair.

Depois de se ter descrito como socialista democrata e anti-totalitário, Hitchens separou-se da esquerda política depois do que descreveu como uma "reação tépida" da esquerda ocidental à polémica de Os Versículos Satânicos, seguida por o que ele interpretou como a aceitação imprudente de Bill Clinton por alguns setores da esquerda e a oposição de movimentos anti-guerra à intervenção da NATO na Bósnia e Herzegovina na década de 1990. O seu apoio à Guerra do Iraque afastou-o ainda mais. Os seus textos incluem críticas a figuras públicas, entre elas Bill Clinton, Henry Kissinger, Madre Teresa e Diana, Princesa de Gales. Ele era o irmão mais velho do jornalista e autor Peter Hitchens.

Como ateu, Hitchens via todas as religiões como falsas, prejudiciais e autoritárias.Hitchens, Christopher (2005). Letters to a Young Contrarian. Basic Books. pp. 55, 57. ISBN 0-465-03033-5. "Eu não faço parte do agnosticismo generalizado da nossa cultura. Eu nem sequer sou tão ateu como anti-ateu... todas as religiões são versões da mesma inverdade... a influência das igrejas e o efeito da crença religiosa são perfeitamente prejudiciais... uma superstição do berço à sepultura; um controlo e vigilância permanentes... Não estou ciente dos segredos do universo ou do seu criador... até [os melhores dos teísmos] são cúmplices neste autoritarismo silencioso e irracional." Defendia a liberdade de expressão e a descoberta científica, considerando a última superior à religião como código ético de conduta da civilização humana. Ele também defendia um Estado laico. O ônus: "O que pode ser afirmado sem provas pode ser rejeitado sem provas." tornou-se conhecido como Navalha de Hitchens.McGrattan, Cillian (2016). The Politics of Trauma and Peace-Building: Lessons from Northern Ireland. Abingdon: Routledge. p. 2. ISBN 978-1138775183.

Biografia

Primeiros anos e educação Christopher Hitchens nasceu em Portsmouth, Hampshire, no Reino Unido. Era o mais velho de dois filhos. Mesmo em criança, nunca teve uma boa relação com o seu irmão mais novo, o também jornalistaDaily Mail - Peter Hitchens. Página visitada em 24 de Junho de 2013. e escritor Peter Hitchens, um ex-ateu convertido ao cristianismo.CAPC - O irmão crente do ateu Hitchens. Página visitada em 24 de Junho de 2013.Pavablog - O Hitchens ateu X o Hitchens cristão. Página visitada em 24 de Dezembro de 2014. Os seus pais, Eric Ernest Hitchens (1909–1987) e Yvonne Jean Hitchens (nome de solteira: Hickman; 1921–1973) conheceram-se na Escócia, quando ambos prestavam serviço na Marinha Real Britânica durante a Segunda Guerra Mundial. O pai de Hitchens foi enviado para o navio HMS Jamaica, que participou no afundamento do navio de guerra alemão Scharnhorst na Batalha de North Cape, em 26 de dezembro de 1943. Christopher prestou homenagem à contribuição do seu pai na guerra dizendo: "Enviar uma escolta de invasores alemães para as profundezas é um dia de trabalho melhor do que algum que eu alguma vez tive". Ele também afirmou que "o comentário que o fazia recordar melhor o seu pai foi a afirmação simples de que a guerra entre 1939 e 1945 fora 'a única altura em que sabia de facto o que estava a fazer'". Mais tarde, Eric Hitchens trabalhou como contabilista para uma fábrica de barcos e numa escola preparatória.

Mais tarde na sua vida, Christopher Hitchens identificou-se como judeu secular, visto que uma parte dos seus antepassados eram judeus, o que teria sido suficiente, segundo disse certa vez, para que o tivessem deportado para um campo de extermínio, caso as leis raciais de Nuremberga ainda vigorassem.

Hitchens frequentou a escola Mount House (agora parte da Mount Kelly) em Tavistock, Devon, a partir dos oito anos de idade. Depois, frequentou a Independent Leys School em Cambridge. Em 1967, Hitchens entrou na Balliol College da Universidade de Oxford, onde foi aluno de Steven Lukes e de Anthony Kenny, e estudou Filosofia, Política e Economia, terminando o curso em 1970. Enquanto frequentava a universidade, Hitchens participou no popular programa University Challenge.

Os livros preferidos da sua adolescência foram: How Green Was My Valley de Richard Llewellyn, Darkness at Noon de Arthur Koestler, Crime e Castigo de Fyodor Dostoyevsky, Religion and the Rise of Capitalism de R.H. Tawney e as obras de George Orwell.

Carreira Como comentarista político, Hitchens tornou-se conhecido escrevendo para publicações, tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos, ideologicamente vinculado à esquerda política. A sua mudança de posicionamento começou em 1989 após o que ele chamou de "reação tépida" da esquerda política europeia em relação ao fatwa emitido por Ayatollah Khomeini que pedia o assassinato do escritor Salman Rushdie. Os ataques de 11 de setembro de 2001 fortaleceram a sua adoção de uma posição favorável a política externa intervencionista, baseado nas suas fortes críticas do que ele chama de "fascismo com uma face islâmica" ("fascism with an Islamic face"). A adoção de Hitchens de uma posição política favorável à política externa intervencionista, o emprego do termo "islamofascista" ("Islamofascist") e seu notável apoio à Guerra do Iraque fizeram com que seus críticos o rotulassem de "neoconservador". Hitchens, entretanto, recusa esse rótulo, afirmando "eu não sou tipo algum de conservador" ("I'm not any kind of conservative"). Ele denominava esses esquerdistas que assim o chamam de serem "estalinistas sem remorsos". Hitchens foi um marxista (trotskista) na década de 1970.

Hitchens é frequentemente considerado um dos mais proeminentes expoentes do moderno ateísmo e é descrito como parte do movimento do "novo ateísmo". Seu livro God Is Not Great, publicado em 2007, o alçou a essa posição de grande destaque. Em um artigo, seu irmão Peter alegou que God Is Not Great faz diversas afirmações incorretasDaily Mail - Hitchens vs Hitchens. Página visitada em 12 de Fevereiro de 2013. e, em resposta, escreveu o livro The Rage Against God.Hitchens, Peter. The Rage Against God. Harper Collins, 2010, ISBN 9780310412595 Adicionado em 26 de Julho de 2016.

Hitchens, juntamente com os ateístas Richard Dawkins, Sam Harris e Daniel Dennett, é frequentemente referido como um dos quatro "Cavaleiros do Ateísmo". Ele é humanista e antiteísta, e descrevia-se como um crente nos valores filosóficos do Iluminismo. Seu principal argumento é o de que o conceito de Deus ou de um ser Supremo é uma crença totalitária que destrói a liberdade individual, acreditando que a liberdade de expressão e a investigação científica deveriam substituir a religião como um meio de ensinar ética e definir a civilização humana.

Hitchens era conhecido por sua grande admiração por George Orwell, Thomas Paine e Thomas Jefferson e também por suas fortes críticas a Madre Teresa de Calcutá (criticada no livro "The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice"), Bill e Hillary Clinton e Henry Kissinger, dentre outros. Isso, somado ao seu estilo argumentativo e confrontante de debate e escrita, o fez ganhar tanto elogios quanto deboches. O San Francisco Chronicle referiu-se a Hitchens como um crítico "persistentemente irritante com gosto" ("gadfly with gusto"). Em 2009 Hitchens foi listado pela Forbes como um dos 25 liberais mais influentes da mídia americana. O mesmo artigo disse que ele provavelmente ficaria horrorizado com a sua inclusão em tal lista, pois o seu estilo não combina com um mero rótulo de liberal.

Mantendo a sua cidadania britânica, Hitchens tornou-se um cidadão americano no seu 58º aniversário, em 13 de abril de 2007.

Faleceu em 15 de dezembro de 2011, devido a cancro do esófago, que o próprio associou a uma vida de grande consumo de tabaco e bebidas alcoólicas, porém o mesmo dizia não se arrepender de seu estilo de vida.

Prêmios e reconhecimentos No mês de setembro de 2005, Hitchens foi incluído em uma lista dos 100 principais intelectuais públicos ("Top 100 Public Intellectuals Poll") pela revista americana Foreign Policy e a britânica Prospect, alcançando a 5ª (#5) posição.Foreign Policy

Em 2007, o trabalho de Hitchens para a Vanity Fair rendeu-lhe o National Magazine Award ("Prêmio Revista Nacional") na categoria "Columns and Commentary" ("Colunas e Comentários"). Em 2008, ele foi novamente finalista na mesma categoria devido a colunas escritas para a revista Slate, mas perdeu para Matt Taibbi da revista Rolling Stone.

Hitchens era um associado honorário da National Secular Society ("Sociedade Secular Nacional"),National Secular Society Honorary Associate: Christopher Hitchens e em 1991 recebeu o Lannan Literary Awards na categoria "nonfiction" ("não-ficção").Lannan Foundation – Nonfiction Awards , página visitada em 13 de novembro de 2007.

Filmografia Hell's Angel (1994; escritor, narrador) – documentário para a televisão com críticas a Madre Teresa de Calcutá Diana: The Mourning After (1998; escritor, narrador) – documentário para a televisão The Trials of Henry Kissinger (2002; entrevistado) – filme documentário

Confronting Iraq: Conflict and Hope (2005; entrevistado) Heaven on Earth: The Rise and Fall of Socialism (2005; entrevistado) Discussions with Richard Dawkins : "The Four Horsemen" (2008; debatedor) 2 episódios de 60 minutos cada Collision: "Is Christianity GOOD for the World?" (2009; matéria, debatedor) – documentário

Em maio de 2009, Hitchens expressou interesse em adaptar God is Not Great em um documentário, aspirando ser "mais duro e engraçado" ("tougher and funnier") do que o filme Religulous de Bill Maher lançado em 2008.

Bibliografia Como autor solo 2010 Hitch-22: A Memoir Traduzido para o português sob o título de Hitch 22 – (Nova Fronteira – 2011).Estadão, pag.S3,19 de fevereiro de 2011Amazon ISBN 852092610x 2007 God Is Not Great. Twelve/Hachette Book Group USA/Warner Books, ISBN 0446579807 / Published in the UK as God Is Not Great: The Case Against Religion. Atlantic Books, ISBN 978-1-84354-586-6 Traduzido para o português sob o título de "Deus não é Grande – como as religiões envenenam tudo" (Ediouro, 2007). 2006 Thomas Paine's "Rights of Man": A Biography. Books That Shook the World/Atlantic Books, ISBN 1-84354-513-6 Traduzido para o português sob o título de "Os Direitos do Homem de Thomas Paine" (Jorge Zahar, 2007). 2005 Thomas Jefferson: Author of America. Eminent Lives/Atlas Books/HarperCollins Publishers, ISBN 0-06-059896-4 2004 Love, Poverty, and War: Journeys and Essays. Thunder's Mouth, Nation Books, ISBN 1-56025-580-3 Traduzido para o português sob o título de "Amor, Pobreza, e Guerra" (Ediouro, 2006). 2003 A Long Short War: The Postponed Liberation of Iraq. Plume Books 2002 Why Orwell Matters, Basic Books (US)/UK edition as Orwell's Victory, Allen Lane/The Penguin Press. 2001 The Trial of Henry Kissinger. Verso. Traduzido para o português sob o título de "O Julgamento de Kissinger" (Boitempo Editorial, 2002). 2001 Letters to a Young Contrarian. Basic Books. Traduzido para o português sob o título de "Cartas a um Jovem Contestador" (Companhia das Letras, 2006). 2000 Unacknowledged Legislation: Writers in the Public Sphere. Verso. 1999 No One Left to Lie To: The Triangulations of William Jefferson Clinton. Verso. Relançado como No One Left to Lie To: The Values of the Worst Family em 2000.