Hassan Nasrallah (31 de agosto de 196027 de setembro de 2024) foi um clérigo xiita libanês, militante e político que serviu como o terceiro secretário-geral do Hezbollah, um partido político e milícia islamista xiita, de 1992 até seu assassinato em 2024.
Nascido em uma família xiita nos subúrbios de Beirute em 1960, Nasrallah concluiu seus estudos em Tiro, período em que ingressou brevemente no Movimento Amal, e posteriormente em um seminário xiita em Baalbek. Mais tarde, estudou e lecionou em uma escola do Amal. Em 1982, Nasrallah foi um dos membros fundadores do Hezbollah, criado para combater a invasão israelense do Líbano em 1982, declarando que seu confronto com Israel "só deveria terminar quando ele fosse removido da existência". Após um breve período de estudos religiosos no Irã, Nasrallah retornou ao Líbano e tornou-se líder do Hezbollah depois que seu antecessor, Abbas al-Musawi, foi assassinado em um ataque aéreo israelense em 1992.
Sob a liderança de Nasrallah, o Hezbollah adquiriu foguetes de maior alcance, o que lhe permitiu atingir o norte de Israel. Israel retirou suas forças em 2000, após os 18 anos de ocupação do sul do Líbano, uma decisão amplamente considerada no Líbano como consequência dos ataques do Hezbollah. A data da retirada israelense é celebrada como feriado no Líbano. O Hezbollah cultivou a imagem midiática de Nasrallah como uma autoridade carismática, embora essa imagem tenha posteriormente se enfraquecido. O papel do Hezbollah em emboscar uma unidade de patrulha de fronteira israelense, desencadeando a Guerra do Líbano de 2006, foi alvo de críticas, embora Nasrallah tenha apresentado o fim da guerra como uma vitória libanesa e árabe.
Durante a Guerra Civil Síria, o Hezbollah lutou ao lado do governo de Bashar al-Assad da Síria baathista contra aqueles que Nasrallah denominava "extremistas islamistas" e "takfiris". No entanto, várias figuras e organizações afirmaram que Nasrallah era responsável por massacres de muçulmanos sunitas. Nasrallah também promoveu o "Eixo da Resistência", uma coalizão informal de grupos apoiados pelo Irã concentrada na oposição a Israel e aos Estados Unidos. Após os ataques de 7 de outubro liderados pelo Hamas contra Israel, seguidos pela guerra, o Hezbollah participou do conflito em andamento que afetou ambos os lados da fronteira israelo-libanesa, afirmando agir em solidariedade aos palestinos. Em 27 de setembro de 2024, Nasrallah foi morto quando a força aérea israelense atacou a sede do Hezbollah.
Primeiros anos e educação Hassan Nasrallah nasceu como o nono de dez filhos de uma família xiita em Bourj Hammoud, Distrito de Matn (um subúrbio oriental de Beirute), em 31 de agosto de 1960. Seu pai, Abdul Karim Nasrallah, nasceu em Al-Bazouriyah, uma aldeia em Jabal Amel (Sul do Líbano) localizada perto de Tiro, e trabalhava como vendedor de frutas e verduras. Embora sua família não fosse particularmente religiosa, Hassan se interessava por estudos teológicos. Frequentou a escola al-Najah e, posteriormente, uma escola pública no bairro predominantemente cristão de Sin el Fil.
Em 1975, o início da Guerra Civil Libanesa forçou a família, incluindo Nasrallah, então com 15 anos, a se mudar para a residência ancestral em Bazourieh, onde Nasrallah concluiu o ensino médio na escola pública de Tiro. Lá, ingressou brevemente no Movimento Amal, um grupo político xiita libanês.
Nasrallah estudou no seminário xiita da cidade de Baalbek, no Vale do Beca. A escola seguia os ensinamentos do estudioso xiita iraquiano Mohammad Baqir al-Sadr, que fundou o movimento Dawa em Najaf, no Iraque, no início da década de 1960. Em 1976, aos 16 anos, Nasrallah viajou para o Iraque, onde foi admitido no seminário de al-Sadr em Najaf. Diz-se que Al-Sadr reconheceu as qualidades de Nasrallah, sendo citado como tendo dito: "Sinto em você o aroma da liderança; você é um dos Ansar [seguidores] do Mahdi...". Nasrallah foi expulso do Iraque, juntamente com dezenas de outros estudantes libaneses, em 1978. Al-Sadr foi preso, torturado e brutalmente assassinado. Nasrallah foi obrigado a retornar ao Líbano em 1979, já tendo concluído a primeira parte de seus estudos, pois Saddam Hussein estava expulsando muitos xiitas, incluindo o futuro líder supremo iraniano, Ruhollah Khomeini, e também Abbas Musawi.Ehteshami, Anoushiravan and Raymond A. Hinnebusch, Syria and Iran – Middle Powers in a Penetrated Regional System, Routledge (1997), p. 140
De volta ao Líbano, Nasrallah estudou e lecionou na escola do líder do Amal, Abbas al-Musawi, sendo posteriormente escolhido como delegado político do Amal no Beca, o que o tornou membro do escritório político central. Na mesma época, em 1980, Al-Sadr foi executado por Hussein.
Primeiras atividades Em 1982, Nasrallah ajudou a organizar o grupo que viria a se tornar o Hezbollah, criado inicialmente para repelir a invasão israelense do Líbano em 1982. Em 1989, Hassan Nasrallah viajou para Qom, no Irã, onde aprofundou seus estudos religiosos.
Nasrallah acreditava que o Islã oferece a solução para os problemas de qualquer sociedade, tendo certa vez dito: "Para nós, resumidamente, o Islã não é uma religião simples que inclui apenas orações e louvores; em vez disso, é uma mensagem divina concebida para a humanidade e pode responder a qualquer pergunta que o homem possa fazer a respeito de sua vida em geral e pessoal. O Islã é uma religião concebida para uma sociedade que pode se revoltar e construir uma comunidade."
Em 1991, Nasrallah retornou ao Líbano e, no ano seguinte, substituiu Musawi como líder do Hezbollah depois que este foi morto em um ataque aéreo israelense.
Carreira política
Liderança do Hezbollah miniaturadaimagem|Foto sem data de Nasrallah com Ali Khamenei e o comandante do IRGC Qasem Soleimani, que se acredita ter sido tirada no escritório de Khamenei em Teerã, publicada em 2019 Nasrallah tornou-se líder do Hezbollah depois que os israelenses assassinaram o líder anterior, Musawi, em 1992. Durante a liderança de Nasrallah, o Hezbollah adquiriu foguetes de maior alcance, que lhe permitiram atingir o norte de Israel apesar da ocupação israelense do sul do Líbano. Em 1993, Israel realizou a Operação Acerto de Contas, que resultou na destruição de grande parte da infraestrutura do Líbano, e Israel declarou que a operação havia sido bem-sucedida. Por fim, chegou-se a um acordo pelo qual Israel encerrou seus ataques no Líbano e o Hezbollah concordou em interromper os ataques contra o norte de Israel.
Após uma breve pausa, as hostilidades foram retomadas. Em 1996, Israel lançou a Operação Vinhas da Ira, bloqueando importantes cidades portuárias libanesas e bombardeando uma base militar síria. Após 16 dias de ataques israelenses no Líbano, foi firmado o Entendimento de Cessar-Fogo Israelense-Libanês. Novamente, o Hezbollah concordou em interromper os ataques com foguetes em troca da suspensão dos ataques israelenses. Assim como em 1993, a paz não durou muito.
Em setembro de 1997, a imagem pública de Nasrallah mudou drasticamente com seu discurso sobre a notícia da morte de seu filho mais velho pelas forças israelenses, juntamente com suas visitas a outras famílias enlutadas. A reação de Nasrallah tornou-se um acontecimento midiático que "serviu para reunir os cidadãos libaneses como uma coletividade" e apresentou Nasrallah "como um líder extraordinariamente altruísta e um líder orgânico com profundas raízes na cultura popular". miniaturadaimagem|Nasrallah discursando em maio de 2000, logo após a retirada israelense Em Israel, discutia-se cada vez mais se a presença das forças israelenses no sul do Líbano estava funcionando, pois estava claro que a "zona de segurança" não conseguia impedir que os foguetes do Hezbollah atingissem Israel. Após pesadas baixas israelenses no sul do Líbano, alguns políticos israelenses argumentaram que o conflito só terminaria se Israel se retirasse do Líbano. Em 2000, Ehud Barak retirou as forças israelenses do Líbano. Após a retirada israelense, o Exército do Sul do Líbano (ESL), que era apoiado por Israel, foi rapidamente derrotado pelo Hezbollah. Alguns integrantes do ESL fugiram para Israel, mas muitos foram capturados pelo Hezbollah. Esse êxito contra Israel aumentou significativamente a popularidade do Hezbollah no Líbano e no mundo islâmico.
Como resultado, Nasrallah recebeu no Líbano e no mundo árabe o crédito por encerrar a ocupação israelense do sul do Líbano, algo que fortaleceu consideravelmente a posição política do partido no país. Nasrallah desempenhou um papel importante em um complexo acordo de troca de prisioneiros entre Israel e o Hezbollah em 2004, que resultou na libertação de centenas de prisioneiros palestinos e libaneses e na devolução ao Líbano de muitos restos mortais, incluindo os de seu filho. O acordo foi descrito em todo o mundo árabe como uma grande vitória do Hezbollah, e Nasrallah foi pessoalmente elogiado por obter esses ganhos. miniaturadaimagem|Discurso de Hassan Nasrallah em Beirute, novembro de 2023 Um artigo de dezembro do jornal londrino Asharq Al-Awsat afirmou que o comando da ala militar da organização havia sido transferido de Nasrallah para seu vice, Na'im Qasim, em agosto de 2007. O Hezbollah negou a alegação, declarando que era uma tentativa de "enfraquecer a popularidade" do movimento.Resistance dismisses 'rumors' of high-level shakeup . The Daily Star (Lebanon). Retrieved 8 December 2011 Em outubro de 2008, Hashem Safieddine, seu primo, foi designado para suceder Nasrallah como secretário-geral do Hezbollah. Protestos generalizados no Líbano em outubro de 2019, decorrentes do agravamento da crise financeira e econômica, pressionaram os líderes do governo a renunciar, incluindo o próprio Nasrallah.
Durante seu mandato, o Hezbollah foi designado como organização terrorista, total ou parcialmente, pelos Estados Unidos e por outros países, bem como pela União Europeia.Statement from President Joe Biden on the Death of Hassan Nasrallah (28-9-2024) A Liga Árabe designou o Hezbollah como organização terrorista em 2016, mas, em 2024, já não o considerava dessa forma. Em 2015, a Rússia rejeitava as alegações de que o Hezbollah era uma organização terrorista e o considerava uma organização sociopolítica legítima. Em 2012, a China permanecia neutra e mantinha contatos com o Hezbollah.
Memorando de Entendimento com o Movimento Patriótico Livre Nasrallah negociou um Memorando de Entendimento com o Movimento Patriótico Livre, liderado por Michel Aoun, ex-primeiro-ministro e cristão maronita. Aoun descreveu o memorando de dez pontos em um artigo de opinião no The Wall Street Journal, publicado em julho de 2006. O Hezbollah concordou em se desarmar após o retorno de seus prisioneiros e das Fazendas de Shebaa ocupadas. Também concordou com o perdão e o retorno dos membros fugitivos do Exército do Sul do Líbano (ESL).
Por sua vez, o Movimento Patriótico Livre concordou em trabalhar pela reforma do sistema eleitoral confessional do Parlamento do Líbano e encaminhá-lo na direção do princípio de uma pessoa, um voto. Aoun argumentou que o processo político estava, na prática, desarmando o Hezbollah sem qualquer perda de vidas em guerras desnecessárias.
Guerra do Líbano de 2006
miniaturadaimagem|Nasrallah em 2005