Tristão de Alencar Araripe Júnior (Fortaleza, — Rio de Janeiro, ) foi um advogado, crítico literário e escritor brasileiro.

Biografia

Tristão de Alencar Araripe Júnior era filho de Tristão de Alencar Araripe, e de Argentina de Alencar Lima. Sua família foi uma das mais importantes do Ceará no século XIX, sendo seu pai filho de Tristão Gonçalves e neto de Bárbara de Alencar, Araripe Júnior era primo legítimo de José de Alencar.

Acompanhando o pai, que assumiu uma série cargos públicos no Império, residiu por fim em Recife, onde se matriculou no Colégio Bom Conselho, dirigido pelo Dr. Barbosa Lima, e, posteriormente, na Faculdade de Direito do Recife, onde nasceu a amizade com Tobias Barreto e Guimarães Júnior, bacharelando-se em 1869.

Em 1871 assumiu uma secretaria de governo em Santa Catarina, e entre 1872 e 1875 foi juiz em Maranguape, Ceará. No mesmo Estado, foi deputado provincial em duas legislaturas. Ainda nessa época ingressou na Maçonaria por meio da loja Fraternidade Cearense.

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1880 e exerceu, até 1886, a advocacia. Em 1893 foi nomeado diretor geral da Instrução Pública e, em 1903, Consultor Geral da República, cargo que exerceu até a morte, tendo proferido pareceres muito importantes.

Sua obra literária, inicialmente, era mais ligada à ficção. Porém, devido ao convívio com Rocha Lima, Capistrano de Abreu e outros críticos cearenses, passa a produzir no campo do ensaio e então tornou-se célebre. Escreveu sobre José de Alencar, Gregório de Matos, Tomás Antônio Gonzaga, Raul Pompeia, Aluísio Azevedo, e outros. Formou, com Sílvio Romero e José Veríssimo, a trindade crítica da época positivista e naturalista.

Sua obra crítica, dispersa pelos periódicos, desde os tempos do Ceará, só em parte foi publicada em livro, durante sua vida, tendo sido reunida e organizada por Afrânio Coutinho em Obra crítica de Araripe Júnior, em cinco volumes, publicados entre 1958 e 1966.

Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras e do Instituto do Ceará, tendo sido, também, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

No último livro, Ibsen e o espírito da tragédia (1911), sem abandonar a preocupação nacionalista, alçou-se a um plano de universalidade, buscando a razão de ser da tragédia humana, através da obra dos grandes trágicos, da Grécia ao século XIX. Como crítico, era um conselheiro amável e cheio de compreensão, sobretudo pelos estreantes.

Academia Brasileira de Letras Fundador da cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras, recebeu o acadêmico Afrânio Peixoto.

Obra

Obras listadas na Biblioteca Digital de Literatura Brasileira e Portuguesa da UFSCAraripe Júnior na Biblioteca Digital de Literatura Brasileira e Portuguesa da UFSC

Romances e novelas

A casinha de sapé. Romance aparecido em folhetins no jornal Constituição em 1872, publicado em livro: Luizinha. Romance, 1878, . Reedições: Luizinha. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. Otacílio Colares (org.), Pedro Paulo Montenegro (introdução): Luizinha. Reedição. Academia Cearense de Letras, Coleção Dolor Barreira, vol. 5, 1980. Online. O ninho de beija-flor. Romance, 1872 ou 1874. Jacina, a Marabá: chronica do século XVI. Romance. São Luiz, 1875. Reedição como volume 29 da série Obras imortais da nossa literatura. São Paulo: Três, 1973, 245 páginas. Um motim na aldeia. Romance publicado no Jornal do Commercio em 1877. Reedição sob outro título: O cajueiro do Fagundes: episódio cearense. Fortaleza: Secretaria de Cultura, Desporto e Promoção Social, 1975. O reino encantado - chronica sebastianista. Romance, 1878. O retirante. 1878 Os guaianás. 1882 Quilombo dos Palmares. 1882 Xico Melindroso. Conto, 1882. Miss Kate. Romance, 1909.

Contos Contos Brasileiros. 1868

Crítica, teoria e história literárias Carta sobre a literatura brasílica, 1869. (Veja também: Obra crítica, volume I, p. 23-42 (digitalização)) O papado, 1874. (Veja também: Obra crítica, volume I, p. 69-90 (digitalização).) José de Alencar, 1879 (contido no volume 1 da compilação Obra crítica de Araripe Júnior). (Veja também: Obra crítica, volume I, p. 129-258 (digitalização).) Lucros e perdas. Periódico(s). 1883. (Digitalização: Obra crítica, volume I, p. 329-360.) A terra, de Emílio Zola e O homem, de Aluísio de Azevedo. 1888. (Digitalização: Obra crítica, volume II, p. 25-90.) Raul Pompéia. 1888. (Digitalização: Obra crítica, volume II, p. 125-178.) Dirceu, ensaio, 1890. (Veja também: Obra crítica, volume II, p. 265-282 (digitalização)) Deteriora sequor. 1894 Gregório de Matos. 1894 (digitalização: Obra crítica, volume II, p. 385-490) Don Martin Garcia Merou. 1895 (digitalização: Obra crítica, volume III, p. 21-62) Machado de Assis. 1895. (digitalização: Obra crítica, volume III, p. 3-10) Crepúsculo dos Povos. Ensaio, 1896. (digitalização: Obra crítica, volume III, p. 195-222) Movimento literário de 1893. Ensaio, 1896. (digitalização: Obra crítica, volume III, p. 105-194) Estética de Poe. 1897 Sílvio Romero polemista. 1898. (digitalização: Obra crítica, volume III, p. 271-332) Ulisses e o mundo moderno. 1898. (digitalização: Obra crítica, volume III, p. 343-366) Clóvis Beviláqua. 1899. (digitalização: Obra crítica, volume III, p. 367-402) Diálogos das novas grandezas do Brasil, 1909. (Veja também: Obra crítica, volume IV, p. 341-456 (digitalização)) Ibsen e o espírito da tragédia. Ensaio, 1911 (parte de Ibsen; digitalização: Obra crítica, volume V, p. 97-112)

Epistolografia

Correspondência de Machado de Assis. 1860

Outros

Consolidação do Processo Criminal do Brasil. 1876 Código Civil Brasileiro, ou leis civis do Brasil. 1885 Função Normal do Terror nas Sociedades Cultas. 1891 A constituição estadual. 1895 Anchieta. 1897. (digitalização: Obra crítica, volume III, p. 235-242) Pareceres: 1903-1905. 1911 Pareceres: 1906-1908. 1913

A Obra crítica de Araripe Júnior (organizada por Afrânio Coutinho)

A Obra Crítica de Araripe Júnior (cinco volumes organizados por Afrânio Coutinho publicados entre 1958 e 1970 (digitalização) contém os seguintes textos:

Volume I (1868-1887)

O hors texte contém: um retrato de Araripe Júnior (digitalização: Obra crítica, volume I, hors texte)], O Quinzenal (Obra crítica, volume I, hors texte), um Prefácio escrito por Thiers Martins Moreira em setembro de 1958 (digitalização: Obra crítica, volume I, p. VII-VIII) e uma introdução escrita por Afrânio Coutinho em setembro 1958 (digitalização: Obra crítica, volume I, p. IX-XII). Seguem os textos de Araripe Júnior:

Música (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 3-8) Neste texto, Araripe Júnior fala da “íntima conexão existente entre a música e a natureza” desde a Antiguedade, fechando com: “A natureza é para o homem o que o sol poente era para a estátua de Mêmnon”. Contos da Roça (impressões de leitura) (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 9-16) Resenha da série de narrativas Contos da roça de Augusto Emílio Zaluar, com elogio de sua busca das raízes indígenas. Duas Palavras (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 17-22) Prefácio do opúsculo Contos brasileiros I, publicado sob o pseudônimo de Oscar Jagoanharo em 1868; “…a reabilitação memorável do povo que outrora percorria as selvas brasílicas de um extremo a outro, levando por toda a parte o estridor de suas armas e a fama de sua estoica e descomunal bravura. Eis a razão de ser desta pequena obra” (Obra crítica, volume I, p. 21). Carta sóbre a Literatura Brasílica (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 23-42) Publicado no Correio Pernambucano em junho de 1869 sob o título Literatura Brasílica; em seguida editado em folheto. Ao comparar a literatura indianista-naturalista norte-americana com a brasileira chega à conclusão de que “o verdadeiro rival de Fenimore é J. de Alencar”. Juvenal Galeno: Lendas e canções populares - Novas lendas e canções - Ecos silvestres - Folhas do coração - Porancaba (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 43-56). O texto dedicado a Juvenal Galeno tem nove partes. O Livro de Semprónio (três cartas) (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 57-68) Escola Popular - o papado (em sete partes) (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 69-90) A Poesia Sertaneja (duas cartas ao Conselheiro José de Alencar) (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 91-102) Cantos do Equador (pelo Dr. A. de Melo Moras Filho) (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 103-108) Festival Cearense (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 109-116) O Mulato (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 117-122) “Publicação de uma série intitulada Sem Oriente, inserta em rodapé na Gazeta da Tarde, Rio de Janeiro, 5 novembro 1881”; ensaio sobre O Mulato de Aluísio Azevedo. Sem Oriente (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 123-128) José de Alencar (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 129-258) Este ensaio de 1882 consta das seguintes partes: Prefácio Advertência da 1a edição José de Alencar - Perfil literário Gênese artística Explosão Ação e reação O mesmo assunto Declínio O mesmo assunto A crítica Sem Oriente (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 259-264) Semana Literária (duas partes: A Luis Guimarães Júnior; De gloriosa memória) (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 265-290) O Dr. Silvio Romero e o seu Novo Livro (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 291-302) Santana Neri (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 303-306) Semana (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 307-312) Artur de Oliveira (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 313-316) Ensaio sobre Artur de Oliveira. Aida (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 317-322) O Profeta (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 323-328) Lucros e Perdas (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 329-360) Cantos Populares do Ceará (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 361-372) Casa de Pensão (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 373-376) Ensaio sobre o romance naturalista Casa de Pensão de Aluísio Azevedo. Casa de Pensão - O Satírico Juvenal e o Romance Realista (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 377-380) O Gran Galeoto (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 381-386) Forum (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 387-398) Germinal (duas partes) (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 399-410) Victor Hugo (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 411-418) Os Nossos Livros - tropos e fantasias (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 419-422) O Volapuque (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 423-428) Ensaio sobre a língua volapuque. Enfermidades Estilísticas (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 429-450) Hamlet-Emanuel (duas partes) (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 451-466) Naturalismo e Pessimismo (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 467-488) Ensaio sobre cómo o movimento científico perturbou a literatura, com confronto entre “romantismo entusiasta” e “naturalismo pessimista”. Literatura Brasileira (digitalização: Obra crítica, volume I, p. 489-498) A Arte Como Função (digitalizações: Obra crítica, volume I, p. 499-512 e A Semana, 24 de dezembro de 1887 (conclusão)) Confronto entre Zola e Darwin.

Volume II (1888-1894)

O hors texte do volume 2 da Obra crítica contém «Fac-símiles de fôlhas de rosto» da obra Gregório de Mattos de Araripe Júnior (digitalização: Obra crítica, volume II, hors texte), seguidos por uma “Advertência” de Eugênio Gomes, Diretor do Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa, em junho de 1960 (Digitalização: Obra crítica, volume II, p. VII-VIII).

O Novo Intérprete de Dante (digitalização: Obra crítica, volume II, p. 3-12) A Poesia em suas Relações com a Função Genésica (digitalização: Obra crítica, volume II, p. 13-20) Recado ao autor das Contemporâneas (digitalização: Obra crítica, volume II, p. 21-24) A Terra, de Emílio Zola, e O Homem, de Aluísio Azevedo (nove partes) (digitalização: Obra crítica, volume II, p. 25-90) Viagens de Gulliver (digitalização: Obra crítica, volume II, p. 91-94)