Ettore Ximenes (Palermo, 11 de abril de 1855 Roma, 20 de dezembro de 1926) foi um escultor italiano.

Foi bastante célebre entre o fim do século XIX e início do século XX, reconhecido por suas obras com inspiração religiosa e mitológica. Participou de inúmeros concursos ao longo de sua vida e realizou diversas obras na Itália, Estados Unidos e Argentina. Uma de suas esculturas mais famosos foi o "Monumento à Independência", conjunto escultórico localizado no Parque da Independência, em São Paulo, no lugar histórico onde D. Pedro I teria proclamado a Independência do Brasil.

Biografia e carreira Ettore Ximenes iniciou sua carreira artística aos quatorze anos, quando passou a modelar junto de Nunzio Morello e desenhar ao lado de Pietro Volpes na Accademia di Belle Arti em Palermo. Em 1872, ao completar dezessete anos, mudou-se para o Istituto di Belle Arti di Napoli, em Nápoles, onde estudou pintura com Domenico Morelli e escultura com Stanislao Lista. Acredita-se que, ao migrar para esta cidade, Ximenes foi influenciado pelo ambiente artístico napolitano e as obras de Vicenzo Gemito. Após essa temporada em Nápoles, o artista voltou para Palermo a fim de participar de um concurso para pensionato artístico em Florença, no ano de 1874. Vencendo-o, ganhou uma bolsa para estudar em Florença, onde continuou seus estudos por dez anos sobre escultura e desenho. Durante essa fase, o artista procurou desenvolver sua personalidade, para tornar-se único. Sua obras, então, passaram a ser exibidas em salões europeus. Algumas delas são premiadas e, por isso, adquiridas pelo Estado italiano, como é o caso de “L’Equilibrio” (1878), “Achille ed Ettore” (1887), e “Rinascita” (1895).Ettore Ximenes: monumentos e encomendas (1855-1926). Fabricio Reiner de Andrade. Universidade de São Paulo (USP), 2016

Além de seus trabalhos como escultor, o artista se aventurou nessa época com desenhista para a revista Illustrazione Italiana, no qual trabalhou por cerca de vinte anos. Tal conquista foi intermediada por seu irmão, Edoardo Ximenes, o diretor e editor do periódico. Durante esses anos, entrou em contato com editores para enviar seus trabalhos artísticos, como o periódico florentino no Gazzeta d’Italia e o jornal humorístico II Bollente Achille. Para este último o artista realizou desenhos e litografias, sendo algumas delas caricaturas. Ele colabora, também, com outras publicações e ilustrações de livros.

Após a escolha da comissão examinadora da Accademia Raffaello Sanzio, em Urbino, Ximenes assume a cátedra de escultura e direção do local. Algumas relações cultivadas ao longo de seus dez anos vivendo na capital toscana são retomadas e usufruídas nessa época, como é o caso dos irmãos Emilio e Giuseppe Treves e o Ministro Zanardelli. Esse período é muito importante para a carreira do artista, pois ganha reconhecimento por suas obras e conquista prestígio social devido suas relações com pessoas influentes da época. Ainda em 1884, se muda para Urbino, onde reside por aproximadamente sete anos. Supõe-se que ele permaneceu na direção da Accademia Raffaello Sanzio por apenas um ano, mas seu nome continuou sendo divulgado já que ele atendeu várias encomendas importantes: busto do conde Federico Castracane Staccoli e seu filho, o conde Camillo Castracane Staccoli; busto de Antonio Stoppani; e busto do Arcebispo de Urbino. Por mais que esse tipo de escultura agrade os encomendantes influentes na época, isso não aconteceu com seus projetos de monumentos construídos para concursos públicos.

A primeira competição que Ximenes venceu foi em 1878, com o monumento ao político e escritor Francesco Domenico Guerrazzi. Contudo, o júri optou por premiar o terceiro colocado. Ainda na cidade de Livorno, o artista participou no ano seguinte de outro concurso, dessa vez com o Monumento a Vittorio Emanuele II, mas não obteve sucesso como no anterior. Porém, a derrota é bem aceita por Ximenes, já que seu monumento é confiado ao escultor famoso Augusto Rivalta. De acordo com o artista, a comissão avaliadora designou Rivalta a construir um monumento equestre, especialidade que até o momento Ettore não dominava. No ano de 1881 participou de outra disputa, na qual tentou divulgar e emplacar a imagem do Rei do Resorgimento, dessa vez em Florença. Só que mais uma vez sua obra em formato de cavalo não convenceu e Emilio Zocchi se tornou vencedor. E a dificuldade do artista em produzir monumentos equestres apareceu em outros dois momentos: um concurso em Roma e outro em Milão. Em ambos Ximenes não se qualificou nem mesmo entre os finalistas. No entanto, apesar de não conseguir esculpir o cavalo do rei pedido no concurso romano, foi escolhido posteriormente para construir uma das estátuas do complexo arquitetônico, onde a escultura de Vittorio Emmanuele II “O Vittoriano” está instalada. Enquanto isso, no concurso milanês, o escultor estava claramente em desvantagem, já que não conseguiu dominar o modelo de cavalo exigido na competição. Provavelmente esse foi um dos motivos que o fizeram perder o prêmio para o artista Ecole Rosa. miniaturadaimagem|Autógrafo de Ettore Ximenes Apesar das inúmeras derrotas, Ximenes não desistiu e percorreu a Itália a procura de outros concursos para conquistar a tão esperada vitória. Vai de Milão a Trento para concorrer a um monumento de Dante. Nessa competição ele perdeu novamente e acusou a comissão julgadora de favorecer outro escultor para justificar o seu fracasso, da mesma maneira que fez no concurso em Livorno, em 1879. Não se sabe bem o porquê, mas a comissão pediu uma segunda avaliação aos três primeiros colocados. Os artistas tiveram que reapresentar seus esboços com as mudanças exigidas e só assim, após um novo julgamento, Ximenes foi escolhido como vencedor. O escultor, ao longo da década de 1880, teria participado ainda de muitos outros concursos, e maioria não obteve sucesso. Contudo, devido a falta de documentos, pouco se sabe sobre esse período de sua vida.

Um fato importante sobre sua trajetória competindo está relacionado aos concursos de Palermo e Roma. Ainda que não tenha vencido nenhum dos dois, os esboços que realizou serviu de ponto de partida para um monumento que executou em Pesaro, uma cidade italiana da província de Urbino. Como pode ser visto no projeto do “Monumento a Giuseppe Garibaldi” desenvolvido para a cidade de Palatino, o general esboçado vai parar em Pesado sob encomenda de políticos Das Marcas. Ximenes trabalhou nessa obra de 1887 a 1981 e modelou uma figura humilde. Já no monumento de milanês, o artista levou quatro anos (1891 - 1895) para desenvolver um Garibaldi com os trajes consagrados de montaria, ladeado de suas alegorias, a revolução e a liberdade. Esse ficaria conhecido por seu primeiro monumento equestre.

Em meados de 1893, Ximenes decidiu se fixar em Roma. Nessa época viajou bastante para atender as diversas encomendas, como bustos e monumentos. Um exemplo de obra construída durante esse período foi para o escritor e ministro da instrução pública italiana, Niccoló Tommaseo. Tal feito foi erguido na cidade natal do autor, Seberico, porém não existem mais resquícios da peça já que foi destruída. Em 1896 Ximenes seguiu para Buenos Aires, onde se inscreveu no concurso do Mausoléu a Manuel Belgrano, um general que lutou nas guerras de independência argentina. Mais uma vez o artista tinha como intenção ter encomendas e internacionalizar sua carreira. Portanto, montou um estúdio de arte na cidade, passou a produzir obras e realizou uma exposição para ganhar visibilidade no mercado artístico argentino. Sua fama e sua condição de estrangeiro provocou atritos com os artistas locais, que acusaram as elites de ter preferência por personalidades de fora. E isso se confirmou no concurso, já que Ximenes foi o vencedor. A escolha do escultor palermitano foi claramente estratégica, pois sua notoriedade atrairia olhares do mundo todo para o monumento, garantindo o sucesso da nação e da memória do general Belgrano. A escultura foi inaugurada em 1903, no 83º aniversário de morte do homenageado, na Basílica de Nuestra Señora del Rosario. No mesmo dia os restos mortais foram transladados para o novo mausoléu.O Mausoléu a Belgrano, de Ettore Ximenes, e a presença artística italiana na Argentina. Michelli Cristine Scapol Monteiro. Universidade de São Paulo (USP), 2016

O sucesso do monumento foi tão grande que Ettore Ximenes foi reconhecidos pelos argentinos. Sua carreira internacional, fora do território europeu, viria a ganhar força após esse concurso. O artista chegou a visitar a Argentina outras vezes, e uma delas para entregar ao governo uma escultura em mármore Carrara, chamada “A República Argentina”. No século XX, foi feito uma réplica dessa obra, também em mármore, para o Instituto Bancario Italiano (IBI). Durante essas viagens também realizou um mausoléu em 1898 para Francisco Javier Muñiz, um médico que se destacou por investigações científicas nas áreas epistemológicas, zoológicas e paleontológicas; e um monumento para Eduardo Costa, um político argentino que exerceu o cargo de Ministro da Justiça e Instrução Pública. Ambas as obras foram erigidos na capital argentina.

Após o sucesso feito no país sul-americano, o renomado escultor retornou para Roma em meados de 1904. Ele continuou atendendo encomendas de bustos de personalidades da sociedade italiana e produzindo outros monumentos. Dentre os que merecem destaque são: “Monumento ao Major Pietro Toselli”, em Peveragno; “Quadriga”, edificada para comemorar a Corte di Cassazione, localizado no Palácio de Justiça de Roma; e o grupo escultório “II Diritto”. O enorme triunfo do artista ao longo do final do século XIX renderam-lhe diversas solicitações de trabalho, particulares e públicas. Talvez por necessidade ou por conveniência social, Ximenes voltou a morar em Roma. Lá, reside por alguns anos na Via di San Nicola da Tolentino e vai para Villino em 1902, um palacete construído a partir de seus projetos pelos arquitetos L. Patema Baldizzi e Ernesto Basile na Piazza Galleno. A decoração do edifício trazia referências ao artista por meio de baixos relevos e esculturas relacionados à artes. Ximenes projetou esse local com um atelier de tamanho apropriado para construir seus monumentos e o equipou com todos os instrumentos necessários para a execução de grandes esculturas. Por mais que atualmente Ettore Ximenes seja pouco lembrado, o Villino é considerado por críticos e historiadores como o exemplos mais antigo e um dos mais importantes desse modelo de arquitetura em Roma. Uma curiosidade sobre esse local foi que ele se transformou num ambiente de encontro de artistas até a morte de Ximenes. Era um hábito dos artistas europeus se encontrarem para conversar sobre seus trabalhos e convidar políticos, pessoas da sociedade e intelectuais.