Shakey foi o primeiro robô móvel de uso geral capaz de raciocinar sobre as próprias ações. Outros robôs precisavam receber instruções para cada etapa de uma tarefa, mas Shakey conseguia analisar comandos e dividi-los sozinho em etapas mais simples.

O projeto reuniu pesquisas em robótica, visão computacional e processamento de linguagem natural. Foi o primeiro a integrar raciocínio lógico e ação física em um mesmo sistema. Shakey foi desenvolvido no Centro de Inteligência Artificial do Stanford Research Institute, que passou a se chamar SRI International.

Entre os resultados do projeto estão o algoritmo A*, o aperfeiçoamento da transformada de Hough e o método dos grafos de visibilidade.

História Shakey foi desenvolvido entre aproximadamente 1966 e 1972, sob a direção de Charles Rosen, Nils Nilsson e Peter Hart. Também trabalharam no projeto Alfred Brain, Sven Wahlstrom, Bertram Raphael, Richard Duda, Richard Fikes, Thomas Garvey, Helen Chan Wolf e Michael Wilber. O financiamento veio da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, a DARPA, a partir de uma proposta apresentada pelo SRI em abril de 1964 para pesquisar "autômatos inteligentes". A pesquisa passou a abordar a aplicação desses autômatos em missões de reconhecimento.

O projeto inicial previa dois braços retráteis.

Depois de ser retirado de operação, Shakey passou a ficar exposto em uma vitrine de vidro no Museu da História do Computador, em Mountain View, na Califórnia. O projeto inspirou outros trabalhos em robótica, entre eles os Centibots.

Software miniaturadaimagem|upright|Shakey em 1972 Shakey foi programado em Fortran e LISP. O Stanford Research Institute Problem Solver, ou STRIPS, foi concebido como o principal componente de planejamento do seu software. Shakey foi o primeiro robô a operar como um agente lógico orientado a objetivos, em um ambiente limitado. Uma das configurações desse ambiente tinha salas interligadas por corredores, com portas e interruptores de luz com os quais o robô poderia interagir.

O planejador dispunha de uma lista curta de ações, como deslocar-se de um lugar a outro, acionar interruptores para acender e apagar luzes, abrir e fechar portas, subir em objetos rígidos e descer deles, além de empurrar objetos móveis. O STRIPS conseguia elaborar planos com todas essas ações, embora o próprio Shakey não tivesse capacidade física para executar todas elas.

Uma tarefa poderia começar com um operador digitando "empurre o bloco para fora da plataforma" em um terminal de computador. Shakey examinaria o ambiente, encontraria uma plataforma com um bloco em cima e procuraria uma rampa para alcançá-la. Em seguida, empurraria a rampa até a plataforma, subiria por ela e empurraria o bloco para fora.

Hardware Shakey era um robô alto, equipado com uma antena de comunicação por rádio, um telêmetro óptico, uma câmera de televisão, circuitos lógicos a bordo e sensores de colisão. Os computadores que o controlavam ficavam fora do robô. A altura e o modo como tremia ao se mover deram origem ao nome.

Resultados das pesquisas miniaturadaimagem|upright|Peter Hart em uma palestra no Google sobre as inovações de Shakey, em fevereiro de 2015 O desenvolvimento de Shakey trouxe avanços para a robótica, a inteligência artificial e a ciência da computação. Entre os resultados estão o algoritmo A*, muito usado na busca de caminhos e na exploração de grafos para encontrar trajetos eficientes entre pontos, e o aperfeiçoamento da transformada de Hough, uma técnica de extração de características usada em análise de imagens, visão computacional e processamento digital de imagens. Outro resultado foi o método dos grafos de visibilidade, usado para encontrar os caminhos euclidianos mais curtos entre obstáculos em um plano.

Na mídia e premiações direita|miniaturadaimagem|Criadores de Shakey na cerimônia do IEEE Milestone no Museu da História do Computador, em fevereiro de 2017. Da esquerda para a direita, Richard O. Duda, Tom Garvey, o presidente eleito do IEEE Jim Jefferies, Peter E. Hart, Nils J. Nilsson, Richard Fikes, Helen Chan Wolf, Claude Fennema, Bertram Raphael e Mike Wilber. Em 1969, o SRI lançou "SHAKEY: Experimentation in Robot Learning and Planning", um vídeo de 24 minutos. O projeto recebeu atenção da imprensa, com uma matéria no The New York Times em 10 de abril de 1968. Em 1970, a revista Life chamou Shakey de "primeira pessoa eletrônica". Em novembro daquele ano, a National Geographic publicou uma matéria sobre Shakey e o futuro dos computadores. Os prêmios do concurso de vídeos de inteligência artificial da Association for the Advancement of Artificial Intelligence, a AAAI, receberam o nome de "Shakeys" em homenagem ao robô e ao filme de 1969.

Em 2004, Shakey entrou para o Salão da Fama dos Robôs da Universidade Carnegie Mellon, ao lado de ASIMO e C-3PO.

Shakey também recebeu a distinção IEEE Milestone em Engenharia Elétrica e Computação.

Shakey foi apresentado no documentário Towards Tomorrow: Robot, da BBC, de 1967.

Ver também

Robô autônomo, robô capaz de executar tarefas sem intervenção humana contínua Robô móvel, robô capaz de se deslocar pelo ambiente

Leitura complementar

Ligações externas Página do SRI sobre Shakey, arquivada em 2 de julho de 2013 Filme educativo do SRI com uma demonstração de Shakey Matéria da revista Life, de 20 de novembro de 1970 Palestra de Peter Hart sobre o desenvolvimento do projeto e seus resultados, no Museu da História do Computador, onde Shakey está exposto, em 2015

Categoria:História da inteligência artificial Categoria:Robôs dos Estados Unidos Categoria:SRI International