Os cintas-largas são um povo indígena, assim chamado pelos primeiros invasores dos seus territórios, por ostentarem uma espécie de cinturão, feito de entrecasca de uma árvore - o tauari. Este nome foi posteriormente adotado pela Fundação Nacional do Índio.
A população dos cintas-largas está distribuída por, aproximadamente, 33 aldeamentos, a maioria deles localizados nas Terras Indígenas Serra Morena (quatro aldeias), Aripuanã (nove aldeias),Caracterização Geral da TI Aripuanã. Parque Indígena Aripuanã (sete aldeias) e Roosevelt (cinco aldeias). Essas terras, situadas no leste de Rondônia e no noroeste de Mato Grosso possuem superfície total de 2.732.567 hectares tradicionalmente ocupadas pelos cinta-largas.
O mito de criação cinta-larga conta como Gorá criou todos os seres das diferentes tribos. Os animais teriam sido criados a partir de seres humanos.
Características gerais
Demografia
Em 1969 a população cinta-larga foi estimada em cerca de 2.000 pessoas, em seguida a população declinou e voltou a aumentar, chegando ao total de 1954 pessoas em 2014, conforme os dados da tabela abaixo:
+AnoPopulaçãoReferência19692000ISA (2019)1981500ISA (2019)20011032ISA (2019)20031300ISA (2019)20141954(Siasi/Sesai, 2014) Definição Embora a denominação cinta-larga seja usada para designar um conjunto de grupos indígenas caçadores, habitantes das terras que se estendem do leste de Rondônia ao noroeste do Mato Grosso, trata-se, na verdade, de grupos distintos que se autodenominam Kabã, Kakin e Mã e que têm língua e cultura semelhante.JUNQUEIRA, Carmen 1985: 2. In Processo Funai nº 4982/78, fls. 340 Antes do contato com a Fundação Nacional do Índio, esses grupos ocupavam territórios exclusivos. Os kabã não têm subdivisões; os kakin têm algumas subdivisões e os mam ou mã têm várias subdivisões (Dal Poz, 1991).
Falam uma língua do tronco tupi, da família conhecida como Tupi-Mondé, a qual compartilham, com pequenas variações, com seus vizinhos gaviões, suruís-paíteres e zorós. Assim como esses povos, os grupos cintas-largsa tinham na caça a sua principal atividade de subsistência, combinada com uma pequena agricultura - de tubérculos (cará, mandioca e inhame) e milho –, atividade claramente depreciada frente àquela da caça.
O território ocupado pelos cintas-largas até o final dos anos 1950 compreendia as bacias dos rios Roosevelt, a oeste; Juruena, a leste; Rio Branco, afluente da margem esquerda do Rio Negro e Guariba, afluente do Aripuanã, ao norte, até o paralelo dez e os rios Iquê, 12 de Outubro, afluente esquerdo do alto Camararé e Juína, afluente esquerdo do Juruena, ao sul. Esse território limitava-se, ao sul e a oeste, com as terras dos enauenê-nawê e dos nambiquara; a leste, com os erikbatsa e, ao norte, com os suruís e os zorós. Em tempos passados, os grupos cintas-largas viviam em guerra permanente com esses outros povos, por disputas territoriais ou por vinganças de mortes anteriores.
Massacre do Paralelo 11
Nos anos 1960, os cintas-largas, assim como vários outros grupos indígenas, foram vítimas da abertura da fronteira agrícola e das políticas de incentivo à exploração dos recursos naturais, que visavam principalmente a ocupação da região Norte do país. Nessa época, esses povos eram tidos como empecilhos ao desenvolvimento, o que motivou o extermínio de comunidades indígenas inteiras. Após o Massacre do Paralelo 11 (1963), como ficou conhecida a destruição de aldeias cintas-largas em Mato Grosso, a mando do seringalista Antonio Junqueira, o estado brasileiro foi, pela primeira vez, denunciado internacionalmente por genocídio.JUNQUEIRA,Carmen. Os diamantes do povo Cinta-Larga. Texto da conferência proferida em março de 2005.Senadora defende índios Cinta Larga relembrando o Massacre do Paralelo 11. 13 de novembro de 2003.A reportagem no meio do mato, por Montezuma Cruz. Observatório da Imprensa,4de maio de 2004 na edição 275.
Bibliografia Dal Poz, João. Dádivas e dívidas na Amazônia: parentesco, economia e ritual nos Cinta-Larga. Tese de doutorado. Campinas: UNICAMP, 2004.
Ligações externas
Instituto Socioambiental. Acervo Etnográfico Museu do Índio - Cintas-largas Categoria Massacre do Paraleo 11 em Wikimedia Commons