Islamismo é uma religião abraâmica monoteísta centrada no Alcorão e nos ensinamentos do profeta Maomé. Seus crentes são chamados muçulmanos e totalizam aproximadamente * de pessoas em todo o mundo, o que faz deles a segunda maior população religiosa do mundo depois dos cristãos.
Os muçulmanos acreditam no puro monoteísmo, que o islamismo é a versão completa e universal de uma fé primordial que foi revelada muitas vezes por meio de profetas anteriores, como Adão (que se acredita ser o primeiro homem), Abraão, Moisés e Jesus, entre outros;. essas revelações anteriores são atribuídas ao judaísmo e ao cristianismo, que são considerados no islamismo como religiões predecessoras espirituais. Os muçulmanos consideram o Alcorão a palavra literal de Deus e a revelação final inalterada. Juntamente com o Alcorão, os muçulmanos também acreditam nas revelações anteriores, como o Tawrat (Torá), o Zabur (Salmos) e o Injil (Evangelho). Eles também consideram Maomé como o principal e último profeta islâmico, por meio de quem a religião foi completada. Os ensinamentos e exemplos normativos de Muhammad, chamados de suna, documentados em relatos chamados de hádice, fornecem um modelo constitucional para os muçulmanos. O islamismo ensina que Deus (Alá) é único e incomparável. Afirma que haverá um "Julgamento Final" em que os justos serão recompensados no paraíso (Jannah) e os injustos serão punidos no inferno (Jahannam). Os Cinco Pilares — considerados atos obrigatórios de adoração — compreendem o juramento e credo islâmico (shahada); orações diárias (salá); esmola (zacate); jejum (sawm) no mês do Ramadã; e uma peregrinação (haje) a Meca. A lei islâmica, a xaria, abrange praticamente todos os aspectos da vida, desde bancos, finanças e bem-estar até os papéis masculinos e femininos e o meio ambiente. Festivais religiosos proeminentes incluem o Eid al-Fitr e o Eid al-Adha. Os três locais mais sagrados do islamismo em ordem decrescente são a Grande Mesquita em Meca, Mesquita do Profeta em Medina e a Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém.
O Islã, em sua forma atual e final, originou-se no em Meca. O domínio muçulmano expandiu-se para fora da Arábia sob o Califado Ortodoxo e o subsequente Califado Omíada governou da Península Ibérica ao Vale do Indo. Na Era de Ouro Islâmica, principalmente durante o reinado do Califado Abássida, grande parte do mundo muçulmano passou por um florescimento científico, econômico e cultural. A expansão do mundo muçulmano envolveu vários Estados e califados, bem como um extenso comércio e conversão religiosa como resultado das atividades missionárias islâmicas (dawa) e por meio de conquistas.
Existem duas grandes denominações islâmicas: sunismo (85–90%) e xiismo (10–15%). Enquanto as diferenças entre sunitas e xiitas surgiram inicialmente de divergências sobre a sucessão de Maomé, elas cresceram para cobrir uma dimensão mais ampla, tanto teológica quanto jurídica. Os muçulmanos constituem a maioria da população em 49 países do planeta. Aproximadamente 12% dos muçulmanos do mundo vivem na Indonésia, o país de maioria muçulmana mais populoso; 31% vivem no sul da Ásia; 20% vivem no Oriente Médio–Norte da África; e 15% vivem na África subsaariana. Comunidades muçulmanas consideráveis também estão presentes na América, China e Europa. Devido em grande parte a uma taxa de fertilidade mais alta, o islamismo é o principal grupo religioso que mais cresce no mundo e, se as tendências atuais se mantiverem, ultrapassará ligeiramente o cristianismo como a maior religião do mundo até o final do .
Etimologia "Islã" provém do árabe , que por sua vez deriva da quarta forma verbal da raiz slm, aslama, e significa "submissão (a Deus)".Mircea Eliade, Dicionário das Religiões, Lisboa, Publicações D. Quixote Segundo o arabista e filólogo José Pedro Machado, a palavra "Islã" não teria surgido na língua portuguesa antes de 1843, ano em que aparece no capítulo IX da obra Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano.
O islamismo é descrito em árabe como um , o que significa "modo de vida" e/ou "religião" e possui uma relação etimológica com outras palavras árabes como ou ( / ), que significam "paz".
"Muçulmano", por sua vez, deriva da palavra árabe (plural, ), particípio activo do verbo , designando "aquele que se submete". O vocábulo pode ter penetrado no português a partir do castelhano, sendo provável que essa língua o tenha tomado do italiano ou do francês, línguas nas quais o vocábulo surge em 1619 e 1657, respectivamente (no primeiro caso como , na obra Viaggi, de Pietro della Valle, e no segundo como , na obra Voyages, de Le Gouz de la Boullaye).
Em textos mais antigos, os muçulmanos eram conhecidos como "maometanos" e a religião como "maometismo" e "maometanismo", esses termos têm caído em desuso porque implica, incorretamente, que os muçulmanos adoram Maomé (como, durante alguns séculos muitas personalidades medievais do Ocidente pensaram), o que torna o termo ofensivo para muitos muçulmanos. Além disso a palavra Mahomet (transliteração de Maomé em francês) também é considerada ofensiva já que tem conexão direta com os insultos das tropas francesas aos muçulmanos na Argélia na época de colonização francesa. Durante a Idade Média e, por extensão, nas lendas e narrativas populares cristãs, os muçulmanos eram também designados como sarracenos.
Crenças Deus
thumb|Alá (Allah) em em um medalhão na Hagia Sofia, em Istambul
A pedra basilar da fé islâmica é a crença estrita no puro monoteísmo. Deus é considerado único e sem igual. Cada capítulo do Alcorão (com a exceção de um) começa com a frase "Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso". Uma das passagens do Alcorão frequentemente usadas para ilustrar os atributos de Deus é a que se encontra no capítulo (sura) 59: "Ele é Deus e não há outro deus senão Ele, que conhece o invisível e o visível. Ele é o Clemente, o Misericordioso! Ele é Deus e não há outro deus senão Ele. Ele é o Soberano, o Santo, a Paz, o Fiel, o Vigilante, o Poderoso, o Forte, o Grande! Que Deus seja louvado acima dos que os homens lhe associam! Ele é Deus, o Criador, o Inovador, o Formador! Para ele os epítetos mais belos" (59, 22-24).
Os muçulmanos acreditam que a criação de tudo no Universo foi pura ordem de Deus, "Seja e por isso é", e que o propósito da existência é adorar a Deus. Ele é visto como um Deus pessoal que responde sempre que uma pessoa está em necessidade ou quando clamam por seu socorro. Não há intermediários, como um clero, para entrar em contato com Deus, que afirma: "Eu estou mais perto dele [do ser humano] do que [sua] veia jugular". A reciprocidade é mencionada no hádice: "Eu sou como o meu servo acha (espera) que sou".
Anjos thumb|Uma imagem de Siyer-i Nebi do representando o anjo Gabriel visitando Maomé Os anjos são, segundo o islã, seres criados por Deus a partir da luz. Não possuem livre arbítrio, dedicando-se apenas a obedecer a Deus e a louvar o seu nome. Maomé nada disse sobre o sexo dos anjos, mas rejeitou a crença dos habitantes de Meca, de acordo com a qual eles seriam os filhos de Deus. Desempenham vários papéis, entre os quais o anúncio da revelação divina aos profetas; protegem os seres humanos e registram todas as suas ações. O anjo mais famoso é Gabriel, que foi o intermediário entre Deus e o profeta.Ver:
Para além dos anjos, o islamismo reconhece a existência dos gênios (jinnis), espíritos que habitam o mundo natural e que podem influenciar os acontecimentos. Ao contrário dos anjos, os gênios possuem vontade própria; alguns são bons, mas de uma forma geral são maus. Um desses espíritos maus é Satanás (Iblis), também ele um gênio, segundo a crença islâmica, que desobedeceu a Deus e dedica-se a praticar o mal.
Livros sagrados
thumb|Um manuscrito do Alcorão sobre um rehal, um descanso de livro para o texto sagrado
O preeminente texto sagrado do islamismo é o Alcorão. Os muçulmanos acreditam que os versículos do Alcorão foram revelados a Maomé por Deus, por meio do arcanjo Gabriel (Jibrīl), em várias ocasiões entre os anos 610 e 632, o ano em que o profeta morreu. Enquanto Maomé estava vivo, essas revelações foram escritas por seus companheiros, embora o principal método de transmissão fosse oralmente por meio da memorização. O Alcorão é dividido em 114 capítulos (sura) que combinados contêm 6.236 versículos (āyāt). Os capítulos cronologicamente anteriores, revelados em Meca, tratam principalmente de tópicos espirituais, enquanto os capítulos posteriores de Medina discutem mais questões sociais e legais relevantes para a comunidade muçulmana. Os juristas muçulmanos consultam o hádice ('relatos'), ou o registro escrito da vida do profeta Maomé, tanto para complementar o Alcorão quanto para auxiliar em sua interpretação. A ciência do comentário e exegese do Alcorão é conhecida como tafsir. Além de seu significado religioso, é amplamente considerado como o melhor trabalho da literatura árabe e influenciou a arte e a língua árabe.
O islamismo também sustenta que Deus enviou revelações, chamadas wahy, a diferentes profetas inúmeras vezes ao longo da história. No entanto, o islamismo ensina que partes das escrituras reveladas anteriormente, como o Tawrat (Torá) e o Injil (Evangelho), foram distorcidas - seja na interpretação, no texto ou em ambos, enquanto o Alcorão (lit. 'Recitação') é visto como a palavra final, literal e inalterada de Deus.
Profetas thumb|Miniatura persa do mostrando Maomé liderando Abraão, Moisés, Jesus e outros profetas em oração
O islamismo ensina que Deus revelou a sua vontade à humanidade por meio de profetas. Existem dois tipos de profeta: os que receberam de Deus a missão de dar a conhecer aos homens a vontade divina (anbiya; singular nabi) e os que para além dessa função lhes foi entregue uma escritura revelada (rusul; singular rasul, "mensageiro"). Cada profeta foi encarregado de relembrar a uma comunidade a existência ou a unicidade de Deus, esquecida pelos homens. Para os muçulmanos, a lista dos profetas inclui Adão, Abraão (Ibraim), Moisés (Muça), Jesus (Issa) e Maomé (Muhammad), todos eles pertencentes a uma sucessão de homens guiados por Deus. Maomé é visto como o Último Mensageiro, trazendo a mensagem final de Deus a toda a humanidade sob a forma do Alcorão, sendo por isso designado como o "Selo dos Profetas". Quando Maomé começou a revelar o Alcorão, ele não acreditou que isso teria proporções mundiais, mas sim que somente reforçaria a fé no Deus.Ver:
Julgamento Final
thumb|A Mesquita Omíada em Damasco, Síria, onde a tradição islâmica diz que Issa (Jesus, visto como um profeta islâmico) aparecerá perto do Dia do Juízo Final Segundo as crenças islâmicas, o dia do Julgamento Final (Yaum al-Qiyamah) é o momento em que cada ser humano será ressuscitado e julgado na presença de Deus pelas ações que praticou. Os seres humanos livres de pecado serão enviados diretamente para o Paraíso, enquanto os pecadores devem permanecer algum tempo no Inferno, antes de poderem também entrar no Paraíso. As únicas pessoas que permanecerão para sempre no Inferno são os hipócritas religiosos, isto é, aqueles que se diziam muçulmanos, mas de fato nunca o foram. Segundo a mesma crença, a chegada do Julgamento Final será antecedida por vários sinais, como o nascimento do Sol no poente, o som de uma trombeta e o aparecimento de uma besta. De acordo com o Alcorão, o mundo não acabará verdadeiramente, mas sofrerá antes uma alteração profunda.Ver: "Resurrection", The New Encyclopedia of Islam (2003) : Ibn Sīnā, Abū ʿAlī al-Ḥusayn b. ʿAbd Allāh b. Sīnā is known in the West as "Avicenna".
Predestinação