A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (latim: Fraternitas Sacerdotalis Sancti Pii X) (FSSPX) é uma sociedade de vida apostólica católica fundada em 1970 pelo Arcebispo Marcel Lefebvre. Em 2026 o Dicastério para a Doutrina da Fé decretou que a FSSPX é cismática e excomungou a sociedade da Igreja Católica.
A FSSPX foi originalmente estabelecida como uma associação de fiéis da Igreja Católica, com a permissão expressa do bispo suíço de Lausanne, Genebra e Friburgo, François Charrière.
A FSSPX leva o nome do papa Pio X, devido sua postura antimodernista, mantendo a missa tridentina e os livros litúrgicos anteriores ao Concílio Vaticano II em latim para a celebração dos demais sacramentos. O atual superior-geral é Davide Pagliarani.[James Martin, "The Anti-Semitism of the Society of St. Pius X" in America review, 31 January 2009]; cf. John Vennari, "Judaism & the Church: before & after Vatican II"
As tensões da FSSPX com a Santa Sé aumentaram em 1988, quando Lefebvre consagrou quatro bispos sem autorização pontifícia, em desacordo com a determinação do papa João Paulo II. Lefebvre justificou o ato com base no alegado estado de necessidade. As sagrações episcopais levaram à declaração de excomunhão latae sententiae dos bispos consagrantes e dos bispos consagrados.
Em 2009, o papa Bento XVI revogou essa excomunhão, manifestando a expectativa de que os membros da FSSPX avançassem no processo de restauração da plena comunhão com a Igreja Católica.Decree of Excommunication
Discussões formais entre a Santa Sé e a FSSPX começaram em 2009 e chegaram a um estágio crítico em 2012, quando Bernard Fellay rejeitou o documento doutrinário apresentado a ele em 15 de abril do mesmo ano, onde se exigia da FSSPX a aceitação do Concílio Vaticano II e de todos seus documentos (incluindo os pontos sobre liberdade religiosa e ecumenismo).National Catholic Reporter, "Traditionalist SSPX calls Vatican offer 'clearly unacceptable'" Fellay perguntou à Bento XVI se este documento teve aprovação pessoal do papa e este lhe enviou uma carta manuscrita assegurando-lhe que tinha.Vatican Insider, "Rome needs to change its demands if it wants to reach an agreement with SSPX" Em 27 de junho de 2013, os três bispos da FSSPX rejeitaram formalmente as propostas da Santa Sé.Traditionalists indicate definitive break with Catholic Church
Em 2015, o papa Francisco devolveu canonicamente as faculdades sacerdotais dos padres da fraternidade, ao conferir-lhes o direito de atenderem a confissões e, em 2017, celebrarem matrimônios, ambos de forma válida e lícita, com o intuito de fazê-los retornar futuramente a plena comunhão com Roma. Nas palavras dele "o estado atual das relações é de fraternidade". Além disso, assegurou que "com Bernard Fellay temos uma boa relação, falamos algumas vezes. Eu não gosto de apressar as coisas…, caminhar, caminhar…, e logo já veremos. Para mim não é um problema de vencedores ou de vencidos. É um problema de irmãos que devem caminhar juntos, procurando a forma de dar passos adiante".
Em julho de 2026, sem autorização da Santa Sé e contrariando ordem direta do papa Leão XIV, a FSSPX consagrou 4 novos bispos, no que ficou conhecido como Consagrações de Écône de 2026, em situação semelhante a ocorrida em 1988 e sob a mesma justificativa (estado de necessidade). Por conta disso, o Vaticano declarou a excomunhão de todos os bispos envolvidos com as consagrações irregulares, além de sacerdotes e leigos que apoiem as doutrinas da Fraternidade. Desde então, a Santa Sé considera que a FSSPX e seus membros estão em cisma com a Igreja.
História miniaturadaimagem|Dom Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade, celebrando a Missa Tridentina. A FSSPX reconhece a validade, mas não a licitude, da Missa do Vaticano II, promulgada pelo Papa Paulo VI, desde que o rito seja celebrado devidamente, considerando-se o missal e os documentos referentes à liturgia, mas afirma que, tendo sido arranjado artificialmente com a assistência de 6 pastores protestantes, e com a degradação de orações católicas milenares, introdução de orações judaicas e influência maçônica A nova Liturgia modificou ou expurgou textos que falavam claramente demais: a) do inferno ou do diabo (Dies irae na missa dos defuntos; coletas do XVIIº domingo depois de Pentecostes, de São Nicolau, São Camilo de Lelis, etc.); b) do pecado original (coleta de Cristo-Rei);c) da penitência (coletas de São Raimundo de Peñafort, de São João Maria Vianney cura d’Ars, da Quinta-Feira depois das Cinzas); d) do desprezo das coisas da terra (coleta de São Francisco de Assis, pós-comunhão do IIº domingo do Advento; secreta do IIIº domingo depois da Páscoa); e) da necessária satisfação pelos pecados ( Coleta da Festa do Sagrado Coração de Jesus); f) dos inimigos da Igreja (comunhão da Festa da Exaltação da Santa Cruz, coletas de São Pio V, São João Capistrano, etc.); g) dos perigos do erro (oração da Sexta-Feira Santa pela conversão dos hereges e cismáticos; coletas de São Pedro Canísio, São Roberto Bellarmino, Santo Agostinho de Cantorbéry); h) dos milagres dos santos (coletas de São Nicolau, São Francisco Xavier, São Raimundo de Peñafort, São João de Deus, Santa Francisca Romana, etc.)
Em 1975, o grande arquiteto da missa nova, Annibal Bugnini, foi denunciado a Paulo VI como maçom. O eclesiástico que o acusava fornecia provas e ameaçava tornar a coisa pública. Paulo VI levou a coisa muito a sério, e, para evitar escândalo, demitiu imediatamente Mons. Bugnini de suas funções de Secretário da Congregação para o Culto Divino, antes de nomeá-lo pró-núncio em Teerã (janeiro de 1976).281 Em 1976 e 1978, encontrou-se o nome de Annibal Bugnini nas listas de prelados maçons publicadas pela imprensa italiana.
1- Estudo de Dom Edouard Guillou O.S.B “Les oraisons de La nouvelle messe et l’esprit de La reforme liturgique”. Encontra-se, neste, o texto completo dessas orações e exemplos complementares (estudo publicado em Fideliter nº 86, março-abril de 1992, p.58ss.).
2- Listas publicadas em Panorama nº538 (10.08.76), depois em L’Osservatore Politico de Mino Pecorelli (12.09.1978). Notemos que o jornalista Mino Pecorelli era , ele mesmo, maçom. Foi assassinado a tiros alguns meses mais tarde (20 de março de 1979). Sobre esse caso, ver a pesquisa do professor Carlo-Alberto Agnoli, La Maçonnerie à La conquête de l’Eglise, Versailles, Publications Du Courrier de Rome, 2001. por parte do cardeal Annibale Bugnini, secretário da comissão que realizou a reforma do Rito romano, tendo também ela partido de um Concílio não-dogmático e, ao mesmo tempo, que há um corte com a Tradição católica, rompeu com o processo de desenvolvimento orgânico da liturgia católica através dos séculos e está imbuído de uma mentalidade contrária à Doutrina tradicional sobre a missa. A FSSPX também entende que a nova liturgia interfere diretamente com a doutrina da Igreja, não expressando a fé católica integralmente em sua liturgia, uma vez que as duas questões têm correlação direta como demonstrado pelo axioma lex orandi, lex credendi.
Consagrações de Écône de 1988
Após conflitos com a Santa Sé e tentativas de acordo, Lefebvre finalmente redige uma carta ao Vaticano na qual diz que pela urgência da sua velhice, depois de um ano da data de envio daquela mesma carta de pedido, ordenará bispos caso o Vaticano não dê nenhum sinal de permissão ou possível data para as ordenações de sucessão na Fraternidade. Procede, então, em 30 de junho de 1988, à sagração de quatro bispos sem a aprovação papal. Dois dias depois, João Paulo II, no motu proprio Ecclesia Dei Adflicta, adverte que o arcebispo e os quatro bispos incorreram em excomunhão automática, segundo o Código de Direito Canónico (cân. 1364.1 e 1382). Entretanto, a FSSPX rebate a acusação, afirmando que o arcebispo não conferiu aos quatro bispos qualquer jurisdição, ou seja, não há tentativa de "furtar" a estrutura visível da Igreja por meio das sagrações, limitando-se a transmitir-lhes o poder de ministrar os sacramentos do Crisma e da Ordem, segundo o rito romano tradicional. Afirma, ainda, que o "estado de necessidade", ou mesmo a simples crença inculpável de encontrar-se nele, é suficiente para invalidar a aplicação de excomunhão neste caso.A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X pede mais tempo para reflexão
Diálogo entre a FSSPX e a Santa Sé Bento XVI declarou que, por motivos doutrinais e não disciplinares, a FSSPX não tem estatuto canônico regular na Igreja Católica e, por isso, os ministérios exercidos por seus sacerdotes são ilegítimos."The fact that the Society of Saint Pius X does not possess a canonical status in the Church is not, in the end, based on disciplinary but on doctrinal reasons. As long as the Society (of St Pius X) does not have a canonical status in the Church, its ministers do not exercise legitimate ministries in the Church" (Pope Benedict XVI, Letter of 10 March 2009 to the Bishops of the Catholic Church concerning the remission of the excommunication of the four bishops consecrated by Archbishop Lefebvre). No entanto, Fellay sustenta que o ministério eclesial dos sacerdotes da FSSPX é legítimo, sendo justificado como estado de necessidade.Estado de necessidadeAccording to an article on The Remnant (newspaper), Bishop Fellay cited as evidence replies of the Holy See to SSPX priests regarding absolution from reserved sins, which in fact, since 1983, no longer exist, and the fact that SSPX priests are allowed, after reconciliation, to function as priests, as are, for instance, eastern Christian priests received into the full communion of the Catholic Church.
Apesar das questões disputadas com a Santa Sé, a FSSPX ainda participa de atividades do calendário oficial do Vaticano, como a peregrinação à cidade eterna no Jubileu do ano 2000, além de mencionar o papa no cânon romano, não celebrando missas "non una cum." Ela também acusa as paróquias não tradicionais, como de partidárias de um cisma velado e de uma resistência mais ou menos explícita a muitas das orientações do Bento XVI e do próprio Francisco. O superior-geral da FSSPX era, desde 1994, Fellay, que, no Verão de 2006, foi reconduzido no cargo por mais um mandato de 12 anos. Em 11 de julho de 2018, o 4º Capítulo Geral da FSSPX, que durou até 21 de julho de 2018, no Seminário São Pio X de Écône, elegeu Davide Pagliarani como Superior Geral por 12 anos.
Consagrações de Écône de 2026
Em 2 de fevereiro de 2026, o Davide Pagliarani anunciou que confiaria aos bispos da FSSPX a realização de novas consagrações episcopais, marcadas para 1.º de julho de 2026. Em 12 de fevereiro, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé reuniu-se no Vaticano com o superior da FSSPX, em continuidade aos contactos abertos após o anúncio. O encontro, qualificado como "cordial" e "sincero" e realizado com o "beneplácito" de Leão XIV, propôs um "diálogo especificamente teológico" e terminou com a recomendação de que a FSSPX suspendesse as ordenações, sob o argumento de que estas "implicariam uma ruptura decisiva da comunhão eclesial com graves consequências para a FSSPX como um todo". Em resposta, Pagliarani enviou uma carta ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério, rejeitando a proposta. Segundo ele, um diálogo comum não poderia definir "o mínimo necessário para a plena comunhão com a Igreja Católica", pois "os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da Reforma litúrgica questionada".
Em 13 de maio, o Dicastério emitiu nova advertência sobre as ordenações sem mandato pontifício, enquanto o Leão XIV manifestava esperança de que a FSSPX recuasse.
Em 30 de junho, véspera das ordenações, Leão XIV enviou uma carta à FSSPX, pedindo que não prosseguisse sem sua aprovação: "Nesse espírito, e repleto de afeto cristão, peço-vos e suplico-vos do fundo do coração: Reconsiderai". O papa definiu as ordenações planejadas como "um pecado de extrema gravidade".