O Waldorf Astoria New York é um hotel de luxo localizado em Manhattan, Nova Iorque, Estados Unidos. O primeiro Waldorf Astoria foi construído em dois estágios como dois hotéis diferentes, primeiro o Waldorf Hotel e depois o Astoria Hotel, dando origem ao nome duplo. A localização original era na propriedade da família Astor na Quinta Avenida, com o primeiro abrindo em 1893 e o segundo em 1897, ambos projetados pelo arquiteto Henry Janeway Hardenbergh. Os edifícios foram demolidos em 1929 para dar lugar ao Empire State Building. O edifício atual, situado no número 301 da Avenida Park entre a 49ª e 50ª ruas, possuí 191 metros de altura e 47 andares no estilo art déco projetado pela firma de arquitetura Schultze & Weaver. Ele foi o hotel mais alto do mundo quando foi finalizado em 1931, mantendo o título até ser ultrapassado pelo russo Hotel Ukraina em 1953. O atual Walforf Astoria é considerado um ícone de glamour e luxo, sendo um dos mais conhecidos e prestigiados hotéis do mundo.
O Waldorf Astoria desde o início ganhou renome internacional por seus suntuosos jantares e festas de gala, sendo frequentemente o centro de conferências políticas e de negócios e também eventos de arrecadação de fundos envolvendo ricos e famosos. Ele desempenhou um papel significante após a Segunda Guerra Mundial nas políticas mundiais da Guerra Fria, culminando na Conferência Mundial da Paz de 1949 que foi realizada no hotel. O magnata Conrad Hilton adquiriu os direitos de gestão do Waldorf Astoria em outubro de 1949, com a Hilton Hotels Corporation finalmente comprando o local por completo em 1972. Ele passou por renovações nas décadas de 1980 e 1990 chefiadas por Lee Jablin, sendo comprado em 2014 pelo grupo chinês Anbang pelo valor de 1,95 bilhões de dólares, tornando-se a venda mais cara de um hotel na história. O Waldorf Astoria foi temporariamente fechado em 2017 para uma renovação de três anos em que parte de seus quartos serão transformados em condomínios.
O edifício tem mais de 1400 quartos, dos quais 1235 são quartos simples ou duplos e 208 mini suítes, enquanto a Waldorf Towers, que localizam-se entre o 28º e o 42º andares, possuem 181 quartos, dos quais 115 são suítes. Várias das suítes mais luxuosas foram nomeadas por causa das celebridades que viveram ou hospedaram-se nelas, como por exemplo a a Suíte Cole Porter, a Suíte Real devido ao Duque e a Duquesa de Windsor, a Suíte MacArthur e a Suíte Churchill. A mais cara de todas é a Suíte Presidencial, decorada com móveis no estilo jorgiano com o objetivo de lembrar a Casa Branca. Ela foi a casa do ex-presidente Herbert Hoover por mais de trinta anos, enquanto Frank Sinatra também manteve um suíte entre 1979 e 1988. O Waldorf Astoria também abriga três restaurantes, Peacock Alley, The Bull and Bear Steak House e La Chine, e um bar, Sir Harry's Bar.
Nome O nome Waldorf Astoria vem da cidade de Walldorf na Alemanha, o lar ancestral da família teuto-americana Astor, e da cidade de Astoria no Oregon, fundada em 1811 por John Jacob Astor. O hotel era originalmente conhecido como o The Waldorf-Astoria com um único hífen. O sinal foi alterado para um hífen duplo, ficando similar a um sinal de igual, por Conrad Hilton depois de ter comprado o hotel em 1949. O hífen duplo representava o Beco do Pavão, o corredor que conectava os dois edifícios que formavam o hotel. O hífen duplo deixou de ser usado em 2009, pouco depois da rede de hotéis The Waldorf-Astoria Collection ter mudado de nome para Waldorf Astoria Hotels & Resorts.
História Edifícios originais
thumb|esquerda|300px|Ilustrações de 1906 do Waldorf (esquerda) e do Astoria (direita), os dois edifícios que formaram o Waldorf–Astoria original em 1897. O hotel original começou como dois hotéis separados na Quinta Avenida construídos por parentes rivais. O primeiro foi o Waldorf Hotel, que tinha treze andares de altura e 450 quartos, projetado por Henry Janeway Hardenbergh no estilo renascentista alemão. Ele foi inaugurado em 13 de março de 1893 na esquina da Quinta Avenida com a 33ª Rua, local onde anteriormente existia a mansão do milionário William Waldorf Astor. O Waldorf tinha 69 metros de altura, uma fachada de trinta metros na Quinta Avenida e uma área total de 6,5 mil metros. Ele foi descrito como tendo um "exterior de pedra alta e tijolos" que era "animado por uma efusão de varandas, alcovas, arcadas e loggias sob um telhado de telha enfeitado com empenas e torres". William Waldorf, em parte motivado por uma disputa com sua tia Caroline Schermerhorn Astor, construiu o hotel ao lado da casa dela. O edifício foi erguido seguindo as especificações de seu proprietário fundador George Boldt, que operava junto com sua esposa Louise o Bellevue-Stratford Hotel na Filadélfia, Pensilvânia. Boldt foi descrito como um homem "bem educado, pouco digno e despretensioso" que lembrava "um típico professor alemão com sua barba rala que mantinha fastidiosamente aparada ... e seus óculos pincenê em cordão de seda preta".
Esperava-se que o Waldorf fosse um fracasso. Ele foi alvo de chacota na época anterior a sua inauguração por causa do seu grande número de banheiros, ficando brevemente conhecido como "Folly de Boldt" e "Folly de Astor", com a percepção geral sendo que um hotel palaciano não tinha lugar em Nova Iorque. Novaiorquinos ricos ficaram bravos por acharem que o Waldorf tinha arruinado um bairro bom. Viajantes à negócios o achavam muito caro e muito longe dos centros comerciais. Boldt resolveu realizar no hotel no dia de sua inauguração um concerto beneficente para o Hospital de Santa Maria para Crianças, uma caridade favorita daqueles no Registro Social norte-americano. O salão de bailes lotou com muitas das famílias ricas da cidade, que pagaram cinco dólares pelo concerto e por um jantar no Waldorf. O Waldorf logo transformou-se em um sucesso e fez 4,5 milhões de dólares em seu primeiro ano, quantia astronômica para o período.
A construção do Waldorf piorou ainda mais a briga entre William Waldorf e Caroline Astor. Entretanto, John Jacob Astor IV, primo de William Waldorf, conseguiu, com o auxílio de Boldt, persuadir sua mãe a se mudar para uma casa mais ao norte da cidade, derrubando logo em seguida a antiga mansão dela e iniciando a construção de mais um hotel de luxo. O Astoria Hotel foi inaugurado em 1 de novembro de 1897 no terreno adjacente ao Waldorf e foi alugado por Boldt. Os dois hotéis foram inicialmente construídos como estruturas separadas, porém Boldt planejou o Astoria para que pudesse se conectar ao Waldorf por meio de um corredor. Dessa forma, o chamado "Beco do Pavão" foi construído para ligar os dois edifícios, com eles subsequentemente se fundindo para formar o Waldorf–Astoria, o maior hotel do mundo na época.
O Waldorf–Astoria tinha um telefone em todo quarto e serviço de primeira classe, tendo sido projetado especificamente para atender as necessidades da classe alta de Nova Iorque e visitantes estrangeiros importantes. Segundo o autor Sean Dennis Cashman, o hotel tornou-se "um símbolo bem sucedido da opulência e realização da família Astor". Foi o primeiro do mundo a oferecer luz elétrica completa e banheiros particulares. Boldt, cujo lema era "o cliente tem sempre razão", ficou rico e importante internacionalmente, enquanto o maître Oscar Tschirky, popularmente conhecido como "Oscar do Waldorf", virou uma celebridade, tendo trabalhado no hotel desde a inauguração em 1893 até se aposentar em 1943. Tschirky tinha nascido na Suíça e imigrado para os Estados Unidos aos dez anos de idade, conseguindo um cargo no novo Waldorf e adquirindo no decorrer dos anos um conhecimento enciclopédico sobre culinária. Tschirky escreveu The Cookbook by Oscar of The Waldorf, um livro de culinária de novecentas páginas contendo as receitas mais populares da época, pelo qual ganhou grande aclamação, e Serving a Course Dinner by Oscar of the Waldorf-Astoria, um livreto em que falava das complexidades de atender a elite norte-americana e internacional. Ele também tinha uma excelente memória para lembrar das preferências de muitos de seus hóspedes, o que aumentou ainda mais sua popularidade.
thumb|260px|esquerda|Banquete realizado em 1909 para Elbert Henry Gary, co-fundador da U.S. Steel. O Waldorf–Astoria ganhou grande renome internacionalmente por seus bailes e jantares de arrecadação de fundos, atraindo regularmente a presença de figuras notáveis da época, como por exemplo Andrew Carnegie. Banquetes eram frequentemente realizados no salão de bailes em homenagem a pessoas importantes e para a nobreza estrangeira. O hotel também desempenhou um papel no avanço da situação das mulheres, que podiam entrar no estabelecimento sem a necessidade de um acompanhante. Louise Boldt foi uma figura importante na evolução da ideia de um grande hotel urbano que também atuasse como centro social, particularmente que interessasse as mulheres como local para eventos sociais. Tschirky chegou a realizar em 11 de novembro de 1899 aquilo que o jornal New York Herald Tribune descreveu como o jantar mais caro da cidade. A entrada era de 250 dólares e foram servidos ostras azuis, sopa de tartaruga, lagosta, pato avermelhado e framboesas azuis. Um artigo da época afirmou que o cofre do hotel guardava o equivalente a sete milhões de dólares em objetos de valor, prova da riqueza de seus hóspedes. Foi realizado em 1902 um grande banquete para o príncipe Henrique da Prússia, enquanto em 1909 ocorreram jantares luxuosos para o explorador Frederick Cook e para Elbert Henry Gary, co-fundador da U.S. Steel.
A comissão de inquérito do Senado dos Estados Unidos sobre o naufrágio do RMS Titanic foi aberta no hotel em 19 de abril de 1912 e continuou lá por algum tempo no Salão Myrtle, até mudar-se para Washington, D.C.. John Jacob Astor IV foi uma das vítimas do naufrágio. Sete senadores estavam presentes no subcomitê: William Alden Smith como presidente, Jonathan Bourne Jr., Theodore E. Burton e George Clement Perkins do Partido Republicano, e Duncan U. Fletcher, Francis G. Newlands e Furnifold McLendel Simmons do Partido Democrata. A composição foi escolhida cuidadosamente com o objetivo de representar as alas conservadora, moderada e liberal de ambos os partidos.
O restaurateur Louis Sherry anunciou em 1919 uma "aliança" com o Waldorf–Astoria que envolvia tanto os seus doces quanto seus serviços de provisionamento de alimentos. Apesar de não ter sido revelado na época, a propriedade da Louis Sherry Inc. em certo momento passou para a Boomer-duPont Interests, uma referências a Lucius M. Boomer, presidente do hotel, e T. Coleman du Pont. William Waldorf Astor morreu em 1919 com uma fortuna estimada em duzentas milhões de libras esterlinas que ele deixou para seus dois filhos homens vivos, Waldorf e John Jacob. Sua parcela no Waldorf–Astoria e no Hotel Astor foram relatadas em por volta de dez milhões de libras. A National Broadcasting Company (NBC) realizou em 15 de novembro de 1926 sua primeira transmissão de rádio a partir do salão de bailes do hotel.
O hotel passou a enfrentar competição forte no começo do século XX, com uma grande variedade de outros hotéis de luxo surgindo em Nova Iorque, como por exemplo o Hotel Astor em 1904, o The St. Regis também em 1904, o Knickerbocker Hotel em 1906 e o Savoy-Plaza Hotel em 1927. O hotel estava ficando datado no começo da década de 1920, com a vida social elegante de Nova Iorque tendo se mudado para muito mais ao norte da 34ª Rua em Manhattan. A família Astor por fim vendeu o hotel para os desenvolvedores do Empire State Building, com o Waldorf–Astoria sendo fechado em 3 de maio de 1929 e demolido pouco depois.
Edifício atual Primeiros anos