"Aquarela do Brasil" é uma canção brasileira escrita pelo compositor mineiro Ary Barroso em 1939.https://jornal.usp.br/cultura/usp-filarmonica-interpreta-aquarela-do-brasil-de-ary-barroso/ O samba foi gravado a primeira vez por seu parceiro Francisco Alves, e depois por diversos artistas que vão de Carmen Miranda a Frank Sinatra, passando por João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso, Tim Maia, Gal Costa, Erasmo Carlos e Elis Regina. Aquarela do Brasil foi considerada a décima segunda música maior do Brasil segundo a revista Rolling Stone Brasil e melhor canção do século XX de acordo com eleição da Rede Globo..

Conforme dados de 2021, “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, era a segunda canção brasileira mais regravada de todos os tempos, de acordo com o ECAD, Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, que é o órgão responsável por captar e distribuir valores pagos pela execução de canções em eventos e nos mais diversos tipos de mídia.

Antecedentes e produção A canção "Aquarela do Brasil" recebeu esse título porque foi composta numa noite de 1939 na qual Barroso foi impedido de sair de casa devido a uma forte tempestade. Naquela mesma noite, também compôs "Três Lágrimas" antes que a chuva acabasse.

Antes de ser gravada, "Aquarela do Brasil", inicialmente chamada de "Aquarela Brasileira", foi apresentada pelo barítono Cândido Botelho no musical Joujoux e balangandans, espetáculo beneficente patrocinado por Darcy Vargas, a então primeira-dama. A canção foi originalmente gravada por Francisco Alves, com arranjos e acompanhamento de Radamés Gnattali e sua orquestra, e lançada pela Odeon Records naquele mesmo ano. Foi também gravada por Aracy Cortes e, apesar da popularidade da cantora, a canção não fez sucesso, talvez por não ter se adequado bem à voz dela.

Popularidade O sucesso de "Aquarela do Brasil" demorou a se perpetuar. Em 1940, não conseguiu ficar entre as três primeiras colocadas no concurso de sambas carnavalescos, cujo júri era presidido por Heitor Villa-Lobos, com quem Barroso cortou relações, que só foram retomadas quinze anos depois, quando ambos receberam a Comenda Nacional do Mérito. O sucesso só veio após a inclusão no filme de animação Saludos Amigos, lançado em 1942 pelos Estúdios Disney. Foi a partir de então que a canção ganhou reconhecimento não só nacional como internacional, tendo se tornado a primeira canção brasileira com mais de um milhão de execuções nas rádios estadunidenses.

Devido à enorme popularidade conquistada nos Estados Unidos, a canção recebeu uma letra em inglês do compositor Bob Russell, escrita para Frank Sinatra em 1957. Desde então, já foi interpretada por cantores de praticamente todas as partes do mundo.

Durante a ditadura militar, Elis Regina interpretou aquela que talvez seja a versão mais sombria da canção, acompanhada por um coral que reproduzia os cantos dos povos indígenas do Brasil.

Críticas A canção, por exaltar as qualidades e a grandiosidade do país, marcou o início do movimento que ficaria conhecido como samba-exaltação. Este movimento, por ser de natureza extremamente ufanista, era visto por vários como sendo favorável à ditadura de Getúlio Vargas, o que gerou críticas a Barroso e à sua obra. No entanto, a família do compositor nega que ele algum dia tenha sido favorável à política de Vargas, destacando o fato de que ele também escreveu "Salada Mista" (gravada em outubro de 1938 por Carmen Miranda), uma canção contrária ao nazi-fascismo do qual Vargas era simpatizante. Vale notar também que antes de seu lançamento, o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) vetou o verso "terra do samba e do pandeiro", por entender que era "depreciativo" para o Brasil. Barroso teve de ir ao DIP para convencer os censores da preservação do verso.

Outra crítica feita à obra de Barroso, na época, foi que usava termos pouco usuais no cotidiano, tais como "inzoneiro", "merencória" e "trigueiro", e que abusava da redundância nos versos "meu Brasil brasileiro" e "esse coqueiro que dá coco". O autor se defendeu, dizendo que estas expressões são efeitos poéticos indissolúveis da composição. Na gravação original, Francisco Alves canta "mulato risoneiro" no lugar de "inzoneiro" por não ter compreendido a caligrafia ilegível de Barroso.

Gravações famosas 1939: Francisco Alves (primeira gravação, feita em 18/08/1939, com arranjos e acompanhamento de Radamés Gnattali e sua Orquestra) 1942: Xavier Cugat and His Waldorf-Astoria Orchestra (Columbia 36651-A) 1942: Jimmy Dorsey e sua Orquestra, vocais de Bob Eberly e Helen O'Connell (Decca, 18460-B; Nova York, 14 de julho de 1942) 1943: Carmen Miranda em Entre a Loura e a Morena 1957: Frank Sinatra em Come Fly with Me 1958: Bing Crosby em Fancy Meeting You Here 1960: Ray Conniff em Say It with Music (A Touch of Latin) 1963: Paul Anka em Our Man Around the World 1970: Antonio Carlos Jobim em Stone Flower 1970: Erasmo Carlos em Erasmo Carlos & Os Tremendões 1974: Made in Brazil em Made in Brazil 1974: Wilson Simonal - Full Album / Vinilo completo - 1974 1975: Elis Regina em A Arte de Elis Regina 1976: Chet Atkins em Guitar Monsters 1980: Simone em Ao Vivo 1980: Gal Costa em Aquarela do Brasil 1981: João Gilberto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, e Maria Bethânia em Brasil 1985: Cláudya em Luz da Vida (Ao Vivo) 1986: João Gilberto em Live at the 19th Montreux Jazz Festival 1987: Ney Matogrosso em Pescador de Pérolas 1988: Emílio Santiago em Aquarela Brasileira Vol. 1 1990: Harry Belafonte em Around the World with the Entertainers 1991: Deborah Blando em A Different Story 1994: Os Três Tenores em The Three Tenors in Concert 1994 1995: Tim Maia em Nova Era Glacial 1995: Dionne Warwick em Aquarela do Brazil 1997: Pink Martini em Sympathique 1998: Vengaboys em To Brazil 2000: Daniel Barenboim em Brazilian Raphsody 2002: Metrô em Déjà Vu 2004: Martinho da Vila em Apresenta Mané do Cavaco 2005: Arcade Fire em Rebellion (Lies) (Lado B) 2005: Daniela Mercury em Balé Mulato 2005: Plácido Domingo em Lo Essencial de 2006: Beirut em Live at The Flying Anvil

Usos na cultura popular Cinema 1940: Laranja da China 1942: Aquarela do Brasil 1942: Saludos Amigos (segmento Aquarela do Brasil) 1943: Entre a Loura e a Morena 1943: Gals, Incorporated 1943: Popular Science 1944: The Three Caballeros 1944: Brazil 1944: Jam Session 1948: Sitting Pretty 1955: La Culpa de los Hombres 1956: The Eddy Duchin Story 1965: Samba 1972: Os Inconfidentes 1976: Silent Movie 1980: Stardust Memories 1985: Brazil, o filme 1998: There's Something About Mary 1999: Being John Malkovich (trailer) 1999: Three to Tango 2000: Woman On Top 2002: Carandiru 2003: Something's Gotta Give 2004: The Aviator 2004: Millions 2006: Sicko 2007: Bee Movie (trailer) 2008: Wall-E (trailer) 2009: Embarque Imediato 2009: Austrália 2014: Mr. Peabody and Sherman 2017: Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi

Televisão Meados da década de 90: Cadeia Alborghetti 1996: O Laboratório de Dexter (episódio: "Dimwit Dexter") 2000: Aquarela do Brasil (tema de abertura) 2002: The Simpsons (episódio: "Blame It on Lisa") 2007: Vidas Opostas (tema de abertura) 2007: Eterna Magia (tema do Rio de Janeiro) 2008: Eli Stone'' (tema de abertura) 2013: Carrossel

Ligações externas "O Lado Político de Ary Barroso" (texto em inglês) por Daniella Thompson Informações sobre a carreira de Barroso no Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira

Letra da canção no site oficial de Ary Barroso Gravações de "Aquarela do Brasil" por Daniella Thompson "Aquarela do Brasil" no All Music Guide Ary Barroso no Internet Movie Database

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