Carandiru é um bairro da Zona Norte do município de São Paulo. Embora seja associado principalmente ao distrito de Santana, sua delimitação tradicional alcança parte do distrito de Vila Guilherme, abrangendo áreas administradas pelas subprefeituras de Santana/Tucuruvi e de Vila Maria/Vila Guilherme. Essa sobreposição decorre do caráter popular dos bairros paulistanos, cujos limites nem sempre coincidem com as divisões administrativas oficiais.

História O nome Carandiru já era empregado historicamente para identificar um córrego, uma estrada e o caminho que atravessava essa parte da região situada ao norte do rio Tietê. A documentação reunida por Maria Celestina Teixeira Mendes Torres descreve a antiga Estrada do Carandiru atravessando o córrego homônimo e seguindo em direção à Estrada da Conceição de Guarulhos A mesma área integrava um território mais amplo de sítios, chácaras, várzeas e caminhos relacionado à formação histórica de Santana.

Antes da consolidação do nome Carandiru, parte da localidade era conhecida como Areal, denominação relacionada à extração de areia na várzea do Tietê. Uma planta de São Paulo elaborada em 1896 mostra que o aterrado de Santana, prolongamento utilizado para atravessar a várzea e alcançar os núcleos situados além do rio, estendia-se até o Areal, identificado em estudos posteriores como parte do atual Carandiru. O bairro também foi atravessado pelo Tramway da Cantareira, cuja implantação contribuiu para ampliar a circulação entre Santana, o Carandiru e os núcleos mais afastados da Zona Norte. No início do século XX, o Carandiru já apresentava um processo de ocupação urbana relativamente avançado. Em 1913, a Diretoria Geral do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo estimava a existência de aproximadamente quatrocentas habitações no bairro. A necessidade de fornecer água e esgoto a essas construções levou o poder público a promover a oficialização do Caminho do Carandiru e a discutir o alargamento e a regularização de outras vias. A incorporação da área ao perímetro suburbano de São Paulo, estabelecida pela legislação municipal de 1914, ampliou as demandas por iluminação, saneamento, calçamento e transportes.

Em 1921, moradores do Carandiru e das localidades próximas organizaram um abaixo-assinado solicitando o prolongamento da linha de bondes de Santana. Naquele período, a denominação Carandiru abrangia um território maior do que o bairro atual e incluía áreas que posteriormente passaram a ser identificadas como Vila Guilherme, Vila Isolina Mazzei, Vila Ede e Vila Medeiros. O documento reuniu mais de 970 assinaturas e indicava que 5.672 pessoas seriam beneficiadas pelo transporte. A solicitação não foi atendida naquele momento, pois a empresa Light and Power alegou falta de materiais para a construção da linha.

A implantação de instituições penitenciárias marcou profundamente a história e a identidade do bairro. Uma planta municipal de 1914 já registrava a presença de uma penitenciária pública no Carandiru. Ao longo do século XX, o complexo foi ampliado e passou a abrigar a Casa de Detenção de São Paulo, popularmente conhecida como Carandiru. A instituição tornou o nome do bairro conhecido nacionalmente e esteve associada à superlotação carcerária, à prisão de detentos comuns e políticos e a denúncias de violações dos direitos humanos.

Em 2 de outubro de 1992, uma intervenção da Polícia Militar durante uma rebelião na Casa de Detenção resultou na morte de 111 presos, episódio conhecido como Massacre do Carandiru. miniaturadaimagem|300x300px|Parque da Juventude Dom Paulo Evaristo Arns O complexo foi desativado e teve parte de seus pavilhões demolida em 2002. O terreno foi posteriormente transformado no Parque da Juventude Dom Paulo Evaristo Arns, inaugurado em 2003 como um espaço público de atividades culturais, recreativas e esportivas. Em 2018, o parque recebeu oficialmente o nome de Dom Paulo Evaristo Arns. Com aproximadamente 240 mil metros quadrados, o parque foi organizado em áreas esportiva, central e institucional. O setor esportivo reúne quadras e equipamentos destinados à prática de atividades físicas, enquanto a área central contém caminhos e espaços ajardinados. O setor institucional abriga a Etec Parque da Juventude e a Biblioteca de São Paulo, instalada no antigo terreno da Casa de Detenção e inaugurada em fevereiro de 2010. Parte das edificações remanescentes do complexo penitenciário foi incorporada aos equipamentos educacionais e culturais, mantendo no espaço referências à memória da antiga prisão.miniaturadaimagem|300x300px|Primeiro Cingapura da cidade, Avenida Zaki Narchi.Outra transformação urbana ocorreu nas proximidades da Avenida Zaki Narchi. Após décadas de ocupação irregular e cinco incêndios em um período de nove anos, a área conhecida como Favela Zaki Narchi foi completamente removida no final de 2005. O processo foi conduzido pela Subprefeitura de Santana/Tucuruvi e pela Secretaria Municipal de Habitação, em parceria com a CDHU. Segundo a administração municipal, foram disponibilizadas 350 unidades habitacionais para o atendimento das famílias retiradas do local. Nas proximidades também se encontra o Conjunto Habitacional Zaki Narchi, implantado no contexto dos programas municipais de verticalização de assentamentos precários.

A malha urbana do Carandiru articula-se principalmente pelas avenidas Cruzeiro do Sul, General Ataliba Leonel, Otto Baumgart e Zaki Narchi, além da Rua Antônio dos Santos Neto. A Estação Carandiru da Linha 1–Azul do Metrô de São Paulo, inaugurada em 26 de setembro de 1975 na Avenida Cruzeiro do Sul, constitui o principal acesso por transporte sobre trilhos ao bairro e ao Parque da Juventude.

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