A A8 ou Autoestrada do Oeste é uma autoestrada portuguesa nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Centro, que liga Lisboa (IC17-CRIL) a Leiria (A1), passando por Caldas da Rainha (A15) e atravessando a região Oeste, tendo uma extensão total de 135,8 km.
Desenvolve-se numa orientação de sul para norte e faz parte da segunda ligação por autoestrada entre Lisboa e o Porto. No entanto, enquanto que a A1 segue um percurso pelo interior, primeiro junto ao Rio Tejo e depois a leste das Serras de Aire e dos Candeeiros, a A8 desenvolve-se pela região Oeste, atravessando diversas cidades e vilas numa zona de grande desenvolvimento e servindo como eixo estrutural e de ligação às capitais de distrito.
A A8 foi construída em várias fases; alguns troços desta autoestrada foram construídos como parte do IC1, uma via rápida com perfil de autoestrada, e foram renomeados para A8 em finais da década de 1990. O primeiro troço da Autoestrada do Oeste, entre Lisboa e Loures, foi inaugurado em 1984, então considerado como uma variante à N8. Em 1991, já com numeração separada (A8), a autoestrada foi prolongada até à Malveira e em 1996 chegou a Torres Vedras. Entretanto, em 1993, foi aberta uma variante ao Bombarral, integrada no IC1, evitando a travessia desta vilahttps://www.google.de/maps/@39.2836655,-9.1633266,3a,41.2y,287.71h,72.95t/data=!3m6!1e1!3m4!1smTcjTeQqZLp_YBEdAHKxRA!2e0!7i13312!8i6656 A8 PK 65+050 - Ponte sobre o Rio Real, indicando a data de construção.. Em 1995, inauguraram-se os troços Torres Vedras (sul)-Torres Vedras (norte), assim como Bombarral (norte)–Caldas da Rainha–Tornada, tendo estes também assumido a classificação do Itinerário Complementar em que a maior parte da A8 se insere, o IC1. Em 1997 a variante a Torres Vedras foi renomeada para A8 e com a conclusão do troço entre Torres Vedras e Bombarral, passou a ser assumida esta designação para todo o traçado construído até então. A autoestrada chegou a Leiria em 2002 e o último troço (a ligação à A1) foi aberto em 2011.
Esta autoestrada está atualmente concessionada a duas empresas: a grande maioria da A8 (132 km), entre Lisboa e Leiria (IC2/A19), está concessionada à empresa Autoestradas do Atlântico. O troço final de 6 km, entre Leiria (IC2/A19) e Leiria (A1), está concessionado à empresa Auto-estradas do Litoral Oeste. A maioria da A8 está em regime de portagens, existindo contudo dois troços não-taxados: entre Lisboa e Loures (7 km) e entre o Bombarral e as Caldas da Rainha (zona industrial) (21 km). Nos troços Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte (6 km) e Caldas da Rainha (zona industrial)–Tornada (4 km) o tráfego local não paga portagens (por tráfego local entende-se veículos que só utilizem esses troços). Nos troços concessionados à Auto-estradas do Atlântico as portagens são físicas, enquanto que no troço concessionado à Auto-estradas do Litoral Oeste as portagens são eletrónicas. Um percurso entre Lisboa e Leiria custa €8,65 para um veículo Classe 1.
Estado dos troços Troço Situação km Lisboa ( IC 17 - CRIL ) - Loures Em serviço (14 de Maio de 1984) (Concessão: Oeste) <center>7,5 Loures - Malveira ( A 21 ) Em serviço (12 de setembro de 1991) (Concessão: Oeste) <center>11,6 Malveira ( A 21 ) - Torres Vedras (sul) Em serviço (29 de abril de 1996) (Concessão: Oeste) <center>17,3 Torres Vedras (sul) - Torres Vedras (norte) Em serviço (15 de julho de 1995) como IC 1 Reclassificado (1997) para A 8 (Concessão: Oeste) <center>5,9 Torres Vedras (norte) - Bombarral (sul) Em serviço (29 de agosto de 1997) (Concessão: Oeste) <center>20,1 Bombarral (sul) - Bombarral (norte) Em serviço (1993) como IC 1 Reclassificado (c. 2000) para A 8 (Concessão: Oeste) <center>3,6 Bombarral (sul) - Tornada Em serviço (1995) como IC 1 Reclassificado (c. 2000) para A 8 (Concessão: Oeste) <center>16,3 Tornada - Marinha Grande (este) Em serviço (9 de outubro de 2001) (Concessão: Oeste) <center>42,3 Marinha Grande (este) - Leiria (sul) Em serviço (28 de março de 2002) (Concessão: Oeste) <center>4,4 Leiria (sul) - Leiria (nascente) Em serviço (16 de novembro de 2011) (Subconcessão: Litoral Oeste) <center>6,5
A concessão Oeste está atribuída à empresa Autoestradas do Atlântico. Esta concessão começou em 1998 e termina em 2028. A subconcessão Litoral Oeste está atribuída à empresa Auto-estradas do Litoral Oeste. É uma subconcessão da concessão Rede Rodoviária Nacional (atribuída à Infraestruturas de Portugal). A subconcessão Litoral Oeste começou em 2009 e termina em 2039.
Os troços Lisboa–Loures e Bombarral (sul)–Tornada foram construídos pela Junta Autónoma de Estradas e mantidos por esta agência governamental até à criação da concessão Oeste em 1998.
O troço Loures–Torres Vedras (sul) pertenceu à concessão da Brisa até 1998.
O troço Torres Vedras (sul)–Torres Vedras (norte) foi construído pela Junta Autónoma de Estradas e mantido por esta agência governamental até à sua integração na concessão da Brisa em agosto de 1997. Este troço pertenceu à concessão da Brisa até Dezembro de 1998, altura em que foi concessionado à empresa Autoestradas do Atlântico.
História A partir da década de 1960, começou a verificar-se que muitas ligações em Portugal eram servidas por estradas obsoletas. A principal estrada da região Oeste era a N8, uma estrada sinuosa que atravessava o interior de muitas localidades (notavelmente as vilas de Loures, Torres Vedras, Bombarral e Alcobaça assim como a cidade das Caldas da Rainha). Em 1972, o governo de Marcello Caetano concessionou à Brisa, por 25 anos, a manutenção e construção de uma projetada rede de autoestradas (que na sua maioria teria portagens). Na altura, foram entregues à Brisa os (curtos) troços de autoestrada que já existiam e a empresa foi encarregada de construir e depois manter vários novos troços. O objetivo era concluir (até 1981) a construção de uma rede de mais de 400 km de autoestradas, localizadas no eixo Setúbal–Lisboa–Porto–Braga. No início da década de 1970 já existia um projeto para construir uma autoestrada entre Lisboa e Malveira (e pedidos para que essa futura autoestrada fosse prolongada até Torres Vedras), mas este projeto acabou por não ser incluído na rede concessionada à Brisa.
Lisboa–Loures Uma vez que a construção de uma autoestrada no Oeste não foi incluída na concessão da Brisa, a responsabilidade por construir eventuais autoestradas ou vias rápidas nessa região continuou nas mãos da Junta Autónoma de Estradas. O planeamento do troço Lisboa–Loures daquela que viria a ser a Autoestrada do Oeste já se tinha iniciado na década de 1960. Em 1978 já estavam a decorrer as expropriações para a construção daquele lanço de auto-estrada. O seu planeamento e construção estiveram envolvidos em alguma controvérsia devido ao traçado escolhido para a auto-estrada. Com efeito, a Câmara Municipal de Loures defendia que a auto-estrada deveria passar a oeste de Santo António dos Cavaleiros, por zonas urbanas ou urbanizáveis. No entanto, o governo e a Junta Autónoma de Estradas escolheram um traçado que passava a leste de Santo António dos Cavaleiros, por zonas de elevado valor agrícola no vale do Trancão. A autoestrada Lisboa–Loures (ou mais precisamente Olival Basto–Loures), então conhecida por "Via Rápida de Loures", foi inaugurada em 14 de Maio de 1984, numa cerimónia onde esteve presente o Ministro do Equipamento Social João Rosado Correia. Este troço de autoestrada com 7,5 km de comprimento tinha 2 vias por sentido e não tinha portagens, sendo então considerado como uma variante à N8. A obra representou um investimento de mais de PTE 1500 milhões (o equivalente a €53 milhões em 2024). Uma auto-estrada a oeste de Santo António dos Cavaleiros (e de Loures) acabou eventualmente por ser construída uma década depois, com a abertura da IC22 em 1995.
Em 1985 foi publicado o novo Plano Rodoviário Nacional, que substituiu o de 1945. Na região Oeste, este plano previa a construção da estrada rápida IC1 entre Lisboa, Torres Vedras, Caldas da Rainha e Leiria e que a N8 fosse desclassificada para estrada municipal. A autoestrada Lisboa–Loures foi naturalmente integrada no IC1. O Plano Rodoviário Nacional de 1985 não clarificava quais os troços do IC1 que teriam perfil de autoestrada, mas no mínimo seria uma via rápida com uma faixa de rodagem.
Loures–Malveira–Torres Vedras Sul 270px|thumb|right|A A8 perto da Malveira, antes das obras de alargamento.
A Junta Autónoma de Estradas foi encarregada de prolongar a autoestrada Lisboa–Loures até à Malveira. Ao contrário do troço Lisboa–Loures, o troço Loures–Malveira foi construído com o formato de autoestrada com portagens. Em 1991, o governo de Cavaco Silva reviu o contrato de concessão da Brisa: de acordo com o novo contrato, a exploração e manutenção do lanço Loures–Malveira seria transferida para a Brisa quando esse troço fosse aberto (o troço Lisboa–Loures não seria transferido). Na altura, as autoestradas já tinham uma numeração separada do resto das estradas (composta pela letra "A" seguida de um número, uma nomenclatura criada em 1985) e a autoestrada Lisboa–Malveira era identificada como A8. Uma vez que foi a Junta Autónoma de Estradas quem construiu o troço Loures–Malveira da A8, a Brisa teve que pagar os custos de construção à Junta para que a transferência pudesse ocorrer; os custos de construção foram de 4 800 milhões de escudos (ou 4,8 milhões de contos). O lanço Loures–Malveira da A8 foi aberto em 12 de Setembro de 1991, pelo que esta autoestrada ficou com um comprimento de 19 km. Na altura, as portagens entre Loures e a Malveira (e logo, entre Lisboa e Malveira) custavam PTE 100 em classe 1.
Em Maio de 1993, foi adicionado à concessão da Brisa a construção (e manutenção) do lanço Malveira–Torres Vedras da A8. Estava previsto que este lanço (que também teria portagens) estivesse concluído no 2.º semestre de 1995. O projeto deste lanço de 17 km já tinha sido feito pela Junta Autónoma de Estradas e previa a construção de um nó intermédio em Pero Negro, com a N9-2. Inicialmente, a Brisa não pretendia construir esse nó, justificando que teria pouco tráfego. Contudo, a concessionária acabou por o construir; a Junta Autónoma de Estradas fez pressão para que o nó de Pero Negro fosse construído, pois melhorava as acessibilidades daquela zona e já estava incluído nos planos diretores dos municípios que seriam servidos pelo nó. O lanço Malveira–Torres Vedras da A8 foi aberto ao tráfego em 29 de abril de 1996. Na altura, um condutor pagava PTE 200 (em classe 1) para percorrer esse lanço (e PTE 300 para percorrer toda a autoestrada entre Lisboa e Torres Vedras). Estes valores geraram controvérsia na região, tendo sido argumentado que as taxas de portagem foram agravadas em relação ao que estava inicialmente previsto.
Em setembro de 1995, foi aberta ao tráfego a A9 — CREL, que interseta a A8 em Loures.
IC1 Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte e Bombarral–Caldas da Rainha–Tornada Enquanto a Brisa ia completando a A8 entre Lisboa e Torres Vedras, a Junta Autónoma de Estradas estava a construir o IC1, uma via rápida com perfil de autoestrada (e sem portagens), a norte de Torres Vedras. Em 1993 foi aberto ao tráfego o troço Bombarral Sul–Bombarral Norte (variante do Bombarral) e em 1995 abriram os lanços Bombarral Norte–Caldas da Rainha–Tornada e o Torres Vedras Sul–Torres Vedras Norte (variante de Torres Vedras). O nó de Torres Vedras Norte foi construído de modo a, no futuro, permitir a ligação com o IC11. Em meados da década de 1990 estava previsto que a região Oeste fosse servida pela autoestrada A8 entre Lisboa e Torres Vedras e pela via rápida com perfil de autoestrada IC1 entre Torres Vedras e Caldas da Rainha. Não estava claro se entre Caldas da Rainha e Leiria a via rápida IC1 também teria perfil de autoestrada. Na altura, estava em construção o troço Torres Vedras Norte–Bombarral Sul do IC1, que incluía dois nós intermédios.
Lançamento da concessão Oeste e guerra das portagens no Oeste