Escatologia (do grego antigo εσχατος, fim, coisas ultimas, mais o sufixo λογος "estudo") é um termo que define o estudo dos últimos eventos na história do mundo ou do destino final do gênero humano, comumente denominado como fim do mundo. As Testemunhas de Jeová possuem uma interpretação singular do que entendem como fim, não da Terra e de todos os seus habitantes (Eclesiastes 1:4), mas sim de um "sistema de coisas", ou seja, uma determinada ordem mundial (a atual) que deverá ser substituída por uma outra sociedade terrestre, organizada numa teocracia literal através de um governo de origem divina. - Daniel 2:44
Mensagem de vigilância As Testemunhas de Jeová são conhecidas, e muitas vezes criticadas, pela sua insistência numa mensagem de aviso da proximidade do fim do atual sistema de coisas e da iminente vinda de Jesus Cristo como Rei, estendendo a influência do Reino de Deus a toda a Terra. (Mateus 4:17) Transmitem o anúncio da proximidade desse O Dia de Jeová ou O Dia do Armagedom. - Apocalipse 16:16
Os principais instrumentos de divulgação da sua mensagem apresentam essa urgência implícita nos títulos, como por exemplo: A Sentinela - Anunciando o Reino de Jeová Esta revista serve, portanto, como ponto de observação dos acontecimentos mundiais, visando avisar ou alertar sobre a proximidade da chegada do Reino de Deus. Despertai! Este título é um apelo à vigilância com os mesmos objetivos acima expostos. Estas revistas são publicadas pela Sociedade Torre de Vigia que, também como o nome indica, pretende ser uma editora que publica a Bíblia e publicações baseadas nela com o objetivo de manter despertos e atentos os seus leitores. - Isaías 21:8
Ao longo dos anos, as Testemunhas de Jeová sempre mostraram um enorme interesse na cronologia bíblica, tentando interpretá-la como forma de se aperceberem da época em que o Armagedom ocorreria. (Lucas 19:11) Devido a esse anseio, chegaram mesmo a suspeitar de certos épocas para a sua ocorrência. (Daniel 12:8) Quando tais passaram, alguns nas suas fileiras ficaram decepcionados, porém a maioria permaneceram na expectativa. -Mateus 24:44.
Datas para o Armagedom Alguns críticos referem que as Testemunhas têm mencionado com antecedência diversas datas como hipóteses da ocorrência do fim do sistema de coisas. Mencionam que tais anos criaram expectativas que acabaram por resultar em desapontamento o que os leva a afirmar que as Testemunhas de Jeová têm profetizado falsamente. Os anos mais marcantes, mencionados direta ou indiretamente nas publicações das Testemunhas, ou insinuados pelos críticos como estando implícitos no texto, como prováveis datas para a vinda do Armagedom são os seguintes:
1914 Em 1876, Charles T. Russell escreveu o primeiro de muitos artigos em que apontava para 1914 como o ano do fim dos tempos dos gentios mencionados por Jesus Cristo. (Lucas 21:24 Almeida, versão Corrigida e Fiel). No seu número de 15 de outubro de 1913, A Sentinela (em inglês) declarou: "Segundo o melhor cálculo cronológico de que somos capazes, é aproximadamente nessa época — em outubro de 1914, ou então mais tarde. Sem dogmatizar, estamos aguardando certos eventos: (1) O fim dos Tempos dos Gentios — a supremacia gentia no mundo — e (2) o início do Reino do Messias no mundo." Com a aproximação de 1914, cresciam as expectativas. No The Bible Students Monthly (Volume VI, nº 1, publicado no início de 1914), Russell escreveu: "Se temos a correta data e cronologia, os Tempos dos Gentios findarão este ano — 1914. O que significa isso? Não sabemos com certeza. A nossa expectativa é de que o domínio ativo do Messias começará por volta do fim da concessão de poder aos gentios. A nossa expectativa, certa ou errada, é que ocorrerão maravilhosas manifestações dos julgamentos divinos contra toda a injustiça, e que isto significará o colapso de muitas instituições atuais, se não de todas." Mas como se sentiram quando isso não ocorreu em 1914? A revista A Sentinela (em inglês) de 15 de abril de 1916, declarou: "Cremos que as datas revelaram ser bem corretas. Cremos que os Tempos dos Gentios findaram." Contudo, acrescentou: "O Senhor não disse que a Igreja toda seria glorificada em 1914. Nós meramente inferimos isso e, evidentemente, erramos."
Alguns críticos afirmam que as Testemunhas de Jeová anunciaram o fim do mundo para 1914. Mas embora as próprias Testemunhas de Jeová reconheçam que nem todas suas expectativas se realizaram naquele ano, elas esclarecem que segundo seu estudo da cronologia bíblica, este ano sinalizou e marcou o "fim dos tempos dos gentios" ou o "fim dos tempos designados das nações" (governos humanos) e que o fim desse período em 1914, marcou o novo tempo designado para Deus empossar seu rei escolhido, quando o próprio Jesus Cristo entronizado, avançaria na conquista do domínio de toda a Terra.Documentário Testemunhas de Jeová - Fé em Ação, parte 1: Da Escuridão para Luz - em DVD -2010
1925 O discurso Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, proferido por J. F. Rutherford em 21 de março de 1920 no Hippodrome, na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos da América, dirigiu atenção ao ano de 1925. Num folheto publicado naquele mesmo ano, foi dito que, se 70 plenos jubileus fossem calculados a partir da data em que Israel, segundo se entendia, entrou na Terra Prometida, isso poderia apontar para o ano de 1925. À base do que se escreveu ali, muitos esperavam que os que possuíam esperança celestial recebessem a sua recompensa no Céu em 1925. Esse ano também foi relacionado com a expectativa de ressurreição de fiéis servos de Deus pré-cristãos, para que servissem na Terra como príncipes representantes do Reino celestial. Se isso realmente ocorresse, isso significaria que a humanidade entraria numa era em que a morte deixaria de dominar e milhões que então viviam podiam ter a esperança de nunca desaparecer da Terra. Embora equivocada, os Estudantes da Bíblia, como eram então conhecidas as Testemunhas de Jeová, partilharam ansiosamente essa esperança com outros. Os cálculos de tempo e as expectativas criadas causaram sérios desapontamentos. Depois de 1925, a assistência às reuniões caiu drasticamente em algumas congregações, especialmente em alguns países Europeus.
1975 As Testemunhas já por muito tempo partilhavam a crença de que o Reinado Milenar de Cristo viria depois de 6.000 anos de história humana. O livro Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus, lançado (em inglês) numa série de Congressos de Distrito em 1966, apontava para 1975 como a época em que se perfazia seis milênios desde a criação de Adão.. Ainda no local, quando os congressistas examinaram o conteúdo, o novo livro suscitou muitos comentários sobre 1975.
No congresso realizado em Baltimore, Maryland, Estados Unidos da América, o discurso concludente foi proferido por F. W. Franz. Ele começou por dizer: "Pouco antes de subir à tribuna, um jovem aproximou-se de mim e disse: 'Diga-me, que significa esse 1975?'" Franz mencionou muitas perguntas feitas sobre se a matéria no novo livro quereria dizer que em 1975 o Armagedom ocorreria. Ele acrescentou, em síntese: "Pode ser. Mas não estamos dizendo isso. Todas as coisas são possíveis a Deus. Mas não estamos dizendo isso. E que ninguém seja específico ao falar sobre o que irá acontecer a partir de agora até 1975. Mas, prezados irmãos, a grande questão é: o tempo é curto. O tempo está-se esgotando, não resta dúvida sobre isso."
Nos anos que se seguiram a 1966, muitas Testemunhas de Jeová começaram a criar vivas expectativas que, evidentemente, não se cumpriram. O livro Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus, publicado pela Sociedade Torre de Vigia, em 1993, na página 633, após mencionar as expectativas referentes a 1925 informa: "De novo, em 1975, houve desapontamento quando as expectativas sobre o início do Milênio não se concretizaram. Em resultado, alguns se afastaram da organização. Outros, porque tentaram subverter a fé de associados, foram desassociados. Sem dúvida, o desapontamento com relação à data era um fator, mas, em alguns casos, as raízes eram mais profundas." Referente ao que se falou sobre 1975, o livro admitiu, na página 104: "Outras declarações foram publicadas sobre esse assunto, e algumas foram provavelmente mais taxativas do que seria aconselhável." Isso foi também reconhecido no exemplar de A Sentinela de 15 de setembro de 1980, na página 17: "Se permanecermos fiéis, Deus não nos deixará cometer erros ruinosos. Mas, às vezes, ele permite que erremos, para que entendamos a necessidade de sempre recorrer a ele e à sua Palavra. Isto fortalece nossa relação com ele e nossa perseverança enquanto esperamos. Aprendemos de nossos enganos que é necessário termos mais cuidado no futuro. Os cristãos, no decorrer dos séculos, sempre tiveram o forte desejo de que o novo sistema de coisas tomasse totalmente conta da terra. E por causa de sua própria vida curta, sem dúvida, ansiavam que isso viesse durante o seu período de vida. Os que têm procurado manter "bem em mente" o tempo de julgamento por Deus, em mais de uma ocasião, na história, têm ficado excessivamente ansiosos de que aquele dia chegasse, procurando acelerar, na sua própria mente, a chegada dos acontecimentos desejados. (2 Pedro 3:12) (...) Nos tempos modernos, tal avidez, embora elogiável em si mesma, tem levado a tentativas de fixar datas para a desejada libertação do sofrimento e das dificuldades, que são o quinhão das pessoas em toda a terra. Quando foi publicado o livro Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus e seus comentários sobre quão apropriado seria se o reinado milenar de Cristo fosse paralelo ao sétimo milênio da existência do homem, criou-se muita expectativa sobre o ano de 1975. Fizeram-se naquele tempo, e depois, declarações que enfatizavam que se tratava apenas de uma possibilidade. Infelizmente, porém, ao lado de tal informação acauteladora, publicaram-se outras declarações que davam a entender que tal cumprimento da esperança até aquele ano era mais uma probabilidade do que mera possibilidade. Lamenta-se que estas últimas declarações, pelo visto, tenham ofuscado as acauteladoras e tenham contribuído para o aumento duma expectativa já criada. A Sentinela, no seu número de 15 de janeiro de 1977, comentou que não era aconselhável fixarmos a vista em determinada data, dizendo: "Caso alguém tenha ficado desapontado, por não seguir este raciocínio, deve agora concentrar-se em reajustar seu ponto de vista, por não ter sido a palavra de Deus que falhou ou o enganou e lhe causou desapontamento, mas, sim, seu próprio entendimento baseado em premissas erradas." Ao dizer "alguém", A Sentinela incluiu todos os desapontados entre as Testemunhas de Jeová, portanto, inclusive os que tinham que ver com a publicação da informação que contribuiu para criar as esperanças que giravam em torno daquela data."
Como respondem à acusação de serem falsos profetas Os seus críticos apontam as expectativas falhadas como prova da sua falsidade como profetas, baseando-se nas palavras de Deuteronômio 18:20-22, que informa:
"No entanto, o profeta que presumir de falar em meu nome alguma palavra que não lhe mandei falar ou que falar em nome de outros deuses, tal profeta terá de morrer. E caso digas no teu coração: 'Como saberemos qual a palavra que Jeová não falou?' quando o profeta falar em nome de Jeová e a palavra não suceder nem se cumprir, esta é a palavra que Jeová não falou. O profeta proferiu-a presunçosamente. Não deves ficar amedrontado por causa dele." (NM)
Não afirmam ser inspiradas Às acusações de profecias falsas, as Testemunhas de Jeová respondem por referir que nunca afirmaram ser inspirados por Deus como acontecia com os profetas dos tempos bíblicos, com os Apóstolos e muito menos com Jesus Cristo, o Messias, a quem o contexto das palavras de Deuteronômio citadas acima evidentemente se referia. A Sentinela, expressou várias vezes esse conceito. Por exemplo, afirmou em janeiro de 1883, página 425: