Alfredo Ceschiatti (Belo Horizonte, — Rio de Janeiro, ) foi um escultor, desenhista e professor brasileiro.

Biografia thumb|right|250px|Sem Título (1978), escultura exposta na Estação Sé alt=A Justiça, escultura de Alfredo Ceschiatti.|miniaturadaimagem|A Justiça, escultura de Alfredo Ceschiatti. Filho de pais italianos e neto de gregos, foi à Itália em 1937, beneficiado pelo governo italiano em promover viagens de filhos de imigrantes ao país. De volta ao Brasil, fixou-se na cidade do Rio de Janeiro onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes. Foi premiado no Salão Nacional de Belas Artes, em 1945, pelo baixo-relevo do batistério da Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte. Conheceu Oscar Niemeyer, que lhe encomendou uma escultura para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte. Ceschiatti criou O Abraço, obra de duas mulheres abraçadas. Considerada imoral pelos mineiros, ficou guardada muitos anos até ser finalmente exposta em um jardim da Pampulha. A escultura Duas Amigas foi feita para o Salão Nobre (jardim superior) do Palácio Itamaraty com orientações do embaixador Wladimir Murtinho, que atuava como curador-chefe no projeto de ambientação do Palácio. O gosto do artista pela figura feminina está presente em várias de suas obras.

Em 1960 esculpiu, em granito, As Três Forças Armadas, um dos temas no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro. Possui obras em diversos museus brasileiros.

Em nova parceria com Niemeyer, tornou-se o principal escultor da nova capital do país em Brasília, entre elas:

As Iaras, em bronze, no espelho d'água do Palácio da Alvorada; Leda e o Cisne, em bronze, no pátio interno do Palácio do Jaburu; A Justiça, em granito, em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal; Os Anjos e Os Evangelistas, na Catedral Metropolitana de Brasília; As gêmeas, em bronze, na cobertura do Palácio Itamaraty; Anjo, em bronze dourado na Câmara dos Deputados do Brasil; A Contorcionista, no foyer da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro; Deusa Athena, no saguão da Biblioteca Central da Universidade de Brasília; Nossa Senhora da Piedade sustentando o Cristo morto, na área fronteira à Basílica da Padroeira de Minas Gerais, em Caeté. Na nova Capital Federal, fez parte da Comissão Nacional de Belas Artes e foi professor de escultura e desenho na Universidade de Brasília. Demitiu-se depois, em solidariedade aos colegas perseguidos por motivos políticos. Queixou-se, décadas depois, da forma pela qual Brasília tratava suas obras.

Obras Vandalizadas dia 8 de janeiro Durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, a obra A Justiça, de Alfredo Ceschiatti foi vandalizada. No corpo da estátua, foram pichados os dizeres "Perdeu, mané", em referência a uma fala do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso.

Características da obra A obra de Alfredo Ceschiatti destaca-se pela integração entre escultura, arquitetura e espaço urbano, sendo considerada uma das principais expressões da escultura modernista brasileira do século XX.ZANINI, Walter. História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1983.

Sua produção artística caracterizou-se pelo predomínio da figura humana, especialmente representações femininas marcadas por formas curvas, superfícies suavizadas e forte senso de monumentalidade.AMARAL, Aracy. Arte para quê?: a preocupação social na arte brasileira (1930–1970). São Paulo: Nobel, 1984.

Críticos de arte apontam que suas esculturas apresentam síntese entre referências clássicas e princípios formais do modernismo brasileiro, combinando simplificação anatômica, equilíbrio volumétrico e valorização das linhas orgânicas.MORAIS, Frederico. Artes plásticas na América Latina: do transe ao transitório. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

O corpo feminino tornou-se um dos temas centrais de sua produção escultórica, frequentemente representado de maneira idealizada e associado à sensualidade, à serenidade e à harmonia formal.PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos. São Paulo: EDUSP, 1998.

Sua obra também ficou marcada pelo diálogo constante com a arquitetura de Oscar Niemeyer, especialmente nos projetos realizados em Belo Horizonte e Brasília.NIEMEYER, Oscar. Minha arquitetura. Rio de Janeiro: Revan, 2000.

Nas obras desenvolvidas para os edifícios modernistas de Brasília, Ceschiatti produziu esculturas concebidas para interação direta com espelhos d’água, áreas abertas e estruturas arquitetônicas monumentais, contribuindo para a construção da identidade visual da nova capital brasileira.BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2010.

Entre os materiais mais utilizados pelo escultor destacam-se o bronze, o granito e o mármore, empregados tanto em esculturas monumentais quanto em obras de menores dimensões.FUNDAÇÃO BIENAL DE SÃO PAULO. Arte no Brasil contemporâneo. São Paulo: Fundação Bienal, 1981.

Além das esculturas públicas monumentais, Alfredo Ceschiatti também produziu relevos, desenhos e obras de temática religiosa, muitas delas associadas à arquitetura modernista brasileira.CONDURU, Roberto. Arte afro-brasileira. Belo Horizonte: C/Arte, 2007.

Pesquisadores da arte brasileira destacam que sua produção contribuiu para consolidar a integração entre artes plásticas e arquitetura moderna no Brasil, particularmente nos conjuntos arquitetônicos idealizados por Oscar Niemeyer.XAVIER, Alberto. Arquitetura moderna brasileira. São Paulo: Pini, 1987.

A organicidade das formas, o equilíbrio compositivo e a valorização da relação entre escultura e espaço urbano são apontados como algumas das principais características de sua trajetória artística.CAVALCANTI, Lauro. Brasília: da utopia à capital. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

Legado e recepção crítica Alfredo Ceschiatti é considerado um dos principais escultores brasileiros do século XX e um dos nomes centrais da integração entre artes plásticas e arquitetura modernista no Brasil.ZANINI, Walter. História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1983.

Sua produção artística exerceu papel fundamental na consolidação da escultura pública monumental brasileira durante as décadas de 1940 a 1980, especialmente por meio das obras realizadas em parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer.BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2010.

Críticos de arte destacam que suas esculturas contribuíram para definir parte da identidade visual da arquitetura modernista brasileira, sobretudo nos conjuntos arquitetônicos de Belo Horizonte e Brasília.CAVALCANTI, Lauro. Brasília: da utopia à capital. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

A colaboração entre Ceschiatti e Niemeyer tornou-se uma das mais conhecidas relações entre escultura e arquitetura na arte brasileira do século XX, caracterizada pela integração entre formas escultóricas orgânicas e espaços arquitetônicos monumentais.NIEMEYER, Oscar. Minha arquitetura. Rio de Janeiro: Revan, 2000.

Em Brasília, suas obras passaram a integrar alguns dos principais edifícios públicos da capital federal, incluindo o Palácio da Alvorada, o Palácio Itamaraty, o Supremo Tribunal Federal e a Catedral Metropolitana de Brasília.

Pesquisadores da história da arte brasileira apontam que suas esculturas ajudaram a consolidar a presença da arte pública monumental nos espaços urbanos modernos do país.MORAIS, Frederico. Artes plásticas na América Latina: do transe ao transitório. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

A representação recorrente da figura feminina em sua obra tornou-se uma de suas características mais reconhecidas, frequentemente associada à sensualidade, ao equilíbrio formal e à monumentalidade presentes na estética modernista brasileira.PEDROSA, Mário. Acadêmicos e modernos. São Paulo: EDUSP, 1998.

Além do reconhecimento artístico, suas esculturas passaram a integrar importantes debates sobre preservação do patrimônio modernista brasileiro, especialmente em Brasília, onde diversas obras foram incorporadas ao conjunto urbano tombado pela UNESCO.

Críticos também destacam a capacidade de Ceschiatti de conciliar referências clássicas da escultura figurativa com os princípios formais da arquitetura moderna, criando obras marcadas pela simplificação anatômica, organicidade e integração espacial.AMARAL, Aracy. Arte para quê?: a preocupação social na arte brasileira (1930–1970). São Paulo: Nobel, 1984.

Sua atuação como professor na Universidade de Brasília contribuiu para a formação de artistas e para a consolidação do ensino de artes plásticas na nova capital federal.

Após sua morte, em 1989, exposições, estudos acadêmicos e iniciativas de preservação patrimonial passaram a destacar sua relevância para a história da arte moderna brasileira.FUNARTE. Dicionário das artes visuais no Brasil. Rio de Janeiro: FUNARTE, 2015.

O vandalismo da escultura A Justiça durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 reacendeu debates públicos sobre a preservação das obras de arte modernistas instaladas nos edifícios públicos de Brasília e sobre o valor simbólico do patrimônio artístico nacional.

Relação com Brasília Alfredo Ceschiatti desempenhou papel central na composição artística e simbólica de Brasília, sendo considerado um dos principais escultores associados ao projeto modernista da capital federal brasileira.CAVALCANTI, Lauro. Brasília: da utopia à capital. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

Sua atuação em Brasília esteve diretamente ligada à parceria desenvolvida com o arquiteto Oscar Niemeyer, responsável pelos principais edifícios públicos da nova capital inaugurada em 1960.NIEMEYER, Oscar. Minha arquitetura. Rio de Janeiro: Revan, 2000.

As esculturas de Ceschiatti foram concebidas como elementos integrados à arquitetura modernista, ocupando espelhos d’água, praças, áreas abertas e espaços internos dos edifícios monumentais de Brasília.BRUAND, Yves. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2010.

Pesquisadores da arquitetura brasileira destacam que suas obras contribuíram para reforçar a monumentalidade e a organicidade características do plano artístico da capital federal.XAVIER, Alberto. Arquitetura moderna brasileira. São Paulo: Pini, 1987.

Entre suas principais esculturas em Brasília encontram-se As Iaras, localizada no espelho d’água do Palácio da Alvorada; A Justiça, instalada em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal; As Gêmeas, no Palácio Itamaraty; e os anjos suspensos da Catedral Metropolitana de Brasília.

A escultura A Justiça, executada em granito, tornou-se uma das obras mais conhecidas da arte pública brasileira e um dos principais símbolos visuais do Supremo Tribunal Federal.

Na Catedral Metropolitana de Brasília, os anjos esculpidos por Ceschiatti passaram a integrar um dos conjuntos artísticos mais reconhecidos da arquitetura religiosa modernista brasileira.CONDURU, Roberto. Arte afro-brasileira. Belo Horizonte: C/Arte, 2007.

A integração entre escultura e arquitetura foi um dos aspectos mais valorizados por críticos e historiadores da arte em sua produção para Brasília. Suas obras foram concebidas não apenas como objetos decorativos, mas como componentes estruturais da experiência visual e espacial dos edifícios modernistas.MORAIS, Frederico. Artes plásticas na América Latina: do transe ao transitório. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

Além da produção escultórica, Ceschiatti atuou como professor da Universidade de Brasília e participou da formação do ambiente artístico e intelectual da nova capital durante as décadas de 1960 e 1970.

Pesquisadores apontam que a presença de esculturas de Alfredo Ceschiatti em edifícios públicos de Brasília contribuiu para consolidar a cidade como um dos principais conjuntos de arte pública modernista da América Latina.ZANINI, Walter. História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1983.