A Revolução Bolivariana é um processo político na Venezuela que foi liderado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, fundador do Movimento da Quinta República e mais tarde do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). A Revolução Bolivariana tem o nome de Simón Bolívar, um líder revolucionário venezuelano e latino-americano do início do século XIX, proeminente nas guerras de independência hispano-americanas ao alcançar a independência da maior parte do norte da América do Sul do domínio espanhol. De acordo com Chávez e outros apoiadores, a Revolução Bolivariana busca construir uma coalizão interamericana para implementar o bolivarianismo, o nacionalismo e uma economia estatal; modelo político-econômico batizado como “socialismo do século XXI”.

Detratores chamaram o movimento de Chavismo, e seus apoiadores de Chavistas, com os opositores sendo anti-Chavistas. A ideologia, seguindo seu patrono Bolívar, também visa unir os povos sul-americanos de língua espanhola para formar uma grande confederação pan-americana. O conceito de bolivarianismo foi exportada para a Bolívia, com o anúncio do então presidente Evo Morales declarando organizar "sua revolução bolivariana". O presidente equatoriano Rafael Correa também declarou publicamente ser bolivariano "como Chávez".

Segundo Chávez, a Venezuela precisa "transcender o capitalismo" através do socialismo. Uma de suas primeiras medidas foi aprovar, mediante referendo, a Constituição de 1999. Em seu 57º aniversário, ao anunciar que estava em tratamento de câncer, Chávez declarou que havia mudado o slogan da Revolução Bolivariana de "Pátria, socialismo ou morte" para "Pátria e socialismo. Nós viveremos e sairemos vitoriosos".

Após a morte de Chávez em 2013, a revolução entrou em declínio social e a situação política e econômica na Venezuela se deteriorou rapidamente.

Bolívar como símbolo miniaturadaimagem|Collage de varias obras figurando Simón Bolívar, obra de Tito Salas Simón Bolívar deixou uma marca duradoura na história da Venezuela em particular e na América do Sul em geral, celebrado como "El Libertador". O início do culto a Bolívar se deu com o traslado dos restos mortais de Bolívar, então em Santa Marta, para a capital Caracas contando com um enterro com grande pompa. Essa cerimônia foi resultado da campanha do general José Antonio Páez, que conseguiu a aprovação por decreto da glorificação de Bolívar em 1842.

Como cadete militar, Hugo Chávez foi "um celebrante da história da paixão bolivariana". Chávez confiou nas ideias de Bolívar e em Bolívar como um símbolo popular mais tarde em sua carreira militar, ao montar seu movimento MBR-200 que se tornaria um veículo para sua tentativa de golpe de 1992.

Histórico A América do Sul no final da década de 1980 e início da década de 1990 estava se recuperando da crise da dívida latino-americana em meados da década de 1980 e muitos governos adotaram políticas de austeridade e privatização para financiar empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Após o fim da Guerra Fria e a queda das ditaduras militares no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, movimentos sociais incluindo as correntes trabalhistas e indígenas, que se opuseram à austeridade e pediram o perdão da dívida, às vezes resultando em confrontos com o Estado; como ocorreu no Caracazo e no golpe de estado equatoriano de 2000. Foi neste contexto que Chávez e o MBR-200 (como o Movimento da Quinta República) venceram as eleições de 1998 e iniciaram o processo constituinte que resultou na Constituição venezuelana de 1999.

Ideologia miniaturadaimagem|Hugo Chávez durante um comício em 2012. Segundo o historiador Alberto Garrido, autor de 12 livros sobre o assunto, a Revolução Bolivariana mistura elementos históricos e políticos de diferentes épocas, tentando conciliar uma democracia participativa com um partido civil-militar de esquerda. Ele afirma também, que as grandes inspirações da ideologia de Hugo Chávez são o bolivariano Douglas Bravo, o peronista de esquerda Norberto Ceresole e o cubano Fidel Castro. Hugo Chávez reverenciava Fidel Castro e via a revolução cubana como um modelo para a Venezuela. O sistema bolivariano é populista e divide a sociedade em campos opostos e irreconciliáveis. Isto cria uma barreira dicotômica entre os desfavorecidos e o poder irresponsivo, o qual é responsável pelo status de "ser deficiente" dos desfavorecidos. No bolivarianismo, os latino-americanos enfrentam o "imperialismo" dos Estados Unidos. Conforme explicado por Ernesto Laclau, o populismo é assim definido:O populismo envolve a divisão da cena social em dois campos. Essa divisão pressupõe a presença de alguns significantes privilegiados que condensam em si mesmos a significação de todo um campo antagônico (o 'regime', a 'oligarquia', os 'grupos dominantes' etc., para o inimigo; a 'nação', a 'maioria silenciosa', e assim por diante, para o oprimido desvalido - esses significantes adquirem esse papel articulador de acordo, obviamente, com uma história contextual). O agora falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez, desde que começou na presidência da república, se autodenominou bolivariano e seguidor das ideias de Simón Bolívar. Entre suas ações inspiradas na dita ideologia estão a mudança da Constituição da Venezuela de 1961 na chamada Constituição Bolivariana de 1999, que mudou o nome do Estado para República Bolivariana da Venezuela, e outros atos como a criação e promoção de escolas e universidades com o adjetivo bolivariana, como o são as Escolas Bolivarianas e a Universidade Bolivariana da Venezuela. As forças armadas também foram renomeadas, tornando-as a Força Armada Bolivariana da Venezuela. Seu elemento principal, o exército, passou de Exército Nacional da Venezuela para Exército Nacional da República Bolivariana da Venezuela; sendo conhecido simplesmente como Exército Bolivariano (EB).

Chavismo Chavismo é o nome dado à ideologia de esquerda política baseadas nas ideias, programas e estilo de governo associados com o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

O Chavismo, comumente considerado uma vertente populista do secular caudilhismo latino-americano, é composto por três fontes básicas: as ideias de Simón Bolívar, Ezequiel Zamora e Simón Rodríguez, e também um socialismo revisado que é definido como o "socialismo do século XXI". Da mesma forma, o chavismo toma ideias de: Ernesto "Che" Guevara, Fidel Castro, Augusto César Sandino, Camilo Cienfuegos, entre outros. Vários partidos políticos da Venezuela apoiam o chavismo. Mas o partido principal, diretamente relacionado com Chávez, é o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV). Outros partidos e movimentos de apoio ao chavismo incluem Pátria para Todos e Tupamaros.

Políticas

Domésticas As políticas do Chavismo incluem nacionalização, programas de bem-estar social (missões bolivarianas) e oposição ao neoliberalismo (particularmente as políticas do FMI e do Banco Mundial). Segundo Hugo Chávez, o socialismo venezuelano aceita a propriedade privada, mas esse socialismo também busca promover a propriedade social. O Chavismo também apoia a democracia participativa e a democracia no local de trabalho. O presidente Hugo Chávez manteve-se em contato quase direto com seu eleitorado através do programa semanal "Aló Presidente". Essa forma de contato, com telefonemas e auditório ao vivo, tornava Chávez um televangelista "espalhando o evangelho" da revolução bolivariana. Em janeiro de 2007, Chávez propôs construir o estado comunal, cuja ideia principal é construir instituições de autogoverno como conselhos comunais, comunas e cidades comunais.

Os principais componentes da revolução são as missões bolivarianas, os círculos bolivarianos e a busca pela integração latino-americana e o "anti-imperialismo" dirigido contra os Estados Unidos. As tais missões bolivarianas fizeram uso da redistribuição da vasta riqueza petrolífera venezuelana para estabelecer programas de bem-estar social que estabeleceram clínicas médicas e escolas, operavam uma cadeia de mercearias baratas e dividiam fazendas e ranchos nacionalizadas entre cooperativas dos mais pobres. Daniel Hellinger, professor de ciência política na Universidade de Webster, em St. Louis, apontou que os programas de bem-estar social reduziram a taxa de pobreza na Venezuela a partir de cerca de 80% na década de 1990 para cerca de 20%, e erradicou o analfabetismo. Esses avanços vieram ao custo de pesado endividamento e cada vez maior dependência das receitas petrolíferas.

A parcela mais pobre da Venezuela, viu durante o governo Chávez suas condições de vida melhorarem drasticamente segundo apontam indicadores, no período de 1999, ano em que Chávez assumiu a presidência do país, até 2009, ano da divulgação dos dados, 20,1% dos venezuelanos vivam sob extrema pobreza, número que caiu para 9,5% em 2007. A Venezuela possuía em 1999 50,5% de sua população na pobreza, o que equivalia a mais de 11 milhões de pessoas, número que caiu para 31,5%, segundo a pesquisa, de 24,6 milhões de pessoas no total, 18,8% saíram da linha pobreza. Uma pesquisa da Datanálisis indicou que as classes E e D venezuelanas aumentaram seu consumo em 22% nos últimos 8 anos, devido ao aumento salarial que, em 1999, era equivalente a 47 dólares e subiu para 371 dólares em 2007. De acordo ainda com o Ministério da saúde, a mortalidade infantil na Venezuela era de 21,4 para cada 100 mil habitantes em 1998 e caiu para 13,7 para cada 100 mil. miniaturadaimagem|Casa colonial típica do centro de Maracaibo, pintada com propaganda bolivariana e mulher em roupas apoiando Hugo Chávez. Chávez nacionalizou dezenas de empresas de energia, bancos e telecomunicações, além de mais de 1 milhão de acres de terras agrícolas. Isso causou um declínio acentuado no investimento e na produtividade venezuelanos e tornou o país cada vez mais dependente das vendas de petróleo. O dinheiro que deveria ter sido aplicado de forma produtiva na indústria e agricultura foi completamente comprometido nesses programas; o que afetou a competitividade da economia venezuelana. Por conta disso, apesar das grandes somas arrecadadas de suas reservas de energia durante a alta dos hidrocarbonetos, Chávez foi forçado a tomar emprestado mais de US$ 38 bilhões dos chineses nos últimos anos de sua presidência para financiar seus programas de bem-estar interno e ajuda externa. Os empréstimos foram garantidos por compromissos futuros de venda de petróleo a Pequim. A Venezuela tornou-se "o arquétipo de um petroestado falido". Os preços do petróleo caíram de mais de US$ 100 por barril em 2014 para menos de US$ 30 por barril no início de 2016, levando a Venezuela a uma espiral econômica e política; as condições só pioraram desde então.

O acumulo de poder também acentuado, com Chávez governando como um caudillo (caudilho). Como um ditador militar, ele fechou estações de TV e rádio que o criticavam, armou uma milícia paramilitar e colocou a burocracia sob controle rigoroso. Em 2018, a grande maioria dos cargos de prefeito e governador eram ocupados por candidatos do PSUV, enquanto a coalizão de oposição Unidade Democrática (MUD) conquistou dois terços dos assentos parlamentares em 2015. A hostilidade política entre o PSUV e o MUD levou a vários incidentes em que as manifestações pró-governo e de oposição se tornaram violentas, com cerca de 150 mortos como resultado em 2017. Além disso, existem reclamações e reconvenções relacionadas com a prisão de figuras da oposição, com o governo alegando que o seu estatuto político não impede nem motiva o processo pelos crimes pelos quais foram condenados, enquanto a oposição afirma que essas detenções e acusações têm motivação política. As eleições também tiveram protestos sobre fraude eleitoral.