O Parque Indígena do Xingu, anteriormente Parque Nacional Indígena do Xingu, é uma terra indígena brasileira, considerada a maior e uma das mais famosas reservas do gênero no mundo.
Histórico O parque foi criado em 1961 pelo então presidente brasileiro Jânio Quadros, tendo sido a primeira terra indígena homologada pelo governo federal. Seus principais idealizadores foram os irmãos Villas Bôas, mas quem redigiu o projeto foi o antropólogo e então funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, Darcy Ribeiro.
Área A área do parque, que conta com hectares está situado no norte do estado de Mato Grosso, numa zona de transição entre os biomas de cerrado e amazônico. A região plana, onde predominam as matas altas entremeadas de cerrados e campos, é cortada pelos formadores do Rio Xingu, e pelos seus primeiros afluentes da direita e da esquerda. Os cursos formadores são os rios Kuluene, Tanguro, Kurisevo e Ronuro - o Kuluene assume o nome de Xingu a partir da desembocadura do Ronuro, no local conhecido pelos indígenas como Mÿrená (Morená). Os afluentes são os rios Suiá Miçu, Maritsauá Miçu, Auaiá Miçu, Uaiá Miçu e o Jarina, próximo da cachoeira de Von Martius.
História thumb|300px|Localização do Parque Indígena do Xingu no Brasil O Parque Indígena do Xingu é considerado a maior e uma das mais famosas reservas do gênero no mundo. Criado em 1961, durante o governo de Jânio Quadros, foi resultado de vários anos de trabalho e luta política, envolvendo os irmãos Villas-Bôas, ao lado de personalidades como o Marechal Rondon, Darcy Ribeiro, Noel Nutels, Café Filho e muitos outros.
Em mais de meio século de existência, o Xingu passou por diversas mudanças que coincidem com a história da questão indígena nas últimas décadas. No início, a filosofia aplicada pelos Villas-Bôas visava a proteger o índio do contato com a cultura dos grandes centros urbanos. Na época, por exemplo, não era permitido nem usar chinelos ou andar de bicicleta, para que nada mudasse no cotidiano da comunidade.
A criação do parque foi uma das consequências da Expedição Roncador-Xingu e da chamada "Marcha para o Oeste", movimento planejado sob o governo de Getúlio Vargas para conquistar e desbravar o coração do Brasil. Iniciada em 1943, o desbravamento adentrou a região central do Brasil, desvendou o sul da Amazônia e travou contato com diversas etnias indígenas ainda desconhecidas.
A liderança dos irmãos Villas-Bôas transformou o caráter militarista da Marcha para o Oeste. Baseada na filosofia do Marechal Rondon de "morrer se preciso for, matar nunca", o que seria meramente uma missão potencialmente violenta, tornou-se uma expedição de contato, pacificação e respeito para com os diversos povos indígenas da região centro-oeste brasileira. Um trabalho reconhecido em todo mundo como um dos mais importantes para a preservação da diversidade das pessoas.
Etnias e patrimônio cultural
thumb|300px|Aldeia camaiurá no Parque Indígena do Xingu Atualmente, vivem, na área do Xingu, aproximadamente, 5 500 índios de quatorze etnias diferentes pertencentes aos quatro grandes troncos linguísticos indígenas do Brasil: caribe, aruaque, tupi e macro-jê. Centros de estudo, inclusive a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, consideram essa área como sendo o mais belo mosaico linguístico puro do país. Os povos indígenas que vivem na região são: cuicuros, calapalos, nauquás, matipus, icpengues (todos de tronco linguístico caribe), meinacos, uaurás, iaualapitis (tronco linguístico aruaque), auetis, camaiurás, jurunas, caiabis (tronco linguístico tupi), trumais (língua isolada), suiás (tronco linguístico macro-jê); já tendo ainda morado na área do parque os panarás (kreen-akarore), os menbengokrês (caiapós) e tapaiunas (beiço-de-pau). Criado o Parque Nacional do Xingu, posteriormente denominado Parque Indígena do Xingu, em 1961, Orlando Villas-Bôas foi nomeado seu administrador-geral. No exercício dessa função, pôde melhorar a assistência aos índios, garantir a preservação da fauna e da flora da região e reaparelhar os postos de assistência. Ainda como administrador do parque, Orlando Villas-Bôas favoreceu a realização de estudos de etnologia, etnografia e linguística a pesquisadores não apenas nacionais como de universidades estrangeiras. Autorizando, ainda, a filmagem documentária da vida dos índios, deu margem a um valioso acervo audiovisual.
A épica empreitada dos irmãos Villas-Bôas é um dos mais importantes e polêmicos episódios da antropologia brasileira e da história indígena. A concepção do Parque Indígena do Xingu, os custos para sua implementação e suas drásticas consequências, o constante ataque de madeireiros e latifundiários e as políticas indigenistas do estado brasileiro são temas importantes para a reflexão sobre o significado de toda esta experiência.
As populações dos povos indígenas no Parque Indígena do Xingu:Kahn, Marina; Campanili, Maura (eds.). Almanaque Socioambiental Parque Indígena do Xingu: 50 anos. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2011. ISBN 978-85-85994-84-6
Etnia População Aweti 195 Ikpeng 459 Kalapalo 385 Kamaiurá 467 Kawaiweté (Kaiabi) 1.193 Kisêdje (Suiá) 330 Kuikuro 522 Matipu 149 Mehinako 254 Nafukuá 126 Naruvôtu 69 Tapayuna 60 Trumai 97 Waurá 409 Yawalapiti 156 Yudjá (Juruna) 348
Línguas As línguas indígenas faladas no parque:Seki, Lucy. 2011. Alto Xingu: uma área linguística? In: Franchetto, Bruna (org.), Alto Xingu: uma sociedade multilíngue, p. 57-85. Rio de Janeiro: Museu do Índio/FUNAI.
Ao sul (Alto Xingu): família linguística Arawak: Waurá Mehinaku Yawalapiti família linguística Karib: Kuikuro Matipu Nahukwa Kalapalo tronco Tupi: Aweti Kamayurá
Ao norte (Baixo Xingu): Trumai família linguística Jê: Suyá tronco Tupi: Juruna (Yudja) Kayabi família linguística Karib: Ikpeng (Txikão)
Lista de aldeias Lista das aldeias de cada povo indígena do Parque Indígena do Xingu:
Yudjá Pakaia Parureda Tuba Tuba Paksamba Pequizal
Kawaiweté aldeias Kawaiweté no rio Xingu: Caiçara Capivara Yaitata 11 de Setembro (com os Kisêdje) Piraquara Itaí Moitará Samaúma Tuiararé Kwaryja Ilha Grande Barranco Alto Três Irmãos
aldeias Kawaiweté no rio Arraias: Aiporé Fazenda João Paranaíta Mupadá (com os Yudjá) Três Patos Mainumy Sobradinho Nova Maraká Iguaçu
Kisêdje (na Terra Indígena Wawi) Ngosôkô Nova Horerusikhô Roptotxi Fazenda Ronkho Ngojhwêrê
Ikpeng Moygu
Trumai Boa Esperança Três Lagoas Steinen
Kamaiurá Morená Jacaré Ipavu
Nafukuá Kranhãnhã Nafukuá Yaramy
Matipu Matipu Buritizal
Yawalapiti Yawalapiti
Waurá Piyulaga
Mehinaku Uyaipiyuku (ou Mehinaku)De Felipe, Paulo Henrique Pereira Silva. 2020. Fonologia e Morfossintaxe da língua Mehináku (Arawak). Doutorado, Unicamp. Utawana Kaupüna (fundado em 2014)A aldeia está localizada a cerca de 1h de carro de Utawana e é liderada pelo cacique Yahati. Aturua (fundado em 2012)
Aweti Saidão da Fumaça (criado em 2002) Tazu'jyt tetam ("aldeia da pequena formiga-de-fogo") Mirassol
Kuikuro Ipatse Afukuri Lahatua Kuluani Agata (Barranco Queimado) Curumim
Kalapalo Aiha Tanguro Caramujo Kunué Lago Azul Pingoa
Postos de Vigilância Os Postos de Vigilância (PIV) no Parque Indígena do Xingu são:Instituto Socioambiental/ISA (2002). Xingu. Povos Indígenas no Brasil. (Mapa) Kurisevo Kuluene Tanguro Rio Preto Tuiuiu Jarinã Manito Tywapé Terra Nova Ronuro
Os Postos de Vigilância (PIV) pertos do Parque Indígena do Xingu são: Batovi Wawí Kapot
Municípios Lista de municípios com incidência no Parque Indígena do Xingu:
Município Área do Parque no município (%) Área do Parque no município (ha) Área do município (ha) Gaúcha do Norte 30,86 815.371,65 1.693.429,80 Querência 21,93 579.426,06 1.778.619,50 Feliz Natal 19,88 525.273,21 1.167.899,90 Paranatinga 9,34 246.807,55 2.416.244,40 São Félix do Araguaia 7,84 207.240,25 1.671.347,50 Marcelândia 5,45 143.874,07 1.227.355,20 Canarana 2,06 54.312,41 1.088.237,90 Nova Ubiratã 1,15 30.273,56 1.250.011,40 São José do Xingu 1,85 48.974,45 745.964,50
Ligações externas
Terras Indígenas no Brasil em Instituto Socioambiental Entrevista com Orlando Villas Boas sobre a história do Parque Indígena do Xingu Galeria de fotos ilustrando o dia-a-dia de uma aldeia xinguana Mapas do Xingu Repositório de recursos sobre línguas e culturas indígenas sul-americanas da Biblioteca Digital Curt Nimuendajú Alto Xingu: uma sociedade multilíngue (Editora Museu do Índio, 2011)
Categoria:Terras indígenas do Brasil Categoria:Terras indígenas de Mato Grosso