The Twilight Zone (no Brasil, Além da Imaginação; em Portugal, A Quinta Dimensão) é uma série de televisão americana antológica, criada por Rod Serling, que foi produzida por 5 temporadas na CBS, de 1959 a 1964. A série consistia de episódios embasados em assuntos como paranormalidade, futurismo, distopia ou simples eventos, e cada episódio apresentava um surpresa, ou uma mensagem subentendida.
A série foi produzida em preto e branco, e se notabilizou por apresentar tanto atores famosos, tais como Cliff Robertson, Ann Blyth e Jack Klugman, quanto jovens atores, que posteriormente alcançaram fama, tais como Robert Redford, William Shatner, Burt Reynolds, Mariette Hartley e Shelley Fabares.
Rod Serling participava tanto como produtor executivo, quanto roteirista principal e narrador, ele escreveu ou co-escreveu 92 dos 156 episódios e também foi o apresentador, através de monólogos no início e no final de cada episódio. Durante a 5ª temporada, com exceção do episódio final, a narração de Serling foi apenas no final, para anunciar o próximo episódio.
O "Twilight Zone" em si não é apresentado como plano tangível, mas sim como uma metáfora para as circunstâncias estranhas que acontecem aos protagonistas. Na abertura feita por Serling e no fechamento costumam ser resumidos os eventos do episódio em tons que vão desde a energia enigmática até a eloquente antipatia, resumindo como e por que o personagem principal havia "entrado no Twilight Zone".
Histórico da série Desenvolvimento da ideia Desde os anos 1950, Rod Serling foi um nome regular nos programas televisivos. Seus sucessos incluem Patterns (para a Kraft Television Theater) e Requiem for a Heavyweight (para Playhouse 90), mas as constantes censuras feitas pelas redes de TV e patrocinadores frustraram Serling, que então decidiu criar seu próprio show, como a melhor forma de vencer e contornar tais obstáculos. Ele percebeu que, por trás de uma série de televisão, com robôs, alienígenas e outros acontecimentos sobrenaturais, poderia expressar suas opiniões políticas de uma forma mais sutil.
"The Time Element", produzido em 1958, foi considerado o piloto para a série de Serling, e apresenta uma viagem no tempo, sobre um homem que volta a Honolulu em 1941 e tenta, sem sucesso, avisar a todos sobre o ataque a Pearl Harbor. O roteiro, porém, foi rejeitado e arquivado por um ano até Bert Granet o descobrir e produzir como um episódio de Desilu Playhouse em 1958. A apresentação foi um sucesso, e Serling finalmente começou a produção da série The Twilight Zone.
Primeira Temporada (1959–1960)
The Twilight Zone estreou em 2 de outubro de 1959, e foi bem recebido. “...Twilight Zone é o único show que está no ar que eu realmente estou ansioso para ver. É a série que eu vou deixar interferir com outros planos'”,”...Twilight Zone is about the only show on the air that I actually look forward to seeing. It's the one series that I will let interfere with other plans'” disse Terry Turner para o Chicago Daily News. Outros concordaram; Daily Variety o classificou como “o melhor que já foi realizado em meia hora de televisão”... "the best that has ever been accomplished in half-hour filmed television" e o New York Herald Tribune sugeriu que seria certamente uma das melhores e mais originais séries de antologias e mais originais do ano".<ref>found the show to be "certainly the best and most original anthology series of the year.</ref>
Apesar da popularidade junto aos críticos de televisão, a série se esforçou para alcançar a receptividade do público. A CBS contava com 21 ou 22 pontos na classificação de Nielsen, mas os números iniciais eram muito pobres. O futuro da série foi posto em jogo quando o seu terceiro episódio, "Mr. Denton on Doomsday", pontuou 16.3. O espetáculo atraiu um público grande o suficiente para sobreviver até novembro, e finalmente superou a sua concorrência na American Broadcasting Company e NBC, e convenceu seus patrocinadores (General Foods Corporation e Kimberly-Clark) a manter seu patrocínio até o final da temporada.
Com uma exceção, "The Chaser", a primeira temporada apresentou roteiros apenas de Rod Serling, Charles Beaumont e Richard Matheson, um trio que foi responsável por 127 dos 156 episódios. E com apenas uma exceção, "A World of His Own", Serling nunca apareceu diante das câmeras, exceto para anunciar o próximo episódio. O episódio piloto foi programado pela CBS para ser narrado por Orson Welles, mas Welles exigia um pagamento vultoso, e os produtores resolveram colocar Serling na narração.
Muitos dos episódios da primeira temporada tornaram-se os mais celebrados da série, tais como "Time Enough at Last", "The Monsters Are Due on Maple Street", "Walking Distance" e "The After Hours". A primeira temporada foi responsável pela aquisição de vários prêmios para Serling, entre eles quatro Emmys por literatura dramática, um “Producers Guild Award” para o parceiro de Serling, Buck Houghton, e um Hugo Award pela melhor apresentação dramática. O tema original de Bernard Herrmann foi a abertura de quase toda a primeira temporada. Ele foi substituído por Marius Constant, com o popular tema de guitarra e bongo em maio de 1960, porém o tema de Herrmann foi mantido para os créditos finais em toda a primeira temporada.
Segunda Temporada (1960–1961)
A segunda temporada estreou em 30 de setembro de 1960, com "King Nine Will Not Return", uma retomada do episódio piloto de Serling, "Where Is Everybody?". A familiaridade com esta primeira história contrastava com a novidade da nova embalagem do show: a imponência do tema original de Bernard Herrmann desapareceu, e o tema de Marius Constant, mais chocante e inovador, foi ouvido durante os créditos de abertura e de encerramento. Também a paisagem surrealista à la Salvador Dalí da abertura original foi substituída por uma introdução ainda mais surreal, inspirada na narração de Serling (“That's the signpost up ahead”), e Serling surgiu em frente às câmeras para apresentar sua narrativa de abertura, no lugar da voz da primeira temporada.
Um novo patrocinador, Colgate-Palmolive, substituiu a Kimberly-Clark (como Liggett & Myers sucederia General Foods em abril de 1961), e um novo executivo, James T. Aubrey, Jr., passou a administrar a CBS. "Jim Aubrey foi um problema muito difícil para o show", disse o produtor associado Del Reisman. "Ele foi particularmente duro com The Twilight Zone, porque era um show de meia hora particularmente caro.... Aubrey foi muito duro sobre o orçamento da série, mesmo quando era um pequeno número de dólares". Em um esforço para manter as despesas controladas, Aubrey ordenou que fossem produzidos sete episódios a menos do que na primeira temporada, e que seis dos que estavam sendo produzidos fossem filmados em videotape, atitude que foi criticada por Serling, que o chamou de "neither fish nor fowl"”Nem carne nem peixe”.
A segunda temporada produziu alguns dos mais aclamados episódios da série, tais como "The Eye of the Beholder" e "The Invaders". O trio Serling, Matheson e Beaumont começou a admitir novos escritores, e essa temporada marcou a estréia na televisão de George Clayton Johnson. Um 5º Emmy foi entregue a Serling pela rescrita dramática e para o diretor de fotografia George T. Clemens e, pelo segundo ano seguido, venceu o Hugo Award pela melhor representação dramática. A série também venceu o “Unity Award” por "Contribuição Relevante para Melhores Relações Interraciais” e uma indicação ao Emmy por "Exelência na Realização de Programa no Campo de Drama".
Terceira Temporada (1961–1962)
Na terceira temporada como produtor executivo, narrador e escritor para The Twilight Zone, Serling estava começando a ficar cansado. "Eu nunca me senti tão esgotado mentalmente como estou neste momento",I've never felt quite so drained of ideas as I do at this moment ele disse aos 37 anos. Nas duas primeiras temporadas ele escrevera 48 roteiros, isto é, 73% do total de episódios. Na terceira temporada, contribuiu apenas com 56%.
Apesar do cansaço, Serling conseguiu novamente produzir roteiros clássicos e consideráveis, tais como "It's a Good Life", "To Serve Man", e "Five Characters in Search of an Exit". Roteiros de Montgomery Pittman e Earl Hamner Jr. suplantaram a saída de Matheson e Beaumont, e George Clayton Johnson escreveu três roteiros sobre temas complexos. O episódio "I Sing the Body Electric" expunha o fato “Escrito por Ray Bradbury”. No fim da terceira temporada, a série superou os 100 episódios.
The Twilight Zone recebeu na época duas indicações para o Emmy (cinematografia e desenho de arte), mas não ganhou nenhum. Recebeu novamente o Hugo Award pela "Melhor Representação Dramática", feito só repetido por Doctor Who, em 2008.
Na primavera de 1962, The Twilight Zone atrasou-se na busca de um patrocinador, e foi substituída pela CBS por uma comédia de costumes, Fair Exchange. Mediante a confusão pelo cancelamento da série, o produtor Buck Houghton a deixou par assumer um cargo na “Four Star Television”. Serling, entretanto, aceitou um cargo de professor no Antioch College, sua alma mater. Apesar de a série ter sido renovada, a contribuição Serling como produtor executivo diminuiu em suas temporadas finais.
Quarta Temporada (1963)
Em novembro de 1962, a CBS lançou Twilight Zone (agora sem o The) em meia-temporada dentro do cronograma de Fair Exchange, o show que a substituíra em setembro de 1962. Para preencher o tempo de Fair Exchange, o tempo de cada episódio teve que ser ampliado para uma hora, o que não condizia com a equipe de produção. Herbert Hirschman foi contratado para substituir o velho produtor Buck Houghton, e uma das primeiras decisões de Hirschman foi uma nova seqüência de abertura, desta vez ilustrando uma porta, olhos, janela e outros objetos suspensos, à semelhança do estilo de René Magritte, no espaço. Sua segunda tarefa foi encontrar e produzir roteiros de qualidade.
Nessa temporada, novamente o trio Serling, Matheson e Beaumont voltou a escrever os roteiros. No entanto, a entrada de Serling era limitada desta temporada, ele ainda escrevia a maior parte dos roteiros, mas sua parte como produtor executivo era praticamente inexistente e, como anfitrião, suas narrações tiveram de ser colocadas back-to-back contra um fundo cinza durante as suas viagens para Los Angeles. Devido às complicações de uma doença cerebral em desenvolvimento, o trabalho de Beaumont também começou a diminuir significativamente, e roteiros adicionais foram encomendados de Earl Hamner, Jr. e Reginald Rose para preencher a lacuna.
Com cinco episódios da temporada, Hirschman recebeu uma oferta para trabalhar com a NBC em uma nova série chamada “Espionage”, e foi substituído por Bert Granet, que previamente havia produzido "The Time Element". Uma das primeiras atribuições de Granet foi "On Thursday We Leave for Home", que Serling considerava o episódio mais efetivo da temporada. Recebeu uma indicação para o Emmy pela cinematografia, e uma indicação ao Hugo Award. A série voltou ao seu formato de meia hora para a programação de outono.
Quinta Temporada (1963–1964) Serling diria mais tarde: "eu estava escrevendo muito, eu senti que tinha começado a perder a minha perspectiva sobre o que era bom e o que era ruim",I was writing so much, I felt I had begun to lose my perspective on what was good and what was bad.. mas até o final desta temporada, ele tinha contribuído com 92 roteiros em cinco anos. Nesta temporada, os patrocinadores novos foram American Tobacco e Procter & Gamble.
Beaumont estava agora fora do meio artístico, contribuindo apenas através de roteiros scripts somente através de escritores-fantasmas Jerry Sohl e João Tomerlin, e depois de produzir apenas treze episódios, Bert Granet deixou a série e foi substituído por William Froug, com quem teve Serling trabalhara em Playhouse 90 .