miniatura|275px|Vice-Reino do Rio da Prata em 1783. O Vice-Reino do Rio da Prata (em espanhol Virreinato del Río de la Plata), estabelecido em 1776, foi o último e mais curto vice-reino criado pela Espanha durante o período de colonização das Américas.El Virreinato del Río de la Plata . Acessado em 21 de outubro de 2017.

Os seus limites continham os territórios da atual Argentina, Paraguai, Uruguai (este último dentro do território conhecido à época como Banda Oriental do Uruguai), e pequenas partes dos territórios que atualmente pertencem ao Brasil e à Bolívia. Foi criado sobretudo por razões de segurança, no sentido de tentar conter as outras potências mundiais com interesses na área, como a Grã-Bretanha e, sobretudo, Portugal.

O primeiro vice-rei foi Pedro de Cevallos.

Em função da fragilidade provocada pela invasão de Napoleão Bonaparte, em 1807, ao território espanhol, iniciou-se na Argentina, em 1810, o movimento pela emancipação.

Durante a declaração da independência de 9 de Julho de 1816, a maioria das províncias do antigo Vice-reinado do Rio da Prata tomam o nome de União das Províncias da América do Sul, assim como se mantém também o nome de "União das Províncias do Rio da Prata".

A esta declaração não foram incluídas — exceto Córdoba — nesse momento as províncias confederadas na União dos Povos Livres, que reconheciam José Gervasio de Artigas como seu protetor, e que haviam declarado independência da Espanha no Congresso do Arroyo de la China, que aconteceu em Concepción do Uruguai em 1815.

Localização territorial

O Vice-Reino do Rio da Prata nasceu de uma cisão do Vice-Reino do Peru e integrou os territórios das governações de Buenos Aires, Paraguai, Tucumã e Santa Cruz da Serra, o Corregimento de Cuyo (que até então pertencia à Capitania-Geral do Chile) e os corregimentos da província de Charcas. Aquela jurisdição era conformada pelos territórios correspondentes às atuais repúblicas da Argentina (incluindo as disputadas Ilhas Malvinas), Uruguai, Paraguai e Bolívia, bem como partes que, desde a segunda metade do século XIX, estão incorporadas ao Brasil, e setores do norte do Chile e do sudeste do Peru. Além disso, incluiu as ilhas africanas de Fernando Pó (hoje Bioko) e Ano-Bom na atual Guiné Equatorial,Consulado Honorário da Guiné Equatorial na Romênia cedidas por Portugal a Espanha em 1777.

Situava-se no Cone Sul da América do Sul sobre o Oceano Atlântico e é tema de disputa se em algum momento possuiu costas no Oceano Pacífico sul.A historiografia argentina sustenta que o vice-reino do Rio da Prata incluiu os territórios da Patagônia ocidental situados a oeste da cordilheira dos Andes, posição rejeitada pela historiografia chilena. Disputa-se se uma faixa da costa tropical do Chile integrou também o vice-reino, o que é afirmado pela historiografia tradicional argentina e boliviana, mas rejeitada pela chilena. Veja-se a este respeito a Questão do Paposo.

Razões que levaram à criação do vice-reino A enorme superfície que o Vice-Reino do Peru abrangia dificultava as tarefas de governo, o que foi um motivo importante para a divisão do seu território.

Outras causas que influenciaram a decisão de efetuar essa separação foram: a ambição de Portugal sobre a Banda Oriental, onde se encontravam a Colônia do Sacramento e as Missões Orientais, bem como o constante avanço lusitano sobre toda a fronteira hispano-portuguesa na América do Sul; a crescente importância que Buenos Aires ganhava como centro comercial; o valor do estuário do Rio da Prata como entrada para o interior do continente e a defesa dos portos de Buenos Aires e Montevidéu; e as sucessivas expedições da Grã-Bretanha e da França sobre as costas da Patagônia.Cuesta, E. M. (2009). Impuestos imperiales : la Caja Real de Buenos Aires (1700-1800), Temas de historia argentina y americana, 14.

A Rota do Galeão Desde 1573, o itinerário implantado pelo monopólio comercial espanhol nos vice-reinos foi denominado oficialmente como a Rota do Galeão. Esta rota era utilizada para o intercâmbio comercial entre a Espanha e as Índias em duas frotas anuais: a da Nova Espanha, destinada ao porto de Veracruz, e a frota da Terra Firme, que ia para Portobelo, Panamá. As remessas de prata, ouro, esmeraldas, pérolas e demais bens que saíam do Vice-Reino do Peru iam regularmente do porto de Callao até à cidade do Panamá. De lá, os carregamentos de riquezas eram levados por terra até Portobelo e, a partir desse porto, as armadas de galeões sulcavam o Mar do Caribe, tocando os portos de Cartagena das Índias, Santa Marta e Santo Domingo, para depois cruzar o oceano Atlântico até o porto de Sevilha, que foi o único porto habilitado de embarque e desembarque até 1765. No sentido inverso, os produtos de Espanha chegavam ao Callao e de lá podiam chegar no lombo de mula a Potosí, de onde seguiam até Buenos Aires. Portobelo, Cartagena das Índias e Havana eram os baluartes principais para a proteção da Rota do Galeão, e em Portobelo realizavam-se as feiras de intercâmbio comercial.

Em 21 de novembro de 1739, forças britânicas capturaram, saquearam e destruíram Portobelo, o que demonstrou paulatinamente às autoridades espanholas que convinia oficializar uma rota mais segura, pensando na até então usada para o "contrabando exemplar": a que, a partir do Alto Peru, transportava clandestinamente as riquezas pelo Caminho Real, passando por Salta e Córdova até chegar ao porto de Buenos Aires, porto que havia crescido precisamente por essa prática. O Rio da Prata era a principal alternativa à Rota do Galeão, o que o tornava vulnerável a ataques inimigos e tornava necessário um fortalecimento da presença espanhola nele. Desde 1662 existia a Alfândega Seca de Córdova, que aplicava impostos de 50% aos produtos que do Rio da Prata passavam ao Peru, sem distinguir se a sua origem era legal ou de contrabando.

Em 1778, o rei Carlos III promulgou o Regulamento e Tarifas Reais para o Comércio Livre de Espanha às Índias, que pôs fim à rota monopolista, abrindo ao comércio recíproco 13 portos de Espanha e 25 das Índias, entre eles Buenos Aires e Montevidéu. Em cada um deles deviam criar-se consulados de comércio, mas apenas os navios matriculados na Espanha podiam utilizar esses portos. Em 1795, o rei habilitou o comércio com as colônias não espanholas e permitiu que os navios matriculados nas Índias pudessem comerciar com portos espanhóis. Todas estas reformas borbônicas modificaram sustancialmente os poderes e fatores econômicos tanto peninsulares como hispano-americanos.

História O projeto do vice-reino austral Em 8 de outubro de 1773, o rei Carlos III solicitou relatórios ao Vice-rei do Peru, à Real Audiência de Lima e ao governador de Buenos Aires sobre a possível criação de uma audiência em Tucumã.

O vice-rei Manuel de Amat y Junient respondeu em 22 de janeiro de 1775, expressando os motivos pelos quais acreditava que uma audiência deveria ser reinstalada em Buenos Aires e que deveria ser criado um vice-reino com capital no Chile, abrangendo o Rio da Prata.Juicio de límites entre el Perú y Bolivia: Virreinato de Buenos Aires. Noticia general de las provincias del Perú, Tierra Firme y Chile. Pág. 1-15. Autor: Víctor Manuel Maúrtua. Editor: Impr. de Henrich y comp., 1906

Em 18 de novembro de 1775, foram repetidos os pedidos de relatórios à Real Audiência de Lima e ao governador de Buenos Aires, que ainda não os haviam enviado.

Quando o projeto ainda estava em estudo, em 1 de abril de 1776, Johann Heinrich Böhm, comandante-geral português de São José do Norte de origem alemã, atacou os fortes de Santa Bárbara e Trinidade e recuperou a vila de Rio Grande, que havia sido conquistada por Pedro de Cevallos em 12 de maio de 1763, quando este era governador de Buenos Aires.Rio Grande - Página do Gaúcho Este conflito com Portugal precipitou a decisão do rei de criar um vice-reino sediado no Rio da Prata, e não no Chile.

thumb|Impérios espanhol e português em 1790.

O vice-reino pessoal thumb|250px|Pedro de Cevallos, primeiro vice-rei do Rio da Prata. Em 27 de julho de 1776, o governador de Madrid, tenente-general Pedro de Cevallos, recebeu uma nota com a nomeação de comandante da expedição à América meridional que se preparava em Cádis, junto com o comando das províncias do distrito da Real Audiência de Charcas e o corregimento de Cuyo, com o título de vice-rei e capitão-geral. Uma vez concluída a expedição, Cevallos deveria retornar ao seu cargo em Madrid, «deixando então o comando militar e político das províncias do Rio da Prata nos termos em que estiveram até agora».

Em 1 de agosto de 1776, o rei Carlos III formalizou a nomeação mediante uma real cédula, nomeando Cevallos:

A real cédula de 1776 criou um vice-reino pessoal em favor de Cevallos, enquanto durasse a sua permanência no território, dispensado de todas as formalidades e exigências a que estavam submetidos os vice-reis de acordo com as Leis das Índias. O objetivo era colocar nas mãos do comandante da expedição todos os recursos disponíveis nos territórios da província de Charcas (hoje Bolívia), as governações do Paraguai, Tucumã e do Rio da Prata e o corregimento de Cuyo. A real cédula expressava «que logo que estiverdes navegando, à saída de Cádis, vos deis a reconhecer por tal Vice-Rei, Governador e Capitão-Geral em todos os navios de guerra e de transporte». A frota partiu de Cádis em 13 de novembro de 1776.

A expedição de Cevallos

O rei enviava a expedição «dirigida a obter satisfação dos portugueses pelos insultos cometidos em minhas províncias do Rio da Prata», de modo que a sua administração sobre o território rioplatense e as cidades de Cuyo incorporadas teriam, a princípio, um forte caráter militar. Nesse momento inaugural, o vice-reino do Rio da Prata incluiu todo o território que atualmente são os estados brasileiros do Rio Grande do Sul (chamado pelos espanhóis de Rio Grande de São Pedro), Santa Catarina e amplas zonas que hoje fazem parte do Paraná e Mato Grosso do Sul, bem como pequenos setores que atualmente correspondem ao oeste do Mato Grosso. Cevallos iniciou a sua campanha tentando levar o limite dos territórios portugueses a leste da linha do Tratado de Tordesilhas (que a Espanha situava na Ilha de Cananeia) e, para isso, desalojou-os das praças de Colônia do Sacramento, Rio Grande e da povoação de Nossa Senhora do Desterro — atual Florianópolis — na ilha de Santa Catarina.

Em 20 de fevereiro de 1777, a grande expedição de 116 navios desembarcou tropas na ilha de Santa Catarina, que se rendeu em 5 de março, ficando o tenente-coronel Juan Roca como governador. Depois, ao não poder atacar Rio Grande por causas climáticas, a frota dirigiu-se ao sul da Banda Oriental, chegando a Montevidéu em 20 de abril de 1777. Em 4 de junho, rendeu-se o governador português de Colônia do Sacramento, que foi arrasada por ordem de Cevallos. Depois, continuou a ofensiva por terra no leste do território e tomou a Fortaleza de Santa Teresa e o Forte de São Miguel, avançando sobre a povoação de Rio Grande, mas a ofensiva foi detida em 4 de setembro de 1777, ao conhecerem-se as tratativas de paz entre Espanha e Portugal.

Em 1 de outubro de 1777, foi assinado o Tratado de Santo Ildefonso entre Espanha e Portugal, que acordou a soberania espanhola sobre a Colônia do Sacramento e a ilha de São Gabriel, mas obrigou a Espanha a renunciar definitivamente à ilha de Santa Catarina e ao território de Rio Grande, ao norte da Banda Oriental, que vinha sendo ocupado paulatinamente por Portugal e cuja posse se consolidara com o Tratado de Madrid (1750). A Espanha recebeu também a cessão das ilhas de Ano-Bom e Fernando Pó no Golfo da Guiné.

A criação permanente do vice-reino