Andréia de Assis Horta (Juiz de Fora, 27 de julho de 1983) é uma atriz brasileira. Horta começou a atuar na televisão com papéis em JK e Alta Estação (ambos em 2006), mas sua carreira ganhou maior destaque nas séries Alice (2008) e A Cura (2010), que a tornaram uma das atrizes mais proeminentes de sua geração. A partir da década de 2010, começou a ter maior reconhecimento com a telenovela Império (2014) e com o filme biográfico Elis (2016), sendo este último responsável por premiá-la com o Prêmio Grande Otelo, Prêmio APCA e o troféu do Festival de Gramado.
Após estudar Artes Cênicas na Faculdade Paulista de Artes, ela atuou regularmente na minissérie JK, onde interpretou a filha do presidente Juscelino Kubitschek, e na novela Alta Estação, já como uma das protagonistas na trama universitária. Horta alcançou maior reconhecimento ao protagonizar a série de drama Alice, da HBO, em 2008. Ela teve maior destaque de público em 2010 com a série A Cura, que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Qualidade Brasil, e com o filme de comédia Muita Calma Nessa Hora, que teve um público de mais de um milhão de espectadores no cinema.
A carreira Horta progrediu com papéis nas telenovelas Cordel Encantado (2011), Amor Eterno Amor (2012) e, principalmente, Império (2014), na qual ela contracenou no núcleo protagonista do horário nobre da TV Globo. Ela recebeu aclamação ao dar vida à Elis Regina em sua cinebiografia Elis (2016), que a colocou como uma das principais atrizes do país e lhe rendeu o Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz. Desde então, ela recebeu papéis importantes, como as protagonistas das novelas Liberdade, Liberdade (2016) e Um Lugar ao Sol (2021), além de fazer sua estreia como antagonista principal em Tempo de Amar (2017).
Ela recebeu indicações ao Prêmio Grande Otelo por seus papéis como uma bióloga em crise em O Jardim Secreto de Mariana (2021) e uma advogada ambiciosa em Cidade de Deus: A Luta Não Para (2024). Horta ganhou elogios recentes pela atuação como Zenilda na novela Três Graças (2025), que passa por uma virada de vida. Primeiros anos Desde criança fazia teatro em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Em 2001, aos 17 anos, saiu de sua cidade para São Paulo para fazer faculdade de Artes Cênicas na Faculdade Paulista de Artes (FPA). Lá, estudou também na Escola Livre de Teatro e integrou o Teatro da Vertigem por um ano, liderado pelo diretor Antônio Araújo."Ex-prostituta na série 'A Teia', atriz diz: "é uma mulher comum"". Para se sustentar, fez torta de carne moída, que não deu muito certo, e bolo de laranja para vender"'Ninguém comprou', lembra Andreia Horta sobre a época em que vendia torta de carne". e no ano de 2005, fazendo só teatro, começou a escrever algumas coisas e reuniu todos os seus poemas e surgiu o Humana Flor que a atriz vendia por R$7 na Rua Augusta, na região do Espaço Unibanco.Paulo Cavalcanti (6/08/2010). "Atriz que viveu a baladeira Alice volta à TV no papel de uma médica legista". Rolling Stones. Consultado em 11 de Janeiro de 2017.
Carreira Primeiros trabalhos e avanços (2006—2013)
Recém-formada em Artes Cênicas e já com experiência nos palcos, Horta fez seu primeiro teste para a televisão e foi selecionada para atuar na minissérie JK, da TV Globo. Na produção, interpretou Márcia Kubitschek, filha do presidente Juscelino Kubitschek, contracenando com José Wilker e Marília Pêra, que deram vida a seus pais na trama. No mesmo ano, tornou-se uma das protagonistas da telenovela Alta Estação, produzida pela RecordTV, no papel de Tatá, uma universitária temperamental e comicamente estressada.
Em 2008, protagonizou a série Alice, exibida pela HBO, na qual interpretou Alice Camargo, uma jovem do Tocantins que trabalha como guia turística. Após receber a notícia da morte do pai em São Paulo, com quem não mantinha contato havia anos, viaja à cidade para cuidar do inventário dos bens deixados por ele. Durante a estadia, acaba reencontrando pessoas do passado e enfrentando uma série de imprevistos que a levam a permanecer na capital paulista, onde passa a redescobrir a própria vida em meio ao ritmo caótico da metrópole. Co-protagonizou, ainda, a telenovela Chamas da Vida como a rebelde Beatriz, filha da vilã Vilma (Lucinha Lins), que vive em conflito com a mãe por conta de seus crimes e tenta de várias maneiras desmascará-la.
Seu próximo trabalho na televisão, em 2010, a apresentou a um público amplo. A série de suspense A Cura — na qual ela interpretou a médica Rosângela e par romântico do personagem principal — foi elogiada e Horta chamou atenção da crítica por sua atuação. Em novembro de 2010, retorna ao papel de Alice na HBO para dois especiais de fim de ano derivados da série de 2008, intitulados O Primeiro Dia do Resto da Minha Vida e A Última Noite, os quais são ambientados após a trama original. Também em 2010, estrelou ao lado de Fernanda Souza, Débora Lamm e Gianne Albertoni a comédia Muita Calma Nessa Hora, filme dirigido por Felipe Joffily sobre três jovens amigas com diferentes desilusões na vida que partem para uma viagem na praia. A produção marcou a estreia da atriz no cinema e foi um sucesso comercial, alcançado mais de um milhão de espectadores.
Em 2011, estreia nas telenovelas da TV Globo na pele da cabocla Bartira, uma das três mulheres de Farid (Mouhamed Harfouch) e mãe de três filhos, em Cordel Encantado, produção a que fez explorar o lado cômico da atuação. Ela seguiu com um papel coadjuvante no horário das seis em Amor Eterno Amor, de 2012, como a marajoara Valéria. Sua personagem, é apaixonada pelo personagem principal Carlos (Gabriel Braga Nunes) e não se conforma em não ser correspondida. Em 2013, fez uma pequena participação em Sangue Bom, interpretando a irmã de Amora (Sophie Charlotte), Simone.
Obtendo maior reconhecimento (2014—2019) esquerda|miniaturadaimagem|280x280px|Horta em 2017. Em 2014, estrelou a continuação Muita Calma Nessa Hora 2, voltando a interpretar a personagem Tita e a ser dirigida por Felipe Joffily, que trouxe as amigas em uma nova aventura de viajem após três anos. Mais uma vez, fez sucesso de público atingindo a marca de mais um milhão de espectadores nos cinemas. Na televisão, destacou-se na série policial A Teia, na qual interpretou Celeste Cristina, uma ex-prostituta que se envolve com Marco Aurélio Baroni, personagem de Paulo Vilhena. Na trama, Baroni é um criminoso e líder de uma quadrilha da qual também faz parte o pai da filha de Celeste, que está preso. Os dois se conhecem quando ela visita o ex-companheiro na prisão e acabam se apaixonando.
Ainda em 2014, foi escalada para interpretar Maria Clara no núcleo protagonista da telenovela Império, escrita por Aguinaldo Silva para o horário nobre da TV Globo. Sua personagem é filha de José Alfredo Medeiros, interpretado por Alexandre Nero, e de Maria Marta Medeiros, vivida por Lília Cabral. Predileta do pai, Maria Clara mantém uma relação próxima com o Comendador, o que desperta a inveja dos irmãos. Sua vida sofre uma reviravolta com o surgimento de Cristina Ferreira, filha primogênita de José Alfredo, interpretada por Leandra Leal, que passa a integrar o cotidiano da família e dos negócios. Esse foi o primeiro grande papel de Horta em telenovelas da TV Globo, recebendo elogios por sua atuação como a designer de joias Maria Clara. Ela recebeu uma indicação de Melhor Atriz Coadjuvante na premiação anual do Melhores do Ano da emissora.
O trabalho seguinte de Horta está entre os mais aclamados de sua trajetória. A atriz interpretou a cantora Elis Regina na cinebiografia Elis, dirigida por Hugo Prata. O papel exigiu um intenso processo de preparação, com imersão na vida e na carreira de uma das artistas mais prestigiadas da música brasileira. Durante três meses, Horta passou por treinamento de canto, expressão corporal e adaptação do modo de falar para se aproximar da interpretação de Elis Regina. O filme teve estreia no Festival de Gramado, onde sua atuação foi amplamente destacada pela crítica, rendendo-lhe o prêmio Kikito de Melhor Atriz. Ela também recebeu o Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz e o Prêmio APCA de Melhor Atriz de Cinema. Rodrigo de Oliveira, crítico do Papo de Cinema, elogiou a performance como magnética:Nota-se um trabalho de pesquisa esmerado por parte da atriz, que traz trejeitos, sorrisos, risadas e toda a presença física da pequena grande cantora. Não bastou apenas cortar o cabelo parecido e vestir-se igual a ela. Horta se embrenha na personagem e busca a força daquela mulher notável. No palco, seus grandes momentos, a atriz está impecável. Conseguimos ver Elis de volta, o que é algo arrepiante.
No ano de 2016, Horta também retornou à televisão dessa vez como protagonista da novela Liberdade, Liberdade, trama do horário das onze, interpretando a revolucionária Joaquina (também Rosa da Intercessão). A trama começa na Inconfidência Mineira, no Século XVIII, e sua personagem é a filha fictícia do mártir Tiradentes, interpretado por Thiago Lacerda, com Antônia, papel de Letícia Sabatella. Após a morte dos pais, ela é amparada ainda criança pelo minerador Raposo (Dalton Vigh), que a leva para Portugal. Adulta, ela volta ao Brasil e, assim como o pai, luta contra as injustiças sociais e a desigualdade."Nova novela das 23h vai contar a vida da filha de Tiradente". Jornal da Paraiba. 07/02/2016. Consultado em 11 de Janeiro de 2016.
Em 2017, aparece como Camila no episódio "Quem Cuida Dele?" da série Segredos de Justiça. Em Tempo de Amar (2017), novela do horário das seis, interpreta sua primeira vilã, a egoísta e prepotente Lucinda, que faz de tudo para que o casal principal não se reencontre por ser apaixonada por Inácio (Bruno Cabrerizo). Estreia como apresentadora no Canal Brasil no programa O País do Cinema, em 2018. Em seguida, a atriz volta a interpretar Elis Regina, na minissérie Elis: Viver é Melhor que Sonhar, indicada ao prêmio Emmy Internacional por melhor minissérie. No cinema, interpretou a neurocientista Dra. Weber no filme de suspense e ficção científica Albatroz, de Daniel Augusto.
Em seu retorno ao teatro, em 2019, estrelou o drama Jardim de Inverno, montagem concebida pelo diretor Marco Antônio Pâmio com base no romance Revolutionary Road, de Richard Yates. Ela interpreta uma mulher que tenta reviver o sonho de ser atriz em um grupo de teatro do bairro. Ela recebeu uma indicação ao Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Atriz em Peça de Teatro.
Retorno às telenovelas e projetos no streaming (2020—presente) Após adiamentos de projetos por conta da pandemia, Horta retomou seus projetos em 2021. Atuou como uma das protagonistas de Um Lugar ao Sol, novela de Lícia Manzo, contracenando com Cauã Reymond e Alinne Moraes. Ela interpreta a mocinha da trama, Lara, uma jovem formada em gastronomia que batalha para ter seu restaurante e apaixona-se por Christian (Reymond). Ela também apareceu na série independente Colônia, exibida pelo Canal Brasil, interpretando uma prostituta internada em um hospital psiquiátrico. Sua primeira aparição nas telonas na nova década foi em O Jardim Secreto de Mariana (2021), de Sérgio Rezende, interpretando a bióloga Mariana Reis, que enfrenta uma crise no casamento e é surpreendida pelo companheiro anos depois da separação. Ela recebeu uma indicação ao Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz novamente.
A minissérie biográfica As Aventuras de José e Durval teve Horta como Araci Prudêncio de Lima, a mãe da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, uma mulher religiosa e batalhadora. Em seguida, narrou a série Jessie e Colombo com Humberto Carrão, sobre o casal Colombo Vieira de Souza Junior e Jessie Jane Vieira de Souza, militantes contra a ditadura militar. No mesmo ano, atua em mais uma minissérie biográfica para o Globoplay ao interpretar a publicitária e ativista social Nádia Rebouças em Betinho: No Fio da Navalha, estrelada por Júlio Andrade como Herbert José de Sousa, homem que foi um símbolo na luta pelo direito à alimentação.