thumb|200px|Costa Norte da ilha de São Jorge, Açores, ao fundo a Fajã da Ponta Furada a destacar-se na paisagem que é típica na formação das fajãs da costa Norte. thumb|250px|Gaivota - Larídeos. thumb|250px|Cagarro - Calonectris diomedea borealis.

A Fajã do Salto Verde é uma das fajãs da ilha de São Jorge, sempre foi conhecida pelo seu difícil acesso. Situa-se na costa Norte da ilha, freguesia de Calheta (Açores), Concelho da Calheta. Tem como vizinhas mais próximas a Fajã do Castelhano e a Fajã do Norte das Fajãs.Odília Teixeira, Ao Encontro das Fajas, 3.º edição, 2001 Velas, S. Jorge. Dep. Legal. 88645/95

Para se descer a esta fajã é preciso enveredar-se pela Serra do Topo e seguir-se por um atalho estreito cavado na rocha que leva há volta duas horas a descer e três a subir.

Nesta fajã existiam antigamente doze casas onde viviam famílias durante todo o ano. Tratavam o gado e como a terra é muito fértil sempre se cultivou o milho, a batata, a vinha, a abóbora, o inhame, a cebola, a couve, o mogango, o tomate, o feijão, a melancia, o vime para cestos, a ervilha.

Também se fazia o cultivo de árvores de fruto como a figueira, a macieira, o pessegueiro, a bananeira, a groselheira, a laranjeira e outras cujos frutos eram conservados para o ano inteiro sob diversas formas.

Devido aos difíceis acessos os habitantes desta fajã eram praticamente auto suficientes. Alimentavam-se do que a terra lhes dava e viviam uma vida frugal, profundamente ligada à terra. As refeições mais comuns eram sopas de leite com pão de milho, caldos de hortaliças com enchidos e carne de porco, ovos frescos das galinhas e patos que andavam à solta, queijo e manteiga feitos em casa. Além disse, o mar, ali sempre presente fornecia parte importante da subsistência, fornecendo peixe variado e um dos mais importantes produtos da costa, a lapa.

Nesta fajã existiam alguns moinhos de água destruídos pelo terramoto de 1980.

Apesar de a fajã do Salto Verde ficar numa zona de encostas altíssimas, o acesso ao mar foi sempre uma necessidade, ao contrário do que acontecia na vizinha Fajã de Entre Ribeiras. Ao longo dos anos o pescado mas frequente e foi a (Sparisoma cretense), o sargo, a Moreia o Moreão preto, entre todas as outras espécies que é possível apanhar na costa Norte de São Jorge. Também se apanhava muita lapa, caranguejo e outros crustáceos e moluscos.

Depois do relativo abandono a que esta fajã foi votada a natureza tem gradualmente ocupado o seu lugar, tornando-se variada levando a que a luxuriante Floresta Laurissilva típica da Macaronésia se tenha praticamente espalhado por toda a parte.

Uma curiosidade desta fajã é o facto de a partir do mês de dezembro e até meados do mês de fevereiro não haver sol direto nesta fajã, devido a ficar no sopé de um monte com a altitude de 750 metros que o encobre.

Nesta fajã correm algumas ribeiras e também jorram várias nascentes.

Fauna e flora residente e observável Biodiversidade marinha observável Água-viva (Pelagia noctiluca); Alga-vermelha (Asparagopsis armata); Alga-castanha (Dictyota dichotoma); Alga-roxa (Bonnemaisonia hamifera); Anémona-do-mar (Alicia mirabilis); Alface-do-mar (Ulva rigida); Ascídia-flor (Distaplia corolla); Abrótea (Phycis phycis); Barracuda (Sphyraena sp.); Boga (Boops boops); Bodião (diversos labrídeos); Badejo (Mycteroperca fusca); Bicuda (Sphyraena viridensis); Bonito (Katsuwonus pelamis); Caravela (Physalia physalis); Chicharro (Trachurus picturatus); Castanheta-amarela (Chromis limbata); Caranguejo-eremita (Calcinus tubularis); Craca (Megabalanus azoricus); Cação (Galeorhinus galeus); Caboz; Canário-do-mar (Anthias anthias); Coral-negro (Antipathes wollastoni); Estrela-do-mar (Ophidiaster ophidianus); Encharéu (Pseudocaranx dentex); Garoupa (diversos serranídeos); Golfinho; Hidrozoário (Nemertesia sp.); Jamanta (Mobula tarapacana); Lapa (Docoglossa); Lírio (Campogramma glaycos); Moreia; Mero (Epinephelus itajara); Musgo (Pterocladiella capillacea); Ouriço-do-mar-negro (Arbacia lixula); Ouriço-do-mar-roxo (Strongylocentrotus purpuratus); Peixe-cão (Bodianus scrofa); Peixe-porco (Balistes carolinensis); Peixe-balão (Sphoeroides marmoratus); Peixe-rei (Coris julis); Peixe-rainha (Thalassoma pavo); Polvo (Octopus vulgaris); Pomatomus saltator; Peixe-lua (Mola mola); Rascaço; Ratão (Taeniura grabata); Salema (Sarpa salpa); Salmonete (Mullus surmuletus); Solha (Bothus podas maderensis); Sargo (Diplodus sargus); Serra (Sarda sarda); Toninha-brava (Tursiops truncatus); Tartaruga-careta - (Caretta caretta); Trombeteiro (Macroramphosus scolopax); Veja (Sparisoma cretense); Zonaria flava.

Além das espécies mencionadas é ainda possível encontrar-se outras variedades de fauna e flora marinha em que convivem cerca de 87 espécies diferentes, sendo que é 9.3 o Índice de Margalef.

Espécies residentes No mar Alga Roxa - (Bonnemaisonia hamifera). Anêmona-do-mar (Alicia mirabilis), Alface do mar (Ulva rígida) Ascídia-flor (Distaplia corolla), Boga (Boops boops), Bodião (labrídeos), Bodiões-verdes (Centrolabrus trutta), Chicharro (Trachurus picturatus). Castanheta-preta (Abudefduf luridus) Caranguejo-eremita (Calcinus tubularis), Craca (Megabalanus azoricus). Estrela-do-mar (Ophidiaster ophidianus), Garoupa (Serranus atncauda), Lapa (Docoglossa), Moreia Moreia-preta (Muraena augusti) Musgo (Pterocladiella capillacea), Ouriço-do-mar-negro (Arbacia lixula), Ouriço-do-mar-roxo (Strongylocentrotus purpuratus), Peixe-balão (Sphoeroides marmoratus), Peixe-rei (Coris julis), Polvo (Octopus vulgaris), Salema (Sarpa salpa), Ratão (Taeniura grabata), Salmonete (Mullus surmuletus), Sargo (Diplodus sargus cadenati)

Existem ainda a presença de variados moluscos.

Em terra Salgueiro Erva moira Aboboreira (Tropaeolaceae) Tropaeolaceae Cana-do-reino Arundo donax Erva-leiteira Euphorbiaceae Coucelos Umbilicus rupestris Tolpis azorica Asteraceae Bracel-da-rocha Festuca petrea (Planta endémica dos Açores) Perrexil-do-mar Crithmum maritimum (Planta endémica dos Açores) Urze Cenoura brava ou Salsa-burra Daucus carota Trinchal Plantaginaceae Cyrtomium falcatum Dryopteridaceae

Aves observáveis

Gaivota, (Larídeos) Cagarro (Calonectris diomedea borealis), Milhafre (Buteo buteo rothschildi) Pombo-comum (Columba livia) Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica) Pardal-comum (Passer domesticus) Lavandeira Melro-preto (Turdus merula) Estorninho-comum (Sturnus vulgaris) Toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla) Tentilhão (Fringilla coelebs moreletti) Garajau-rosado (Sterna dougallii), Garajau-comum (Sterna hirundo) Anas crecca - (Marrequinho)

Ver também Listas das fajãs da ilha de São Jorge Lista de Fajãs dos Açores

Bibliografia Arlindo Cabral, As Fajãs de São Jorge. 1952, São Miguel.

Salto Verde