Luísa Carolina Alberta (Londres, – Londres, ), foi a sexta filha e quarta menina, da rainha Vitória do Reino Unido e de seu marido o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Ela passou o início da vida vivendo nas várias residências reais junto da família. A corte entrou em um intenso período de luto quando seu pai morreu no final de 1861, prática que ela jamais gostou. Suas tentativas de sair um pouco do ar de luto fizeram com que Vitória considerasse a filha como indiscreta e argumentativa. Luísa também era uma hábil escultora, com muitas de suas obras sobrevivendo até hoje.

A princesa serviu como secretária não oficial de Vitória entre 1866 e 1871 por não ser casada. A questão de seu casamento começou a ser discutida no final da década de 1860. Foram sugeridos pretendentes da Prússia e Dinamarca, porém a rainha queria sangue novo na família e assim sugeriu um membro graduado da aristocracia britânica. Luísa acabou se apaixonando por John Campbell, Marquês de Lorne e herdeiro do Ducado de Argyll, apesar de oposições dentro de sua própria família; Vitória acabou por permitir o casamento. O casal depois se afastou, possivelmente por questões políticas e pela falta de filhos.

Campbell foi nomeado governador-geral do Canadá em 1878 e Luísa tornou-se sua consorte; ela virou patrona de várias organizações femininas e causou boas impressões nos canadenses através de suas ações, porém sofreu um sério acidente de trenó em 1880. Quando sua mãe morreu em janeiro de 1901, a princesa entrou no círculo social de seu irmão mais velho o agora rei . Seu casamento sobreviveu graças a longos períodos de separação, porém o casal se reconciliou em 1911 e Luísa ficou devastada pela morte do marido três anos depois. Ela passou a sair da vida pública depois do final da Primeira Guerra Mundial em 1918, realizando poucos deveres oficiais fora do Palácio de Kensington, onde morreu aos 91 anos em 1939.

Nascimento e criação Luísa nasceu em no Palácio de Buckingham, localizado na cidade de Londres na Inglaterra. Era a sexta criança, a quarta do sexo feminino, da rainha Vitória do Reino Unido e de seu marido o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Ela foi chamada desde seu nascimento de "Sua Alteza Real, A Princesa Luísa do Reino Unido" já que era filha da soberana britânica. O seu nascimento coincidiu com revoluções que estavam ocorrendo por toda a Europa, fazendo com que a rainha comentasse que a filha se transformaria em "algo peculiar". Seu parto foi o primeiro em que Vitória utilizou clorofórmio para ajudá-la no processo.

thumb|Luísa em 1851 por Vitória, após Franz Xaver Winterhalter. Alberto e Vitória nomearam a filha como Louisa Caroline Alberta com o primeiro nome sendo uma homenagem a sua avó paterna, a princesa Luísa de Saxe-Gota-Altemburgo. Ela foi batizada por John Sumner, o Arcebispo da Cantuária, na capela privada do Palácio de Buckingham em 13 de maio de 1848. Os seus padrinhos foram o duque Gustavo de Mecklemburgo-Schwerin (seu tio-bisavô paterno, representado pelo príncipe Alberto), a princesa Maria Frederica de Hesse-Cassel (representada por sua tia-avó a rainha viúva Adelaide de Saxe-Meiningen) e a princesa Augusta de Cambridge (sua prima, representada pela princesa Augusta de Hesse-Cassel). Durante a cerimônia, a princesa Maria, uma das últimas filhas ainda vivas do rei Jorge III do Reino Unido, se esqueceu onde estava e levantou-se repentinamente e ajoelhou-se perante a rainha, horrorizando Vitória.

Luísa cresceu assim como seus outros irmãos em um rígido programa educacional criado pelo príncipe Alberto e seu amigo e confidente o barão Christian Friedrich von Stockmar. As crianças também tinham aulas práticas em diferentes tópicos, como cozinhar, realizar tarefas agrícolas, tarefas domésticas e carpintaria.

A princesa foi uma criança inteligente e talentosa desde cedo e as suas habilidades artísticas foram rapidamente reconhecidas. Hallam Tennyson, filho do poeta Alfred Tennyson, 1.º Barão Tennyson, visitou a Casa Osborne em 1863 e comentou que Luísa podia "desenhar lindamente". Uma carreira artística não foi considerada por ela ser membro da família real. Entretanto, Vitória permitiu que ela estudasse em uma escola de arte sob a tutelagem da escultura Mary Thornycroft, com Luísa posteriormente se matriculando na Escola Nacional de Treinamento de Arte em South Kensington. A princesa também se tornou uma dançarina habilidosa, com a rainha escrevendo depois de uma dança que a filha "dançou a dança da espada com mais vivacidade e precisão do que qualquer uma de suas irmãs". Sua perspicácia e inteligência fizeram com que se tornasse a favorita de seu pai, com sua natureza curiosa lhe ganhando o apelido de "Pequena Senhorita Por Quê" dos outros membros da família real britânica.

Pós-Alberto thumb|left|Luísa em 1866, por André Adolphe Eugène Disdéri. Pouco após a perda do príncipe Alberto no Castelo de Windsor em , Vitória ficou devastada e mandou que sua criadagem fosse transferida do castelo de Windsor para a Osborne House na Ilha de Wight. A atmosfera da corte, passou a ser sombria, enquanto o entretenimento ficou escasso e tedioso. Luísa rapidamente ficou insatisfeita com o prolongado período de luto da mãe. A princesa pediu em 1865 que o salão de baile fosse aberto para uma dança de debutante em seu aniversário de dezessete anos, algo que não ocorria desde a perda do pai. Seu pedido foi negado e seu tédio com a rotina mundana de viajar entre as diferentes residências reais algumas vezes irritou Vitória, que considerava Luísa como indiscreta e argumentativa.

Vitória se confortava ao continuar rigidamente os planos de Alberto para seus filhos. A princesa Alice se casou em 1 de junho de 1862 com o príncipe Luís de Hesse e Reno, o futuro Grão-Duque de Hesse e Reno. Alberto Eduardo, Príncipe de Gales, se casou em 1863 com a princesa Alexandra da Dinamarca. A rainha criou a tradição de que a filha solteira mais velha se tornasse sua secretária não oficial, assim Luísa preencheu a posição em 1866 mesmo com sua mãe preocupada que ela era muito indiscreta.

Porém, ela foi bem no trabalho: Vitória escreveu em seu diário pouco depois que "Ela é (e quem há alguns anos teria pensado nisso?) uma boa menina inteligente com um fino caráter forte, altruísta e afetuosa". Entretanto, quando entre 1866 e 1870 a princesa se apaixonou pelo reverendo Robinson Duckworth, tutor de seu irmão o príncipe Leopoldo, a rainha reagiu ao dispensar Duckworth. Ele mais tarde se tornou o cônego da Abadia de Westminster.

Luísa ficava entediada na corte e ao cumprir suas funções, que consistiam em pouco mais do que tarefas secretariais menores, como escrever cartas em nome da rainha, lidar com correspondência política e fazer companhia para Vitória. Tirando isso, a princesa tinha poucas outras responsabilidades.

Casamento Pretendentes Como filha da rainha, Luísa era uma noiva desejável, ainda mais por ser considerada por contemporâneos e por biógrafos modernos como a mais bonita das filhas de Vitória e Alberto. Contudo, a imprensa a acusava de ter casos românticos mesmo sem nenhum fundamento. Isso, junto com seu liberalismo e feminismo, levou a rainha a procurar um marido para a filha. A escolha tinha de ser adequada tanto para Vitória quanto para Luísa, com a rainha insistindo que o marido vivesse perto dela, uma promessa também feita pelo marido da princesa Helena, o príncipe Cristiano de Schleswig-Holstein. Foram propostos vários possíveis pretendentes de várias casas reais da Europa: a princesa Alexandra sugeriu o seu irmão Frederico, Príncipe Herdeiro da Dinamarca, porém Vitória era contra outro casamento dinamarquês que poderia antagonizar a Prússia, que na época estava em meio a Guerra dos Ducados do Elba, com a Dinamarca sobre a questão dos territórios de Schleswig-Holstein.

A irmã maior de Luísa, a princesa Vitória, Princesa Real do Reino Unido, propôs o alto e rico príncipe Alberto da Prússia, porém a rainha desaprovava outro casamento prussiano que acabaria sendo impopular no Reino Unido. Alberto também estava relutante em ir morar na Inglaterra como era exigido. O príncipe Guilherme, Príncipe de Orange, também foi considerado um candidato, porém o seu jeito extravagante em festas na cidade de Paris na França, onde vivia abertamente com várias amantes, fez a rainha vetar rapidamente a ideia.

thumb|200px|Luísa e John Campbell no retrato oficial de noivado Era indesejável para Luísa o casamento com qualquer príncipe e ela anunciou que gostaria de se casar com John Campbell, Marquês de Lorne e herdeiro do Ducado de Argyll. Nenhum casamento entre a filha de um soberano e um súdito britânico havia ocorrido desde 1515, quando Maria Tudor, filha do rei Henrique VII da Inglaterra, se casou com . O príncipe Eduardo, Príncipe de Gales, irmão mais velho de Luísa, veementemente se opôs a união com um nobre não mediatizado. Além disso, e pai de Lorne, era um grande defensor de William Ewart Gladstone, e o Alberto Eduardo acreditava que isso colocaria a família real britânica próxima demais de disputas políticas. A posição mesmo assim foi posta para trás por Vitória, que escreveu ao príncipe em 1869 que:

Vitória assertou que o casamento de Luísa com um súdito traria "sangue novo" para a família, enquanto todos os príncipes europeus eram parentes entre si de alguma forma. Ela estava convencida que isso fortaleceria a família real britânica moralmente e fisicamente.

Noivado e casamento thumb|left|Luísa em seu casamento. Luísa se tornou a noiva do Marquês de Lorne em 03 de outubro de 1870. Lorne foi convidado ao Castelo de Balmoral na Escócia e foi em um passeio acompanhado por Luísa, William Wood, 1.º Barão Hatherley e Lorde Chanceler, e Jane, Marquesa de Ely e dama-de-companhia da rainha. A princesa voltou mais tarde no mesmo dia e anunciou para a mãe que Lorne havia "falado de sua devoção" para ela, aceitando o pedido de casamento com o conhecimento e aprovação de Vitória. A rainha posteriormente presenteou Ely com um bracelete para marcar a ocasião.

Foi difícil para a rainha deixar sua filha ir embora e ela escreveu em seu diário que "senti dolorosamente o pensamento de perdê-la". A nova quebra da tradição real causou surpresa especialmente na Alemanha, com Vitória escrevendo a rainha Augusta de Saxe-Weimar que príncipes de pequenas e empobrecidas casas germânicas eram "muito impopulares" entre o povo britânico e que Lorne, sendo "uma pessoa de distinção em casa" e com "uma fortuna independente", "realmente não é de posição menor que a realeza germânica".

Vitória estabeleceu uma anuidade para Luísa pouco antes do casamento. A cerimônia foi realizada na Capela de São Jorge no dia 21 de março de 1871, com as multidões do lado de fora sendo tão grandes que pela primeira vez policiais foram forçados a formar barreiras para manter o controle. Luísa usou um véu de casamento com um laço de Honiton que ela mesma criou, sendo levada para dentro da capela por sua mãe e por seus dois irmãos mais velhos: o Príncipe de Gales e o príncipe Alfredo, Duque de Edimburgo. Nessa ocasião, o vestido de luto preto forte da rainha foi aliviado pelos rubis carmesim e os azuis da estrela da Ordem da Jarreteira. Vitória beijou Luísa ao final da cerimônia e Lorne, agora um membro da família real britânica, mas ainda um súdito, beijou a mão da rainha.

O casal viajou para a Claremont House, localizada em Surrey na Inglaterra, durante a lua de mel, porém a presença de atendentes durante a viagem e até durante as refeições fez com que fosse impossível para os dois conversarem em particular. A curta visita de quatro dias não passou sem uma interrupção da rainha, que estava curiosa sobre os pensamentos da filha sobre os seus primeiros dias de casada. Dentre os presentes de casamento estava uma escrivaninha de madeira presenteada por Vitória.

Canadá Chegada thumb|Luísa no Canadá.