Combinação, na gramática da língua portuguesa, é a união de uma preposição com outra palavra, geralmente artigo, pronome ou advérbio, sem perda fonética da preposição. Distingue-se da contracção, em que ocorre alteração ou redução fonética de um dos elementos envolvidos.

O exemplo mais comum em português é a forma ao, resultante da combinação da preposição a com o artigo definido masculino singular o. Assim, em frases como «vou ao teatro», a forma ao corresponde a a + o, sem supressão da preposição.

Diferença entre combinação e contracção

Na tradição gramatical portuguesa, a distinção entre combinação e contracção é feita sobretudo no estudo das preposições. Há combinação quando a preposição se une a outro vocábulo sem perder fonema; há contracção quando a união implica alteração fonética, fusão ou redução de algum dos elementos.

Assim, a + o forma ao, caso geralmente descrito como combinação. Já formas como do e no, provenientes de de + o e em + o, são tradicionalmente descritas como contracções. O mesmo sucede com formas como da, das, neste, naquele, pelo e pela, em que se verifica fusão gráfica e fonética entre a preposição e o artigo, pronome ou determinante.

A crase, assinalada na escrita pelo acento grave, é também tratada como caso de contracção da preposição a com artigo ou pronome iniciado por a, como em à, às, àquele, àquela e àquilo.

Casos em português

Entre as combinações tradicionalmente apontadas na língua portuguesa encontram-se:

Elementos Forma combinada Exemplo a + o ao «Fui ao teatro.» a + os aos «Entregou os livros aos alunos.» a + onde aonde «Aonde vais?»

As formas ao e aos resultam da união da preposição a com os artigos definidos masculinos o e os. Já aonde é tradicionalmente analisado como resultado da união da preposição a com o advérbio onde, em construções que exprimem movimento ou direcção.

A norma ortográfica portuguesa de 1945, mantida com alterações em 1973, emprega expressamente a expressão «combinação da preposição a» ao tratar de casos em que essa preposição pode ser graficamente separada de uma forma pronominal realçada por maiúscula, sem que isso impeça a leitura combinada, como em a O = ao e a Aquele = àquele.

O Acordo Ortográfico de 1990 também emprega a expressão «combinação da preposição a» ao tratar de casos em que essa preposição pode ser separada graficamente de uma forma pronominal realçada por maiúscula, sem que essa separação impeça a leitura combinada, como em a O = ao e a Aquela = àquela.

Terminologia

A oposição entre combinação e contracção tem sobretudo valor descritivo e didáctico. Lou-Ann Kleppa observa que a terminologia não é usada de forma absolutamente uniforme por todos os gramáticos, em especial quando se discute se a contracção deve ser entendida apenas como crase ou, mais amplamente, como amálgama com perda fonética.

Em obras gramaticais de referência, como as de Celso Cunha e Lindley Cintra e de Evanildo Bechara, a distinção é apresentada no âmbito das formas assumidas pelas preposições quando se ligam a artigos, pronomes e advérbios.

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