miniaturadaimagem|305x305px|Lixão na cidade de Sumé (Paraíba)
A poluição do solo é a ocorrência de poluição deste acima de certos níveis, causando a deterioração ou perda de uma ou mais das funções do solo. Consiste na presença indevida no solo de elementos químicos estranhos, como os resíduos sólidos ou afluentes líquidos produzidos pelo homem, que prejudicam as formas de vida e seu desenvolvimento regular.
É tipicamente causada por atividade industrial, agrotóxicos ou descarte irregular de resíduo sólido. Os tipos de poluentes mais comuns são derivados de petróleo, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (como naftaleno e benzo(a)pireno), solventes, pesticidas, chumbo e outros metais pesados. A contaminação é correlacionada com o grau de industrialização e intensidade da substância química. A preocupação em relação à contaminação do solo surge primariamente relacionada a riscos à saúde, provenientes do contato direto com o solo contaminado, vapor dos contaminantes, ou por contaminação secundária através de recursos hídricos contaminados pelo contato com o solo.Risk Assessment Guidance for Superfund, Human Health Evaluation Manual, Office of Emergency and Remedial Response, U.S. Environmental Protection Agency, Washington D.C. 20450 O mapeamento e consequente despoluição do solo contaminado demandam tempo e alocação de recursos financeiros, requerem especialistas em geologia, hidrologia, química, modelagem computacional, etc., além de estudo da história da química industrial.
Causas A poluição do solo pode ser causada pelos seguintes (listagem não exaustiva): Microplásticos Derramamento de petróleo Mineração e atividades de outras indústrias pesadas Derramamentos acidentais que podem ocorrer durante atividades, etc. Corrosão de tanques de armazenamento subterrâneos (incluindo encanamento usado para transporte dos conteúdos) Chuva ácida Agricultura intensiva Agroquímicos, como pesticidas, herbicidas e fertilizantes Petroquímicos Acidentes industriais Resíduos rodoviários Atividades de construção civil Tintas à base de chumbo Drenagem de águas superficiais contaminadas para o solo Munições, agentes químicos e outros agentes de guerra Descarte de resíduos Despejo de petróleo e combustíveis Resíduos nucleares Despejo direto de resíduos industriais no solo Descarte de esgoto Aterros sanitários e despejo ilegal Cinzas volantes Lixo eletrônico Resíduos contaminados por rochas contendo grandes quantidades de elementos tóxicos Resíduos contaminados com Chumbo devido a gases de exaustão de veículos, Cádmio, e Zinco vindo do desgaste de pneus. Poluentes atmosféricos vindos da incineração de matérias-primas fósseis
Os químicos mais comumente envolvidos são hidrocarbonetos de petróleo, solventes, pesticidas, chumbo e outros metais pesados.
Qualquer atividade que leve a outras formas de degradação do solo (erosão, compactação, etc.) pode indiretamente agravar os efeitos da poluição, na medida em que a remediação do solo se torna mais lenta.
A deposição histórica de cinzas de carvão usadas para aquecimento residencial, comercial e industrial, bem como para processos industriais, como fundição de minério, era uma fonte comum de contaminação em áreas industrializadas antes de 1960. O carvão concentra naturalmente chumbo e zinco durante sua formação, bem como outros metais pesados em menor grau. Quando o carvão é queimado, a maioria desses metais fica concentrada nas cinzas (a principal exceção é o mercúrio). Cinzas volantes e escórias de carvão podem conter chumbo suficiente para serem qualificadas como "resíduos perigosos característicos", definidos nos EUA como contendo mais de 5 mg/L de chumbo extraível usando o procedimento TCLP. Além do chumbo, as cinzas de carvão normalmente contêm concentrações variáveis, mas significativas, de hidrocarbonetos aromáticos polinucleares (HAPs; por exemplo, benzo(a)antraceno, benzo(b)fluoranteno, benzo(k)fluoranteno, benzo(a)pireno, indeno(cd) pireno, fenantreno, antraceno e outros). Esses HAPs são conhecidos como carcinógenos humanos e suas concentrações aceitáveis no solo são normalmente em torno de 1 mg/kg. Cinzas e escórias de carvão podem ser reconhecidas pela presença de grãos esbranquiçados no solo, solo cinza heterogêneo ou (escória de carvão) grãos borbulhantes e vesiculares do tamanho de seixos.
O lodo de esgoto tratado, conhecido na indústria como biossólido, tornou-se controverso como "fertilizante". Por ser subproduto do tratamento de esgoto, geralmente contém mais contaminantes, como organismos, pesticidas e metais pesados, do que outros tipos de solo.
Pesticidas e herbicidas
Um pesticida é uma substância usada para matar uma praga. Um pesticida pode ser uma substância química, um agente biológico (como um vírus ou uma bactéria), um antimicrobiano, um desinfetante ou um dispositivo utilizado contra qualquer praga. Pragas incluem insetos, patógenos de plantas, ervas daninhas, moluscos, pássaros, mamíferos, peixes, nematóides (lombrigas) e micróbios que competem com os humanos por comida, destroem propriedades, espalham ou são vetores de doenças, ou causam incômodo. Embora existam benefícios no uso de pesticidas, também existem desvantagens, como a potencial toxicidade para humanos e outros organismos.
Herbicidas são usados para matar ervas daninhas, especialmente em calçadas e ferrovias. Eles são semelhantes às auxinas e a maioria é biodegradável pelas bactérias do solo. Porém, um grupo derivado do trinitrotolueno (2:4 D e 2:4:5 T) contém a impureza dioxina, que é muito tóxica e causa fatalidade mesmo em baixas concentrações. Outro herbicida é o Paraquat. É altamente tóxico, mas degrada-se rapidamente no solo devido à ação de bactérias e não mata a fauna do solo.
Os inseticidas são usados para livrar as fazendas de pragas que danificam as colheitas. Os insetos danificam não só as culturas em pé, mas também as armazenadas e, nos trópicos, calcula-se que um terço da produção total se perde durante o armazenamento de alimentos. Tal como acontece com os fungicidas, os primeiros inseticidas utilizados no século XIX eram inorgânicos, por exemplo, Paris Green e outros compostos de arsênico. A nicotina também tem sido usada desde 1690.
Existem agora dois grupos principais de inseticidas sintéticos:
1. Organoclorados: Incluem DDT, Aldrina, Dieldrina e BHC. Eles são baratos de produzir, potentes e persistentes. O DDT foi utilizado em grande escala a partir da década de 1930, com um pico de 72.000 toneladas utilizadas em 1970. Depois, a utilização caiu à medida que os efeitos ambientais nocivos foram notados. Ele foi encontrado em todo o mundo em peixes e pássaros e até foi descoberto na neve da Antártica. É apenas ligeiramente solúvel em água, mas é muito solúvel na corrente sanguínea. Afeta os sistemas nervoso e endócrino e faz com que as cascas dos ovos das aves tenham falta de cálcio, tornando-as facilmente quebráveis. Pensa-se que seja responsável pelo declínio do número de aves de rapina, como as águias-pescadoras e os falcões-peregrinos, na década de 1950 – estão agora em recuperação. Além do aumento da concentração através da cadeia alimentar, sabe-se que entra através de membranas permeáveis, de modo que os peixes o adquirem pelas guelras. Por ter baixa solubilidade em água, tende a permanecer na superfície da água, por isso os organismos que ali vivem são os mais afetados. O DDT encontrado em peixes que faziam parte da cadeia alimentar humana causou preocupação, mas os níveis encontrados nos tecidos do fígado, rins e cérebro foram inferiores a 1 ppm e na gordura foram 10 ppm, o que estava abaixo do nível suscetível de causar danos. No entanto, o DDT foi proibido no Reino Unido e nos Estados Unidos para impedir a sua acumulação na cadeia alimentar. Os fabricantes dos EUA continuaram a vender DDT aos países em desenvolvimento, que não podiam pagar os caros produtos químicos de substituição e que não tinham regulamentações tão rigorosas ao uso de pesticidas.
2. Organofosfatos: por exemplo, paration, metil-paration e cerca de 40 outros inseticidas estão disponíveis nacionalmente. O paration é altamente tóxico, o metil-paration é menos e o malation é geralmente considerado seguro, pois tem baixa toxicidade e é rapidamente decomposto no fígado dos mamíferos. Este grupo atua impedindo a transmissão nervosa normal, pois a colinesterase é impedida de quebrar a substância transmissora acetilcolina, resultando em movimentos musculares descontrolados.
Agentes de guerra
O descarte de munições e a falta de cuidado na fabricação de munições causada pela urgência da produção podem contaminar o solo por longos períodos. Há pouca evidência publicada sobre este tipo de contaminação, em grande parte devido às restrições impostas pelos governos de muitos países à publicação de material relacionado com o esforço de guerra. No entanto, o gás mostarda armazenado durante a Segunda Guerra Mundial contaminou alguns locais durante até 50 anos– Six Mustard gas sites uncovered – The Independent e os testes do antraz como potencial arma biológica contaminaram toda a ilha de Gruinard. Britain's Anthrax Island – BBC
Saúde Humana
Exposição ao solo contaminado
O solo contaminado ou poluído afeta diretamente a saúde humana através do contato direto com ele mesmo ou através da inalação de seus contaminantes que se vaporizam. Ameaças potencialmente maiores são representadas pela infiltração de contaminação do solo em aquíferos subterrâneos usados para consumo humano, às vezes em áreas aparentemente distantes de qualquer fonte aparente de contaminação acima do solo. Através desse fenômeno, metais tóxicos também podem se acumular e subir na cadeia alimentar através de plantas que residem em solos que contêm altas concentrações dessas substâncias. Isso tende a resultar no desenvolvimento de doenças relacionadas à poluição.
Vias de exposição
A maioria das exposições é acidental e pode ocorrer através de:
Ingestão direta de poeira ou solo; Ingestão de alimentos ou vegetais cultivados em solo contaminado ou com alimentos em contato com contaminantes; Contato da pele com poeira ou solo; Vapores do solo; Inalação de nuvens de poeira ao trabalhar em solos ou em ambientes com vento;
Apesar do exposto, alguns estudos estimam que 90% da exposição ocorre através da ingestão de alimentos contaminados.
Consequências
As consequências para a saúde da exposição à contaminação do solo variam muito dependendo do tipo de poluente, da via de ataque e da vulnerabilidade da população exposta. Os pesquisadores sugerem que pesticidas e metais pesados no solo podem prejudicar a saúde cardiovascular, assim como causar inflamação e alterações no relógio interno do corpo.
A exposição crônica ao cromo, chumbo e outros metais, petróleo, solventes e muitas formulações de pesticidas e herbicidas pode ser cancerígena, podendo causar distúrbios congênitos ou causar outras condições crônicas de saúde. Concentrações industriais ou artificiais de substâncias naturais, como nitrato e amônia associadas ao esterco de gado proveniente de operações agrícolas, também foram identificadas como perigos para a saúde no solo e nas águas subterrâneas.yosemite.epa.gov