Bahrein,Dicionário Aurélio, 6.ª ed, tabela de países: traz o nome do país como Bahrein/Barém/Barein Barém, ou Barein ( ), oficialmente Reino do Bahrein, é um pequeno país insular do golfo Pérsico, com fronteiras marítimas com o Irão a nordeste, com o Catar a leste e com a Arábia Saudita a sudoeste. A sua capital é Manama, a cidade mais populosa e o principal centro comercial do país. Os desertos, com sua esterilidade, cobrem mais de trinta ilhas componentes desse país árabe. É, com 780 km², a terceira menor nação na Ásia, após as Maldivas e Singapura.

O Barém é o local da antiga civilização de Dilmum.Oman: The Lost Land . Saudi Aramco World. Retrieved on 7 November 2016. A ilha é famosa desde a antiguidade por sua pesca de pérolas, que foram consideradas as melhores do mundo no século XIX. O Barém foi uma das primeiras áreas a se converter ao Islã, durante a vida de Maomé em 628. Após um período de domínio árabe, o Barém foi governado pelo Império Português de 1521 a 1602, após a conquista pelo xá Abas I do Império Safávida. Em 1783, o clã Bani Oteba capturou o Barém de Nácer Almadecur e desde então tem sido governado pela família real Al Khalifa, com Ahmed al Fateh como o primeiro emir do Barém.

Após sucessivos tratados com os britânicos, o Barém tornou-se um protetorado do Reino Unido em 1861. Em 1971, declarou independência e se tornou formalmente um Emirado. Porém, em 2002, o país foi declarado uma monarquia constitucional islâmica. Em 2011, houve uma série de protestos no Barém, inspirados na Primavera Árabe, esmagados com ajuda militar da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Na região do golfo Pérsico, onde se situa o país, há muito se praticam atividades econômicas muito importantes, como o comércio e as comunicações. Mas, a continuidade do subdesenvolvimento do Barém perdurou até ser descoberto o petróleo, em 1932, na ilha mais importante, que em árabe também se chama "Bahrayn". Hoje em dia, o país tem um dos melhores índices de Desenvolvimento Humano da região do Golfo, e um dos piores no capítulo das liberdades e direitos humanos. O Barém desenvolveu a primeira economia pós-petróleo no golfo Pérsico, sendo o resultado de décadas de investimentos nos setores bancário e turístico; muitas das maiores instituições financeiras do mundo estão presentes na capital do país. O Barém é membro das Nações Unidas, Movimento Não Alinhado, Liga Árabe, Organização para a Cooperação Islâmica e Conselho de Cooperação do Golfo.

Etimologia O nome do país vem do árabe Bahrayn, que é a forma dual da palavra bahr ("mar") e significa, portanto, "dois mares". A que "dois mares" o nome do país se refere exatamente é tema que até a presente data gera debate: podem referir-se às baías a leste e a oeste da ilha,Room, Adrian (2006). Placenames of the World: Origins and Meanings of the Names for 6,600 Countries, Cities, Territories, Natural Features, and Historic Sites. McFarland. ISBN 978-0-7864-2248-7. aos mares a norte e a sul da mesma (o que a separa do Irão e da Arábia, respetivamente), E.J. Brill. 1993. p. 584. ISBN 978-90-04-09796-4. ou à água salgada e doce presente por cima e por baixo do solo. Outros sugerem que o primeiro mar é o que está em volta do país e o segundo "mar" representa metaforicamente a abundância natural de águas termais no interior da própria ilha.

Até finais da Idade Média, o arquipélago era conhecido entre os árabes pelo nome de Awal, ao passo que o termo al-Bahrayn referia-se à região leste da Arábia, que se estendia desde Baçorá, no Iraque, até ao estreito de Ormuz, em Omã, e incluía o Cuaite e as províncias de Alhaça e Catife. É neste sentido que o termo é usado no Corão, onde aparece cinco vezes. (1960). "Baḥrayn". Encyclopedia of Islam. I. Leiden: E.J. Brill. p. 941. Não se sabe exatamente a partir de que momento o termo passou a designar apenas o arquipélago, mas já em 1556 o poeta português Luís de Camões refere a "ilha Barém" em Os Lusíadas.

De resto, na língua portuguesa, a grafia mais tradicional para o nome do país é Barém,Os Lusíadas, de Luís de Camões: em mais de uma estrofe da obra, Camões menciona o país, exclusivamente sob a grafia Barém. Vide estrofe 41 do Canto X. encontrada já duas vezes em Os Lusíadas. No Brasil, acabou por tornar-se recentemente muito difundida a forma Barein,Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (versão digital, acesso em 27 de fevereiro de 2015) traz bareinita, baremês, baremense e baremita, indicando-as como gentílicos de Barém ou Barein homófona à forma tradicional, porém calcada nas transliterações francesa - Bahrain ou Bahrayn - ou inglesa - Bahreyn ou Bahrein - do topônimo. No entanto, essa grafia foge à regra ortográfica da língua portuguesa para as palavras terminadas no som de "-ei" nasalizado no final: "bem", "hem!", "porém", "também", "trem".

História

Antiguidade O Barém foi o lar de Dilmum, um importante centro comercial da Idade do Bronze que ligava a Mesopotâmia e o Vale do Rio Indo. Posteriormente, a ilha foi governada pelos assírios e babilônios. Do século VI ao III a.C, o país fez parte do Império Aquemênida. Por volta de 250 a.C, a Pártia colocou o golfo Pérsico sob seu controle e estendeu sua influência até Omã. Os partas estabeleceram guarnições ao longo da costa sul do golfo Pérsico para controlar as rotas comerciais.

Durante a era clássica, o Barém era referido pelos gregos antigos como Tylos, o centro do comércio de pérolas, quando o almirante grego Nearco, servindo a Alexandre, o Grande desembarcou no país.Larsen 1983, p. 13 Acredita-se que Nearco foi o primeiro comandante de Alexandre a visitar a ilha, encontrando uma terra verdejante que fazia parte de uma ampla rede de comércio. Ele registrou o grande número de plantações de árvores de algodão no Barém, das quais eram fabricadas vestimentas chamadas sindones, de graus de valor fortemente diferentes, algumas sendo caras, outras mais baratas. O almirante também registrou que o uso dessa roupa se estendia à Arábia.Arnold Hermann Ludwig Heeren, Historical Researches Into the Politics, Intercourse, and Trade of the Principal Nations of Antiquity, Henry Bohn, 1854 p38 O historiador grego Teofrasto afirma que grande parte da ilha era coberta por esses algodoeiros e que o Barém era famoso por exportar bengalas gravadas com emblemas que costumavam ser carregados na Babilônia.Arnold Heeren, ibid, p441

Alexandre planejou estabelecer colonos gregos na ilha e, embora não esteja claro se isso aconteceu na escala que ele imaginou, o Barém se tornou parte integrante do mundo helenizado: a língua das classes superiores era o grego (embora o aramaico estivesse no uso diário) e a moeda local mostrava um Zeus sentado, que pode ter sido adorado lá como uma forma sincretizada do deus-sol árabe Shams.Potts, D.T., in: Coinage of the Caravan Kingdoms: Studies in Ancient Arabian Monetization, Huth, Martin, and van Alfen, Peter G., (editors), Numismatic studies, The American Numismatic Society, New York, 2010, p. 36 Tylos também foi o local de competições atléticas gregas.W. B. Fisher et al. The Cambridge History of Iran, Cambridge University Press 1968 p40

O historiador grego Estrabão acreditava que os fenícios eram originários do Barém, sendo que Heródoto também acreditava que a pátria dos fenícios era a região do atual país. Esta teoria foi aceita pelo classicista alemão do século XIX, Arnold Heeren, que mencionou o fato de que em Tylos e Arade, dois lugares geograficamente localizados no antigo Barém, havia a exibição de relíquias associadas aos templos fenícios. Ainda, Arnold Heeren fazia menção à semelhança nas palavras "Tylos" e "Tyrus" (Tiro). No entanto, há poucas evidências de qualquer assentamento humano na ilha durante o tempo em que essa migração supostamente ocorreu.

Acredita-se que o nome Tylos seja uma helenização do semítico "Tilmun" (de Dilmum).Jean Francois Salles in Traces of Paradise: The Archaeology of Bahrain, 2500BC-300AD in Michael Rice, Harriet Crawford Ed, IB Tauris, 2002 p132 O termo "Tylos" era comumente usado para as ilhas até na obra Geografia de Ptolemeu, quando os habitantes eram chamados de "Thilouanoi".Jean Francois Salles p132 Alguns nomes de lugares no Barém remontam à era de Tylos; por exemplo, acredita-se que o nome de Arade, um subúrbio residencial de Muarraque, seja originário de "Arados", o antigo nome grego de Muarraque.

No século III, Artaxes I, o primeiro governante da dinastia sassânida, marchou sobre Omã e Barém, onde derrotou Sanatruq, o governante do Barém. Naquela época, o Barém era conhecido como "Mishmahig" (que em persa médio/pálavi significa "peixe-ovelha").Yoma 77a and Rosh Hashbanah, 23a

O Barém também era o local de adoração de uma divindade de boi chamada Awal (em árabe: اوال) Os adoradores construíram uma grande estátua para Awal em Muarraque, embora agora tenha sido perdida. Por muitos séculos depois de Tylos, o Barém era conhecido como Awal. Por volta do século V, o Barém tornou-se um centro para o cristianismo nestoriano, com a vila SamahijFrom Persian sa-mahij (سه ماهی) meaning Three Fish. como sede dos bispos. Em 410, de acordo com os registros sinodais da Igreja Siríaca Oriental, um bispo chamado Batai foi excomungado da igreja no Barém. Como seita, os nestorianos eram frequentemente perseguidos como hereges pelo Império Bizantino, mas o Barém estava fora do controle do Império, oferecendo alguma segurança. Os nomes de várias aldeias de Muarraque hoje refletem o legado cristão do Barém, com Al Dair significando "o mosteiro".

A população pré-islâmica do Barém consistia de árabes cristãos (principalmente abuceus), persas (zoroastrianos), judeus, e agricultores de língua aramaica. De acordo com Robert Bertram Serjeant, o povo baharna pode ser pessoas arabizadas "descendentes de convertidos da população original de cristãos (arameus), judeus e persas que habitam a ilha e províncias costeiras cultivadas da Arábia Oriental na época da conquista muçulmana". As pessoas sedentárias do Barém pré-islâmico eram falantes de aramaico e, até certo ponto, falantes de persa, enquanto o siríaco funcionava como uma língua litúrgica.

Chegada do Islão thumb|Fac-símile de uma carta enviada por Maomé a Munzir ibn-Sawa al-Tamimi, governador do Barém, em 628 d.C.

A primeira interação de Maomé com o povo do Barém foi a Expedição de Alcudre. Maomé ordenou um ataque surpresa à tribo Banu Salim por conspirar para atacar Medina. Ele havia recebido notícias de que algumas tribos estavam reunindo um exército no Barém e se preparando para atacar o continente, mas os membros da tribo recuaram quando souberam que Maomé estava liderando um exército para lutar contra eles.Emerick, Yahiya (2002) Critical Lives: Muhammad, p. 185, PenguinMubarakpuri, The Sealed Nectar, p. 147. (online)

Relatos islâmicos tradicionais afirmam que Al-Ala'a Al-Hadrami foi enviado como enviado durante a expedição de Zaíde ibne Harita a HismaSafiur-Rahman Mubarakpuri, The Sealed Nectar, p. 226Akbar Shāh Ḵẖān Najībābādī, History of Islam, Volume 1, p. 194. Quote: "Again, the Holy Prophet «P sent Dihyah bin Khalifa Kalbi to the Byzantine king Heraclius, Hatib bin Abi Baltaeh to the king of Egypt and Alexandria; Allabn Al-Hazermi to Munzer bin Sawa the king of Bahrain; Amer bin Aas to the king of Oman. Salit bin Amri to Hozah bin Ali— the king of Yamama; Shiya bin Wahab to Haris bin Ghasanni to the king of Damascus" à região do Barém pelo profeta Maomé em 628 d.C. e que Munzir ibn Sawa Al Tamimi, o governante local, respondeu à sua missão e converteu toda a área ao islamismo.A letter purported to be from Muhammad to al-Tamimi is preserved at the Beit al-Qur'an Museum in Hoora, Bahrain

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