300px|thumb|direita|Vista do rio Guadiana e do antigo terminal mineiro. Pomarão é uma pequena aldeia alentejana situada no concelho de Mértola, freguesia de Santana de Cambas, tendo muito pouca população (11 habitantes em 2023). Faz fronteira com Espanha e fica situada na encosta, na margem esquerda do rio Guadiana, junto à confluência do rio Chança.
Em 26 de fevereiro de 2009, foi inaugurada a Ponte Internacional do Baixo Guadiana, sobre o rio Chança, que veio reduzir a distância por estrada à povoação espanhola de El Granado de 140 km para apenas 12 km.
Próximo do Pomarão fica igualmente a barragem do Chança, barragem espanhola utilizada para o abastecimento em água da costa de Huelva, da cidade de Huelva e da sua zona industrial.
Descrição e história Um dos principais eventos do concelho de Mértola é o Festival do Peixe do Rio, organizado no Pomarão pela Câmara Municipal, e que tem como finalidade divulgar a gastronomia e os produtos regionais.
Entre 1859 e 1860, a empresa proprietária da mina de São Domingos construiu no Pomarão uma povoação, armazéns, depósitos de mineral, terminal ferroviário e dois cais de embarque, onde atracavam os navios mineraleiros à vela e a vapor que subiam o Guadiana desde a foz.
Dali partiam os navios carregados com o minério (pirites) que vinha por via férrea desde a mina de S. Domingos, encerrada no início dos anos 70, para a CUF, no Barreiro, e para Inglaterra (por Vila Real de Santo António).
O minério chegava ao porto do Pomarão transportado por uma das primeira linhas de caminho-de-ferro construídas em Portugal (1858), apenas dois anos após a inauguração do troço Lisboa-Carregado.
O movimento do porto era elevado. Em 1864 apresentaram-se no Pomarão 563 navios para embarque de minério.
De referir que era considerado porto comercial, pois fica situado no limite de navegabilidade do Guadiana, com acesso a embarcações até cerca de 4 metros de calado.
Na sua obra Lagos e outras terras, José Veloso refere que «no Pomarão, chegaram a trabalhar 400 homens na transfega do minério para os navios que o transportavam para outros portos.» Segundo o escritor, a aldeia entrou em profundo declínio após o final da exploração mineira, uma vez que a sua única fonte de trabalho estava ligada ao movimento das minas. Assim, descreveu-a como estando «a caminho da completa ruína» onde «só lá viviam menos de uma dúzia de reformados, creio que 4 guardas-fiscais e a família da padeira, cujo pão era tão afamado que abastecia Alcoutim. Tal como havia fornecido os navios mineraleiros». Em termos de transportes, não existia uma «estrada de ligação directa do Pomarão», ms «a carga semanal de pão para Alcoutim era transportada pelo rio, em bote a motor». Segundo o escritor, durante a época estival «juntava-se no Pomarão um grupo de garotos, em idade de escola primária, em férias escolares passadas com os avós». Devido à falta de trabalho, os habitantes da aldeia mudaram-se para Espanha ou para a margem oposta do Rio Guadiana. Quanto às antigas estruturas mineiras, descreve que «mostrava os restos arruinados do cais do porto e das casas abandonadas, quase todos os telhados abatidos», acrescentando que «mesmo o edifício mais importante e de maior presença, os antigos escritórios da empresa, estava um destroço de abandono».VELOSO, 2008:87-88 Além do transporte de minérios, também foi um importante entreposto para adubos e trigo. Nos princípios da década de 1960, era um dos portos no Rio Guadiana que estava em grave risco de encerrar, devido à falta de dragagem na barra daquele curso de água.
No orçamento da Câmara Municipal de Mértola para 2026, aprovado em Janeiro desse ano, foi introduzida a realização de vários intervenções no saneamento básico, e a construção da estrada transfronteiriça de Pomarão até Mértola, que já estava em obras. Este último empreendimento consistia na remodelação do Caminho Municipal 1153, e era considerado de grande importância a nível concelhio, uma vez que melhoraria as ligações entre a vila de Mértola e Espanha através do Pomarão, facilitando as comunicações com os grandes centros da Andaluzia, como Sevilha e Huelva. Em 31 de março do mesmo ano, autarquia assinou um programa de cooperação com a Agência Portuguesa do Ambiente e o Fundo Ambiental para a realização de obras no Rio Guadiana, no sentido de melhorar a navegabilidade daquele curso de água. Esta intervenção iria abrangir o lanço entre a vila e o Pomarão, e incluiria a estabilização e limpeza das margens, e a reposição das estruturas de apoio à navegação.
Ver também Puerto de La Laja
Bibliografia
Ligações externas
Categoria:Aldeias do Distrito de Beja