A Associação Ferroviária de Esportes (mais conhecida apenas como Ferroviária) é um clube de futebol brasileiro da cidade de Araraquara, interior do estado de São Paulo. Foi fundada em 12 de abril de 1950 e suas cores são grená e branco. Já a Ferroviária S/A foi estabelecida em 11 de novembro de 2003.
Permaneceu trinta anos seguidos na elite do Campeonato Paulista, além de ter participações na Série A do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.
Manda seus jogos no estádio Doutor Adhemar de Barros (popularmente conhecido como Fonte Luminosa). Em 2025, a Ferroviária disputou a Série A2 do Campeonato Paulista e a Série B do Campeonato Brasileiro, sendo rebaixada para a Série C.
História Fundação Em 1950, um grupo de engenheiros e demais servidores da Estrada de Ferro Araraquara (EFA) reuniu-se no salão de festas do Clube 22 de Agosto. O encontro havia sido articulado pelo engenheiro Antonio Tavares Pereira Lima. Era sua intenção fundar um clube esportivo de empregados da EFA. Esclareceu a todos as linhas gerais do seu plano, com o propósito de conseguir os recursos necessários à manutenção da entidade. A Pereira Lima se deve a fundação do clube e o nome "Associação Ferroviária de Esportes" (O seu distintivo ficou sendo o mesmo da EFA, porém com as letras ao contrário: AFE). Ele desejava para a AFE as mesmas cores utilizadas pela seleção carioca de futebol (azul "guanabara" e branco), sua ideia causou leve discórdia, pois os outros integrantes da EFA não concordaram com as cores escolhidas.
Por isso, venceu a combinação grená e branco, idêntica à do Clube Atlético Juventus. Não houve confusão, mas debates a respeito do que melhor poderia representar o clube, e venceu, por sugestão de Silvio Barini, a cor grená porque era semelhante àquela que distinguia as locomotivas da EFA, de acordo com o depoimento de Jacob Martins no livro "Fonte Luminosa".
Talvez por isso, quando mais tarde fundou a Associação Desportiva Araraquara (ADA), Pereira Lima não abriu mão das suas cores preferidas. Pereira Lima adotou as cores azul e branca para a ADA, resultado da fusão do Paulista FC e do São Paulo de Araraquara, porque são as cores da cidade e era a cor da camisa da Associação Atlética Araraquara que existiu de 1927 a 1930 (depoimento de Arnaldo de Araujo Zocco e noticiado no jornal O Imparcial da data da fundação da ADA).
Na mesma reunião que decidiu a cor da camisa, foi aclamada também a Diretoria provisória da Ferroviária, assim constituída: Presidente:Antonio Tavares Pereira LimaVice-presidente:Hermínio Amorim JúniorPrimeiro Secretário:Jacob MartinsSegundo Secretário:Ciro CamposPrimeiro Tesoureiro:Augusto CamposSegundo Tesoureiro:Lázaro Ferreira de Almeida Júnior Obtida a área de terreno, foi iniciada a construção do estádio de futebol, que mais tarde levaria o nome "Estádio Doutor Adhemar de Barros", em homenagem ao conhecido político. Hoje, popularizou-se chamar o estádio de "Fonte Luminosa", mas alguns radialistas ainda dizem, quando estão transmitindo jogos em Araraquara: "Estamos falando do estádio Dr. Adhemar Pereira de Barros…"
Foi constituída uma comissão encarregada de angariar fundos, integrada por Abel de Almeida Magalhães, Francisco Eugênio de Campos Júnior, Orlando Drumont Murgel, Jader Lessa Cesar, Amador Galucci, Frederico Meller, Orlando Mantezi, Azor Garcia dos Santos, Dorival Carvalho e Antonio de Barros Serra. Dez cruzeiros seria a quantia a ser paga pelo associado, a partir de junho de 1950.
Ferroviária Futebol S/A - Origem A ideia da criação de uma empresa para a exploração das atividades de futebol da AFE nasceu no gabinete do Prefeito Municipal de Araraquara, Edinho Silva e foi pauta de várias reuniões entre o Prefeito e diversos simpatizantes e torcedores de futebol da AFE, que queriam ver o clube sair da crise financeira em que passava. Em 11 de novembro de 2003 realizou-se a Assembleia Geral de Constituição que declarou formalmente constituída a Ferroviária Futebol S/A, elegendo o Conselho de Administração da Empresa, que a seguir elegeu a primeira diretoria, com mandato até abril de 2004. O contrato foi registrado na Junta Comercial do Estado em 3 de dezembro de 2003.
O primeiro corpo administrativo da Ferroviária S/A ficou assim definido: Diretor PresidenteValdir MassucatoDiretor Vice-presidenteWaldemar Paschoalino JúniorDiretor Adminstrativo/FinanceiroBruno José Ópice de MattosDiretor de FutebolOsmar Alberto Volpe No início da constituição da S/A, algumas parcerias foram fundamentais para o sucesso do clube-empresa. É importante destacar ações conjuntas entre S/A e empresas como Lupo, Unimed, Patrezão, Empresa Cruz, Usina Maringá, Uniara, Viação Paraty, entre outras que de forma direta ou indireta participaram do ressurgimento da Ferroviária de Araraquara.
Ao mesmo tempo, como compromisso com torcida e a cidade, traçou-se como objetivo o acesso às divisões superiores do Futebol Paulista em curto espaço de tempo. No primeiro semestre de 2006, disputando a Série A3, a locomotiva grená quase chegou ao acesso à Série A2, sendo eliminada na segunda fase após ficar em 3.º lugar do Grupo 3, ficando atrás de São José e XV de Jaú.
Apesar de não conseguir o acesso em 2006, a diretoria da Ferroviária seguiu firme em busca dos objetivos traçados, fazendo com que a ferrinha fosse campeã da Copa Federação Paulista de 2006, onde empatou com o Bragantino em casa por 1-1 e venceu no estádio Marcelo Estefani por 0-1, com mais de dez mil torcedores presentes.
Em 2016, a Ferroviária jogou a Série A1 do Campeonato Paulista, após uma conquistar seu terceiro título da Série A2 em 2015 com três rodadas de antecedência. Pelo segundo ano consecutivo, a Locomotiva participou da Copa do Brasil.
No dia 25 dezembro de 2020 após notícias publicadas na Folha de S.Paulo e portal Uol, Saul Klein, principal investidor comunicou que estava se desligando, temporariamente, do Comitê Gestor de Futebol da Ferroviária.
Campanhas A luta pelo acesso (1951-1955) Em 1951, logo no ano seguinte ao de sua fundação, a Ferroviária já disputou a sua primeira competição oficial. Foi o Campeonato Paulista da Série A2, onde ficou em 3.º lugar de 11 clubes que disputavam o grupo da Zona Central, não conseguindo a vaga para a próxima fase.
Em 1952 a equipe demonstrou sua força, terminando como 1.º colocada da primeira e da segunda fase. O sonho da população de Araraquara de ver uma de suas equipes na elite do futebol paulista estava próximo da realidade. No entanto, o acesso era apenas reservado ao campeão. O sonho afeano foi adiado pelo Linense, que goleou a Ferroviária por 3-0 na final disputada no Pacaembu.
Em 1953 a Ferroviária bate na trave novamente: depois de dominar o seu grupo na primeira fase, a equipe terminou em 2.º lugar no hexagonal final conquistado pelo Noroeste de Bauru. Em 1954 o time de Araraquara sequer passa da primeira Fase. Mas em 1955, o sonho araraquarense enfim se torna realidade. Depois de liderar seu grupo na primeira fase, a Ferroviária disputou a segunda fase com mais sete times já no ano de 1956.
No dia 16 de abril de 1956, a Ferroviária goleou seu maior rival, o Botafogo de Ribeirão (segundo colocado) por 6-3, num jogo histórico realizado na Fonte Luminosa lotada. Com esse resultado, a Ferroviária garantiu o acesso à Série A1 do Campeonato Paulista e conquistou seu primeiro título na história. Inaugura-se um novo capítulo na história do time grená. Durante partida válida pela Segunda Divisão de 1955, ocorreu a maior goleada da história do clube, 15-1 contra o Velo Clube, campeonato que terminou com o título da Ferroviária.
Grandes campanhas na Série A1 e as excursões ao exterior (1956-1964) No ano de 1956 a Ferroviária disputou pela primeira vez a Série A1 do Campeonato Paulista, terminando na tímida 12.ª colocação dentre 18 equipes participantes. Em 1957 o time grená não passa da 15.ª colocação. Embora a campanha não tivesse sido das melhores, foi em 1957 que a AFE conseguiu sua primeira vitória sobre um grande clube: 3-2 sobre o Santos, na Fonte Luminosa. Em 1958 a Ferroviária termina em 11.º lugar, derrubando o campeão Santos por 2-1 dentro de Araraquara.
Em 1959, a Ferroviária realiza a sua maior campanha na história do Campeonato Paulista da Série A1, terminando na 3.ª colocação, atrás apenas de Palmeiras e Santos. Em 38 jogos, foram 23 vitórias, sete empates e oito derrotas, com destaque para a vitória sobre o Corinthians, por 3-1, em Araraquara. Após a boa campanha de 1959, a Ferroviária venceu o Fluminense em 16 de março de 1960, em amistoso realizado em Araraquara: vitória por 5-1 da Ferroviária diante do tricolor carioca.
A Ferroviária realizou sua primeira excursão ao exterior no ano de 1960, enfrentando conhecidas equipes do futebol mundial. Enfrentou por duas vezes o Sporting CP, perdendo o primeiro jogo por 1-0 e empatando o segundo, em 1-1. Também duelou contra o Atlético de Madrid, empatando em 1-1. O grande feito da equipe de Araraquara em seus jogos na península ibérica foi a vitória por 2-0, diante do Futebol Clube do Porto, em 08 de maio de 1960.
Ainda em 1960, a Ferroviária conquistou o 6.º lugar no Campeonato Paulista, vencendo todos os quatro grandes clubes de São Paulo. Dentro da capital, vitórias por 3-1 sobre o São Paulo e goleada de 4-1 em cima do Palmeiras. Em Araraquara, vitória por 2-1 contra o Corinthians, além do histórico 4-0 sobre o Santos de Pelé, campeão paulista daquele ano, em 4 de setembro de 1960. As boas participações da Ferroviária na Série A1 do Campeonato Paulista continuaram em 1961, quando terminou em 5.º lugar, sendo a melhor equipe do interior naquele ano, com direito a duas vitórias diante do Corinthians por 2-1, sendo uma delas em Araraquara e a outra dentro de São Paulo.
Em 1962 a ferrinha termina em 7.º lugar, vencendo em casa o Palmeiras por 3-1, e derrubando por duas vezes o tricolor do Morumbi: 4-1 dentro de São Paulo e 2-0 dentro de Araraquara. Em 1963 o time de Araraquara termina na 6.ª colocação, novamente vencendo o Santos de Pelé: vitórias por 4-1 dentro de Araraquara e por 5-1 dentro da Vila Belmiro. Nesse mesmo ano a Ferroviária excursionou pela Colômbia, enfrentando grandes equipes do futebol sul-americano. Destaque para os duelos contra Once Caldas (derrota por 5-4) e Nacional de Medellín (vitória por 6-0). No ano seguinte, em 1964, a Ferroviária terminou o Campeonato Paulista apenas na 13.ª colocação, sem vencer nenhuma grande equipe. Era o prenúncio de que tempos difíceis estariam por vir.
Rebaixamento e o retorno no ano seguinte (1965-1966) O ano de 1965 foi um dos mais tristes da história da Ferroviária. Após grandes campanhas no Campeonato Paulista dos anos anteriores, a equipe afeana terminou o torneio de 1965 em último lugar (16.ª colocação), sendo rebaixada para a Série A2 após dez anos consecutivos na elite do futebol paulista. Durante a campanha do rebaixamento, a Ferroviária ainda assim conseguiu vencer em casa o Corinthians, por 2-1.
De volta à Série A2 em 1966, o time de Araraquara não se abalou, dominando a competição do início ao fim. Após conquistar o 1.º lugar na primeira e segunda fase, o adversário da final seria o XV de Piracicaba, em dois jogos no estádio do Pacaembu. O primeiro jogo da decisão terminou empatado em 1-1. No segundo jogo, a Ferroviária venceu o XV de Piracicaba por 1-0, sagrando-se campeã da competição. Assim, a Ferroviária não somente conquistou o acesso à Serie A1 no ano seguinte, como de quebra conquistou o bicampeonato na Série A2 do Campeonato Paulista (1955-1966). Para comemorar a volta à elite, a Ferroviária duelou na Fonte Luminosa contra o Cruzeiro, em partida amistosa. Tratou-se de verdadeiro duelo de campeões, tendo em vista que a equipe mineira havia vencido a Taça Brasil em 1966. O amistoso terminou empatado em 2-2.
O apogeu: tricampeonato do interior (1967-1968-1969)