Bernardo Teixeira de Carvalho (Rio de Janeiro, 5 de setembro de 1960) é um escritor, tradutor e jornalista brasileiro, considerado um dos principais romancistas brasileiros do século XXI. É também colunista da Folha de São Paulo, para a qual escreve mensalmente. É geralmente lembrado pelo seu romance Nove Noites, amplamente reconhecido pela crítica especializada como um dos principais romances da ficção brasileira contemporânea.
Publicações Foi editor do suplemento de ensaios Folhetim, e correspondente da Folha de S. Paulo em Paris e Nova Iorque. Seus dois primeiros livros foram editados na França.
Em 2006, trabalhou com o grupo Teatro da Vertigem e escreveu, de forma colaborativa com o diretor e os atores, a peça BR3, encenada pelo grupo.
Para escrever seu romance Mongólia, viajou pelo país, com bolsa de criação literária da fundação portuguesa Oriente, propondo, nesse texto, "um novo olhar sobre o espaço, uma nova consciência da inquietude e da mobilidade".
Carvalho também passou um período vivendo entre os os Krahôs, para tentar entender o personagem de seu romance Nove Noites, um antropólogo estadunidense que se suicidou enquanto pesquisava esse povo indígena.
Em 2021, publicou O último gozo do mundo, fábula distópica ambientada no contexto de pós-pandemia da Covid-19, no qual reflete sobre a quarentena e a sensação de fim do mundo.
Bernardo Carvalho teve o seu livro Mongólia distinguido com o Prêmio APCA da Associação Paulista dos Críticos de Arte, edição 2003, bem como o Prêmio Jabuti de 2004, ambos na categoria romance. Mais tarde, em 2014, receberia novamente o Jabuti por Reprodução, também na categoria romance. Antes, ele recebeu, a meias com Dalton Trevisan (Pico na Veia), o Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o romance Nove Noites. thumb|250px|Bernardo Carvalho no Salão do Livro em Paris em 2010
Obras Ficção (romances e contos) Aberração (1993) — Volume de onze contos sobre personagens deslocados e obcecados por coincidências, em narrativas que investigam memória, identidade e o “duplo”.
Onze (1995) — Trama em mosaico que aproxima personagens e acontecimentos díspares (um jogo de morto-vivo num sítio, um pintor estrangeiro no Rio, um acidente em Paris), explorando simetrias e espelhamentos narrativos.
Os bêbados e os sonâmbulos (1996) — Romance sobre a percepção e a perda de identidade: um jovem com tumor cerebral vê a sanidade ruir, num enredo que mistura policial, drama familiar e simulacros de arte e sexo.
Teatro (1998) — Dividido em duas partes e vozes, articula conspiração, celebridade e violência (um ataque químico por correio; um astro pornô implicado no assassinato de um político) para desmontar certezas de narrador e leitor.
As iniciais (1999) — Após receber uma caixinha com quatro iniciais gravadas, o protagonista entra numa espiral de dedução e paranoia; o romance trabalha códigos, memória e oralidade do narrador.
Medo de Sade (2000) — Um homem, acusado de homicídio depois de uma orgia da qual nada recorda, é internado; o livro acompanha seu esforço de reconstruir os fatos num diálogo claustrofóbico.
Nove noites (2002) — Investigação ficcional sobre o suicídio do antropólogo Buell Quain (1939), combinando vozes e documentos para discutir verdade, alteridade e os limites entre relato e invenção.
Mongólia (2003) — Um diplomata brasileiro parte de Pequim à Mongólia à procura de um fotógrafo desaparecido; o relato entre diários e depoimentos confronta choque cultural, geopolítica e o enigma do outro.
O sol se põe em São Paulo (2007) — A partir de uma história de amor, o narrador percorre memórias ligadas ao Japão da Segunda Guerra, entrelaçando São Paulo contemporânea e tradições japonesas.
O filho da mãe (2009) — Romance da coleção “Amores Expressos” que cruza maternidade, guerra e deslocamento (Rússia/Tchetchênia), em múltiplas vozes femininas que tentam proteger seus filhos.
Reprodução (2013) — Em dois longos monólogos, um estudante detido na PF descarrega preconceitos e contradições; o livro encena o “ruído” do discurso público e a saturação informacional contemporânea.
Simpatia pelo demônio (2016) — Entre terrorismo e romance tóxico, acompanha um funcionário de agência humanitária cuja experiência extrema contamina afetos e ética.
O último gozo do mundo (2021) — Novela de “pós-pandemia” sobre uma professora que atravessa a ruína do casamento e um presente suspenso; distopia com tons de fábula sobre memória e desejo.
Os substitutos (2023) — Romance centrado numa relação pai-filho num Brasil predatório (devastação amazônica, leilão de recursos), com reflexão amarga sobre masculinidade e violência.
Não ficção O mundo fora dos eixos: crônicas, resenhas e ficções (2005) — Seleção de textos publicados ao longo de uma década (crônicas, crítica e pequenas ficções) que discutem cultura, literatura e o presente.
Teatro BR-3 (2006, dramaturgia para o Teatro da Vertigem) — Peça encenada no rio Tietê (São Paulo) que atravessa três “Brasis” (Brasilândia–Brasília–Brasiléia) para repensar identidade nacional; texto de Bernardo Carvalho, direção de Antônio Araújo.
Outros O limpador de ouvidos (conto, 2018) — Publicado na revista piauí (ed. 145), narra uma experiência em chave de mistério psicológico.
Ver também Literatura brasileira
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