miniaturadaimagem|Bandeira do estado do Maranhão.

A História do Maranhão se inicia antes do descobrimento do Brasil, no momento em que os primeiros moradores do que é hoje o território do estado foram os seis povos indígenas, a saber: tupis-guaranis, guajajaras, urubus, jês, timbiras e sacamecrãs.. Entre as primeiras cidades fundadas na unidade federativa incluem São Luís, Alcântara, Icatu, Viana e Guimarães. Nas terras que hoje pertencem ao estado do Maranhão quando os portugueses descobriram o Brasil, moravam quatro povos indígenas: guajajaras e urubus na costa, do grupo tupi; timbiras e sacamecrãs, no interior, do jê..

A mais antiga capitania do Maranhão, fundada em 1534 e subdividida em duas partes, não conseguiu ser definitvamente colonizada. Inclusive seus limites não eram definidos antes do século XVII. Comandados por La Ravardière e Razilly, os franceses estabeleceram uma colônia na região, em 1612, conhecida como França Equinocial, e criaram a cidade de São Luís, que ganhou esta denominação em honra do monarca Luís XIII de França. Em 1615, os portugueses, liderados por Jerônimo de Albuquerque, venceram os franceses e começaram a colonizar a região. São Luís foi dominada pelos holandeses em 1641, no entanto, foi reconquistada por Portugal três anos depois (1644). Desde então, foi transformada em ponto de apoio ao desbravamento da Amazônia e à colonização do norte do Brasil..

Para incentivar o progresso da região, baseado na monocultura açucareira e algodoeira de base escravista, foi fundada a Companhia do Comércio do Maranhão, em 1682. A iniciativa econômica causou os protestos dos agricultores locais, porque o governo de Portugal confiscou as plantações de quem não cultiva cravo e algodão, produtos de interesse comercial para a metrópole. Em 1684, liderados pelos irmãos Manuel e Tomás Beckman, os maranhenses se revoltaram, entretanto, sofreram dura repressão. Mais de setenta anos depois, em 1755, ocorreu a instalação da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão. Nas cinco últimas décadas do século XVIII, com o início da Revolução Industrial na Inglaterra, as exportações de algodão cresceram muito, o que colaborou para o desenvolvimento da economia e o crescimento populacional. Esse desenvolvimento da economia, no entanto, não se manteve. Após os conflitos pela independência, o Maranhão começou o século XIX com a economia em crise. A recessão persistiu durante o império, causando revoltas, como a Balaiada de 1838, ou, posteriormente, a chegada de nordestinos ao Acre. No começo da república, a indústria de algodão e o beneficiamento de açúcar, arroz e óleo de babaçu eram a base de sustento da economia estadual, mas não evitavam que a maioria da população ficasse pobre.

Desde as décadas de 1960 e 1970, a modernização do Maranhão foi impulsionada pelo capital empregado pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) no setor primário (agricultura, pecuária, silvicultura e mineração). Projetos importantes, como Carajás, fazem aumentar a concentração fundiária e as migrações, além de devastar a floresta Amazônica. No fim da década de 1970, a floresta já perdeu quase a metade do que era formada originalmente. Esses projetos também estimularam disputas de terra e conflitos com os índios, provocando tensão e violência. Período pré-cabralino

Na era em que os navegadores portugueses desbravavam as terras brasileiras. Os domínios do estado do Maranhão eram habitados por povos nativos dos grupos tupi, à beira-mar, e jê, nas áreas interiores. Entre as tribos tupi, despontavam os guajajaras e os urubus, cuja pacificação só se concretizou no século XX. Já entre os povos jê, os timbiras e os sacamecrãs exerciam notável influência na região. Ao longo do século XVIII, diversas etnias emigraram do Piauí para o Maranhão, buscando escapar das perseguições caucasianas enfrentadas em sua terra natal..

Período colonial (1500–1822)

Primeiras expedições (1500–55)

As crônicas sobre as primeiras incursões ao longo da costa do Maranhão são envoltas em mistério, sem registros precisos. Algumas narrativas sugerem que em 1500, o navegador Vicente Yáñez Pinzón, de origem espanhola, possa ter desbravado as águas do litoral setentrional brasileiro, desde Pernambuco até as imediações da foz do Amazonas. O mapa Terra Brasilis, de 1519, de autoria do cartógrafo lusitano Lopo Homem, mostra algumas denominações de acidentes geográficos do litoral do Maranhão. A partir de 1524, os navegadores franceses tornaram-se visitantes assíduos das costas do Maranhão, largamente ignorado pelos exploradores portugueses. Ali permutavam com os indígenas objetos da região por produtos que haviam trazido da Europa..

Em 1531, no decorrer da vinda de Martim Afonso de Sousa ao Brasil como chefe da pioneira expedição povoadora, ele incumbiu Diogo Leite do desbravamento do litoral norte. Leite aportou na desembocadura do rio Gurupi, atual divisa entre Maranhão e Pará, batizando-a de "abra de Diogo Leite", um nome que perdurou ao longo dos anos..

Os lusitanos até então não haviam alcançado o Maranhão no momento que o rei de Portugal, D. João III, concedeu o território da capitania do Maranhão a três fidalgos: João de Barros, Fernando Álvares de Andrade e Aires da Cunha, em 1535. Os dois primeiros planejaram para assumir a capitania e entregaram a concretização a Aires da Cunha, que saiu em direção ao Brasil. No mesmo ano da concessão, com dez veleiros, novecentos soldados armados e cento e trinta a cavalo. No entanto, a esquadra afundou no litoral do Maranhão e o capitão faleceu. Os náufragos haveriam criado um povoado, Nazaré, e passado a desbravar o território por meio dos rios. Entretanto, os indígenas não lhes permitiram essa colonização. Do lugarejo não sobrou sinal, no momento que esses lusitanos partiram..

Em 1539, outro fidalgo lusitano, Luís de Melo da Silva, igualmente afundou na costa do Maranhão, porém, retornou em 1554. João de Barros, em 1555, mandou seus herdeiros João e Jerônimo para a donataria, no momento que os gauleses já ali haviam entrado. Conforme narrativa de Jerônimo ao rei de Portugal. Estiveram na capitania 17 naus de franceses, os edificaram casas de pedra e negociavam com os indígenas.

França Equinocial (1612–15)

thumb|Ilustração da obra de Claude d'Abbeville, "Histoire de la mission..." (Paris, 1614): levantamento da cruz na colônia francesa.

As naus francesas continuaram a navegar no século XVI. Da guarnição das três embarcações que se deslocavam para o Maranhão perante a liderança do capitão Jacques Riffault, várias pessoas permaneceram no continente, após o fracasso da viagem. Um deles, Charles Des Vaux, estudou o idioma dos indígenas e se comprometeu a lhes conduzir demais gauleses para administrá-los e protegê-los. De retorno à França, Des Vaux obteve do rei Henrique IV que Daniel de la Touche, senhor de La Ravardière, o trouxesse ao Maranhão. Para confirmar as belezas naturais que lhe relatou, e assegurou-lhe a posse do novo território à França.

Falecido Henrique IV, La Ravardière retornou à França, em que combateu ao longo de quinze anos pelo empreendimento de criação da designada França Equinocial. François de Razilly, senhor de Aumelles e Razilly, e Nicolas de Harlay, senhor de Sancy, barão de Molle e de Grosbois, queriam saber do projeto. A participação dos frades capuchinhos na jornada foi permitida pela rainha regente, Maria de Médici.

A frota gaulesa, formada de três embarcações, saiu do porto de Cancale, na Bretanha, diante do comando de La Ravardière e Razilly. Estes aderiram a Nicolas de Harlay, e ancoraram em 26 de julho de 1612 numa enseada do Maranhão. Concederam a denominação de Sant'Ana à diminuta ilha em que fundearam, em tributo à santa do dia, e ali levantaram a primeira cruz em terras do Maranhão. Continuaram nessa ilha, ao passo que Charles Des Vaux entrava em comunicação com os indígenas em Upaon-Açu. Esta mais tarde se denominou do Maranhão e depois São Luís. Ali, no dia 12 de agosto, rezou-se a primeira missa, indicou-se o local da primeira fortificação e, com o apoio dos indígenas, edificaram a mais antiga ermida. No dia 8 de setembro foi erguida a cruz na ilha de Sant'Ana, abençoou-se a terra e nomeou-se a fortaleza com o título de São Luís. Em honra ao rei santo Luís IX. Este foi o surgimento oficial da que conhecemos hoje como a capital maranhense.

Dois dos quatro franciscanos capuchinhos que seguiam na esquadra gaulesa foram os primeiros a narrar em publicação esses primeiros dias da história do Maranhão. Claude d'Abbeville, em sua Histoire de la mission des pères capucins en l'isle de Maragnan et terres circonvoisines (1614). Em português: História da missão dos padres capuchinhos na ilha de Maranhão e terras circunvizinhas). Neste livro relatou as primeiras histórias da região, mostradas como um céu na terra. Essa percepção celestial foi igualmente a do capuchinho Yves d'Évreux, na obra Suite d'histoire des choses plus mémorables advenues en Maragnan, ès annés 1613 et 1614 (1615). Em língua portuguesa: Continuação da história das coisas mais memoráveis acontecidas no Maranhão, nos anos de 1613 e 1614). Esta publicação narra os hábitos e normas sociais e melhora a compreensão do idioma indígena, para o qual traduziu as mais importantes orações do cristianismo.

Os franceses não se restringiram ao trabalho de povoamento: conduziram a Paris indígenas maranhenses. O bispo de Paris realizou o batismo de três nativos — Itapucu, em seguida conhecido por Luís Maria. Este seguiu os demais ameríndios ao Louvre e discursou ao rei no seu idioma; Uaruajá (Luís Henrique) e Japuaí (Luís de São João). Destes indígenas, eram padrinhos Luís XIII e Maria de Medici.

As narrativas dos frades franciscanos consideravam ainda a fortaleza de São Luís como indominável, por mais que fosse invadido por uma frota real. Ao passo disso, espanhóis e portugueses até então tentaram ocupar o continente. No dia 19 de novembro de 1614, o lusitano Jerônimo de Albuquerque, na chefia de naus e soldados, derrotou os gauleses em Guaxenduba. Os gálicos na ilha e os lusitânicos na terra tentaram uma pausa e mandaram mensageiros a Madri e a Paris, com a sugestão. A ilha pertenceria aos gauleses, e o continente seria dos lusos.

Em julho de 1615, Francisco Caldeira de Castelo Branco obrigou La Ravardière a deixar a terra ocupada. Jerônimo de Albuquerque se mudou para a ilha, criou a fortaleza de São José e começou o combate. Em 17 de outubro, nove embarcações sob a chefia de Alexandre de Moura, com cerca de novecentos soldados, armas, recursos, vegetais e rebanho. Vieram à baía de São Marcos, em um desacato ao forte inderrotável dos gálicos. Ao passo disso, Jerônimo de Albuquerque investia por terra. La Ravardière não se contrapôs: em 3 de novembro devolveu a colônia, a fortaleza, as embarcações e os armamentos. De Pernambuco, o francês partiu a Lisboa, onde esteve detido antes de regressar à França.

Colonização portuguesa (1619–41) Simão Estácio Silveira veio ao Maranhão em 1619, como capitão de uma das embarcações da viagem de Jorge Lemos de Bittencourt, que conduzia trezentos casais açorianos. Foi o primeiro a se encaminhar aos carentes de Portugal — possíveis imigrantes ao Brasil — para trazê-los à terra, a que rapidamente se acostumou. Na sua Relação sumária das coisas do Maranhão, escrita em Lisboa, em 1624, retratou o firmamento salubre, as águas límpidas, o terreno fecundo do solo.

Em 1624 veio frei Cristóvão de Lisboa, protetor dos capuchos, seguido de treze frades. Incendiou livros franceses para fazer desaparecer os vestígios que sobravam da França Equinocial. Escreveu o mais antigo livro de ciências da natureza no Brasil, História dos animais e árvores do Maranhão (somente editada em 1967, pelo Arquivo Histórico Ultramarino). E os quatro volumes de uma História natural e moral do Maranhão, a qual desapareceu no terremoto de Lisboa.