A Ducal Roupas foi uma rede de lojas de roupas masculinas brasileira de muito sucesso nas décadas de 1950 e 1960. Seu nome, além de remeter ao nobre título de duque, também era a junção das sílabas das palavras "duas calças", pois quem comprava um paletó e uma calça ganhava outra mais barata e ficava, assim, com duas calças. A promoção deu fama à empresa junto com o seu sistema de crédito.
A Ducal Roupas era referência no mercado de moda masculina na metade do século passado. Seus ternos vestiram vários brasileiros anônimos e famosos em sua época. A Ducal tinha lojas em três estados do país: Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.
A Ducal não era apenas uma grande marca mas sim um grande grupo empresarial da época e que possuía além das lojas, indústrias de roupas e eletrônicos (Denison), supermercados (Dado – o primeiro do gênero no Rio), varejo de utilidades domésticas (Decasa), imobiliárias (Daviga), além de serviços de banco de dados (Datamec), consultoria jurídica, crédito (Banco Delta e Decred), agência de publicidade (Denison Propaganda) e até galeria de arte (Petit Galerie).
História Todo esse império começou em 1950 quando o jovem José Vasconcelos de Carvalho, então com 30 anos incompletos, juntou o que aprendeu em cursos de especialização em administração nos Estados Unidos à experiência profissional adquirida nas lojas "A Exposição" - de propriedade do seu pai, Lauro de Souza Carvalho - associou-se aos primos José Cândido e José Luiz Moreira de Souza e abriu uma fábrica de roupas (Cia. Brasileira de Roupas) e a primeira loja da Ducal na Praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro, então capital federal. Para viabilizar o sonho dos três Josés, foram levantados e investidos vinte e dois milhões de cruzeiros.
As vendas a crédito em até 24 vezes e a ousada promoção das "Duas Calças" foram as primeiras estratégias de marketing para o crescimento da Ducal. A promoção pretendia que o cliente ficasse com uma calça para o trabalho e outra para o esporte.
A Ducal firmou-se como uma marca popular para a classe média-baixa. As roupas da marca eram de boa qualidade, mas não chegavam a ser muito sofisticadas e com cortes impecáveis. "Quem quisesse roupa bem cortada, que procure o alfaiate", diz Paulo Afonso de Carvalho, irmão de José Vasconcelos, fundador da Ducal.
Na publicidade, a Ducal investiu em modelos e manequins desconhecidos e famosos, como Pelé que, graças à conquista do primeiro título da Copa do Mundo em 1958, começava a despontar também como garoto-propaganda. Foi o primeiro anunciante famoso da Ducal. Era notório que a marca queria usar o esporte como conceito de comunicação. Outro exemplo foi o patrocínio ao programa esportivo de debates "Ducal nos Esportes", um tipo de programa que hoje chamamos de mesa-redonda. Emerson Fittipaldi também fez algumas campanhas para a marca.
Mas o período próspero da marca acabou na metade dos anos sessenta. A inflação acabou trazendo grandes prejuízos para a Ducal por causa do seu crediário em parcelas fixas e sem correção monetária. Foi necessário que a Ducal se unisse à igualmente famosa rede mineira de eletrodomésticos Bemoreira em 1966. Golpe de 1964 e ascensão Apesar de anunciar seus produtos na Ultima Hora (jornal ligado ao getulismo e que apoiou Jango), a Ducal tinha raízes no movimento de oposição a Getúlio e Jango. Entre seus sócios, José Cândido Moreira de Souza foi membro do Clube da Lanterna de Carlos Lacerda e José Luiz Moreira de Souza foi um dos fundadores e primeiro presidente da seção fluminense do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) e era cunhado do General Afonso Augusto de Albuquerque Lima, então comandante da Escola Superior de Guerra e membro da linha dura do regime.
O apoio da Ducal ao Golpe Militar de 1964 foi recompesado mais tarde com o apoio oculto do Tesouro Nacional após a primeira crise financeira da Ducal, ocorrida em 1965. Segundo o Senador Dinarte Mariz (Arena-RN), o apoio do Tesouro a Ducal foi intermediado pelo General Albuquerque Lima, já como Ministro do Interior do governo Castelo Branco. Apesar de Moreira de Souza ter salvado a Ducal da falência, teve de se desfazer do Banco Delta (vendido ao BCN), Supermercados Dado, Big Lar, A Exposição, Colombo (Doces), Datamec, Decasa Utilidades Domésticas e da Denison Propaganda.7 Com seu caixa turbinado com os recursos do Tesouro Nacional, a Ducal adquiriu da família Moretzonh em 1966 a cadeia de lojas mineira Bemoreira e a Corretora Independência. Com a aquisição da Independência, a Ducal ambicionava e ampliar a obtenção de crédito no mercado financeiro. Mais tarde, após a Reforma Bancária, a Independência – Decred obteve carta patente e se converteu em um banco. A atuação do banco Independência – Decred se converteria na Década de 1970 como a principal causa para a ruína da Ducal.
Declínio e falência Durante o governo Geisel ocorreu uma mudança no trato do governo com os grupos empresariais brasileiros, com o corte de auxílios ocultos aos grupos em dificuldade (resultando na falência dos bancos Halles e União Comercial em 1974). A Ducal passou a enfrentar problemas financeiros que obrigaram o grupo a colocar o General Albuquerque Lima, agora na reserve do Exército, como presidente para tentar obter maior simpatia do Regime com a Ducal. Diante da resistência do governo Geisel em oferecer recursos, Albuquerque Lima apelou em carta ao Ministro-Chefe do Gabinete Civil Golbery do Couto e Silva que interviesse junto à Caixa Econômica Federal para a Ducal obter um empréstimo de 12,6 milhões de dólares.
Em 1977 o Banco Central decretou intervenção no Banco Independência – Decred. Naquele momento foi revelado que a instituição se encontrava insolvente, com o governo federal injetando recursos para evitar sua falência. Durante a intervenção, o Banco Central injetou mais de 300 milhões de dólares no Independência – Decred. Mais tarde o Ministério da Fazenda admitiu que a Ducal era auxiliada pelo Tesouro Nacional desde 1965.
A quebra do Independência – Decred afetou fortemente a Ducal que chegou a ter sua falência requerida pelo Banco Francês e Brasileiro após atraso no pagamento de títulos no valor de 1 milhão de cruzeiros. Pressionada pelo pedido, a Ducal efetuou o pagamento. A negociação de ações da Ducal na BVRJ chegaram a ser suspensas enquanto um novo pedido de falência da empresa foi requerido, agora pela Singer do Brasil. Diante do pedido o presidente da Ducal Roupas, Aluízio Alves, pediu a concordata da empresa em junho de 1977. Com ativos de 2 bilhões de cruzeiros e passivos de 1 bilhão, a concordata foi aceita.
Para sair da concordata em 1979 a Ducal/UEB negociou a venda do UEB Center e da Torre UEB. No entanto, em 1983 ocorreu nova concordata após uma tentativa de venda malsucedida da Ducal para o grupo Multiplic. Em 1984 a Ducal foi adquirida pelo Grupo Vila Rica por 32 milhões de cruzeiros. Após dois anos a Ducal foi colocada à venda no mercado pela Vila Rica. Sem encontrar compradores, acabou encerrando as atividades em 1986.
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