Maria, Infanta de Portugal (Lisboa, 18 de junho de 1521 - Lisboa, 10 de outubro de 1577), 6.ª Duquesa de Viseu, era a filha de D. Manuel I e da sua terceira esposa, Leonor da Áustria.

Personalidade João de Barros descreveu-a como culta, digna e séria, diz-se que a sua personalidade era semelhante à da mãe, patrona e amante das artes, chegou a ser a mulher mais rica de Portugal.

Escreveu várias cartas e pelo menos um manuscristo «Christianissimae Galliarum Reginae Eleonora, Matri pientissima Maria obsequentissima filia salutem».Maria de Habsburgo e Avis, Infanta de Portugal, Dona, Escritoras

Propostas de casamento Após Carlos I ter aprisionado Francisco I em 1525, ele obrigou-o a satisfazer todas as suas vontades antes de libertá-lo, sendo uma delas a de se casar com a sua irmã D. Leonor, a fim de fortalecer as ligações entre a Espanha e a França, e ao mesmo tempo tentar limitar o poder da coroa francesa. Mas D. Leonor só aceitaria com a condição de que a sua filha D. Maria fosse prometida em casamento a Francisco de Valois, delfim da França, quando completasse 12 anos. Carlos I concordou, mas o casamento nunca se realizou, acabando o delfim por morrer quando ela tinha 15 anos de idade.

Sobre ela escreveu o autor Pierre de Brantôme:Além de bonita e simpática, a infanta era muito rica, detentora de enormes rendas, inúmeros negócios e muitos tesouros. Não lhe faltavam portanto pretendentes, tendo ao longo da vida recebido oito propostas de casamento. Foi, talvez, por ser muito rica que D. João III e os seus diplomatas nunca deixaram que ela se casasse ou que saísse de Portugal, pois estimava-se que, sendo o seu dote tão grande, isso resultaria num prejuízo de cerca de um milhão de cruzados, um valor incomportável para o tesouro real.miniaturadaimagem|Retrato por François Clouet, 1541.|esquerda|251x251pxA infanta nunca se casou, contudo o Conde de Sabugosa, no seu livro Donas de Tempos Idos (1912) cita Pierre de Brantôme, que num trecho da sua obra La vie des dames galantes, faz menção dela a propósito de uma paixão (difícil de saber se consumada) que D. Maria teria tido por Francisco de Guise, Grão Prior de Lorena, que estivera algum tempo em Lisboa:

«Apenas temos uma indiscrição de Brantôme, que nos dá um ligeiro rebate.

Viu-a ele repetidas vezes em Lisboa. E nas ocasiões em que esteve em seu palácio apercebeu-se, com aquele faro apurado que a experiência das coisas do coração feminino lhe dava, do sentir da Infanta pelo Grão Prior de Lorena, Francisco de Guise, irmão do célebre Duque de Guise e do Cardeal de Lorena, aquele mesmo que no Piemonte beijou na boca a Infanta D. Beatriz, com grande indignação dessa Princesa. Este passou algum tempo em Lisboa, na sua ida para a Escócia. Recebeu-o a Infanta muitas vezes e deu-lhe numerosos presentes, entre outros uma formosa cadeia de ouro, rubis e pérolas, que valia perto de cinco mil escudos e que o Grão-Prior várias vezes empenhou em Londres quando se encontrava em apuros, mas que logo tirou do pregoNão há registros de que Maria de Portugal tenha mantido relacionamentos amorosos. Ainda criança,foi prometida ao Delfim de França e, posteriormente, foi cogitado o seu casamento com o Arquiduque Maximiniano, filho de Fernando de Hungria, e Filipe II, filho de Carlos I de Espanha e viúvo de Maria Tudor. Segundo as fontes, Maria recusou a proposta de casamento com o Filipe II, então rei da Espanha, afirmando: "Nem que fosse com o rei de todo o mundo".

A partir de então e até ao final da vida, recusou todas as propostas de casamento, dedicando-se completamente à religião.

Obras Patrocinou e financiou em 1568 a construção de uma igreja dedicada a receber o relicário de Engrácia de Saragoça, construção essa que seria reformulada quase na totalidade após um grande temporal, a partir de 1682. A igreja é conhecida como Igreja de Santa Engrácia, tendo hoje o estatuto de Panteão Nacional. A partir de 1575, patrocina igualmente conversão de uma ermida existente, desde 1496, entre as freguesias da Luz e Carnide, em Lisboa, dando origem, desde 1594 (data da conclusão das obras) à Igreja de Nossa Senhora da Luz, em Carnide, Lisboa.ALMEIDA, José António Ferreira de (coord.). Tesouros Artísticos de Portugal. Lisboa: Selecções do Reader's Digest, 1.ª ed., 1976, s. v. Igreja de Nossa Senhora da Luz, p. 358.

Morreu, sem casar e sem filhos, no dia 10 de outubro de 1577, em Lisboa. Está enterrada na Igreja de Nossa Senhora da Luz em Carnide, Lisboa.

Ligações externas

O Mecenato da Infanta D. Maria de Portugal, 1521-1577 (MA / Dissertação mestrado), por Carla Alferes Pinto, Mestrado de História de Arte Moderna, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Lisboa, 1996 "Visita Guiada - Igreja de Nossa Senhora da Luz, Lisboa", episódio 21, 4 de novembro de 2019, temporada 9, programa de Paula Moura Pinheiro, na RTP

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