Apiaí é um município da região do Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, no Brasil. Localiza-se a uma latitude 24º 30'35.19311 Sul e a uma longitude 48º 50'33.47928 Oeste, estando a uma altitude de 1 050 metros. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2021, era de 24 081 habitantes (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2010). A comarca de Apiaí está localizada na região do Alto Vale do Ribeira. O município é formado pela sede e pelos distritos de Araçaíba, Encapoeirado, Lageado de Araçaíba e Palmitalzinho.
Atualmente, Apiaí é um município turístico, onde se destacam diversas esculturas em argila. Com relação ao seu relevo, possui vários morros, dentre eles o Morro do Ouro, o mais famoso de todos. Cercado pela Mata Atlântica, possui muitas grutas e cachoeiras e faz parte de roteiros turísticos. É uma cidade de clima frio, localizada no Vale do Ribeira, numa região declarada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como "Reserva da Biosfera do Patrimônio Mundial". A região de Apiaí é o maior remanescente de Mata Atlântica do país, evidenciando uma riqueza paisagística composta de recursos naturais de rara beleza.
Toponímia
O nome Apiaí tem origem no tupi antigo apya'y, que significa "rio dos índios", através da composição de apyaba (índios) e y (rio).<ref>NAVARRO, E. A. Dicionário de Tupi Antigo: a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 543.</ref>
História
Apiaí começou como uma pequena vila que vivia em função do extrativismo mineral da região. Tomás Dias Batista foi um dos fundadores da vila de Apiaí, junto com seu sogro Manuel Rosa Luís e seu concunhado Francisco Xavier da Rocha. Este, obrigado a fugir de Minas Gerais, onde havia sido capitão-mor de um de seus "arraiais", por crime ali praticado, veio parar nestas regiões, ao sul, com 150 escravos, fundando, então, o pequeno povoado de "Santo Antônio das Minas". Em 1770, o governador da capitania de São Paulo dom Luiz Antônio de Sousa Botelho de Moura elevou o povoado à categoria de vila com a denominação de "Santo Antônio das Minas de Apiaí".Prefeitura de Apiaí. Disponível em http://apiai.sp.gov.br/site/?page_id=6279. Acesso em 4 de fevereiro de 2017.
Geografia Localização: Apiaí está localizada na região do Alto Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo. O núcleo urbano de Apiaí situa-se imediatamente a nordeste, externamente à área demarcada para a AII (Área de Influência Indireta da UHE Tijuco Alto). Constitui rota de passagem, por meio da rodovia SP-250, dos municípios situados na AII para outras regiões do estado de São Paulo, especialmente Sorocaba, São Roque, Itapeva, Itapetininga e Capão Bonito, importantes mercados para os produtos produzidos na região. Possui médias densidades de equipamentos urbanos e estabelecimentos.thumb|Morros ao redor da cidade|alt=|centro|480x480pxLimites do município: Ao Norte: Ribeirão Branco, Guapiara e Nova Campina. Ao Sul: Ribeira Ao Oeste: Barra do Chapéu e Bonsucesso de Itararé Ao Leste: Iporanga
Recursos minerais Galena, ouro, calcário, quartzo, cobre, manganês, granito e cal.
Topografia Montanhoso com declives e planaltos
Solo Terra roxa Terra Vermelha
Clima Clima subtropical temperado. Queda de neve em 1942 e 1975. Apiaí possui uma estação meteorológica automática com capacidade de medir de forma precisa dados meteorológicos: temperatura do ar, umidade relativa (UR), precipitação (chuva) e radiação solar. O equipamento foi instalado pelo Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO) e começou a operar em janeiro de 2011. Desde então a menor temperatura registrada em Apiaí foi de em 30 de julho de 2021 e a maior atingiu em 3 de janeiro de 2019. O maior acumulado de chuva em 24 horas alcançou entre as 10h do dia 4 e 5 de outubro de 2023. O menor índice de UR foi registrado em 28 de agosto de 2014, de apenas 11%.
Marco referencial geodésico thumb|Marco Geodésico do Município thumb|esquerda|Marco Referencial de Apiaí O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística implantou, em Apiaí, um marco referencial Geodésico situado na rua Joaquim Elisiário de Campos (Centro).
Antigo marco central Pelourinho demolido,durante ampliação da Igreja Matriz de Santo Antônio das Minas de Apiaí (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo) - Praça Francisco Xavier da Rocha - Centro.
Hidrografia thumb|direita|Rios ao entorno de Apiaí Rio Apiaí-Guaçu Rios Ribeira de Iguape, Catas Altas, Pirituba, Macacos, Pilões, Tijuco, Palmital, Claro, Saivá e Estiva Rio Betari
Rodovias SP-165 SP-249 SP-250
Ferrovias Apiaí possui acesso à uma malha ferroviária de 415,385 quilômetros que, nos dias atuais, atende a fábrica de cimentos Intercement e é operada sob responsabilidade da ALL (América Latina Logística).
Ramal de Apiaí da antiga Fepasa.
Fonte: Ferrovias do Brasil
Demografia Dados do Censo - 2000'População total: 27 162 Urbana: 18 648 Rural: 10 514 Homens: 13 706 Mulheres: 13 456 Densidade demográfica (hab./km²): 28,68
Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 28,96
Expectativa de vida (anos): 65,41
Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,88
Taxa de alfabetização: 88,81%
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,716 IDH-M Renda: 0,631 IDH-M Longevidade: 0,673 IDH-M Educação: 0,845 (Fonte: IPEADATA)
Política e administração Eleições O município tem um total de 20 199 eleitores.
*Fonte: Siapnet - Dados de 2008 do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo
Economia Apiaí possui, em sua Comarca, sete indústrias, sendo a de maior porte a Camargo Correa Cimentos S/A (hoje Intercement), 448 estabelecimentos comerciais e 198 de serviços.
Agricultura A agricultura e a pecuária são os principais tipos de uso da terra ocorrentes em Apiaí. Destaca-se, no município, a agricultura organizada em sistema familiar, com a concentração da produção focada na cultura do tomate. De acordo com dados do IBGE (2002), no ano de 2002 foram produzidas 70 000 toneladas de tomate no município. O milho também possui cultivo expressivo em Apiaí. Arroz, feijão e mandioca são outras lavouras temporárias comumente cultivadas pelos agricultores. A fruticultura detém presença importante entre as lavouras permanentes, sendo que as mais expressivas são as de caqui, pêssego e, em menor quantidade, laranja. A pecuária é predominantemente formada por animais de dupla aptidão (corte e leite), com um rebanho estimado de 5 750 cabeças de bovinos e 440 cabeças de bubalinos em 2002 (IBGE, 2002). Reflorestamentos de eucalipto (Eucalyptus sp) e pinheiro (Pinus sp.) são frequentes na região, principalmente para a produção de papel e celulose, resina, carvão vegetal, lenha e de madeira. O município possui ainda granjas para criações de galinhas e produz mel de abelha.
Indústria Apiaí é uma das cidades onde se encontra o Trecho Sul do Gasoduto Bolívia-Brasil, também conhecido como Gasbol, uma via de transporte de gás natural entre a Bolívia e o Brasil com 3 150 quilômetros de extensão, sendo 2 593 em território brasileiro (trecho administrado pela Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A (TBG)) e 557 em território boliviano (trecho administrado pela Gas TransBoliviano S.A. (GTB)). O trecho sul tem 698 quilômetros e compreende os municípios de Campinas, Monte Mor, Indaiatuba, Elias Fausto, Salto, Itu, Porto Feliz, Sorocaba, Iperó, Araçoiaba da Serra, Capela do Alto, Sarapuí, Itapetininga, Capão Bonito, Itapeva, Ribeirão Branco, Apiaí, Barra do Chapéu e Itapirapuã Paulista. O gás natural, além de propiciar substancial economia de divisas com importação de petróleo, diversifica as fontes de suprimento de energia com um produto de características superiores. Consequentemente, eleva os níveis de eficiência, qualidade e produtividade nos diversos segmentos que utilizam gás natural, proporcionando melhoria dos padrões ambientais, principalmente nos grandes centros urbanos, graças à substituição de outras formas de energia mais poluentes. É importante ressaltar os benefícios que o Gasoduto proporcionará ao longo do seu traçado: aumento da disponibilidade de combustível; estímulo à instalação de novas indústrias; combustível menos poluentes; aumento de ofertas de empregos; aumento da demanda por bens e serviços.
Outro investimento que corta o território do município são as linhas de energia de Furnas Centrais Elétricas S.A, que, assim como o Gasoduto Bolívia-Brasil, estão dentro do município. Furnas construiu, na cidade, uma Estação de Telecomunicações, localizada no Parque do Morro do Ouro, para se ligar com outras bases de sua enorme Rede de Distribuição de Energia. A Companhia Furnas Centrais Elétricas S.A. representa um instrumento estratégico para o desenvolvimento e a segurança nacional. Tendo iniciado seu funcionamento em 1963 com a conclusão da barragem de Furnas, a empresa compreende, hoje, um complexo de dez usinas hidroelétricas e duas termoelétricas. Além disso, por força de tratado assinado com o Paraguai, cerca de 83% dos serviços de eletricidade de Itaipu são feitos via Furnas. Considerando sua capacidade instalada e a comercialização da energia gerada em Itaipu, Furnas é, hoje, responsável por 43% de toda a energia consumida no Brasil. A região de atuação da companhia compreende o Distrito federal e os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Tocantins, aos quais atende com um índice de confiabilidade em nível internacional, de 99,99%. Furnas, hoje, é uma empresa da administração indireta do Governo Federal, subordinada ao Ministério de Minas e Energia e controlada pela Eletrobras. thumb|Unidade da Intercement
Está localizada, no município, uma fábrica do Grupo Intercement, fundada em meados do ano de 1975 com dois fornos de moagem de matéria-prima do cimento, sendo que o minério calcário (rocha de carbonato de cálcio) e argila se fundem em alta temperatura. Esta unidade fabril de Apiaí é responsável pela demanda da Região Sul do Brasil, contando com transporte de trem da empresa América Latina Logística e ainda com várias empresas de transporte a granel com caminhões. Infelizmente, com o passar dos anos de instalação desta indústria no município, nada se viu para a contenção da poluição de partículas sólidas liberadas diariamente pela Intercement.
A InterCement possui um dos maiores complexos cimenteiros do mundo. A companhia comercializa cimento, cal e argamassas especiais, produtos reconhecidos pela qualidade, e que possuem altos índices de confiabilidade.
CIMENTO A InterCement possui um dos maiores complexos cimenteiros do mundo com 40 unidades de produção.
A companhia comercializa cimento, cal e argamassas especiais, produtos reconhecidos pela qualidade, e que possuem altos índices de confiabilidade.
Cada cimento produzido pela InterCement segue rígidas especificações de diversos órgãos nacionais e internacionais.
CONCRETO São 70 centrais de concreto espalhadas pelos oito países e uma área de pesquisa e desenvolvimento sintonizada com o que há de mais avançado em tecnologia do concreto.
thumb|direita|Construção Fábrica Grupo AS Resinas em Apiaí-SP