Pyongyang ou Pionguiangue (, , literalmente "terra plana" ou "terra pacífica") é a capital e maior cidade da República Popular Democrática da Coreia, mais conhecida como Coreia do Norte. Situada nas margens do rio Taedong, tem cerca de milhões de habitantes e é o principal centro industrial do país.
Pyongyang foi destruída durante a Guerra da Coreia e foi totalmente reconstruída de acordo com um planejamento que reflete a visão de Kim Il-sung. Seu sonho teria criado uma capital que estimularia a moral da população nos anos pós-guerra. O resultado foi uma cidade com amplos bulevares arborizados e edifícios públicos com paisagismo, mosaicos e tetos decorados. Sua arquitetura de estilo soviético faz uma reminiscência de uma cidade da Sibéria durante a queda de neve do inverno, embora os edifícios com arquitetura coreana tradicional atenuem essa percepção. No verão, é notável por seus rios, salgueiros, flores e parques.
As ruas são colocadas em uma grade norte-sul, leste-oeste, dando à cidade uma aparência ordenada. Os planejadores norte-coreanos aplicaram a experiência sueca de bairros urbanos autossuficientes em todo o país e Pyongyang não é exceção. Seus habitantes são divididos em unidades administrativas de 5 000 a 6 000 pessoas (dong). Muitos moradores ocupam prédios de apartamentos de grande altura. Uma das prioridades de Kim Il-sung ao projetar Pyongyang era limitar a população. As autoridades do país mantêm um regime restritivo de movimento para a capital, tornando-a uma cidade atípica da Ásia Oriental, pois é silenciosa, sem aglomeração e espaçosa.
História De acordo com lendas, Pyongyang foi fundada em 1122 a.C. no local da capital da dinastia Dangun. É provável que a região de Pyongyang pertencesse a Wiman Joseon, a parte mais curta do Período Gojoseon, o que caiu na Guerra Wiman Joseon-Han em 108 a.C. O imperador Wu da dinastia Han ordenou a criação de quatro comandas, com a Comanda de Lelang no centro e como sua capital. Vários achados arqueológicos do período posterior, Han Oriental (20-220) na região de Pyongyang parecem sugerir que as forças Han mais tarde lançaram breves incursões em torno da área. thumb|esquerda|Pyongyang no início do século XX.
Durante as invasões japonesas da Coreia (1592-98), Pyongyang foi capturada pelos japoneses até que eles fossem derrotados no Cerco de Pyongyang. Mais tarde, no século XVII, foi ocupada temporariamente durante a segunda invasão da Coreia pela dinastia Qing até os acordos de paz entre a Coreia e os manchus. Apesar das invasões terem tornado os coreanos desconfiados com estrangeiros, a influência do cristianismo começou a crescer depois que o país se abriu ao mundo no século XVI. Pyongyang tornou-se a base da expansão cristã na Coreia e, em 1880, tinha mais de 100 igrejas e mais missionários protestantes do que qualquer outra cidade asiática.
Em 1890, a cidade tinha 40 mil habitantes. Foi o local da Batalha de Pyongyang durante a Primeira Guerra Sino-Japonesa, o que levou à destruição e despovoamento de grande parte da cidade. Era a capital provincial da província de Pyeongan do Sul desde 1896. Sob o domínio japonês, a cidade tornou-se um centro industrial, chamado Heijō (平壤 lido como へ い じ ょ う) em japonês. Em 1938, Pyongyang tinha uma população de 235 mil habitantes.
Após 1945
thumb|esquerda|Pyongyang em 2013, com destaque para o Hotel Ryugyong.
Em 25 de agosto de 1945, o Exército Vermelho entrou em Pyongyang e a cidade tornou-se a capital temporária do Comitê Popular Provisório para a Coreia do Norte. Um Comitê Popular já estava estabelecido lá, liderado pelo veterano cristão nacionalista Cho Man-sik. Pyongyang tornou-se a capital de facto da República Popular Democrática da Coreia na sua fundação, em 1948. Naquela época, o governo de Pyongyang pretendia recuperar a capital oficial da Coreia, Seul. No entanto, a cidade foi gravemente destruída na Guerra da Coreia, durante o qual foi ocupada por forças sul-coreanas de 19 de outubro a 6 de dezembro de 1950. Em 1952, foi alvo da maior invasão aérea de toda a guerra, que envolveu 1 400 aeronaves das Nações Unidas.
Após a guerra, a cidade foi rapidamente reconstruída com ajuda da União Soviética, com muitos edifícios construídos ao estilo do classicismo socialista. Os planos para a cidade moderna de Pyongyang foram exibidos pela primeira vez ao público em um teatro. Em 27 de julho de 1953 - o dia em que o armistício entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul foi assinado - o The Pyongyang Review escreveu: "Enquanto as ruas estavam em chamas, uma exibição mostrando o plano geral de restauração de Pyongyang foi realizada no Teatro Moranbong", um abrigo aéreo do governo sob o Monte Moran. "No caminho da vitória ... os fogos de artifício que atravessaram o céu noturno da capital em uma saudação de armas iluminaram brevemente o plano de construção da cidade que se elevaria logo com um novo visual".
Geografia thumb|Imagem de satélite de Pyongyang. Pyongyang está na parte centro-oeste da Coreia do Norte, encontra-se em uma planície aproximadamente 50 quilômetros (31 milhas) ao leste do golfo da Coreia, ao lado do Mar Amarelo. O rio Taedong atravessa a cidade em direção ao golfo. A planície de Pyongyang, onde a cidade está localizada, é uma das duas grandes planícies na costa ocidental da península coreana, a outra é a planície a de Chaeryong. Ambas têm uma área de aproximadamente 500 quilômetros quadrados.
A cidade tem um clima continental húmido (segundo a classificação climática de Köppen, Dwa). Os invernos são rigorosos, principalmente quando ventos gelados da Sibéria atingem-na. A temperatura geralmente permanece abaixo de 0 grau Celsius do mês de Novembro ao início de Março. O inverno é, geralmente, muito mais seco do que o verão, nevando por cerca de 37 dias. A transição do inverno frio e seco para o verão quente e úmido ocorre rapidamente entre abril e o início de maio, e o processo inverso — de verão para o inverno, no final de outubro e início de novembro.
Os verões são muito quentes e úmidos, com a monção do Leste Asiático ocorrendo de junho até agosto, tornando estes os meses mais quentes, com temperaturas variando entre 20-31 graus Celsius ou mais.
Política thumb|Sede da Assembleia Popular Suprema. O governo do país e outros escritórios públicos estão localizados em Pyongyang, que é constitucionalmente designada como a capital norte-coreana. A sede do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia está localizada em Haenbangsan-dong, Chung-guyok, onde também está localizado o Comitê Popular de Pyongyang. O Gabinete da Coreia do Norte está localizado em Jongro-dong, Chung-guyok.
Pyongyang é também a sede de todas as principais instituições de segurança norte-coreanas. A maior delas, o Ministério da Segurança do Povo, tem 130 mil funcionários trabalhando em 12 agências. Estes supervisionam atividades tão diversas como serviços policiais, segurança de funcionários do partido, documentos classificados, censo, registros civis, construção pública em larga escala, controle de tráfego, segurança contra fogo, defesa civil, saúde pública e costumes. Outra estrutura importante na cidade é o Departamento de Segurança do Estado, cujos 30 000 funcionários gerem inteligência, sistemas de prisões políticas, segurança industrial militar e gerenciamento de entrada e saída.
Cidades irmãs Catmandu, Nepal Moscovo, RússiaFriendship between Moscow and Pyongyang Jacarta, Indonésia
Divisões administrativas Pyongyang está dividida em 19 regiões administrativas, denominadas ku-or guyŏk.
Chung-guyŏk (; ) P'yŏngch'ŏn-guyŏk (; ) Pot'onggang-guyŏk (; ) Moranbong-guyŏk (; ) Sŏsŏng-guyŏk (; ) Sŏn'gyo-guyŏk (; ) Tongdaewŏn-guyŏk (; ) Taedonggang-guyŏk (; ) Sadong-guyŏk (; ) Taesŏng-guyŏk (; ) Man'gyŏngdae-guyŏk (; ) Hyŏngjesan-guyŏk (; ) Ryongsŏng-guyŏk (; ) Samsŏk-guyŏk (; ) Sŭngho-guyŏk (; ) Ryŏkp'o-guyŏk (; ) Rakrang-guyŏk (; ) Sunan-guyŏk (; ) Ŭnjŏng-guyŏk (; ) Kangnam-gun (; ) Chunghwa-gun (; ) Sangwŏn-gun (; ) Kangdong-gun (; )
Economia thumb|Hotel Ryugyong e condomínios. thumb|Loja de Departamento N.º de Pyongyang.
Pyongyang é o centro industrial da Coreia do Norte. Graças à abundância de recursos naturais como carvão, ferro e pedra calcária, bem como bons sistemas de transporte terrestre e aquático, foi a primeira cidade industrial a emergir na Coreia do Norte após a Guerra da Coreia. As indústrias leves e pesadas estão presentes e se desenvolveram em paralelo. A fabricação pesada inclui cimento, cerâmicas industriais, munições e armas, mas a engenharia mecânica continua sendo a indústria central. As indústrias ligeiras em Pyongyang e suas vizinhanças incluem têxteis, calçados e alimentos, entre outros. É dada especial ênfase à produção e fornecimento de produtos frescos e culturas subsidiárias em fazendas nos arredores da cidade. Outras culturas incluem arroz, milho e soja. Pyongyang visa alcançar a autossuficiência na produção de carne. As instalações de alta densidade criam porcos, frangos e outros animais.
A cidade ainda enfrenta escassez frequente de eletricidade. Para resolver este problema, duas centrais elétricas - as Usinas Huichon 1 e 2 - foram construídas na província de Chagang e fornecem a cidade através de linhas de transmissão direta. Uma segunda fase do projeto de expansão de energia foi lançada em janeiro de 2013, consistindo de uma série de pequenas barragens ao longo do rio Chongchon. As duas primeiras centrais elétricas têm uma capacidade de geração máxima de 300 megawatts (MW), enquanto as 10 barragens a serem construídas em segunda fase deverão gerar cerca de 120 MW. Além disso, a cidade possui várias centrais térmicas existentes ou planejadas. Estas incluem a Pyongyang TPS, com uma capacidade de 500 MW, East Pyongyang TPS, com uma capacidade de 50 MW, e a Kangdong TPS, que está em construção.
Turismo miniatura|Praça Kim Il Sung com a Torre Juche ao fundo.
A capital foi completamente redesenhada desde a Guerra da Coreia (1950-1953), projetada com largas avenidas, imponentes monumentos e edifícios. A mais alta estrutura da cidade é o arranha-céu Ryugyŏng Hotel, o 49.º arranha-céu mais alto do mundo, com 330 metros de altura. O hotel dispõe de 105 andares, numa área de 361 000 m² (3 885 772 m²), e foi planejado para ser complementado por sete restaurantes giratórios. Entretanto até hoje nunca foi verdadeiramente inaugurado, passando por atrasos e sem previsão de conclusão.
Alguns notáveis monumentos da cidade incluem o Palácio do Sol de Kumsusan, o Arco do Triunfo, a Torre Juche, uma estrutura de 170 metros de altura, erguida para comemorar o 70º aniversário de Kim Il-Sung e o Estádio Primeiro de Maio Rungrado, considerado o maior estádio do mundo.Qual o maior estádio de futebol do mundo? Acessado em 28 de maio de 2009 Outras atrações na capital norte-coreana incluem o Zoológico Central e as grandes estátuas de bronze em homenagem aos dois líderes comunistas da Coreia do Norte (Grande Monumento da Colina Mansu).
Infraestrutura Transportes thumb|esquerda|Metrô de Pyongyang.
Pyongyang também é o principal centro de transporte do país: possui uma rede de estradas, ferrovias e rotas aéreas que o vinculam a destinos estrangeiros e domésticos. É o ponto de partida das rodovias inter-regionais atingindo Nampo, Wonsan e Kaesong. A estação ferroviária de Pyongyang serve as principais linhas ferroviárias, incluindo a linha Pyongui e a linha Pyongbu. Serviços ferroviários internacionais regulares para Pequim, cidade fronteiriça chinesa de Dandong e Moscou, na Rússia, também estão disponíveis.
Uma viagem ferroviária a Pequim leva cerca de 25 horas e 25 minutos (K27 de Pequim/K28 de Pyongyang, às segundas, quartas, quintas e sábados); uma viagem a Dandong leva cerca de 6 horas (diariamente); uma viagem a Moscou leva seis dias. A cidade também se conecta à Estrada de Ferro Transiberiana. Uma ligação ferroviária de alta velocidade para Wonsan está prevista.