thumb|300px|<center>Chapa de modelo utilizado desde março de 2020
thumb|300px|<center>Chapa de modelo utilizado entre 1992 e 1997 thumb|300px|<center>Chapa de modelo anterior a 1992 (modelo português)
Os números de identificação de veículos automóveis em Portugal são chamados números de matrícula. Todos os veículos motorizados que circulem na via pública têm de ter um desses números, que é afixado no seu exterior, num dispositivo chamado chapa de matrícula, normalmente colocado à frente e na traseira.
Sistema de numeração das matrículas miniaturadaimagem|Exemplificação das mudanças feitas no sistema de numeração de matrículas desde 1932. O sistema geral de numeração de matrículas dos automóveis portugueses foi implementado em 01 de Janeiro de 1937 e consiste em três grupos de dois caracteres, separados por dois traços. Inicialmente a sequência utilizada era a AA-00-00. Em 1992 passou-se para a 00-00-AA e, em 2005, para a 00-AA-00 que esteve em vigor até 2020. Quando esta chegou ao fim, procedeu-se à introdução da sequência AA-00-AA. O primeiro veículo com a nova sequência, um carro elétrico, foi registado em março de 2020 com a matrícula "AA 01 AA".
Inicialmente os vários grupos de letras estavam reservados para ser atribuídos por região de registo. Actualmente isso não acontece, sendo as séries atribuídas de forma sequencial a nível nacional.
Cor e formato miniaturadaimagem|Exemplificação da mudança forma e cor da Matriculas de automóveis portuguesas desde 1932. Em termos de dimensões as chapas de matrícula portuguesesas seguem o chamado modelo europeu de placa de identificação de veículos automóveis. É utilizada a cor branca reflectora como base, com caracteres a preto, usando a fonte DIN 1451. No lado esquerdo é colocada a "eurobanda" azul com a letra de identificação nacional "P". No lado direito era, até ao ano de 2020, colocada uma barra amarela com a indicação do ano e do mês do primeiro registo do veículo. (ex. 98/01 para um veículo registado em Janeiro de 1998).
Os veículos matriculados antes de 01 de Janeiro de 1998 podem continuar a usar os modelos de chapa em vigor à data em que foram matriculados: chapas pretas com caracteres brancos (somente para veículos matriculados até 31 de Dezembro de 1991) e chapas brancas com "eurobanda" mas sem barra amarela (para veículos matriculados entre 01 de Janeiro de 1992 e 31 de Dezembro de 1997). Opcionalmente, nesses veículos podem ser colocadas placas de modelos posteriores.
Nos veículos antigos, considerados de interesse museológico, pode ser colocada uma chapa e matrícula do modelo em vigor à data da sua entrada em circulação.
Chapas e numerações especiais Existem algumas chapas especiais, ou pela cor ou pela numeração específica que apresentam. As principais são: Chapas de fundo preto, com o escudo nacional ao centro, ladeado pelas letras "PR" a branco/prateado: veículos oficiais do Presidente da República; Chapas de formato e cores normais com as sequências MG-00-00, ME-00-00 e MX-00-00: reservadas aos veículos do Exército Português - na maioria dos veículos tácticos do Exército são aplicadas ainda matrículas de fundo preto com letras brancas; Chapas de formato e cores normais com a sequência AP-00-00: reservadas aos veículos da Marinha Portuguesa; Chapas de formato e cores normais com a sequência AM-00-00: reservadas aos veículos da Força Aérea Portuguesa; Chapas de formato e cores normais com as sequências GNR x-00, GNR x-000 e GNR x-0000: reservadas aos veículos da Guarda Nacional Republicana, em que o x representa uma letra identificadora do tipo ou função do veículo (B: Blindado, C: Pesado de Transportes Gerais, E: Função Especial, F: Brigada Fiscal (todos os tipos e funções), G: Ligeiro de Transportes Gerais, J: Todo-o-Terreno, L: Ligeiro de Passageiros, M: Motociclo ou Ciclomotor, P: Pesado de Passageiros e T: Brigada de Trânsito (todos os tipos e funções)); Chapas de formato e cores normais com a sequência de 00-00-KA a 00-00-KF: reservadas aos veículos importados em segunda mão (utilizadas apenas em veículos matriculados durante o ano de 1997); Placas brancas com caracteres a vermelho, sem "eurobanda" com as sequências 000-xx000: reservadas a diplomatas e a funcionários em missões internacionais. (CD: Corpo Diplomático, CC: Corpo Consular e FM: Funcionário em Missão (Internacional)) e o primeiro grupo de algarismos identifica o país ou a organização internacional (ex: Comissão Europeia, NATO) a que pertence (ex.: 018: Bélgica, 060: França, 095: Luxemburgo, 115: Noruega, 118: Países Baixos, 200: Comissão Europeia, etc.); Chapas de fundo amarelo com caracteres a preto, com a sequência 00000-x: matrículas de veículos para exportação, em que x identifica a Alfândega onde o mesmo foi registado (L: Lisboa, P: Porto, A: Açores e M: Madeira). Nestas matrículas, na barra amarela, sobre os números da data são acrescentadas as letras "EXP"; Chapas de fundo vermelho com caracteres a preto com a sequência normal (00-AA-00): matrículas de máquinas ou atrelados industriais. Nestas matrículas, na barra amarela, em vez dos números da data é colocada uma letra que indica a classe de circulação da máquina ou atrelado. Chapas de fundo vermelho com caracteres a branco, sempre com as dimensões 220 mm X 330 mm: chapas de trânsito para veículos novos ainda não matriculados, dispondo na parte superior de um número sequencial e na inferior da denominação (ou abreviatura) do operador registado do veículo, do seu fabricante ou do seu concessionário.
Matrículas de Reboques thumb|right|300px|Chapa de matrícula de um reboque registado em Lisboa
As matrículas dos reboques civis seguem a sequências x-0 a x-000000 ou xx-0 a xx-00000, onde o x ou xx são os códigos do serviço distrital ou regional onde foi registado. Os códigos existentes são os seguintes: A - Açores (Ponta Delgada) AN - Angra do Heroísmo AV - Aveiro BE - Beja BG - Bragança BR - Braga C - Coimbra CB - Castelo Branco E - Évora FA - Faro GD - Guarda H - Horta L - Lisboa LE - Leiria M - Madeira (Funchal) P - Porto PT - Portalegre SA - Santarém SE - Setúbal VC - Viana do Castelo VI - Viseu VR - Vila Real
Os reboques do Exército têm matrículas com as sequências 0-M, 00-M, 000-M e 0000-M. Os reboques da Força Aérea têm matrículas com a sequência E-00-00. Os reboques da Marinha têm matrículas com a mesma sequência das dos seus automóveis: AP-00-00.
O número de matrícula é colocado numa chapa de formato e cores iguais às dos automóveis, mas sem a banda amarela com a data de matrícula. Por desconhecimento da norma, é comum verem-se chapas de matrículas de reboques com a banda amarela e a data de registo.
Matrículas de motociclos e ciclomotores 300px|thumb|right|Chapa de matrícula de um quadriciclo(modelo de aplicação opcional, introduzido a partir de 2006)
Os motociclos com cilindrada superior a 50 cc dispõem de matrículas com a mesma sequência das dos automóveis mas colocadas em chapas de formato mais reduzido, sem eurobanda e sem banda amarela com a data de registo.
Os motociclos com cilindrada inferior a 50 cc e os ciclomotores dispõem de matrículas de formato igual às dos motociclos com mais de 50 cc, mas de fundo amarelo.
Os ciclomotores de quatro rodas (quadriciclos) que tenham espaço físico para isso, poderão usar uma chapa de formato igual à dos automóveis, mas com fundo amarelo.
Matrículas de motociclos e ciclomotores emitidas até 2006
Até 2006, os motociclos com cilindrada inferior a 50 cc e os ciclomotores dispunham de placas com a sequência 0-XXX / 00-00, em que XXX é o código de três letras correspondente ao concelho onde era efectuado o registo. As chapas dos ciclomotores eram de fundo de cor amarela e as dos motociclos de cilindrada inferior a 50 cc, de cor branca. (Até à década de 1980, as chapas de fundo amarelo eram também usadas por bicicletas e veículos de tracção animal.) O período de substituição foi 2006-2008, ainda que se algumas se mantivessem em uso até 2010.
História das matrículas automóveis em Portugal Primórdios Em Portugal, pelo menos desde 1901, altura em que foi posto em vigor o primeiro diploma legal que estabelecia regras específicas para a circulação automóvel, começaram a ser emitidas matrículas (licenças de circulação de automóveis) pelos Governos Civis dos distritos. O Decreto de 3 de Outubro de 1901 estabelecia a obrigatoriedade de todos os automóveis trazerem na sua parte posterior, uma chapa metálica com a inscrição em caracteres bem visíveis do número da licença e da sede de distrito em que foi concedida. Pelo que se pode observar em fotografias da época as referidas chapas apresentavam inscrições do tipo LISBOA 123 ou LXA. 234 (para veículos matriculados em Lisboa) e, além da parte posterior do veículo, eram também colocadas por vezes na sua parte frontal. O primeiro registo automóvel em Portugal, foi realizado em 1901, em nome de Augusto Sabido Teixeira de Aragão, natural de Santiago do Cacém. [ http://www.irn.mj.pt/sections/irn/a_registral/registo-de-veiculos IRN]Terras de Santiago
Sistema de matrículas de 1911 Devido ao aumento de veículos automóveis a circular, em 1911 entendeu-se necessário estabelecer um sistema de matriculação padronizado a nível nacional, para substituir os arcaicos sistemas distritais. Para isso, o país foi dividido em 3 zonas de registo: Norte, Centro e Sul. A cada zona foi atribuída uma sequência privativa constituída por uma letra identificativa, seguida pelo número de série. As sequências estabelecidas foram N-000, C-000 e S-000, respectivamente para as Zonas Norte, Centro e Sul. As Chapas de matrícula foram padronizadas em fundo preto com caracteres brancos.
Nas matrículas dos automóveis de aluguer era colocado um "A" no final do número de série (ex.: S-4226-A). Nas dos automóveis matriculados provisoriamente, no final do número eram colocadas as letras "WW" (ex. S-1703-WW). Os automóveis do Exército usavam a sequência MG-000, que se manteve em uso até à década de 1950.
Em 1918 foram estabelecidas as zonas de registo dos Açores e da Madeira, sendo-lhes atribuídas as sequências A-000 e M-000, respectivamente. Este sistema e sequências de matriculação iriam estar em vigor nas ilhas até 1962, portanto até muito depois do que aconteceu no continente em que só duraram até ao final de 1936.
Apesar deste sistema ser claro e racional, na década de 1930 existiam já tantos automóveis a circular que, em algumas Zonas tais como a Sul que incluía Lisboa, o número de série já atingia os 5 dígitos. Como esta situação tornava difícil uma rápida identificação das viaturas pelos agentes de autoridade, começou a estudar-se um novo sistema de matriculação que permitisse um registo de um elevado número de viaturas sem apresentar muitos caracteres.
Sistema de matrículas de 1937 Assim, no dia 1 de Janeiro de 1937 entrou em vigor o segundo sistema nacional de matriculação de automóveis em Portugal. Este sistema consistia em matrículas compostas por três grupos de dois caracteres (um de letras e dois de números) separados por traços, sendo escolhida a ordem AA-00-00. Foi mantida a divisão das matrículas por zonas que agora eram identificadas, apenas indirectamente, através dos grupos de letras que lhes estavam reservados. Assim os grupos de AA a LZ foram reservados para a Zona de Lisboa (antiga Zona Sul), os MA a TZ para a do Porto (antiga Zona Norte) e os UA a ZZ para a de Coimbra (antiga Zona Centro). As chapas continuaram a ser de fundo preto com caracteres a branco, com excepção dos veículos diplomáticos ou em importação temporária. O material utilizado nas chapas era o plástico, sendo os caracteres em relevo.