Sede de duas Copas do Mundo (1950 e 2014) masculinas, o Brasil é a única seleção a participar de todas as edições do evento e a maior vencedora da competição, com cinco títulos, todos fora de casa e invictos. Na edição de 2018, o Brasil foi a primeira seleção a ser classificada, com quatro rodadas de antecedência nas eliminatórias da América do Sul.
Uruguai 1930
O Brasil esteve presente para a disputa da 1ª Copa do Mundo, que se realizaria no Uruguai. Mas um desentendimento entre times do Estado do Rio de Janeiro e times do Estado de São Paulo, ao preparar a escolha de seus jogadores, fez com que os melhores jogadores não participassem. A seleção entrou em um triangular entre Iugoslávia e Bolívia, onde somente o primeiro do grupo se classificaria. No 1º jogo, perderia pra Iugoslávia por 2–1 e no 2º jogo golearia a Bolívia em 4–0, mas seria eliminado na 1ª fase desta Copa. Reino da Itália 1934
Na Copa de 1934, o Brasil foi eliminado ainda na primeira partida, no jogo contra a Espanha, perdendo por 3–1.
A eliminação brasileira perante a Espanha foi marcada por uma arbitragem controversa. Os jogadores brasileiros reclamaram do árbitro alemão Alfred Birlem, que anulou um gol de Luisinho quando a partida ainda estava em 2–1 para a Espanha (segundo os brasileiros, o gol foi legal), e o zagueiro espanhol Quincoces tirou com a mão uma bola, chutada pelo brasileiro Patesko, no momento em que a bola ia entrar no gol. O árbitro não marcou o pênalti. Porém, em um outro lance, o árbitro marcou um pênalti a favor do Brasil, batido por Valdemar de Brito e defendido pelo goleiro espanhol Zamora.Revista Placar, n° 827, 31/03/1986.
França 1938
Na França, a Seleção Brasileira obteve o 3º lugar, sua melhor colocação até então nas Copas do Mundo. Eliminou a Polônia nas oitavas de final por 6–5, e a Tchecoslováquia nas quartas por 3–2, perdendo para a Itália na semifinal por 2–1. Ganhou da Suécia na disputa do 3º lugar por 4–2. O brasileiro Leônidas da Silva, conhecido como Diamante Negro, foi o artilheiro da competição com sete gols.
A eliminação brasileira foi controversa. O segundo gol italiano derivou-se de pênalti, cometido por Domingos da Guia sobre o italiano Piola. Domingos agrediu Piola em revide a uma agressão deste, que o árbitro (o suíço Hans Wüthrich) desconsiderou, marcando apenas a infração do brasileiro. Ademais, algumas fontes afirmam que, no momento do ocorrido, a bola não estava em jogo, havia saído pela linha de fundo, de modo que a marcação do pênalti teria sido ilegal.Jornal O Estado de S. Paulo, 18 de junho de 1970, página 30.Jornal do Brasil - 17 jun. 1938 Outras fontes alegam que a bola não havia saído, porém que estava fora do lance, longe de Domingos da Guia e Piola, de modo que a marcação do pênalti teria sido, no mínimo, desnecessariamente rigorosa.Revista Placar, 23 abril de 1982 Não só a imprensa brasileira, mas também a imprensa do país-sede da Copa, a França, considerou a marcação do pênalti rigorosa demais.Jornal francês Le Figaro, página 10 da edição de 17/06/1938. O Brasil chegou a fazer protesto formal à FIFA contra o juiz suíço Hans Wüthrich pela marcação do pênalti, porém a FIFA homologou o resultado final da partida.Jornal do Brasil - 18 jun. 1938 O jornalista francês A Chantrel escreveu que o árbitro deveria ter expulsado Domingos da Guia, mas jamais ter dado pênalti, pois a bola não estava em jogo, porém esse jornalista afirma que a Itália dominou o Brasil no jogo.Jornal Sport Illustrado, Rio de Janeiro, 13 de julho de 1938. Número 14. Página 03.
Além disso, Leônidas, considerado o melhor jogador do Brasil, desfalcou o Brasil contra a Itália por exaustão muscular, mas 3 dias depois disputou a decisão de 3º lugar contra a Suécia, marcando 2 gols. A "rápida" recuperação de Leônidas gerou calúnias e "teorias da conspiração" de que Leônidas teria sido "comprado" pela Itália, ou que o próprio Leônidas teria fingido suas dores musculares como forma de buscar uma melhor premiação financeira (o popular "bicho") por jogar. Leônidas processou o autor das acusações.
Brasil 1950
Na Copa do Mundo de 1950, a Seleção Brasileira era como favorita ao título. Classificou-se em 1º lugar em seu grupo na 1ª fase e, no quadrangular final, goleou a Suécia por 7–1 e a Espanha por 6–1. O Brasil precisava somente de um empate contra o Uruguai para obter o título, porém o Uruguai venceu o Brasil por 2–1, de virada. A partida foi realizada no estádio do Maracanã, construído especialmente para a Copa. A decepção foi tão grande que o fato passou a ser chamado de "Maracanazo" pela imprensa de língua espanhola; em português, Maracanaço.
Suíça 1954
Na Copa do Mundo de 1954, o Brasil pela primeira vez usou o uniforme com a camisa amarela e o calção azul. O Brasil conseguiu se classificar para a segunda fase da Copa, vencendo o México por 5–0 e empatando com a Iugoslávia por 1–1, mas nas quartas de final enfrentou a poderosa Hungria de Kocsis e Puskás, sensação daquela Copa, e perdeu de 4–2, sendo eliminada. Um fato curioso na primeira fase da competição: segundo o jogador Djalma Santos, os jogadores do Brasil não sabiam que o empate com a Iugoslávia classificaria ambas as equipes para a segunda fase da Copa, e não "desaceleraram" o ritmo da partida; os jogadores iugoslavos gesticulavam aos brasileiros para que "desacelerassem" a partida, mas os brasileiros não entendiam e "se matavam" de correr em campo. Após o empate, os jogadores brasileiros foram para o vestiário achando que estavam desclassificados da Copa, e apenas no vestiário foram informados que o Brasil também estava classificado.<ref name="esporte.uol.com.br">esporte.uol.com.br/ Entrevista de Djalma Santos ao UOL Esporte.]</ref>
Antes do início da partida com a Hungria, o vestiário do Brasil foi invadido por dirigentes dispostos a estimular o time com exortações patrióticas. O Senador da República, João Lira Filho, fez um discurso onde comparava os jogadores aos Inconfidentes Mineiros e, desfilando com uma bandeira usada pela Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, obrigou os jogadores a beijar a bandeira. Segundo o testemunho do lateral-esquerdo Nílton Santos, o time entrou em campo com os nervos à flor da pele.Estadão Blogs - Geraldo Nunes - A difícil relação do futebol com as arbitragens. 23/06/2014. Segundo o lateral-direito Djalma Santos: "Na véspera do jogo contra a Hungria, o jantar terminou às 19h e ficamos ouvindo os dirigentes falarem até as 23h. Eles fizeram do Puskás um monstro, um deles. E ele nem jogou aquela partida. Ficaram falando que nós tínhamos que honrar a nossa bandeira, que isso, que aquilo... Teve jogador que nem dormiu depois de tudo que eles falaram."
A partida entre Brasil e Hungria ficou posteriormente conhecida como Batalha de Berna,pt.fifa.com/ Futebol Clássico: A Batalha de Berna em função da briga generalizada que ocorreu após a partida, envolvendo jogadores e comissão técnica de ambos os países. Os brasileiros ficaram revoltados com a atuação do árbitro inglês Arthur Ellis, sobretudo pela postura do mesmo sobre a violência dos jogadores húngaros, do 2º e o 4º gols húngaros (que os brasileiros consideraram que houve impedimento), da marcação de pênalti contra o Brasil por alegado toque de mão do zagueiro Pinheiro, que resultou no 3º gol húngaro, e da não marcação de um pênalti a favor do Brasil, em cima do ponta Julinho Botelho, ao fim do jogo.Jornal do Brasil, 29 de junho de 1954, 2º caderno, página 2.
Mário Vianna, árbitro brasileiro do quadro da FIFA que estava comentando a partida para uma emissora carioca, chamou o Comitê de Arbitragem da FIFA de "camarilha de ladrões", acusou o árbitro Arthur Ellis de ser "ladrão, comunista, covarde, rateiro"Livro "O Jogo Bruto das Copas do Mundo", do jornalista Teixeira Heizer. e de por isso ter beneficiado a Hungria, e afirmou que aplicaria um "corretivo" no árbitro inglês.Portal R7, "Hoje em Dia". Hungria 4 x 2 Brasil - A "Batalha de Berna", 02/05/2014. Tais atitudes valeram a Mário Vianna sua exclusão do quadro de árbitros da FIFA.Revista Placar, 7 de maio de 1982 Numa entrevista à Revista Placar em 1981, Vianna afirmou que viu o jogador húngaro Puskás ir ao quarto de hotel do árbitro Arthur Ellis no dia anterior à realização da partida e ficar lá mais de uma hora. Por isso, Vianna ficou desconfiado, e a arbitragem de Ellis, segundo ele, acabou por confirmar suas suspeitas.Revista Placar, númerp 588, 21 ago. 1981, página 53.
No que diz respeito pelo menos ao 2º e ao 4º gols da Hungria (sobre os quais os brasileiros reclamaram de impedimento), o vídeo da partida mostra que os gols foram marcados em posição legal; comentando o mesmo vídeo para a TV Cultura, o ponta Julinho Botelho afirma que o pênalti marcado a favor da Hungria foi inexistente e que ele sofreu pênalti não marcado pelo árbitro.Brasil 2 x 4 Hungria - 1954, no Youtube. TV Cultura: narração de José Góes e Julinho Botelho. Disponível no Youtube.
Suécia 1958
A seleção ficou em 1º lugar num grupo que continha Inglaterra, União Soviética e Áustria; venceu o País de Gales nas quartas de final; na semifinal, goleou a França por 5–2. A final foi disputada no Estádio Råsunda entre Brasil e Suécia. O Brasil jogou de camisa azul, pois ambos os times tinham o uniforme nº 1 em cor amarela. A Seleção Brasileira venceu por 5–2, mesmo placar que aplicara na semifinal. Nessa partida, a seleção teve jogadores como Pelé, Vavá, Bellini, Zito, Mazzola, Garrincha, Didi, Gilmar e Zagallo. A Copa marcou para o mundo o surgimento de Edson Arantes do Nascimento - o Pelé - com apenas 17 anos.
Chile 1962
A seleção logrou seu bicampeonato nesta Copa. O Brasil se classificou em 1º lugar do grupo, na primeira fase. Eliminou a Inglaterra nas quartas de final e o Chile na semifinal. Na final, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3–1. Os jogadores Garrincha, Vavá, Djalma Santos, Nílton Santos e Zagallo foram destaques, tendo Pelé se contundido e sido substituído por Amarildo. Vavá tornou-se o grande goleador dos dois primeiros títulos mundiais do Brasil.
Inglaterra 1966
Na busca pelo tricampeonato, a Seleção Brasileira apresentou desorganização, chegando a convocar mais de 40 jogadores antes da realização dos cortes num processo marcado por politicagens. Porém, havia no país a sensação de confiança de que o Brasil ficaria com o título.Revista Placar: A Saga da Jules Rimet- A História das Copas de 1930 a 1970. Fascículo 8: Inglaterra 1966. A Seleção, no entanto, acabou eliminada ainda na primeira fase, após vencer a frágil Bulgária por 2–0 com gols de bola parada de Pelé e Garrincha, e perder para Hungria e Portugal (ambas as derrotas foram por 3–1). O jogo contra Portugal foi marcado pelas jogadas violentas contra Pelé que acabou se machucando, com "destaque" para as duas entradas violentíssimas do português Morais, que tirou Pelé de campo, mas não foi expulso nem advertido pelo árbitro inglês, George McCabe.
O Brasil estava irreconhecível: em nenhum momento o time jogou bem. Ficaram evidentes a falta de comando e a ausência de um esquema de jogo, com Pelé caçado em campo e Garrincha decadente. Devido às faltas duras dos búlgaros, Pelé não jogou contra a Hungria. Contra Portugal, Garrincha ficou na reserva. O jogo contra a Bulgária foi, portanto, a última partida em que Pelé e Garrincha atuaram juntos pela Seleção (com a dupla em campo, o Brasil nunca perdeu).