foi uma romancista japonesa, poetisa e dama de companhia na corte imperial durante o período Heian. Ela é mais conhecida como a autora do Genji Monogatari ("A História dos Genji"), escrito aproximadamente entre 1000 e 1012. Murasaki Shikibu era seu nome artístico; seu nome real é desconhecido, mas acredita-se que seja Fujiwara Takako, mencionada no Diário da Corte de 1007 como uma dama de companhia imperial.Chieko Irie Mulhern, Japanese Women Writers: A Bio-critical Sourcebook Greenwood Publishing Group, 1994 pp. 257 - 258 ISBN 9780313254864
Mulher Como em qualquer sociedade medieval, as mulheres da corte japonesa, embora muito privilegiadas em comparação com as das classes mais baixas, estavam sujeitas a uma série de regras e limites. Além de totalmente isoladas do mundo externo, elas também viviam limitadas pela própria língua, visto que desconheciam o vocabulário da linguagem culta, que era então de uso exclusivo dos eruditos do sexo masculino. A despeito das circunstâncias, um grupo de nobres japonesas talentosas criou a melhor literatura da época, dentre as quais Murasaki Shikibu é o nome mais eminente. No Japão do período Heian, assim como na Grécia clássica, no Islã, na Índia pós-védica e na Europa medieval, as mulheres estavam proibidas de ler o que se considerava literatura séria: deviam restringir-se à diversão banal e frívola das novelas e fábulas que os eruditos confucianos desprezavam.
Mesmo que todas as bibliotecas da literatura chinesa e japonesa estivessem abertas para elas, as mulheres do período Heian não identificariam a realidade do seu cotidiano nas narrativas de autoria masculina. Portanto, em parte para ampliar o acervo da literatura feminina, e em parte para dar expressão à sua visão do mundo, elas criaram uma literatura própria. Para registrá-la, criaram também um estilo de escrita caracterizado pela transcrição fonética da língua que tinham permissão de falar, o Kanabungaku, um japonês expurgado de quase todas influências de palavras chinesas. Essa língua escrita veio a ser conhecida como escrita das mulheres e, estando restrita à mão feminina, adquiriu, aos olhos dos homens que as dominavam, uma qualidade erótica. Louis Perez explica em sua A História do Japão que: as mulheres... eram criadas para serem incapazes de ter uma inteligência real e, portanto, não foram educadas no chinês. Louis G.Perez,The History of Japan Westport CT: Greenwood Press.(1990) p. 21 , ISBN 9780313302961
Mas Murasaki, nascida na casa de um erudito (Fujiwara no Tametoki, Kokushi de Echizen), mostrou uma aptidão precoce para os clássicos chineses e conseguiu adquirir fluência na língua culta. O bisavô de Murasaki, Fujiwara no Kanesuke, pertencera as camadas superiores da aristocracia, mas seu ramo familiar foi perdendo força e no momento do nascimento de Murasaki a família só conseguia cargos como governadores provinciais. Haruo Shirane, The Bridge of Dreams: A Poetics of "The Tale of Genji". . Stanford CA: Stanford University Press, 1987. p. 215 ISBN 9780804717199 Os escalões inferiores da nobreza tinham seus postos longe da Corte nos indesejáveis cargos nas províncias, exilados do poder central em Quioto. Richard John Bowring (ed). The Diary of Lady Murasaki. . London: Penguin UK, 1996. p. 14 ISBN 9780140435764
Casamento Murasaki na época de seu casamento deveria estar com seus vinte e poucos anos, era um pouco velha pelos padrões da era Heian para se casar. Chieko Irie Mulhern, Heroic with Grace: Legendary Women of Japan Routledge, 2015 pp. 83 – 85, ISBN 9781317468684
Se casou um primo de segundo grau muito mais velho, Fujiwara Nobutaka, descendente do mesmo ramo do clã Fujiwara, o Kanjūji, ele era membro da Corte e como o pai de Murasaki trabalhava no "Shikibu-shō" (Ministério do Cerimonial). Richard John Bowring Bowring, Murasaki Shikibu: The Tale of Genji Cambridge University Press, 2004 pp. 3 - 5 . ISBN 9780521832083 Tinha a reputação de se vestir de maneira extravagante e de ser um dançarino talentoso.
Murasaki teve com ele sua única filha (Daini no Sanmi), Sagnik Bhattacharya , A Hundred Autumn Leaves: The Ogura Hyakunin Isshu: Translated and Annotated Partridge Publishing, 2015 p.253 ISBN 9781482859195 antes de seu marido morresse, dois anos depois de se casarem. Jocelyne Godard, Na Ponta do Leque Primavera Editorial, 2015, p 467 ISBN 9788561977894
É incerto quando ela começou a escrever o Genji Monogatari, mas provavelmente logo após ter ficado viúva. Em 1005, Murasaki foi convidada a servir como uma das damas de companhia (nyōbō ) da Imperatriz Fujiwara no Shoshi (Taiken-mon-In), esposa do Imperador Ichijo na Corte Imperial, provavelmente por causa de sua reputação como escritora.
Legado literário Consta que além do monumental Genji Monogatari, Murasaki Shikibu escreveu um 'Diário, onde com acuidade fez um registro e análise do monótono cotidiano de uma mulher nobre do período Heian. Mas foi, de fato, com a História dos Genji que seu nome transpôs os muros do palácio imperial e se expandiu para além de sua época e país de nascimento. Com um estilo quase proustiano de escrever, ela hoje figura entre os grandes escritores da literatura universal, e o seu Genji Monogatari é tido como um clássico da literatura japonesa. Sua narrativa é fluente e dotada de agudeza psicológica, mas o enredo é longo (1100 páginas na tradução de Edward G. Seidensticker) e complexo, requerendo extrema atenção do leitor devido ao número excessivo de personagens — além do príncipe Genji, há outros 50 personagens principais. Não obstante, a história é apaixonante e Genji lembra, em certas passagens, a Dom Juan de Lord Byron. Comparada a Jane Austen e Virginia Woolf, Lady Murasaki é irônica e intimista, e às vezes parece antecipar Freud ao demonstrar, sutilmente, como as transferências eróticas podem ser substituições de relacionamentos passados.
O crítico norte-americano, Harold Bloom, que incluiu Lady Murasaki entre os 100 maiores gênios da literatura, disse que "a História dos Genji está para cultura japonesa assim como Dom Quixote está para a cultura ocidental". Volterra, WE, THE NOVELIST SKRYCOFT Publishing, 2014 pp. 60-61 ISBN 9781927113356
Por seus feitos foi considerada para fazer parte do , relacionadas no período Kamakura, refere-se a versão feminina dos Trinta e seis Imortais da Poesia. Nyōbō Sanjūrokkasen página visitada em 28/05/2015
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