Córrego Novo é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que menos de está em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 65% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com três estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,632, classificado como médio em relação ao estado.

A área do atual município foi explorada pela primeira vez pelos irmãos Antônio Albano dos Reis e Cessário Albano dos Reis, que estavam à procura de terras fecundas. A fertilidade do solo fez com que os irmãos dessem início à agricultura e o rendimento da atividade atraiu novos habitantes, formando-se um povoamento que foi transformado em distrito em 1948, subordinado a Bom Jesus do Galho, sendo emancipado em 1962.

A agropecuária, o comércio e a prestação de serviços configuram-se como prevalecentes fontes empregadoras da população córrego-novense. A culinária, o artesanato e eventos festivos, tais como a Cavalgada de Córrego Novo e as comemorações religiosas do dia de Santa Ifigênia, padroeira municipal, são algumas das principais manifestações culturais. O turismo ecológico também se faz presente, com a existência de trilhas, matas, lagoas e cachoeiras abertas à visitação.

História

thumb|esquerda|Canteiro central da Avenida Prefeito Carlito Caetano Os primeiros a desbravarem a área do atual município, então pertencente a Bom Jesus do Galho, foram os irmãos Antônio Albano dos Reis e Cessário Albano dos Reis, que vieram do povoado de Iguaçu à procura de terras. No local, encontraram solos férteis e propícios à agricultura, que levaram os irmãos a se estabelecerem e darem início ao povoamento. O nome recebido pelo lugar foi Córrego Novo, devido à existência de diversos ribeirões e córregos.

Dado o desenvolvimento econômico e populacional que vinha sendo observado, a partir do povoado foi criado o distrito de Córrego Novo, subordinado a Bom Jesus do Galho, pela lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948. A emancipação foi decretada pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, com instalação realizada em 1º de março de 1963. A lei municipal nº 459, de 22 de junho de 1994, criou o distrito de Pingo-d'Água, no entanto este foi emancipado pela lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995.

Entre a noite do dia 19 e madrugada de 20 de novembro de 2019 a cidade foi atingida por um temporal acompanhado de rajadas de vento e chuvas intensas que provocaram enchentes de grandes proporções. Cerca de 60% das residências da zona urbana foram danificadas, famílias desabrigadas precisaram se alojar na Escola Municipal Professor Borges da Costa e houve interrupção dos serviços de comunicação, levando a prefeitura a decretar estado de emergência. Com isso campanhas de arrecadação de donativos e suprimentos para os atingidos foram realizadas nos municípios do Vale do Aço por igrejas e outras instituições.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º49'55" de latitude sul e 42°23'47" de longitude oeste e está a uma distância de 320 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais). Seus municípios limítrofes são Pingo-d'Água, a norte; Dionísio, a oeste; Raul Soares, a sul; e Bom Jesus do Galho, a leste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Ipatinga e Imediata de Caratinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Caratinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.

Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Pedra dos Procópios, ponto mais elevado de Córrego Novo, na zona rural do município. O relevo do município de Córrego Novo é predominantemente montanhoso. A altitude máxima encontra-se a 854 metros acima do nível do mar, na Pedra dos Procópios, também conhecida como Pedra do Córrego Novo, enquanto que a altitude mínima está na divisa com o município de Dionísio, com 262 metros. Já o ponto central da cidade está a . A vegetação predominante é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, estavam relacionados à poluição hídrica, às queimadas e ao desmatamento.

O território municipal está situado na gama de abrangência do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), que é a maior reserva de Mata Atlântica do estado de Minas Gerais, no entanto o predomínio é do reflorestamento com eucalipto visando a alimentar as indústrias do Vale do Aço, principalmente da Cenibra e Aperam South America. Córrego Novo ainda faz parte do complexo da RPPN Reserva Feliciano Miguel Abdalla, sediada em Caratinga, onde é encontrado o muriqui-do-norte, que é o maior primata da América do Sul.

O território é banhado por vários mananciais, sendo os principais o rio Doce, os ribeirões dos Óculos e Mantimento e os córregos Santo Antônio e da Ferrugem, que fazem parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, os mananciais que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas, fluviométricas e telemétricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.

Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Córrego Novo por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 04/01/1997 Julho 30/07/1996 Fevereiro 08/02/2021 Agosto 10/08/1990 Março 20/03/2005 Setembro 26/09/2016 Abril 07/04/2013 Outubro 27/10/2010 Maio 07/05/2022 Novembro 15/11/1991 Junho 05/06/2004 Dezembro 18/12/2000 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) O clima córrego-novense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva em Córrego Novo não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera.

Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1969 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Córrego Novo foi de no dia 20 de março de 2005. Outros grandes acumulados foram de em 18 de dezembro de 2000, em 15 de novembro de 1991 e em 8 de fevereiro de 2021. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 341º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 4,4878 raios por quilômetro quadrado.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total em 2010, 746 habitantes (23,86%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (66,33%) tinham de 15 a 64 anos e 307 pessoas (9,82%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,3 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,3. thumb|esquerda|Vista da Igreja Matriz de Santa Ifigênia, que representa a sede da Paróquia Santa Ifigênia

Em 2010, a população córrego-novense era composta por 995 brancos (31,82%), 169 negros (5,40%), 14 amarelos (0,45%), pardos (62,30%) e um indígena (0,03%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (98,70%), três na Região Norte (0,09%), 12 no Nordeste (0,37%) e seis no Sul (0,18%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (98,23%) e, desse total, eram nascidos em Córrego Novo (67,92%). Entre os 55 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 12 pessoas (0,38%), seguido por Alagoas, com nove residentes (0,29%), e pelo Paraná, com seis habitantes residentes no município (0,18%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Córrego Novo é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,632 (o 3448º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,525, o valor do índice de longevidade é de 0,805 e o de renda é de 0,596. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 48,5% e em 2010, 77,3% da população vivia acima da linha de pobreza, 12,8% encontrava-se na linha da pobreza e 10,0% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,43, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 46,4%, ou seja, 12 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 4,9%.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Córrego Novo está composta por: católicos (79,41%), 503 evangélicos (16,08%), 124 pessoas sem religião (3,96%) e 0,55% estão divididos entre outras religiões. A Paróquia Santa Ifigênia, subordinada à Diocese de Caratinga, está sediada em Córrego Novo e também abrange o município de Pingo-d'Água. Encontra-se localizada na Forania de Caratinga e está composta por dez comunidades católicas segundo dados de 2013.

Política e administração thumb|direita|Prefeitura de Córrego Novo A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é Ailton Lima de Paula, do Partido da República (PR), que foi eleito nas eleições municipais de 2012 e reeleito em 2016 com 65,46% dos votos válidos, ao lado de Nelson de Paula como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).