Cristóvão Rodrigues Acenheiro ou Cristóvão Rodrigues Azinheiro (Évora, 1474 — 1538) foi bacharel em Cânones, advogado e cronista português.
Vida e obra Nascido em Évora em 1474, bacharelou-se em Cânones, e na sua cidade natal praticou a advocacia. Da sua obra apenas se conhece a Crónica dos Reis de Portugal, escrita em 1535. Este livro foi publicado pela primeira vez em 1824 pela Academia Real das Ciências de Lisboa na colecção '[http://books.google.pt/books?id=TIRHAAAAYAAJ&lpg=PR23&ots=U0e_ZqgvKo&dq=chronicas%20AND%20acenheiro&pg=PR1#v=onepage&q&f=false 'Inéditos de História de Portugal tomo v], pp. 1-364, com o título Crónicas dos Senhores Reis de Portugal por Christovam Rodrigues Acenheiro.
Segundo Inocêncio Francisco da Silva, anexas a esta obra estavam outras do mesmo autor, que teriam os seguintes títulos Original e mui antiquissima criaçam de Espanha, que se perdeu depois da morte d'El-Rei D. Rodrigo; Lembranças de cousas de Portugal, que ficam por memória, em que trata de Ceuta; estes escritos incluiriam algumas memórias sobre a Espanha visigótica, batalhas entre cristãos e mouros, conquista de Roma, embaixada de Tristão da Cunha ao papa; a junção de todo este material devia, assim, formar um enorme volume, que, segundo se supõe, se guardava na biblioteca de el-rei D. João V, sendo destruído pelo incêndio que se seguio ao terramoto de 1755.
A Crónicas dos Senhores Reis de Portugal abarca o período compreendido entre o conde D. Henrique e D. João III, reunindo e resumindo crónicas anteriores, muitas delas julgadas perdidas.
E essa é, aliás, a mais importante actividade de Acenheiro, pois apesar de todas as suas imprecisões contribuiu também para a identificação de crónicas das quais não se conhecia o autor. Acenheiro foi atacado no séc. XIX quando o texto foi publicado, nomeadamente por Alexandre Herculano, que considerava as suas crónicas como um "rol de mentiras e disparates publicado pela nossa Academia, que teria procedido mais judiciosamente em deixá-las no pó das bibliotecas, onde haviam jazido em paz por quase três séculos". E mais à frente acrescenta Herculano: "Na crónica de Acenheiro, a história dos primeiros reinados é um tecido de quantos erros e fábulas corriam entre o vulgo, no principio do séc. XVI, acerca daquelas épocas." (Lendas e narrativas, Lisboa 1970, tomo II, pp 93 e 304, respectivamente.)
Só em meados do séc XX Acenheiro viria a ser, por assim dizer, reabilitado, quando Magalhães Basto (na Obra Fernão Lopes. Suas Crónicas Perdidas e a Crónica Geral do Reino'', Porto 1943) lhe atribuiu a devida importância.
Referências Luís de Albuquerque, Dicionário de história dos descobrimentos portugueses (Círculo de Leitores, Lisboa, 1994)
Ligações externas Obra de Cristóvão Rodrigues Acenheiro na Biblioteca Nacional Digital
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