BrasilCampeãocentro|298x298pxAssociaçãoCBFConfederaçãoCONMEBOLParticipação17º (todas as Copas) Melhor resultado anterior15px Campeão: 1958, 1962, 1970, 1994Técnico Luiz Felipe Scolari A edição de 2002 da Copa do Mundo marcou a décima sétima participação da Seleção Brasileira de Futebol na competição. O país manteve a situação de único país a participar de todas as edições do torneio da FIFA e conquistou o quinto título do torneio, ao vencer a Alemanha na final por 2-0, em Yokohama.

Foi a segunda vez em que a Seleção Brasileira de Futebol utilizou o esquema 3-5-2 em uma Copa do Mundo, sendo a primeira em 1990. A equipe foi treinado por Luiz Felipe Scolari e o capitão foi Cafu O Brasil venceu todas as partidas repetindo 1970. O conjunto do tridente de ataque formado por Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo mais o lateral Roberto Carlos ficou conhecido como "Os 4 Erres" (coincidentemente, os quatro jogadores marcaram os quatro gols do Brasil na vitória de 4-0 contra a China na segunda rodada do Grupo C do torneio), e Ronaldo tornou-se o artilheiro da competição com 8 gols (sendo o primeiro jogador brasileiro a fazê-lo desde Ademir de Menezes em 1950, e o primeiro artilheiro a marcar mais de 6 gols em uma Copa do Mundo desde Gerd Muller em 1970).

O início do ciclo foi conturbado, com resultados ruins e diversas denúncias de corrupção envolvendo jogadores, dirigentes e treinadores. A pressão popular deu origem a duas CPIs. O Brasil se recuperou dentro de campo e conseguiu se classificar à Copa do Mundo de 2002 na última rodada.

Apesar de transmitidos nas primeiras horas da manhã devido à diferença de horários (os jogos vespertinos, por exemplo, eram transmitidos às 3 horas da madrugada), os jogos marcaram acima dos 60 pontos de Ibope na Grande São Paulo. A final entre Brasil e Alemanha fechou com 67 pontos e 91% de índice share, que registra o percentual de televisores sintonizados na emissora no horário da partida.

Eliminatórias

O Brasil passou por um ciclo instável com quatro treinadores durante as eliminatórias: Vanderlei Luxemburgo (8 jogos), Emerson Leão (3 jogos), Candinho (1 jogo, como interino) e Luiz Felipe Scolari (6 jogos). 104 jogadores foram convocados, e o time perdeu seis dos nove jogos que fez como visitante.

O período de Vanderlei Luxemburgo, iniciado com o empate por 1-1 com a Iugoslávia num amistoso em São Luís, teve a conquista da Copa América de 1999, mas após ser desclassificado nos Jogos Olímpicos de Sydney pela seleção de Camarões nas quartas de final, com dois jogadores a mais em campo, além de diversas acusações na Justiça, o treinador foi demitido em setembro de 2000. Na ocasião, Luxemburgo foi acusado de falsidade ideológica, sonegação de impostos e de ter tirado proveito da venda de jogadores. O técnico fez acordo com o Ministério Público, pagou indenização, mudou seu nome de Wanderley para Vanderlei e alterou sua data de nascimento.

Emerson Leão assumiu o cargo em 2001 tentando montar uma "seleção caseira", apenas com atletas atuando no Brasil, sob a alegação de que os jogadores da Europa não respeitavam a seleção. Leão foi demitido no aeroporto de Narita, no Japão, pouco antes de embarcar para o Brasil, após a derrota para a Austrália na decisão do terceiro lugar na Copa das Confederações. O período foi conhecido como "Era Leomar", devido a surpreendente convocação do volante Leomar Leiria, então atleta do Sport Recife. Em entrevista a Rádio Transamérica em 2013, o então presidente do clube Luciano Bivar afirmara que tinha dado dinheiro a um lobista para que Leomar fosse convocado para a Seleção, porém não disse se o dinheiro havia chegado ao então treinador. Na época, Leão chamou de ridículas as declarações de Bivar.

Luiz Felipe Scolari assumiu o comando da seleção em junho de 2001. Na Copa América de 2001, diversos jogadores pediram dispensa da seleção, como o volante Mauro Silva, que comunicou a decisão no aeroporto de embarque para a Colômbia alegando receio da violência. Romário pediu dispensa alegando que faria uma cirurgia no olho. O Brasil foi desclassificado na competição para Honduras nas quartas de final, o que foi considerado um "fiasco histórico". O Brasil enfrentou dificuldades para se classificar. Rivaldo foi muito criticado pela torcida brasileira, pois o seu futebol no Barcelona estava muito superior ao que vinha apresentando na Seleção. Começou a se desgastar com as ofensas e vaias dos torcedores; após um jogo contra a Colômbia, no Estádio do Morumbi, Rivaldo chegou a declarar que não iria mais defender o Brasil. Durante a partida, o meia foi hostilizado pela torcida que lotou o estádio. A classificação para a Copa do Mundo ocorreu apenas na última rodada, em vitória contra a Venezuela por 3-0. A partida decisiva foi disputada no Maranhão para agradar políticos, devido ao receio do então presidente Ricardo Teixeira em ser investigado.

Eliminatórias + Tabela de Posições Equipe Pts PJ PG PE PP GF GC Argentina <small>43<small>18<small>13<small>4<small>1<small>42<small>15<small>27 Equador <small>31<small>18<small>9<small>4<small>5<small>23<small>20<small>3 Brasil3018936311714 Paraguai <small>30<small>18<small>9<small>3<small>6<small>29<small>23<small>6 Uruguai <small>27<small>18<small>7<small>6<small>5<small>19<small>13<small>6 Colômbia <small>27<small>18<small>7<small>6<small>5<small>20<small>15<small>5 Bolívia<small>18<small>18<small>4<small>6<small>8<small>21<small>33<small>-12 Peru<small>16<small>18<small>4<small>4<small>10<small>14<small>25<small>-11 Venezuela <small>16<small>18<small>5<small>1<small>12<small>18<small>44<small>-26 Chile <small>12<small>18<small>3<small>3<small>12<small>15<small>27<small>-12

Primeiro turno

28 de março de 2000El Campín, BogotáColombia0:0Brasil26 de abril de 2000Morumbi, São PauloBrasil3:2 (2:1)Ecuador4 de junho de 2000Nacional, LimaPerú0:1 (0:1)Brasil28 de junho de 2000Maracanã, Rio de JaneiroBrasil1:1 (0:1)Uruguay18 de julho de 2000Defensores del Chaco, AsunciónParaguay2:1 (1:0)Brasil26 de julho de 2000Morumbi, São PauloBrasil3:1 (2:1)Argentina15 de agosto de 2000Nacional, SantiagoChile3:0 (2:0)Brasil3 de setembro de 2000Maracanã, Rio de JaneiroBrasil5:0 (1:0)Bolivia8 de outubro de 2000Pachencho Romero, MaracaiboVenezuela0:6 (0:5)Brasil

Segundo turno 15 de novembro de 2000Morumbi, São PauloBrasil1:0 (0:0)Colombia28 de março de 2001Atahualpa, QuitoEquador1:0 (0:0)Brasil25 de abril de 2001Morumbi, São PauloBrasil1:1 (0:0)Perú1 de julho de 2001Centenario, MontevideoUruguay1:0 (1:0)Brasil15 de agosto de 2001Olímpico, Porto AlegreBrasil2:0 (1:0)Paraguay5 de setembro de 2001Monumental, Buenos AiresArgentina2:1 (0:1)Brasil7 de outubro de 2001Couto Pereira, CuritibaBrasil2:0 (0:0)Chile7 de novembro de 2001Hernando Siles, La PazBolivia3:1 (1:1)Brasil14 de novembro de 2001Castelão, São LuísBrasil3:0 (3:0)Venezuela

Artilheiros 8 gols Ronaldo Nazário 5 gols Rivaldo

2 gols Antônio Carlos Zago Vampeta Edílson Capetinha Luizão Ronaldo Gaúcho 1 gol Alex Juninho Paulista Euller Roque Júnior Marcelinho Paraíba

Assistências 4 Assistências Edílson Capetinha 3 Assistências Vampeta Cafu

2 Assistências Juninho Pernambucano Juninho Paulista 1 Assistência César Sampaio Roberto Carlos Antônio Carlos Zago Ronaldinho Gaúcho Euller Sylvinho Belletti Denílson Rivaldo

A Lista para a Copa

Na véspera da Copa do Mundo FIFA de 2002 havia um clamor popular pela convocação de Romário. Pesquisa do Datafolha indicava que 69% dos torcedores queriam ver Romário na copa. O jogador foi visto almoçando com o presidente Ricardo Teixeira às véspera da convocação. Até o então presidente da república Fernando Henrique Cardoso se manifestou publicamente a favor do atleta: "Eu sou Romário. Sobre isso não há dúvida. O resto eu não respondo. Romário, eu sou".

Romário não foi chamado para a Copa do Mundo e Luiz Felipe Scolari se justificou mais tarde: "Eu fui convidado a ir ao Rio de Janeiro para uma determinada situação dentro da CBF e um almoço com o Ricardo Teixeira. No mesmo dia, o Romário tinha saído de uma reunião com o Ricardo. (...) Almoçamos e ele me disse: "Felipe, escolhe teus jogadores, quem sabe da seleção é tu, quem vai ser responsabilizado é tu. A decisão é tua.' O Romário é um jogador que nos 20 metros finais é fantástico. Mas eu tinha que montar uma equipe com um pouco mais de movimentação e uma marcação mais forte. Para isso, não podia contar com o Romário. Na minha opinião eu precisaria de mais velocidade.". Ricardo Teixeira teria ficado revoltado e não disponibilizou nenhum segurança para Felipão deixar a sede da CBF. Um grupo de cinquenta manifestantes, com faixas e cartazes a favor da convocação de Romário, hostilizou o treinador e quase virou o táxi de Felipão.

Rivaldo e Ronaldo Nazário tiveram sua presença questionada na Copa. Rivaldo vinha em boa fase no Barcelona, mas em maio de 2002, o clube queria fazer uma cirurgia em Rivaldo alegando que rendia apenas a 40%, mas foi vetado pelo médico da seleção brasileira, José Luiz Runco. Convocado em março, Ronaldo não atuava desde 23 de dezembro de 2001. Felipão justificou: "Se o Ronaldo jogar ou não na Inter, ele vem ao Brasil para fazer parte do grupo. Nós não temos um tempo longo para esperar a Inter decidir pela escalação do jogador". Runco: "O Ronaldo já estava em condições de jogo, mas toda hora tinha problemas musculares. Nós tínhamos um jogo amistoso em fevereiro e o Ronaldo voltou ao Brasil. Foram 30 dias de trabalho. Nós tivemos uma falha em uma manhã. Ele não foi nessa manhã. Ele fazia trabalho três vezes por dia, de manhã, tarde e complementação à noite. No resto, ele se dedicou. O problema é que a Inter tinha um técnico argentino [Héctor Cúper], que tumultuou a vida do Ronaldo. Quanto ao Rivaldo, os quatro médicos do Barcelona queriam, queriam, que ele operasse. Nós bancamos. Mas na semana que ele iria se apresentar na seleção, ele torceu o joelho. Aí lá em Barcelona falaram que o Rivaldo estava fora da Copa. Aí eu disse: 'olha, ele vai jogar'. E foi o que aconteceu".

O Brasil marcou amistosos no início de 2002 contra Bolívia, Arábia Saudita e Islândia visando realizar testes. Dos amistosos saíram jogadores com Kleberson (campeão brasileiro no ano anterior com o Athletico), Anderson Polga, Gilberto Silva e Kaká. Denílson alegou que escondeu uma lesão de menisco da comissão técnica, que o impedia de usar a perna direita e passou a Copa do Mundo tomando anti-inflamatórios antes de dormir e ao acordar.

Segundo Vampeta, Scolari teria conversado com ele, Alex e Roque Junior: "Vocês eu já conheço, quero testar aqueles cara lá. (..) [Mas] os caras que o Felipão pôs para testar, só eles fizeram gols, porque só eles estão jogando, contra uma seleção baba, pegaram moral". Alex afirma que Felipão deu a entender que ele iria à Copa do Mundo: "Eu joguei a maioria dos jogos, era um treinador que me conhecia, que em várias conversas deixou sempre a entender que eu participaria. Em um amistoso no Mato Grosso contra a Islândia, tive uma conversa com o Felipão no corredor, e aquela conversa me dava mais certeza de que eu jogaria o Mundial".

Nome certo para a Copa, o meia Djalminha deu uma cabeçada no seu treinador, Javier Irureta, do La Coruña. Felipão justificou: "Fiquei muito dividido entre Djalminha e Kaká na lista final. A minha ideia era levar o Djalminha. Depois do episódio fiquei pensando: 'Vou levar alguém que deu problema? Como os outros jogadores e a mídia vão interpretar?'" De acordo com Vampeta, Djalminha teria chegado bêbado à concentração da seleção em amistoso contra a Catalunha em maio de 2002 e cobrado Felipão: "Você convocar esse moleque [Kaká] e não me levar porque eu briguei com o treinador? Você não sabe o que eu passo com ele?".

Esta foi a mais recente Copa do Mundo para a qual foram convocados mais jogadores atuando no Brasil do que no exterior.

Convocados Convocados no dia .