O Eurocopter AS350 Écureuil (ou Esquilo), hoje Airbus Helicopters H125, é um helicóptero utilitário leve originalmente desenvolvido pela Aérospatiale e Eurocopter, hoje Airbus Helicopters. É fabricado no Brasil pela Helicópteros do Brasil S.A (Helibras) com a nomenclatura HB350 B. Segundo a Helibras, a nacionalização é de 43%.
Desenvolvimento Nos anos 1970, a Aérospatiale iniciou um programa para substituir o Aérospatiale Alouette II."1974: AS350/355 Ecureuil/AStar- AS550/555 Fennec – EC130." Eurocopter, Acessado em: 25 de dezembro de 2015. Enquanto o Aérospatiale Gazelle, que havia sido desenvolvido nas décadas de 1960 e 1970, havia recebido inúmeros pedidos de clientes militares, as vendas comerciais do modelo foram menores do que o esperado, surgindo assim a necessidade de um desenvolvimento voltado para o setor civil.
O desenvolvimento da nova aeronave de asa rotativa, liderado pelo engenheiro-chefe René Mouille, tinha como foco a produção de um helicóptero econômico e eficiente em termos de custos, sendo assim, os departamentos de Produção e Aquisição da Aérospatiale estiveram fortemente envolvidos no processo de design. Uma das medidas adotadas foi o uso de uma estrutura de chapas laminadas, uma técnica de fabricação adaptada da indústria automobilística. Outra inovação foi o rotor principal recém desenvolvido, chamado Starflex. Também foi decidido que novas variantes, tanto civis quanto militares, seriam desenvolvidas para atender aos requisitos militares estabelecidos.
Em 27 de junho de 1974, o primeiro protótipo, um AS350C equipado com um motor turboeixo Lycoming LTS101, realizou seu voo inaugural em Marignane, na França. O segundo protótipo, equipado com um Turbomeca Arriel 1A, fez seu voo inaugural em 14 de fevereiro de 1975.Jackson 2003, p. 244. A versão com motor Arriel, o AS350 B, destinada a vendas em todo o mundo, exceto na América do Norte, recebeu certificação na França em 27 de outubro de 1977, enquanto o AS350 C (ou AStar) com motor Lycoming foi certificado pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) em 21 de dezembro de 1977. Em março de 1978, as entregas para clientes começaram para o AS350B, e as entregas do AS350 C começaram em abril de 1978.Taylor 1982, p. 56.
Com o tempo, o Esquilo passou por desenvolvimentos adicionais. Embora o design da aeronave permaneça amplamente similar, aspectos como o sistema de rotor, motores e aviônica foram progressivamente aprimorados. Em 6 de fevereiro de 1987, um protótipo do AS350 B2 voou com um rotor de cauda tipo fenestron em substituição ao convencional. Em 1.º de março de 1997, o primeiro AS350 B3, equipado com um motor Arriel 2B, realizou seu primeiro voo.
Programas de conversão e complementos para o AS350 têm sido produzidos e são oferecidos por empresas aeroespaciais terceirizadas no mercado de reposição, além daqueles disponíveis diretamente pelo fabricante principal do modelo. Variantes do AS350 B com motor Arriel, AS350 BA, AS350 B1, AS350 B2 e AS350 B3, foram introduzidas progressivamente. O modelo B3 mais recente difere dos modelos anteriores pelo uso crescente de sistemas digitais, como o conjunto de aviônica G500H fabricado pela Garmin e o sistema de controle do motor FADEC.Lombardi, Frank. "AStar Evolution. ", Aviation Today, 12 de maio de 2015.
Antes de 2013, o modelo era fabricado principalmente nas instalações da Eurocopter em Marignane, perto de Marselha, França. Como parte de um movimento da empresa para dispersar suas atividades de produção de helicópteros, a Eurocopter optou por iniciar a produção e montagem final do AS350 em sua fábrica em Columbus, Mississippi, para entregas ao mercado de helicópteros comerciais dos EUA. O AS350 tem sido o produto mais vendido da Eurocopter no mercado estadunidense, com um modelo sendo vendido a cada dia útil. Em março de 2015, o primeiro AS350 B3e montado em Columbus recebeu sua certificação da FAA."First US-made Airbus Helicopters AS350 certified. ", Aerospace Manufacturing and Design, 3 March 2015. Em dezembro de 2015, a Airbus Helicopters anunciou a intenção de dobrar a taxa de produção do AS350 em Columbus, com a instalação capaz de produzir até 65 AS350 por ano.
Projeto O AS350 é um helicóptero de motor único, equipado com o Lycoming LTS101 ou Turbomeca Arriel, que aciona um rotor principal de três pás, equipado com uma cabeça de rotor Starflex. O tipo é conhecido por seu desempenho em altitudes elevadas e tem sido usado por operadores em ambientes desafiadores.Lombardi, Frank. "AStar Evolution. ", Aviation Today, 12 de maio de 2015. Tanto o rotor principal quanto o rotor de cauda são feitos de materiais compostos e são projetados para minimizar a corrosão e os requisitos de manutenção.Stephens, Ernie, and James T. McKenna. "The AS350 — Versatility and Power. ", Rotor & Wing, 1 de junho de 2007. miniaturadaimagem|Um AS350 B2 nos alpes suícos, 2006 O AS350 também foi desenvolvido para cumprir os requisitos de ruído em locais povoados. Os níveis de ruído na cabine são baixos o suficiente para que os passageiros possam conversar facilmente durante o voo. A aeronave também pode ser rapidamente ligada e desligada, o que é frequentemente útil durante missões de serviços de emergência médica.Stephens, Ernie, and James T. McKenna. "The AS350 — Versatility and Power. ", Rotor & Wing, 1 de junho de 2007. Ele é equipado com controles de voo assistidos hidraulicamente: esses controles permanecem operacionais, embora exijam um esforço físico maior, no caso de uma falha hidráulica."AS350: Hydraulics Out? Fly the Procedure. ", Rotor & Wing, 1 de junho de 2007.
Grande parte da aviônica do AS350 é fornecida pela Garmin, como o indicador de desvio de curso GI 106A, o receptor VHF/VOR GNS 430, o transponder GTX 327 modo A e C e o intercomunicador GMA 340H.Stephens, Ernie, and James T. McKenna. "The AS350 — Versatility and Power. ", Rotor & Wing, 1 de junho de 2007. O Display Multifuncional de Veículo e Motor (VEMD) e o Indicador de Limite Principal (FLI) servem para aumentar a segurança da aeronave durante o voo, reduzindo o número de instrumentos que precisam ser monitorados pelo piloto e, assim, reduzindo sua carga de trabalho."Civil: H125." Airbus Helicopters, 2015. Para maior suavidade no voo, o que afeta positivamente o conforto dos passageiros, bem como a segurança, sistemas de aumento de estabilidade podem ser instalados. Aeronaves de produção mais recente apresentam novos aviônicos e sistemas, como a integração de um Sistema Automático de Controle de Voo (AFCS) e piloto automático, um glass cockpit com três displays de cristal líquido (LCD) e aviônicos digitais, como o sistema de mapeamento de terreno com visão sintética e a console central Multibloc da Airbus, na qual os rádios podem ser instalados.Lombardi, Frank. "AStar Evolution. ", Aviation Today, 12 de maio de 2015.
O AS350 tem se mostrado popular em uma variedade de funções: várias configurações de cabine podem ser usadas, entre quatro e seis passageiros em uma configuração de assentos típica, e grandes portas deslizantes podem ser instaladas em ambos os lados da cabine. Em alguns operadores, os objetos da cabine foram projetados para permitir que o espaço interno e o equipamento sejam rapidamente reconfigurados, possibilitando a mudança de função da aeronave.Lombardi, Frank. "AStar Evolution. ", Aviation Today, 12 de maio de 2015.
Histórico operacional
Brasil miniaturadaimagem|300x300px|Um HB350 do Exército Brasileiro Até 2011, mais de 300 helicópteros estavam em operação no Brasil, incluindo no porta-aviões NAe São Paulo (A-12). Desde 1984, a Marinha do Brasil utiliza os AS350 para apoiar o Programa Antártico Brasileiro. A Helibras, a subsidiária integral da Eurocopter no país, fabricava até 70% dos 600 helicópteros utilizados em território nacional até 2012."Eurocopter Unit Inaugurates Chopper Plant in Brazil.", DefenseNews, 2 de outubro de 2012. Em janeiro de 2011, a Helibras assinou um contrato com o Exército Brasileiro para atualizar e reformar substancialmente a frota de 36 AS350 Ecureuil. É carinhosamente chamado de "Tudão" ou "Faz Tudo", pela sua versatilidade em realizar uma grande gama de operações.
Marinha do Brasil A Aviação Naval incentivou a produção de helicópteros do Brasil e foi o primeiro operador nacional do Esquilo. A primeira encomenda foi de seis modelos HB350, alocados no 1.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1) em São Pedro da Aldeia, recebidos entre 1979 e 1980. Outras três aeronaves foram adquiridas em 1983.
Com o sucesso da operação dos Esquilos pela Marinha, em 1983, foi anunciada a aquisição de um lote de 10 unidades AS355 F2, com oito unidades designadas para integrar o 7.º e 8.º Grupo de Aviação, estabelecido na Base Aérea de Manaus. Eles seriam destinados a realizar diversas missões na região amazônica, em conjunto com os CH-34 Super Puma.
Na Marinha, os HB 350BA são denominados como UH-12 Esquilo. Já os AS355 F2, são denominados UH-13 Esquilo.
Em outubro de 2006, a Marinha do Brasil doou um modelo Esquilo para a Marinha do Uruguai, em cerimônia realizada em Montevidéu sob a presença do presidente do Uruguai na época, Tabaré Vázquez.
As unidades do HB350 são utilizadas como helicópteros utilitários no 1.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-1), em São Pedro da Aldeia, 3.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-3), em Manaus, 4.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-4), em Mato Grosso do Sul, e no 5.º Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-5), no Rio Grande do Sul.
Força Aérea Brasileira thumb|Um HB350 da Força Aérea BrasileiraUm total de 30 aparelhos HB350 B foram adquiridos pela Força Aérea Brasileira, operando a partir de 1986 como UH-50.
O primeiro grupo aéreo a receber o UH-50 foi o 1.º/11.º GAV, em 10 de outubro de 1986. No ano seguinte, foi a vez do 2.º/8.º GAV. Também em 1987, a Academia da Força Aérea e a Base Aérea de Anápolis receberam uma aeronave UH-50 cada.
Hoje, as 26 unidades restantes são usadas principalmente nas atividades de instrução aérea no 1.º/11.º Grupo de Aviação e pela Equipe SAR da Academia da Força Aérea, em Pirassununga, esta última era a aeronave do 2.º/8.º Grupo de Aviação.
Exército Brasileiro
Com a recriação da Aviação do Exército do Brasil, em 1986, foram adquiridos inicialmente 16 HA-1 Esquilo. A aeronave recebeu seu "batismo de fogo" em 1991, no âmbito da Operação Traíra, uma ofensiva conjunta das Forças Armadas brasileiras e colombianas contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia na fronteira, ao lado do HM-1 Pantera. Eles levaram suprimentos à base no rio Traíra, transportaram o 1.º Batalhão Especial de Fronteira e infiltraram e exfiltraram patrulhas do 1.º Batalhão de Forças Especiais. A operação revelou a necessidade de introduzir regras de voo por instrumentos, navegação por GPS e uma base de aviação na Amazônia.
Em meados dos anos 2000, o HA-1 mostrou-se útil no reconhecimento após a instalação do Sistema Olho de Águia, com uma câmera e antena instaladas abaixo do piso e conectadas aos decisores militares em terra.
Em agosto de 2022, o Exército Brasileiro operava 34 unidades do modelo AH-1A Fennec, sendo 16 no Centro de Instrução da Aviação do Exército (CIAvEx), em Taubaté, 12 no 1.º Batalhão de Aviação do Exército (1.º BAvEx), também em Taubaté, e 6 no 3.º BAvEx, em Campo Grande.
Uso policial