Jagged Little Pill é o terceiro álbum de estúdio da artista musical canadense Alanis Morissette. O seu lançamento ocorreu em 13 de junho de 1995, através da Maverick Records, seguido de uma distribuição global nos dias seguintes através da Maverick e da Reprise Records, sendo seu primeiro trabalho comercializado mundialmente. Após o lançamento de seus dois primeiros discos Alanis (1991) e Now Is the Time (1992) em seu país natal, os quais obtiveram um desempenho positivo no território, Morissette concluiu seu contrato com a MCA Records Canada, que foi a responsável por lançar os álbuns no país. Pouco depois, conheceu o empresário Scott Welch e mudou-se para Toronto; entretanto, a intérprete não fez muito progresso até mudar-se para Los Angeles, onde conheceu o produtor Glen Ballard, com quem compôs e produziu todo o material de seu terceiro projeto. Mais tarde, foi contratada para a Maverick pelo então executivo de A&R Guy Oseary. Oficializando-se como o responsável por inserir Morisette no cenário musical internacional, Jagged Little Pill foi concebido entre 1994 e 1995, e gravado no mesmo ano nos estúdios Westlake Recording Studios e Signet Sound Studios, ambos situados em Hollywood, Califórnia.

Produzido inteiramente por Glen Ballard, Jagged Little Pill é musicalmente derivado dos gêneros pop rock, post-grunge e rock alternativo, possuindo influências de outros estilos como indie rock. Sua instrumentação inclui bateria, guitarra, baixo e órgão. Liricamente, suas faixas tratam de temas como relações sexuais e questões familiares. O disco recebeu análises predominantemente positivas de críticos musicais, que prezaram sua produção e seu lirismo, bem como os vocais de Morissette. Como resultado, foi indicado em nove categorias dos Grammy Awards de 1996, vindo a vencer cinco delas, incluindo a de Álbum do Ano, fazendo da cantora (na época com 21 anos) a mais jovem a receber este prêmio até então e foi listado pela revista Rolling Stone como o 69.º entre os 500 melhores álbuns de todos os tempos.

Comercialmente, o trabalho também mostrou-se ser extremamente bem recebido. Atingiu o topo das tabelas musicais de mais de 10 países, incluindo Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido, enquanto listou-se entre os dez mais vendidos em todos os territórios onde entrou. Nos Estados Unidos, debutou na posição de número 117 na Billboard 200, vindo a culminar no periódico, permanecendo no topo por 12 semanas não-consecutivas. Como resultado, converteu-se no disco mais comprado no país em 1996, bem como na década de 1990, sendo certificado com diamante (16x platina) pela Recording Industry Association of America (RIAA) e registrando vendas de 16 milhões de unidades na nação. Mundialmente, Jagged Little Pill comercializou 33 milhões de cópias, sendo um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos e o mais bem sucedido de Morissette.

Seis singles foram lançados do disco, dos quais "You Oughta Know" e "Ironic", conseguiram atingir as dez primeiras posições na estadunidense Billboard Hot 100, enquanto os demais, "Hand in My Pocket", "You Learn" e "Head over Feet", "All I Really Want" receberam um lançamento limitado e obtiveram um desempenho moderado nas paradas musicais. A divulgação do CD contou com apresentações em premiações e programas televisivos e a turnês musical Jagged Little Tour feita em 1995. Jagged Little Pill tornou-se o disco em que Morisette foi "descoberta", com a cantora estabelecendo notoriedade em todo o mundo e fez com que profissionais especializados elogiassem a abordagem de assuntos como sexo e ira neste, bem como sua maturidade, o que resultou em uma identificação maior do público jovem e feminino com suas músicas. Além disso, foi notado como uma influência importante para diversas outras artistas femininas.

Antecedentes Em 1990, a cantora canadense Alanis Morissette assinou contrato com a gravadora MCA Records Canada, e no mesmo ano lançou seu álbum de estreia, Alanis, composto em grande parte por faixas que ela havia escrito com seu produtor, Leslie Howe. Comercialmente, o trabalho foi significativamente bem recebido em seu país natal, vendendo cerca de cem mil cópias e recebeu uma certificação de ouro. Seu álbum seguinte, Now Is the Time, saiu em 1992, e sofreu fraco desempenho comercial. Consequentemente, seu contrato com a MCA foi concluído e não renovado. A composição de ambos os trabalhos era direcionada ao teen pop e dance-pop, visando capitalizar com o mesmo apelo juvenil que catapultou as estadunidenses Debbie Gibson e Tiffany. Em 1993, o ex-agente de Morissette, Leeds Levy, da MCA, a apresentou ao empresário Scott Welch, que ficou imediatamente impressionado com as suas habilidades como compositora e sua personalidade obstinada. Na época ela ainda morava com os pais. Juntos, eles decidiram que seria melhor para sua carreira deixar Ottawa, ir para Toronto e começar a escrever com outras pessoas. Algo que ela fez aos 19 anos, após concluir os estudos. Welch a apresentou ao produtor estadunidense Glen Ballard, que ficou encarregado de ajuda-la a encontrar a direção musical certa para seu próximo registro. O produtor mais tarde mencionou como foi contatado: "Eu era redator da equipe da MCA desde 1978. Em 1994, eu estava gravando discos, escrevendo e produzindo em tempo integral, e recebi uma ligação do meu editor dizendo que havia uma garota do Canadá na cidade, você escreveria uma música com ela?".

Desenvolvimento e gravação

Morissette co-escreveu o álbum apenas com Glen Ballard, que também o produziu. A primeira sessão de escrita ocorreu em 8 de março de 1994, no estúdio caseiro de Ballard localizado no Vale de São Fernando, em Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos. De acordo com ele, a conexão entre os dois foi "instantânea", e 30 minutos depois de se conhecerem, começaram a experimentar novos sons. Ballard relatou à revista Rolling Stone; "Em pouco tempo me conectei com ela como pessoa e, quase entre parênteses, disse; 'Uau, você só tem 19 anos?'. Ela era tão inteligente e pronta para se arriscar em fazer algo que poderia não ter aplicação comercial. Embora houvesse alguma dúvida sobre o que ela queria fazer musicalmente, ela sabia o que não queria fazer, que era qualquer coisa que não fosse autêntico e de seu coração". No estúdio, o produtor pediu à cantora para que o mostrasse alguma de suas composições, o que ela recusou por não se sentir a vontade com nada que havia desenvolvido até então. A partir de seu violão, Ballard decidiu testar a capacidade de composição da artista. Juntos eles escreveram uma faixa nomeada "The Bottom Line", que de acordo com Ballard, foi criado com base na ideia de um bar situado na cidade de Nova Iorque, conhecido como Bottom Line, que costumava receber "grandes músicos". No mesmo dia, Morissete gravou uma fita demo contendo a canção, e por volta das 10 horas daquela noite, retornou para casa. No dia seguinte, Ballard enviou a gravação para Welch, que a aprovou. Sentindo-se motivado, ele se reuniu novamente com a cantora e, juntos, desenvolveram outra faixa, intitulada "Closer Than You Might Believe", que também foi aprovada pela editora. Ballard sentiu que embora nenhuma delas tivesse grande apelo comercial, saber que estava na direção certa era "um impulso suficiente para continuar trabalhando".

Em junho, a intérprete retornou ao Canadá por onde esteve durante todo aquele verão. Nesse período, executivos da MCA analisaram o material que havia sido criado por Ballard e Morissette até então e ficaram confabulados, solicitando que a cantora voasse o quanto antes para Los Angeles para criar mais material com o produtor. De acordo com Ballard, eles "simplesmente enlouqueceram" e em um mesmo dia escreveram "You Oughta Know", seguindo por "You Learn", "Head Over Feet" e "Hand in My Pocket" nos dias seguintes. A dupla procurou escrever e gravar uma música por dia, em turnos de doze ou dezesseis horas, com overdubbing mínimo sendo usado. Um processo muito instintivo, sem muita discussão sobre como deveriam soar as músicas, quando a melodia vinha, eles colocavam letras e gravavam. A dupla se encontrava para almoçar por volta do meio-dia em uma trattoria na esquina do estúdio e conversavam sobre a música que planejavam escrever naquele dia antes de voltar para o espaço para começar a trabalhar — sem engenheiro, sem músicos externos, apenas os dois. Em entrevistas, os dois declaravam constantemente que gravar Jagged Little Pill foi como tentar "engarrafar relâmpagos". Morissette explicou que isso funcionava como "uma maneira adorável de escrever para mim. É uma música por dia. Se você ouvir, você perceberá que não houve nenhuma premeditação. Mas se algo foi premeditado, fui eu pensando: 'Não vou parar até amar esse disco'". Todos as obras criadas para o disco respeitam essa regra, cada uma gravada em uma ou duas tomadas. As faixas foram refeitas posteriormente em um estúdio profissional utilizando os vocais demo originais. Embora a maior parte do conteúdo do disco tenha sido escrito em tempo real, três futuras músicas que viriam fazer parte de seu alinhamento — "Hand in My Pocket" e "You Oughta Know" e algumas linhas de "All I Really Want" —, foram parcialmente extraídas de trechos do diários pessoal da artista.

Numa das posteriores reuniões entre Ballard e Morissette, "Ironic", veio ser escrita para o álbum. Em uma entrevista com Christopher Walsh, da Billboard, a cantora explicou que esta havia sido a primeira em que eles escreveram juntos desde o começo, ao oposto das anteriores que começaram a serem escritas com Ballard lançando as letras, completando: "Eu tinha escrito com pessoas no passado que não queriam que eu escrevesse letras, então havia uma parte de mim que sabia que eu era um letrista. Depois que começamos a entrar no hiperautobiográfico, ficou assim, porque só eu poderia escrever essas histórias". Ballard explicou que o processo de criação da música surgiu de uma conversa que ambos tiveram em um almoço quando ela disse: "Não seria irônico se um cara ganhasse na loteria e morresse no dia seguinte?". "Right Through You", por sua vez, surgiu como uma resposta após um amigo de Ballard ligado a Atlantic Records, promete-la um contrato com o selo, que mais tarde foi rejeitado. Em dezembro de 1994, a dupla levou as demos para um estúdio e começou a trabalhar em arranjos completos para 5 canções: "You Oughta Know", "Right Through You", "Forgiven", "Wake Up" e "Mary Jane". Chris Fogel foi o engenheiro de som. "You Oughta Know" continha uma guitarra tocada por Dave Navarro junto com o baixo fornecido por Flea. Ambos criaram a música no estúdio juntos e com uma instrumentação diferente. Então, foram convidados a reescrevê-la, algo que Navarro descreveu como sendo "muito parecido com um remix". Falando a esse respeito, ele disse: "A estrutura da música estava pronta, mas não havia arranjos guia, só tínhamos o vocal para trabalhar. Foi apenas um bom momento e basicamente improvisamos até encontrarmos algo que deixássemos nós e Alanis felizes".